Notas iniciais
Disclaimer: Infelizmente TWILIGHT não me pertence, mas essa fanfic sim. Por favor, respeitem! .

Capítulo vinte – Sangue

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“A nossa vida é truculenta: nasce-se com sangue
e com sangue corta-se a união que é o cordão umbilical.
E quantos morrem com sangue.
É preciso acreditar no sangue como parte de nossa vida.
A truculência. É amor também.”
Clarisse Lispector -

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O silêncio era sufocante. Os olhares intensos, quase tiros a queima roupa. Anos de mágoa, de rancor, de distância, de tristeza, marcava aquele momento. Era como se o tempo tivesse parado. Nada se movia, noite ou dia não importava. Tudo estava em suspenso.

Aro estava estarrecido. Ali na sua frente estava Esme. Sua Esme, a mulher que ele sempre amara, a mulher que era tudo e o nada para ele. A mulher que era a responsável por tudo o que ele tinha, e tudo o que ele era. Tudo o que ele fizera nos últimos 50 anos foi para ela, e somente ela.

Encarar Aro tinha um grande peso. Esme sentia suas emoções arrastando por sua pele, queimando, corroendo, envenenado suas veias. Era uma sensação agridoce encarar aquele rosto, hoje, tão envelhecido pela idade, mas que ainda carregava tantas recordações do passado. O amigo que ela um dia tanto prezara, e que ela tanto magoara.

– É... – Aro balbuciou, colocando suas coisas sobre o aparador ao lado da porta. – Esme, eu... o que você está fazendo aqui? – perguntou atordoado, e um pouco rude.

Esme arqueou uma sobrancelha diante do tom apresentado pelo homem.

– Qual é Esme? Faz quase 50 anos que não a vejo, e você não quer um tom de surpresa? – questionou retoricamente. – Que eu recordo, há 50 anos você não se incomodou em conversar pessoalmente comigo. Um maldito bilhete, Esme. Foi isso que você me deixou. A porra de um bilhete! – vociferou irritado por quase meio século de silêncio.

Esme suspirou pesadamente, fechando seus olhos. Ela sabia que merecia tudo aquilo, não podia, não tinha o que reclamar. Ela fora covarde, e era ali seu julgamento.

– Nós éramos amigos Esme! Nós tínhamos um compromisso! Porra! Nós íamos casar, e você só...

– Eu sei! – exclamou alto a mulher, sobressaltando Aro. – Eu sei de tudo isso Aro. Você pode achar que eu nunca pensei nisso nestes 45 anos, mas eu pensei! Deus! Só Ele sabe o quanto me lastimei, me culpei por tudo. Mas eu me apaixonei. Me apaixonei perdidamente, Aro. Eu nunca quis te magoar, te machucar, mas também nunca quis...

– Ficar comigo. – completou o homem. – Todo nosso relacionamento foi apenas... não foi anda. Aquilo que vivemos. Três anos, Esme! Três anos não foi nada, foi apenas... – riu sem humor. – algo sem importância, uma diversão para você!

– Quieto! Cale a boca Aro! Você não sabe o que passa na minha cabeça, não sabe o que passa no meu coração. – pontuou irritada. – Se você não tivesse ficado tão obsessivo em ficar rico, decidir não ir para a faculdade. Se eu tive culpa, você também teve! – explanou.

Aro riu em escárnio.

– Querer dar uma vida confortável para a mulher que tinha escolhido para passar o resto da minha vida, é um crime? – esbravejou irônico.

– Crime! – exclamou enraivecida. – Era isto o que era! Você queria construir uma vida familiar vivendo de crime. Tudo o que você conquistou Aro, foi por meio de atos criminosos, e você gostaria que eu aceitasse isso? Como você não vê que isto é completamente ridículo? – questionou retoricamente.

Aro fechou sues olhos em fenda e tomou uma postura de frialdade e periculosidade que emanava por todo o cômodo. Esme sentiu um arrepio percorrer seu corpo.

– Você não reclamava das roupas, dos carros ou dos presentes, Esme. Se não me engano você adorava, e pelo jeito ainda adora, ser paparicada, viver no luxo. – provocou indicando com a mão a mulher.

– Cale a maldita da boca, Aro! – vociferou. – Sei que agi errado, mas isso não te dá o direito de me ofender. Fui estúpida de não te dizer que estava apaixonada por Carlisle, mas o amor é irracional, não tem sentido. E foi isto que aconteceu comigo. – suspirou pesadamente. – Eu me apaixonei perdidamente.

– Apaixonar-se? Amor? – divertiu Aro. – Você realmente se apaixonou por Carlisle, ou, se apaixonou pelo dinheiro dele? Ou ainda, o fato dele ser um médico, filho de um político conhecido? Ou talvez, por causa do flat que Carlisle vivia ao lado da universidade? Ou seria, não sei, pelo status, o fato de tornar-se uma socialite? – provocou cheio de raiva.

Naquele momento Esme estava atordoada com as palavras de Aro. As verdades sobre fatos que ela mantivera em segredo por anos, detalhes que ela acreditava que Aro nunca imaginaria.

Como podia ele saber de tantos detalhes?

– Qual é Esme? – riu debochado. – Você realmente achou que eu não sabia de suas aventuras? Podia não estar todo o tempo ao seu lado, mas isso não quer dizer que não sabia onde você estava. – pontuou ironicamente. – Eu vi a sua caminhada da vergonha depois de dormir com ele, ou você acha que meu pedido de casamento aquele dia era um relâmpago, ou que eu já tinha planejado? Na verdade eu já tinha, mas não seria daquele jeito. Parecia que eu sabia que aquele filho da puta iria me roubar você!

– Você sabia? – perguntou reflexivamente. – E mesmo assim iria casar comigo? – questionou ligeiramente enojada de si mesma.

– Eu te amava! – exclamou. – Eu te amo!

– Não! Você ama a ideia que você tem de mim. – protestou, ainda chocada pelas palavras dele.

Aro riu indignado.

– É o que você acha Esme, é o que você tenta se convencer para minimizar sua culpa. – divertiu-se o criminoso.

– Aro... eu não podia... – suspirou pesadamente. – ficar. Eu nunca teria me perdoado. – suspirou cansada, sentando-se no sofá e levando suas mãos ao rosto.

– Magoar Carlisle que você nem conhecia, você não podia, mas me magoar... você sequer pensou Esme. Você nunca se incomodou com meus sentimentos. Você dizia tanto que eu era seu melhor amigo, mas sequer considerou ele, no caso eu, quando realmente era importante. Como você pode ser tão egoísta? – questionou derrotado.

– Eu sei que fui egoísta, ok? Eu não pensei em você, eu não pensei em Carlisle, eu só pensei em mim, no que eu queria. Foi algo inconsequente, impulsivo, mas era o que eu queria! – declamou. – Quando senti que nosso relacionamento estava cansado, mais uma obrigação do que um relacionamento saudável, mas independente disto eu deveria ter te falado. Ou então quando eu e Carlisle nos aproximamos, eu deveria ter posto um fim no que tínhamos, mas eu não fiz, Aro. Pode ter sido por um capricho meu... eu não sei. Fui uma idiota. – completou cansada.

– Não sabe? – provocou cheio de escárnio. – Carlisle agiu premeditado. Desde a primeira vez que te viu, como um garoto mimado que era, e ainda é, fez de tudo para te conquistar. Ele te comprou como compra um chiclete na esquina, como se paga uma puta para diversão! Ou você acha que ser aceita na irmandade onde as grandes mulheres do país passaram foi apenas golpe do destino? – inquiriu retoricamente. – Deixe eu te dizer uma coisa Esme: os Cullen’s pagaram a sua entrada naquela irmandade, você sempre foi uma mera mercadoria para eles.

– Não fale uma idiotice desta! Isto é simplesmente ridículo. – protestou em descaso.

Aro riu sem humor, mas cheio de ironia.

– Ridículo? – perguntou com falso tom de confusão. – Será Esme que você é tão tola que nunca se perguntou como eu consegui tanto dinheiro, e todo o poder que tenho?

Esme fechou seus olhos em fenda.

– O “papai Cullen”, pagou pelo capricho do filhinho. Calou o corno aqui com o que eles tinham e ainda têm de sobra: dinheiro. – provocou cheio de ironia.

“Como você não vê Esme que para Carlisle você era um capricho, algo que ele não tinha, mas queria tanto? Como você nunca percebeu que ele nunca te amou?”

– Cale a maldita da sua boca Aro! – exclamou a mulher verdadeiramente irritada com aquelas acusações contra o seu marido.

– Oh! Claro! O santo Carlisle. – divertiu-se. – Pena que as amantes que ele colecionou durante todos esses anos não achem o mesmo.

Esme ficou surpresa com aquela sentença, mas tentou não transparecer o seu abalo, mas Aro era muito mais perceptivo do que ela podia esperar.

– Ora Esme, é a genética Cullen. Anthony tinha diversas amantes, óbvio que Carlisle também teria, assim como Edward têm muitas. É um mal dos homens da família Cullen. – declamou cheio de ironia.

Esme riu nervosa, mas tentando soar o mais despreocupada possível.

– Oh Aro, você blefando? É isto que você irá usar como arma contra Carlisle e minha família? – divertiu-se.

Aro arqueou suas sobrancelhas e sorriu torto.

– Acredite no que quiser Esme. – deu de ombros. – No fundo você sabe que eu tenho razão, Carlisle e igual Anthony, e Edward é os dois. – sorriu enviesado. – Na verdade Edward consegue ser um pouco pior do que os dois. – provocou.

Esme apertou seus dentes.

– Não fale do meu filho! – esbravejou a mulher levantando-se de seu lugar.

– Oh! Seu filho, o santo Edward! – provocou mais uma vez.

– Claro, porque você é um pai que se orgulha demais dos filhos que tem, não é mesmo Aro? Quantos são? Todos são manipuláveis como a doce e inocente Isabella? – instigou cheia de ironia.

Aro esboçou uma mínima reação, mas foi o suficiente para Esme compreender que sua nora era o calcanhar de Aquiles de Aro.

– Oh Aro, desde quando te vi no casamento do meu filho com ela, eu soube que você tinha alguma relação com Isabella, tanto que passei a procurar qual era esta relação... sobrinha, não é? – divertiu-se, com uma gargalhada falsa. – Ou seria melhor dizer filha?

Fora a vez de Aro trincar os dentes.

– Acredito que você está equivocada, Esme. Isabella de fato é a minha sobrinha, mas apenas isto: sobrinha, filha do meu primo. – pontuou com seriedade.

– Faço das suas palavras as minhas: acredite no que quiser, Aro. – pontuou. – Porém, é bom deixar bem claro que se a sua sobrinha fizer alguma coisa contra o meu filho ela vai pagar caro! – ameaçou.

Aro sorriu enviesado.

– Eu não preciso que Isabella faça alguma coisa, o próprio Edward vai se queimar sozinho. Seu filho Esme é tão... fodido, tão mau caráter , que esta máscara de bom moço que ele vende ninguém acredita.

– Claro! Isabella é uma santa. – provocou.

Aro sentou-se em uma cadeira defronte ao sofá que Esme mantinha-se em pé. O criminoso tinha um olhar debochado e um sorriso enviesado que transmitia uma superioridade sufocante.

– Claro que Isabella não é santa, muito pelo contrário Esme, Isabella é uma mulher extremamente ardilosa e ambiciosa. Não existe limite para suas ambições, seus desejos. – retirou um frasco de seu bolso interno do blazer onde continha uma dose mínima de uísque, que tomou em um gole. – Edward conseguiu ver todo esse potencial em Isabella, ele sabia que ao lado dela todos seus desejos e sonhos poderiam se realizar. Com Isabella ao seu lado Edward consegue o que quer – declamou Aro com superioridade. – ou quase tudo. – provocou com um sorriso cheio de provocação.

Esme franziu seu cenho.

– Onde você está querendo chegar? – questionou confusa. – Por que todo esse ódio contra meu filho? Por Carlisle eu compreendo, até por mim mesma eu compreendo seu ódio, sua ira, mas por Edward? Edward nasceu alguns anos depois que te deixei, não tem motivo por tanto rancor, tanta necessidade em destruir meu filho? Você quer punir Carlisle através de Edward? É isso Aro?

Aro analisou Esme, mas não demonstrou nenhuma reação as palavras da ruiva, deixando-a extremamente apreensiva.

– Acho que você deve ir Esme. – pontuou o criminoso.

– Você está me mandando embora? – inquiriu atordoada.

– Convenhamos Esme que desde o momento que você entrou nesta sala você quer ir embora, então, por favor, é hora de você ir. – declamou com veracidade e determinação.

A mulher ergueu o queixo contrariada, e respirou fundo.

– Eu posso não saber com exatidão o que você está aprontando Aro, mas eu sei que tem alguma coisa, e pode ser certeza, irei ao inferno para descobrir o que é, e te mandarei para o lugar que é seu de direito: uma cela em algum presídio! – exclamou pegando a sua bolsa que estava sobre o sofá e saindo a passos largos em direção a porta.

Aro continuou com o seu olhar fixo para o lugar em que a mulher estava, os sons que seus saltos faziam contra o piso não o incomodava, nem mesmo o fato dela bater a porta ao sair fez com que o criminoso demonstrasse qualquer reação. Esme em contrapartida tremia de ódio no corredor. Todas as palavras que Aro havia lhe dito, tudo parecia uma ofensa, uma ameaça, mas ela não conseguia entender o que estava entre as entrelinhas de todas aquelas frases.

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Minutos se passaram até que finalmente Aro se movimentou. Pegando o seu celular de um bolso, estudou o aparelho por longos minutos, antes de enfim fazer uma ligação.

Três toques é o que bastaram para a outra pessoa ao atender o telefonema, mas nenhuma palavra foi emitida por nenhuma das partes em cumprimento ou saudação. Enfim Aro determinou:

– Enfim chegou o seu momento. Mostre do que é capaz.

A pessoa do outro lado da linha sorriu vitoriosa.

– Estava aguardando ansiosamente por isto.

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Isabella que nos últimos meses esteve sufocada entre a bebê Elizabeth, os eventos que estava participando, o seu trabalho no gabinete de Edward, e seus encontros com Jacob. Ela não sabia o porquê mantinha a relação com Jake, há meses as coisas estavam estranhas entre eles. Não havia mais fogo e paixão como antes, muito pelo contrário, tudo era muito automático, sem qualquer sedução, ou jogos que durante anos fizeram parte da vida de ambos. A relação ultimamente não passava de um contrato tácito, algo que se fazia por costume, rotina.

Naquela manhã cinzenta de setembro, Isabella que estava em uma entrevista a uma revista de entretenimento quando seu telefone tocou. O toque que ela não esperava ouvir naquele momento.

– Isa, minha princesa... – suspirou pesadamente Jacob. – Eu preciso de você imediatamente! – exclamou com urgência.

– Jake? O que está acontecendo? – perguntou alarmada Isabella.

– Saudades. – divertiu-se tristemente o moreno. – Acordei com uma urgência de você... não sei, preciso de você.

– Jacob... eu... eu não posso... Elizabeth está meio adoentada e tenho tantos compromissos políticos para resolver... – desculpou-se.

– Isa... por favor! – suplicou Jacob. Isabella sentiu um arrepio frio passar por todo o seu corpo, ela podia não querer ir, mas ela conhecia Jacob o suficiente para saber que aquela urgência na voz dele não era um mero capricho, alguma coisa muito mais séria estava acontecendo e ela precisava confortá-lo, não pelos anos que foram amantes, mas pelos anos em que foram amigos e cúmplices.

– Estarei aí em breve. – concordou por fim.

Isabella que usava um vestido branco que utilizaria para um evento de caridade mais tarde, sequer trocou de roupa e com uma urgência infundada conduziu com pressa pelas ruas da capital federal rumo ao apartamento que antigamente dividia com Jacob.

Em seu ouvindo um zumbido incomodo e incessante fazia com que seu coração se apertasse, seu estômago parecia dar cambalhotas, uma sensação estranha consumia a sua alma. Ela queria gritar e não conseguia. Ela gostaria de fugir, mas não podia: ela necessitava ir encontrar-se com Jake, naquele momento ele precisava dela. Nessa sensação de urgência em estar com Jacob ela pensou em Edward. Ela tinha essa urgência com ele?! Se ele precisasse dela com tamanha urgência, estaria ela pronta para estar ao lado dele?!

A resposta a essa pergunta era simples: sim, ela tinha uma relação forte com Edward, ela o amava, mas Edward amava realmente ela, ou será que ele ama o poder que tem acima de qualquer coisa?! Se ela estivesse no lugar de Edward ela também amaria o poder acima de qualquer pessoa? Ela sabia a resposta para isto, ela aprendera cedo que o poder era o mais importante. Aro foi um bom professor neste quesito, para conseguir o mundo você tem que ter poder, se você tem poder você tem dinheiro, amor, amigos, sucesso, o mundo está aos seus pés. Edward tinha o mundo aos seus pés, e era isto que despertava nela essa paixão arrebatadora pelo senador, mas o que levara Edward até ela? Ela não tinha nada... ou... ou realmente Edward se apaixonara? Ou ainda, vira nela algo que ela nunca vira em si mesma.

Atordoada a morena encarou seus próprios olhos no espelho retrovisor.

Castanho profundo. Sem brilho. Opaco. Um olhar sem emoção, mas ao mesmo tempo com segredos tão profundos e tão cheios de segredos, tão marcados de algo que nem mesmo ela sabia o que era. Isabella não se reconhecia mais. Sua cabeça girava com algo que ela não conseguia ver em si mesma: sua determinação, sua vontade de ser mais do que aquilo ali: uma simples mulher objeto para todos.

Sim. Nos últimos meses ela não passava de um objeto para Edward, para Jacob, para Aro, para todos. Edward a utilizava como um meio de agregar votos para si, trazer para sua futura campanha investidores utilizando uma bandeira de homem de família, de que a família era tudo em sua campanha e ele como um bom americano preservaria o bem estar da nobre família americana. Jacob, a usava como uma ferramenta de prazer, não havia mais cumplicidade, não havia mais companheirismo de outrora, tudo não passava de uma determinação protocolar, um acordo de paz, sem sentido ou significado. Para Aro, Isabella era um objeto perigoso, uma arma, que nem mesmo ela compreendia profundamente o quanto aquilo era complexo e extremamente voraz. Tudo o que Aro pedia para que ela fizesse antes ela fazia por inspirar orgulho no homem, quase como uma promissória para um futuro cheio de prêmios e vitórias como jornalista, mas a muito deixara de ser. Desde quando Aro a induziu entrar na vida de Edward, Isabella já não era mais a jornalista, não era a mulher que ela ansiara por ser. Ela já não era possível correspondente política, ela era um objeto nas mãos de homens extremamente ardilosos que a manipulavam a seu bel-prazer.

Num ímpeto a jornalista parou o seu carro. Buzinas tocaram por todos os lados, mas ela pouco se importou, sequer ela ouviu qualquer buzina. O aperto no seu coração tornou-se mais forte, sua cabeça girava com todas as coisas que nunca havia pensado.

Quem era realmente Isabella Marie Swan? Ou melhor: Isabella Marie Swan Cullen? Quem era esta mulher, o que esta mulher estava fazendo por si mesma? Num momento de audácia a morena mudou o seu rumo e seguiu para o lugar que ela se sentira mais feliz em Washington durante todos estes anos? O Washington Post.

Ela não sabe por quanto tempo ficou ali olhando para aquele mármore cinza escuro e para aquelas letras pretas. Podem ter sido minutos, ou horas. Mais provavelmente horas, pois quando ela deu por si, a claridade do dia cinzento já tinha ido e uma chuva de grossos pingos caia sem qualquer medo.

Cada pingo na lataria de seu carro era como um pingo de vida que deixava o seu corpo, quem era ela afinal? Por que ela se deixara manipular desta forma? O que estava acontecendo consigo mesmo? Por que ela estava tão inquieta, tão cheia de própria reflexão? Que sentimento de apreensão era este que a consumia como o fogo consume o carvão? Por que ela estava assim, com o coração tão apertado.

Jacob.

Parecia que ele queria lhe dizer alguma coisa, mas nas entrelinhas de suas palavras no telefone ela não compreendeu nada.

Edward.

Por que pensar em Edward a deixava ainda mais angustiada, era como se algo rondasse não só a sua cabeça e seu coração, mas seu espírito, e por mais que parecesse impossível, Edward estava sempre à espreita.

Quase como um suspiro de terror seu celular sinalizou: duas mensagens de texto não lidas, ambas marcando o mesmo horário: 20h15m. Ela mexeu no aparelho e percebeu que as mensagens eram daqueles que ela pensava: Jacob e Edward.

Jacob questionava onde ela estava? Que estava a esperando no apartamento, e precisava dela urgente.

Edward, por sua vez, pedia para que ela o encontrasse próximo ao aeroporto, em alguns galpões de maquinário.

Novamente a angústia a consumiu. Ela não sabia para onde iria. Por fim ela deixou-se conduzir pelo seu instinto e 20 minutos depois ela estava em frente ao apartamento onde um dia ela dividiu com Jacob. Com grossos pingos caindo sobre o seu rosto e por seus cabelos castanhos, a morena com saltos altos bege caminhou apressadamente por sobre as poças em direção ao hall de entrada. Todos ali a conheciam: sabia que ela viveu ali e que tinha um relacionamento com o atual morador de seu apartamento, mas como pessoas que viviam com medo do que pessoas com dinheiro possam fazer para com aqueles menos desfavorecidos, nunca, ninguém, realmente fez algo que causasse problemas a Isabella.

Seus saltos ecoavam no corredor que levava ao seu antigo apartamento. Mais uma vez sua angustia crescia efervescentemente, um temor, uma sensação de terror alastrava-se por seu corpo. Uma tontura fez com que ela parasse a poucos passos da porta: talvez fosse um sinal do seu corpo sem nada no estomago desde a manhã. Mais alguns passos e enfim ela estava na porta. Ela bateu a porta, e a mesma quase que mecanicamente se abriu.

Todo o interior do apartamento estava apagado. Ela sentiu um arrepio passar pelo seu corpo. Tentou acender a luz, mas nada aconteceu. Procurou em sua bolsa o celular e ligou a lanterna do mesmo. Tudo estava deserto, parecia que há dias aquele lugar não era frequentado. Serenamente ela chamou Jacob, mas não obteve resposta. Tremendo de temor, a morena lentamente adentrou o apartamento, iluminando com a luz fraca de seu celular até onde ela pudesse alcançar, finalmente ela notou que a única coisa estranha naquele apartamento era um pedaço de papel sobre a mesa.

Ainda olhando para todos os lados temerosa, que pudesse encontrar algo que não fosse muito agradável a morena caminhou até a mesa onde estava o papel, anotado com uma caligrafia corrida e que lhe era vagamente familiar estava um endereço. O endereço também não lhe era estranho, mas naquela ansiedade e medo a morena não se preocupou em entender. Chamando mais uma vez por Jacob, e não obtendo resposta, a morena preferiu seguir seu caminho até o encontro com Edward, depois ela procuraria Jake e descobriria o que estava acontecendo com ele e o antigo apartamento.

O caminho que fazia em direção ao galpão que Edward a esperava a deixava a cada segundo inquieta. Era demasiadamente estranho que o seu marido a quisesse encontrá-la em um lugar tão abandonado e perigoso, mas a morena continuou a seguir o seu caminho. Contudo, quando enfim adentrou a rua deserta, a não ser pelo carro que ela sabia que pertencia a Edward, um pressentimento ruim lhe passou. Parando o seu carro no inicio da rua, ela caçou em sua bolsa o papel que recolhera na casa de Jacob, e o endereço anotado com aquela caligrafia apressada era o mesmo em que Edward se encontrara.

Seu estomago revirou-se. Seu coração palpitava numa velocidade alarmante. Suas mãos tremiam ao volante. Tudo a sua volta girava.

Algo estava acontecendo, e se seus instintos estavam certos, não era nada bom.

Suas pernas tremiam quando ela parou seu carro ao lado do seu esposo, mais adiante ela notou um SUV preto desconhecido, e toda a sensação ruim que ela estava sentindo desde o começo voltou com toda a força. Ela tinha a sensação de que algo muito ruim estava ou iria acontecer em breve, e mais uma vez ela não conseguiu desvincular a ideia de que estava sendo manipulada por alguém.

Ao sair de seu carro, ela observou um homem com característica alemã e uma barba ruiva por fazer a observava com atenção. Com passos tremulantes a morena passou pelo homem que apenas lhe deu um aceno, incentivando a sua entrada.

Ao entrar no local seu estomago mais uma vez revirou. Tudo era tão claro, tão estéril, tão mortífero. Aquele lugar perecia uma das câmeras de gás utilizadas pela Alemanha nazista na II Guerra Mundial, onde se exterminavam judeus. Seu corpo tremia, demorou longos segundos para que ela notasse o homem imponente de calças pretas e camisa branca que estava ao fundo da sala. Edward.

Ao mesmo tempo em que ela respirou aliviada, seu coração apertou mais uma vez. Havia algo completamente errado naquela cena, e tudo ficou claro quando o Senador virou para a recém chegada e revelou o que seu corpo escondia.

Sobre os seus pés um corpo cheio de músculos agonizava, todo encolhido, numa respiração desritmada e entrecortada. O aperto que ela sentia no peito se intensificou. Ela não entendia: o que Edward estava fazendo com Jacob.

– Ora Isabella, achei que você nunca nos fosse dar o prazer de sua companhia. – divertiu-se o político com um olhar maníaco e maligno em seu rosto.

– Edward... – suspirou em suplica a morena. – o que está...

– Acontecendo? – completou com um tom divertido o político. – Eu estou conhecendo um pouco melhor o seu grande amigo de infância, não posso? – riu, dando um chute entre nas costelas de Jacob, que gemeu de dor, aterrorizando a morena, e divertindo o senador.

“Sabe, Bella, eu descobri algo bem interessante sobre você e seu amigo de infância aqui. Jacob”- riu divertido. – “O nome Aro Swan Volturi, lhe parece familiar?” – questionou com traquilidade.

A morena meneou afirmativamente a cabeça. Edward não ficou satisfeito com esta resposta.

– Responda com sua voz Isabella! – exclamou.

– Si-sim. – gaguejou.

– Quem é Aro Volturi para você Bella? E quem é ele para nosso colega aqui? – insistiu, abaixando-se e puxando Jake pelos cabelos. Isabella tremeu por dentro.

– Pa... – a morena coçou a garganta para clarear sua voz. – pai de Jacob e meu tio e padrinho. – respondeu encolhendo-se por dentro.

– Pai de Jacob, e tio e padrinho seu... – ponderou Edward jogando a cabeça de Jacob contra o piso de concreto. – Acho tão lindo esse conto de família que vou permitir que você fique ao lado do seu primo para o que eu vou contar a seguir. – falou com suavidade.

Isabella resetou em seu lugar há alguns passos dos dois.

– Isabella! Vá. Até. Seu. Primo! – ordenou pausadamente o político.

Com passos trêmulos a morena chegou próxima a Jacob, e ao olhar o rosto machucado de seu amante e companheiro de anos sentiu um desespero impar naqueles profundos olhos castanhos que tanto se perdeu, inconscientemente a morena ajoelhou-se e acarinhou o rosto suplicante do homem.

– Ah que cena comovente. – divertiu-se cheio de escárnio Edward. – Cenário perfeito para este nosso último ato.

“Então, minha querida esposa, sua história triste de seu pai ter morrido cedo, e você ter sido criada pela sua mãe e seu padrinho, tem tantas similaridades com a do seu primo, que até me deixa emocionado.” – divertiu-se. – “Talvez o ponto mais emocionante seja que vocês...”

– Por favor, Edward. – suplicou Jacob com voz baixa e tremula, sobressaltando Isabella que olhou com os olhos arregalados do amante a seu marido. Edward sorriu enviesado e vitorioso.

– O ponto mais emocionante e que me desperta mais – fez uma careta. – interesse é que vocês além de partilharem tantas coisas, como a cama por anos, vocês também partilham o mesmo pai! – exclamou.

Isabella piscou confusa em direção ao seu marido, seu cérebro não havia assimilado o que ele havia dito. Edward divertiu-se com aquilo.

– Vocês, Isabella, além de dividirem por anos aqueles lençóis baratos, vocês também dividem o mesmo pai: Aro Swan Volturi, é o seu pai. Por quase uma década você vem cometendo o crime mais ultrajante para o nosso sistema jurídico minha querida esposa, você é uma incestuosa, que durante anos vem tendo prazer com o seu irmão, será que aquela garotinha que você diz ser a minha filha, não é fruto deste incesto? – divertiu-se, mesmo sabendo, depois de um DNA, que Elizabeth era a sua filha legítima.

Isabella arregalou os seus olhos incrédula, mas sua mente computava todos os momentos com Jacob nos últimos anos. Relembrava todos os dias que passou com Aro. Com seu pai Charlie. Renée havia traído Charlie? Com Aro?! Seu próprio primo?! Mas como este segredo ficara guardado por anos? A morena encarou Jacob que estava aos seus pés procurando uma resposta, mas fora Edward que lhe dera:

– Sim, Isabella, sua mãe, assim como você, também era uma traidora. Não estava feliz com Charlie e abriu as pernas pro primeiro que apareceu... seu próprio primo, aquele que Charlie tinha como um irmão. – divertiu-se. – História linda não? Incesto, incesto, incesto. – gritou o político.

– Jake... – suplicou a morena, mas o moreno violentamente machucado apenas balançou a cabeça em derrota. – Vo-você sabia? – pediu com urgência.

– Se sabia! – provocou Edward. – Sabia há anos, desde a primeira vez que transaram, segundo ele me contou, mas porra, você é tão gostosa na cama, uma verdadeira puta, que eu entendo porque ele deixou de revelar que vocês são irmãos. Melhor o pau bem aquecido por uma boceta do que passando frio ao relento. – gargalhou.

Lágrimas brotaram nos olhos de Isabella. A morena estava atordoada. Seu cérebro ainda não conseguia assimilar o que estava acontecendo. O zumbido que a incomodava pela manhã voltou mais forte. A ausência de alimento em seu estomago a deixou zonza, ou talvez fosse à revelação de que ela e Jacob eram irmãos, ela não saberá dizer.

Incesto.

Por anos ela cometera incesto ao lado de Jacob e nunca percebeu. Isabella sentiu nojo de si mesma, mas ao olhar Jake todo machucado a seus pés a morena se apiedou. Não era culpa dos dois que a vida tinha sido tão maldita a culpa era de outra pessoa. A pessoa que os manipulou da forma que bem quis.

– Sabe... cansei desta choramingação. – declamou Edward. Isabella inconscientemente levantou sua cabeça em direção ao marido, a tempo de somente observar ele sacando uma pistola preta de dentro do blazer que estava jogado em um canto, e com passos largos caminhando na direção onde ela estava com Jacob. – Alguma consideração? – provocou.

– Edward... – suplicou a morena.

O Senador riu divertido, no mesmo instante que dois tiros ecoavam por todo o espaço quieto do galpão. Manchas vermelhas de sangue tingiam o pisco branco, bem como o vestido branco que Isabella usava. Edward ficou alguns segundos hipnotizado observando as grandes flores de sangue que estampavam o vestido de sua esposa. O olhar de Isabella ao seu marido era de ódio, o mais puro e verdadeiro ódio. Edward saiu de seu estupor quando ouviu uma batida no portão de ferro do galpão.

– Não precisa voltar para casa esta noite Isabella, curta o seu luto, e em breve você receberá os documentos do nosso divórcio. – declamou, puxando o seu blazer e rumando em direção a porta do galpão.

O sangue vermelho vivo de Jacob ensopava o vestido branco de Isabella, e abraçando o corpo sem vida do seu mais fiel amigo e cúmplice ela jurou vingança a Edward.

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Notas finais
N/A: Oi gente! Tudo bem?! . Eu sei, eu sei, que é muito cara de pau minha aparecer assim do nada depois de um ano e meio sem postar nada, eu sei de tudo isso. E ainda vir com um capítulo desses?! Pura sacanagem... HAHAHAHA. Mas eu já havia dito há muito tempo atrás que estávamos caminhando pro final de Conexões Ilícitas, logo situações que levariam ao prólogo iriam acontecer em breve. Sei que deixei perguntas no ar neste capítulo, e que vocês estão ansiosos para saber as respostas, acredito que as respostas virão nos próximos capítulos. . Desde já obrigada por toda a colaboração, calma, paciência sem fim com esta fanfic e principalmente comigo (num ps. eu escrevo o que aconteceu comigo e o porquê do atraso imenso de capítulos), espero que tenham curtido o capítulo, e se sim, já sabe: reviewzinha!!!! . Obrigada por tudo! . Beijos, Carol. . . . Ps.: A demora foi longa, eu sei, mas é que nesse um ano e meio eu tive diversos problemas e situações que me impossibilitaram de escrever: TCC (mudei tema e assunto faltando 4 meses pra entregar), projeto de mestrado (que emendei com o TCC), vida de professora de manhã e a tarde, aluna de faculdade (último ano), greves e o mais importante começo de namoro (um ano em outubro), me fizeram ficar sem tempo zero para me dedicar a isto aqui. Eu sei é péssimo e parece uma desculpa de merda, mas é a realidade. Peço desculpas e agradeço imensamente a paciência e o carinho de vocês!! Prometo recompensá-los em breve com o desfecho desta estória aqui! Obrigada por tudo mesmo!!! . . . GOSTOU OU NÃO, DEIXE-ME SABER. REVIEWS SÃO COMBUSTÍVEL PARA NOVOS CAPÍTULOS!