Conexão Seattle
30 Mudança de prioridade
Notas iniciais
Jonah mal dormira, a expectativa o fizera passar a maior parte da noite em claro, e quando o dia começava a clarear, ele se encontrava completamente pronto observando a chuva.
Shelby ouviu o som de um celular tocando e achou que estivesse sonhando. Voltou a dormir acordando apenas uma hora depois.
Brad se esforçava para sair do meio dos lençóis enquanto ouvia a chuva cair com força.
Griffin saiu de casa as seis horas, e estranhou ao encontrar dois agentes ambientais na portaria com uma caixa cheia de furinhos nas mãos.
Os quatro chegaram ao aeroporto praticamente na mesma hora, e quando faltava exatamente dez minutos para o avião embarcar, descobriram que a vocalista da banda não poderia ir ao que seria, até o momento, o mais importante teste da história da Purple.
Sam estava sentada num quarto de hospital repassando toda a sua manhã na sua cabeça. O telefonema histérico de Carly, às quaro da manhã, a chegada no hospital, e o encontro com o tio de Freddie que autorizou que a conduzissem ao quarto onde esse dormia. A principio, Sam achou que essa seria a melhor parte, a de não ter de cruzar com Marissa. Mas estava enganada.
Arthur estava preocupado. Não quisera mencionar nada, mas parecia estar certo de que o que acontecera tinha a ver com a história da fortuna secreta de Freddie. Falou brevemente com Sam sobre como é normal o aparecimento de cobras em tempos chuvosos e depois saiu dizendo que precisava de ar.
Passaram-se dez minutos, e ele não apareceu. Sam não queria deixar Freddie ali sozinho, mas o teste que estava marcado era de longe o mais promissor que já haviam conseguido, e não havia apenas a carreira dela em jogo. O aeroporo ficava a quinze minutos do hospital e quando faltavam vinte minutos para o embarque, ela se decidiu.
Hesitante, Sam se levantara da cadeira e inclinara-se sobre a cama fitando o semblante de Freddie. Um “Eu volto logo” saia dos seus lábios no instante em que a porta se abrira e um homem alto e de olhar frio irrompera pela sala com um sorriso surpreso e forçado nos lábios.
Steven Robinson dissera que estava visitando um amigo que coincidentemente fora mordido por um aracnídeo e ao localizar o quarto de Freddie através de um prontuário na porta resolveu ver como ele passava. Ele ficara na sala bem uns vinte minutos, e perguntava a cada dois se Sam não queria ir embora descansar, sempre se oferecendo para esperar Arthur ao lado de Freddie.
Sam fizera um grande esforço para manter a calma e não chamar uma enfermeira para perguntar que diabo de hospital era aquele que deixava qualquer um entrar onde bem entendesse. Mas manteve a calma e permaneceu ao lado de Freddie durante todo o tempo em que Steven Robinson permaneceu no lugar. Quando o homem foi embora, o tio de Freddie ainda não havia voltado, e Sam sabia que não daria mais tempo de fazer teste algum.
Agora ela observava Freddie dormir tranquilamente e deixava que lágrimas silenciosas lhe escapassem dos olhos. Não pelo teste perdido, mas pela vulnerabilidade em que Freddie se encontrava. Tinha a perna esquerda enfaixada, e dormia não por que estivesse com sono, mas por que o sedaram para que não sentisse dor. Seria extremamente fácil para quem quer que fosse, entrar ali sorrateiramente, e sufoca-lo com um travesseio. Depois sairia tão silenciosamente quanto entrou e fim. Ela envolveu a mão dele com as suas e deitou a cabeça sobre o colchão.
Freddie abriu os olhos lentamente e fitou o teto do quarto. Sentia uma dor insuportável em toda a extensão da perna esquerda, e um sono incontrolável que o forçava a fechar as pupilas. Estava em um quarto azul claro, com uma lâmpada no teto, parecida com aquelas que os personagens de filmes veem antes de morrerem. Um arrepio percorreu seu o corpo e ele forçou-se a abrir os olhos novamente. Sentiu uma mão apertar a sua um sorriso involuntário surgiu nos seus lábios ao ver aqueles olhos azuis fitando-o docemente.
–Oi. –Disse ele.
–Oi. Como você está se sentindo?
–Bem. A perna ainda dói um pouco, mas já vai passar.
Freddie se ergueu e sentou na cama com certa dificuldade. Foi lembrando dos fatos lentamente. Fora mordido por uma cobra imensa, cujo veneno fizera efeito em poucos minutos. A última coisa de que se lembrava era de Spencer ajudando sua mãe a coloca-lo dentro de um carro. Lembrou também que estava brigado com Sam.
–E então...Que horas são? –Perguntou ele esfregando os olhos.
–Sei lá, quase oito.
–Que coisa horrível não é?
–É sim, mas não vamos falar disso agora... Mas te juro uma coisa. Ainda vou colocar uma naja na cama de quem fez isso!
–Acha que foi proposital? Quer dizer, que alguém fez isso?
–Você não?
–Não. A porta do meu quarto estava trancada, não tinha como alguém ter entrado e...
–Se você soubesse como é fácil arrombar uma porta... Mas disse que não íamos falar disso.
–Está bem.
–Por que estava dormindo com a porta fechada?
–Hã... Já disse que minha perna ainda dói bastante?
–Já sim, mas por que trancou a porta? Estava desconfiado de alguma coisa?
–Eu ia ter que te contar de qualquer jeito... –Disse após um suspiro. –Sabe a Cintia a amiga da minha mãe?
–Hm...
–Sam, eu não tive culpa, estava estudando...
–Fala, Freddie, o que aconteceu?
–Ela... Ela... Me beijou. –Disse num fio de voz. –Ai eu coloquei ela pra fora, e tranquei a porta.
–Espera. –Ela tentava conter a raiva. –Não disse que ela ficaria apenas um dia na sua casa?
–É, mas...
–E antes disso, você a deixou entrar no seu quarto?
–É, mas...
–Ok, Freddie o que você acharia se minha mãe hospedasse um garoto e eu o deixasse ficar circulando no meu quarto?
–Sam, eu...
–Compreende que a sua mãe a convidou com esse intuito?-Ela deu um longo suspiro. –Mas tudo bem, não vou brigar com você. Hoje não. A Cintia ainda está na sua casa?
–Não sei. Ela ia embora hoje, mas com tudo isso, eu já nem sei mais. –Freddie a fitou desconfiado. –Por quê?
–Por nada. –Sam deu de ombros. –Você está com fome?
–Um pouco, — Ele fitou o nada em silêncio. –Sam, precisa se afastar de mim...
–Nem que eu quisesse. O senhor Robinson acabou de sair daqui. Acho que agora nosso sigilo morreu de vez.
–O que? –Disse sobressaltando-se. –Mas por que, como ele soube, e que veio fazer aqui?
–Freddie. –Disse após um suspiro. –Acredito que nós dois temos nossos palpites. Mas agora você vai tomar café e quando se recuperar, conversamos.
Sam não demonstrava preocupação alguma ao dizer aquelas palavras enquanto Freddie ficava lívido. Ela sorriu docemente e estendeu a mão e apertou a pequena campainha para chamar uma enfermeira. Depois começou a ajeita-lo nos travesseiros.
Então de repente toda a tensão daquela situação se apoderou de Freddie que teve de fazer grande esforço para conter as lágrimas de angustia que lhe vieram aos olhos. Não teve medo do animal, que após dar o bote, se afastou fugindo. Não tinha medo de quem quer que estivesse por trás daquilo, apenas do que esse alguém poderia fazer com as pessoas que ele amava.
–E a minha mãe heim? –Perguntou enquanto mancava em direção a cama.
–No Bushwell com os agentes ambientais tentando descobrir de onde a cobra veio. Seu tio saiu ha um século dizendo que já voltava e te abandonou.
–Não estão fazendo a mínima falta. –Disse com um sorriso discreto.
Sam o olhou sorrindo e aproximou os lábios dos dele, quando o barulho da porta sendo aberta a fez recuar. Uma enfermeira entrou na sala lançando aos dois um olhar reprovador. Após entregar a Freddie uma bandeja contendo suco e algumas torradas, a mulher se retirou deixando-os.
Alguns minutos depois, Marissa apareceu e tentou disfarçar a surpresa ao encontrar Sam, e não a enfermeira ao lado de Freddie, enquanto ele tomava café. Sam a cumprimentou educadamente e se despediu de Freddie beijando-o nos lábios. Havia muita pouca coisa no mundo que a faria perder a chance de provocar aquela mulher.
–Quem deixou essa garota entrar? –Perguntou Marissa assim que ela saiu.
–O tio Arthur. Ela se chama Sam.
–Tudo bem Freddie. Onde está o irresponsável do seu tio?
–Sei lá, eu acabei de acordar, e só estava aqui a Sam. E então o que os agentes disseram?
A discussão já se prolongava por algumas horas. Começara no aeroporto e se estendera durante todo o trajeto até a casa de Jonah. Ele era o mais processo de todos pregava o fim definitivo da banda e o isolamento de Samantha Puckett. Os outros, embora tentassem se convencer de que Sam provavelmente possuía alguma razão para não ter comparecido, estavam quase tão aborrecidos quanto ele.
–E nem ao menos telefonou! –Gritava Jonah. –Ela não está nem aí pra gente!
–Ainda acho que deveríamos esperar ela chegar...
–Pra que Shelby?Sabe o trabalho que o Brad teve pra arranjar esse teste?
–Não fez mais que o trabalho dele...
Brad abriu a boca pra contestar, mas foi bruscamente interrompido.
–É, mas a Sam não fez o dela. E se todo mundo não trabalha a gente não sai da garagem!
–Ela deve ter tido algum motivo pra não ter ido.
–O que, em nome de Deus, Shelby pode ser mais importante do que esse teste?
–Não faço ideia... Mas não adianta ficar aí gritando! Temos que esperar ela voltar...
–Não quero saber! Ela mandou a droga de uma mensagem dizendo que não podia ir e acha que pode ficar tudo bem?
–Olha só... –Griffin mirava o nada pensativo. –Quando eu estava saindo de casa hoje cedo, havia um movimento estranho na portaria... A senhora Benson estava conversando com uns agentes ambientais...
–E eu acho que ela recebeu um telefonema hoje cedo. –Disse Shelby. –Estava dormindo, não tenho certeza.
–Acho que aconteceu alguma coisa com o Freddie. –Concluiu Griffin. –Mas não deve ter sido grave quero dizer, a senhora Benson parecia tranquila...
Jonah cerrou os punhos e se atirou no sofá esfregando o rosto com as duas mãos. Griffin se dirigiu a cozinha dizendo que ia beber um copo de água enquanto Brad se aproximou de Shelby, que estava sentada no chão, checando a caixa de mensagens do celular. Ela fez menção de se afastar quando ele se aproximou, mas ele foi mais rápido e sentou segurando os braços dela, evitando que ela levantasse. Jonah saiu da sala silenciosamente.
–Acho que precisamos conversar.
–Não tenho nada pra conversar com você.
–Para de agir como criança. Nós dois erramos, mas trabalhamos juntos e precisamos nos entender!
–Me deixa!
–Para de infantilidade...
–Me obrigue.
–Você é muito irritante, sabia? Custa passar por cima do que passou?
–Dois mil dólares, pra ser precisa.
–O que? –Ele sorriu surpreso. – Ta me cobrando pra voltar a falar comigo?
–Tudo tem um preço. –Ela devolveu o sorriso. –Mas honestamente, acho que só precisamos falar o estritamente necessário.
–É o que você quer?
–É o que eu quero. E é o que eu acho certo também. De qualquer forma, me desculpe pela bofetada.
–Tudo bem, acho que eu mereci. O que acha que aconteceu com a Sam?
–Acho que ela fugiu com o Benson. Isso seria muito doloroso pra você não é?
–Acho que isso não é estritamente necessário. –Ele levantou com um falso ar sério. –Mas se quiser mesmo saber, me avisa. Podemos mudar esse acordo.
Shelby virou o rosto enquanto ele caminhava em direção a cozinha ainda com os olhos fixos nela.
Cintia fechou a mochila e a pôs sobre os ombros. Queria sair daquela casa o mais rápido possível, e só não o fizera antes por que precisou prestar declarações a respeito da cobra. Esperava de coração que ficasse tudo bem com Freddie, ma queria distancia de toda aquela história. Não se daria nem ao trabalho de visitar o garoto no hospital.
Enquanto esperava o elevador, ela cantarolava baixo “American boy”. Não demorou muito, o elevador chegou e ela sorriu instintivamente, cantando um pouco mais baixo. No instante em que viu Sam, ela teve um mau pressentimento e o sorriso sumiu do seu rosto enquanto ela era arrastada pra dentro do elevador pelos cabelos.
Após sair do hospital Sam havia se dirigido até o Bushwell para conversar com Carly sobre o aquele suposto atentado a Freddie. Não tinha duvidas de que a cobra fora colocada propositalmente, e a presença do senhor Robinson no hospital a deixava cada vez mais convicta de que ele tinha algo a ver com toda aquela história.
Sua surpresa não poderia ser maior ao parar do oitavo andar e dar de cara com Cintia. Não pensou duas vezes, agarrou a garota para dentro do elevador, para um acerto de contas. Não quisera submeter Freddie a uma discussão desgastante devido ao que acontecera, mas aquela garota não escaparia de umas boas tapas.
–Por que beijou o meu namorado? –Sam gritou com o rosto colado ao dela.
–Ele me beijou! –Defendeu-se chorando. –solta meu cabelo
Sam deu uma forte joelhada no estomago da garota, e a saltou fazendo-a cair de joelhos. Depois, aproximou-se novamente e a suspendeu pelos cabelos. Seu ar maníaco havia acabado de voltar a sua face e ela percebeu isso ao ver o medo estampado no rosto de Cintia.
–Só se eu não conhecesse o Freddie.
–Me solta! Não tenho culpa se...
Outra joelhada. Cintia arfou sentindo o ar faltar nos pulmões. Sam avançou novamente e começou a sopapea-la no rosto no instante em que as portas do elevador se abriram no térreo. Sam apressou-se e fechou as portas do equipamento tendo a cautela de mantê-lo parado. Ela levantou a barra da calça e sacou de dentro da bota um objeto semelhante a uma faca. Cintia gritou.
Sam encaminhou-se até Cintia e a ergueu pela gola da blusa. Encostou o objeto pontiagudo na garganta de Cintia e mandou que ela lhe desse um bom motivo para não corta-la. Em meio ao choro, Cintia começou a implorar pela vida. Sam a encarava com ódio, encostando cada vez mais o objeto na garganta de Cintia. Não planejava machuca-la seriamente, mas gostava de causar dor física e emocional. O trauma valeria pra ela nunca mais tentar roubar o namorado de ninguém.
–Para! –Gritou ela. –Não fiz por que quis, a mãe dele me pagou pra fazer isso, eu precisava do dinheiro, não quero seu namorado, me deixa em paz!
Sam a soltou na mesma hora, fitando-a perplexa.
–O que você disse?
–Eu sou atriz. –Ela tossiu. – A senhora Benson me chamou dizendo que eu tinha que tentar seduzir o Freddie pra que ele esquecesse uma suburbana. Eu tentei beijar ele, mas ele não deixou me empurrou... não aconteceu nada, eu juro, me deixa ir, eu tenho família, minha mãe...
–Cala a boca! Não pode ganhar dinheiro destruindo a vida dos outros!
Sam dirigiu-se lentamente até o painel do elevador e abriu as portas. Voltou-se pra Cintia e cravou o suposto estilete no próprio braço. A garota fechou os olhos horrorizada e quando abriu viu o braço de Sam perfeito.
–É uma lixa de unha. –Disse a loira que apenas dobrara o objeto. –Agora vai embora!
Apenas quando Cintia se levantou e saiu, foi que Sam viu duas senhoras aguardando para subir. Ambas observaram, horrorizados a menina trôpega, sair do prédio enquanto Sam guardava a lixa novamente como se nada tivesse acontecido. Enquanto o elevador fechava as portas, e Sam estava ali com aquelas mulheres, ela se perguntou se teria como comprar o silêncio delas. Olhando bem pra elas, Sam percebeu que nada lhes podia ser mais valioso que uma boa fofoca.
Carly encontrava-se dentro de um quarto cujas paredes cor de rosa exibiam dezenas de pôsteres e fotos perfeitamente bem organizados. Uma garota estava sentada sobre a cama com um ar depressivo, tinha as faces pálidas e os olhos inchados em função de mais uma noite mal dormida. Ao lado da cama, havia uma cômoda onde encontrava-se uma cartela d remédios pela metade e uma garrafa d’água, e um com um copo emborcado em cima da mesma. Sentada numa cadeira, Carly tentava, inutilmente, manter o tom descontraído da conversa.
–E por que não vai visitar a sua irmã? Sabe, passar uns dias fora, passear...
–Não estou disposta a ficar bajulando a Kate. Queria morar sozinha!
–Missy, tenta conversar com seus pais, eles tem que saber pelo que você está passando.
–Eu estou bem, Carly só um pouco cansada.
–Não está não, olha pra você, está doente, sua mãe viaja e o seu pai vai visitar um amigo no hospital?
–É só uma gripe, sempre que chove eu fico assim, eu vou ficar bem. E como está o Freddie?
–Ah, acho que bem, a Sam está com ele...
–Ainda não acredito que ele está mesmo com aquela suburbana! Já percebeu como tudo o que aconteceu foi depois que ela entrou na vida de vocês?
–Como assim?
–Nosso grupo se extinguiu, parece até que ela fez de propósito. Éramos unidos, populares, mandávamos naquela escola, e agora... Não somos mais nada.
–Coincidência. Ela não em culpa pelo que aconteceu com o Jeremy, muito menos por suas atitudes.
–Se o Freddie não estivesse com ela, ele acabaria olhando pra mim, sei disso.
–Será? O Freddie sempre foi estranho... Alem disso a você só queria ficar com ele pra agradar o seu pai, acha que ele não percebia?
–Sei lá, mas só sei que isso acabou. Estou pensando mais em mim agora. Sabe o que eu fiz ontem? Modifiquei as notas de uma certa pessoa que andou me aborrecendo.
–Você não fez isso.
–Fiz. Sabe aquele demente que é amigo da Sam?
–Qual deles?
–O loiro, o filhote de assassino.
–O Brad? Missy você ficou louca, vão perceber, ele é muito bom aluno!
–Dane-se! Mesmo que percebam, não vai dar pra reverter! Carly foi muito complicado, eu esperei o diretor sair, entrei na sala e invadi o sistema! Agora ele tá ferrado.
–Mas o que ele fez com você?
–Foi muito grosseiro. Mas vamos deixar essa ralé pra lá. Fale de você, quem é o gato da vez?
–Não fale assim, me faz parecer uma qualquer. Bom estava com o Will até a semana passada, mas ai eu conheci o Jeffrey. Acho que estou apaixonada!
As duas continuaram conversando por mais algumas horas até Missy se sentir exausta e cair no sono. Carly verificou a temperatura dela, a ao constatar que estava normal, retirou-se silenciosamente do quarto. Se perguntava o que fazia uma mãe deixar a filha doente sozinha e pedir a uma amiga da mesma para visita-la quando pudesse para que ela ao se sentisse só.
O corredor era longo, e enquanto ela caminhava, sentiu uma vibração vindo da bolsa. Era uma mensagem de Sam perguntando onde ela estava. Após responder, Carly guardou o celular na bolsa e percebeu que havia tomado a direção errada. Estava prestes a se retirar dli, quando uma nova mensagem chegou. Dizia:
Tente arrancar alguma coisa da Missy. Para vídeo do Conexão Seattle.
–Devia ter pensado nisso. –Murmurou. –Agora ela...
Ao levantar o rosto, Carly estremeceu ao perceber que estava diante do escritório de Steven Robinson. Não havia mais ninguém dentro da casa, as empregadas estavam na copa, concentradas no preparo do almoço e em suas conversas descontraídas durante a ausência dos patrões. Impulsivamente, Carly pôs a mão na maçaneta e a constatou que a porta estava aberta. Sem ter real noção do que fazia, ela entrou no escritório extremamente organizado e encaminhou-se até a mesa que havia no fundo da sala.
Rapidamente, Carly saiu do transe em que se encontrava e girou os calcanhares saindo apressadamente da sala. Ela saiu andando pelo corredor praticamente correndo, ainda chocada com o que estivera prestes a fazer. Ainda que existisse a possibilidade de Robinson estar por trás da sucessão de desgraças na família Benson, ela nãose sentia no direito de fazer aquilo. Primeiro por que era errado, segundo por que ele não era o único suspeito.
Já não era mais possível distinguir a cor das botas que Sam usava. Ela caminhava tentando inutilmente desviar das poças que aparecia a cada dois metros que ela andava. Na área próxima ao Bushwell a água que empoçara no chão era limpa, o asfalto não a sujava, mas ali nas imediações da sua casa, alguns trechos estavam esburacados e a lama havia dado nova coloração aos seus calçados.
Ela estava chateada por não ter encontrado Carly em casa, queria dividir suas angustias com alguém. Estava com raiva de Arthur, não por que ele a fizera perder o esse, mas por que não fosse ela, Freddie teria ficado sozinho com aquele homem, e sabe Deus o que poderia ter acontecido.
Quando virava a esquina para atravessar a rua, ouviu um assobio. Estremeceu na mesma hora ao reconhecer aquele som familiar que ela ouvia desde os cinco anos de idade quando o garoto magricela e perverso se mudara para sua rua. Ela olhou pra cima e viu Jonah acenando aborrecido da janela de sua casa. Sam respirou fundo e deu meia volta dirigindo-se a casado garoto.
Foi Griffin que abriu a porta da casa, olhando-a de modo preocupado. Sam se perguntou quanto tempo levaria pra aquela preocupação se converter em fúria. Entrou na casa com passos contidos e observou surpresa Shelby e Brad sentados no sofá e Jonah ao lado do móvel batendo o pé no chão.
–Oi, gente. –Cumprimentou.
–Oi, Sam. –Jonah levantou com um aborrecido. –E então, quem morreu?
–Não tem graça. Graças a Deus, ninguém morreu.
–Então que outra explicação pode ter pra ter faltado a droga do teste?
–Aconteceu algo grave com o Freddie e eu tive que ficar com ele. Desculpem.
–O que aconteceu? –Perguntou Griffin.
–Ele foi picado por uma serpente.
Os quatro se entreolharam incrédulos.
–E isso e motivo pra... –A voz de Jonah sumiu e ele simulou um choro desesperado.
–Calma, Jonah. –Shelby levantou abraçando-o. –Como ele está Sam?
–Agora está bem. Mas quando eu cheguei, ele estava sedado não consegui sair de perto dele...
–Sam, você vacilou. –Disse Griffin. –Achei que ao menos fossemos seus amigos.
–Gente, por favor, me perdoem. Eu sei que fui errada, mas se estivessem no meu lugar...
–Nunca estaríamos no seu lugar! –Esbravejou Jonah desvencilhando-se de Shelby. –Por que você foi a única tola a ponto de se meter com um mauricinho mimado que vai pra UTI, por causa de uma picada de inseto!
–Cobra não é inseto, seu imbecil!
–Não importa, minha filha, há bastante soro antiofídico em Seattle, você não era necessária lá! Mas era necessária em Los Angeles, ao nosso lado! E agora? Satisfeita?
–Eu também estou mal! –Protestou. –Mas acredite, eu tinha que ficar lá.
–Por que? –Perguntou Shelby. –Sam, ele estava no hospital, sendo medicado. Podia vê-lo quando voltasse.
–É o que dar namorar um mimado que nem o Benson... –Completou Jonah.
–Para de falar assim dele, que droga ele não me pediu pra ficar, e culpa é minha, só minha, da pra entender?
–Não faz diferença! –Brad se sobrepôs levantando. –Acredito que o Benson não vai se acidentar a cada teste que tivemos, então podemos seguir adiante?
–Que seja –Disse Jonah erguendo uma sobrancelha. –Mas não quero ver a cara dessa loira traíra até que tenhamos um novo teste.
–E como pretende ensaiar? –Rebateu Sam.
–Ah é. Mas procure não se dirigir a mim.
–Nesse caso eu já vou. –Disse Sam após um suspiro. –Desculpem mais uma vez.
–Shelby. –Disse Jonah se dirigindo à cozinha. –Diga a Sam que estou convidando ela pra almoçar aqui.
–Sam, o Jonah está te convidando pra almoçar aqui. –Disse a outra num tom entediado.
Ainda irritada e sem poder disfarçar a surpresa, Sam deixou a mochila no chão e seguiu o garoto até a cozinha. Do grupo, eram eles dois quem mais sabiam cozinhar, e mesmo morrendo de preguiça, Sam achou que ajuda-lo era uma boa fora de fazer com que ele a odiasse um pouco menos naquele momento. Pouco depois Griffin apareceu e sentou-se à mesa da cozinha onde se pôs a intermediar um ridículo diálogo entre os dois.
Arthur só retornou no hospital a tarde, depois que praticamente atravessara a cidade para conversar com alguém que talvez pudesse lhe ajudar a esclarecer pare da confusão por qual vinha passando. A chuva contribuíra bastante em sua demora. Ele caminhou até a recepção e dirigiu-se a recepcionista tentando parecer tranquilo.
–Boa tarde. Sou Arthur Benson e...
–Lembro-me do senhor. –Disse num tom simpático. –Deixou seu sobrinho com uma garota não foi?
–Isso mesmo, mas creio que há muito ela já tenha ido.
–Ela se foi assim que a mãe do garoto chegou. Sabe, não é permitido dois acompanhantes.
–Certo. –Disse encerrando o assunto. –Posso ir até o quarto?
–Seu crachá. –Disse estendendo o objeto.
–Obrigado.
O homem prendeu o crachá de visita na roupa e se dirigiu apressadamente até a sala onde Freddie se encontrava. Ao entrar no quarto, deparou-se com o garoto sentado na cama, lendo tranquilamente uma revisa sobre tecnologia enquanto comia um sanduiche. Ele levantou os olhos e sorriu ao ver o tio passando pela porta.
–Abandono de menor é crime, senhor Benson! –Disse Freddie.
–Me desculpe rapaz, mas tive que resolver alguns assuntos urgentes. Onde está a sua mãe?
–Foi almoçar. –Ele pôs a revista de lado. –Tio, o que o senhor Robinson fazia aqui? Como ficou sabendo o que houve?
–Ele esteve aqui? -Perguntou surpreso. –Eu não sabia disso, o que ele te disse?
–Eu estava dormindo, a Sam foi quem me contou.
–Freddie, eu não sei como... Eu vou pedir explicações na administração...
–Tem como o senhor tentar descobrir depois se ele de fato veio visitar alguém?
–Sim, mas não pense que vou em hipótese alguma permitir que volte a bancar o detetive.
–Claro cauteloso como o senhor é. –Disse com um sorriso sarcástico.
– Me desculpe, Freddie, nunca imaginei que... Achei que estava seguro aqui. Eu também estava nervoso, Freddie e também a Sam estava aqui... Me desculpe.
–Tudo bem, deixe isso pra lá. –Disse sorrindo. –Onde esteve?
–Falando com o senhor Carter.
–O detetive?
–Sim. E é como eu pensei, Freddie essa cobra não foi uma tentativa de homicídio, apenas tentaram e assustar.
–Não acha que está jogando dinheiro fora com esse detetive? Meses e ele ainda não descobriu nada!
–Descobriu sim. Como eu disse, apenas não quero lhe sobrecarregar.
–Conte-me o que ele descobriu.
–É melhor que não se envolva...
–Tio, puseram uma cobra na minha cama, tem como não me sobrecarregar?
–É, tem razão. Bom, o senhor Carter acha que o coronel Shay a sua mãe escondem alguma coisa. Ele disse que os viu algumas vezes conversando num restaurante afastado.
–Não vejo nada de mais nisso...
–Deixe-me concluir. Ele disse que numa dessas vezes, se aproximou e os escutou. Eles falavam sobre a loja, e o Charles aconselhava a sua mãe a vendê-la de uma vez.
–Tio, o senhor Robinson está chantageando a minha mãe. Tem ideia do por quê?
–Talvez em função disso que esses dois conversavam. –Disse após pensar um pouco. –Até aqui, tem-se que a sua mãe tem um segredo, o senhor Shay tem conhecimento dele e o senhor Robinson a chantageia para que ela venda a loja. Além disso ainda temos o senhor McCartney e o senhor Roger de quem até agora não descobri nada.
–Meu prazo está acabando não é? –Disse tristemente.
–Freddie não pense assim. Escute, quando sair daqui, você vai pra minha casa, é mais seguro. Eu juro que vou descobrir o que há por trás disso tudo. Prometi ao Fred que ia cuidar de você. Sou um homem de palavra.
Freddie fitou o homem por uns instantes e não conseguiu encontrar ali o consolo que procurava. Queria que o pai estivesse ali e disse o que significava tudo aquilo. Queria estar em casa, estudando, se preparando pra uma festa a noite, pra levar Sam ao cinema ou qualquer outra coisa normal. Aquela situação já estava lhe dando nos nervos e foi pra tentar parar de pensar um pouco em tudo aquilo que ele voltou a ler sua revista tão concentrado quanto antes do tio chegar.
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