Conexões Ilícitas
16 Legado
Notas iniciais
Capítulo quinze – Legado
.
“Espera-se que os filhos tenham alguma parte dos pais
como forma de legado, bem como, que ajam no mundo
cumprindo certas missões familiares.”
– desconhecido-
.
Anthony Cullen desde quando era pequeno, nos auros tempos da década de 20 já ouvira seu pai dizer que se um homem quisesse ser lembrado tinha que construir um legado, pois só um legado passado de pai para filho era capaz de fazer um homem imortal. Owen Cullen, no caso, não era um homem estudado, era apenas um agricultor de família irlandesa, vindo para a América ainda muito pequeno, mas as palavras do bisavô do Senador Edward Cullen foram sendo transmitida de geração em geração.
Carlisle Cullen, nunca gostou desse discurso, tanto que tentou se rebelar contra o ideal de construir um legado, como o seu pai Anthony o instruíra por toda a sua infância e juventude, mas por fim se rendera, sabendo que não tinha como ir contra a família. Tanto que mesmo Carlisle aceitando seu destino fazer a sua parte no legado da família Cullen, Anthony preferiu por si mesmo explicar desde pequeno a Edward a importância de um legado. E fora tomando as palavras de seu avô que Edward criara o seu filho Alec: que a única coisa que poderia marcar um homem para todo o sempre era o legado. Um nome de família que seria para sempre passado a diante.
E Alec aprendera muito bem a lição. Desde criança quando perguntavam o que o garoto gostaria de ser quando crescesse ouvia-se um claro: político, assim como seu bisavô, avô e pai. Trilhar um caminho para tornar-se um homem público. E de fato desde criança Alec já dava sinais de que era um bom líder, sendo presidente de sala nos anos iniciais de sua educação, depois no ensino médio tornando-se presidente do corpo estudantil e durante a sua educação superior mostrando-se a todos como um jovem líder deve se comportar e como a persuasão era algo infalível nas suas táticas jurídicas e, futuramente, nas políticas, Alec se formara com honras, meses antes de entrar na corrida eleitoral.
Por isto tudo, por essa ferocidade de ser um homem público desde muito criança que aquela data não era só um marco na carreira do jovem Alec Cullen, era o primeiro passo que ele estava dando para continuar a disseminar o legado Cullen.
Na terna idade de 21 anos Alec conseguira uma vitória sobre o experiente candidato da oposição para tornar-se prefeito da Capital Federal dos Estados Unidos da América. Sua campanha não fora fácil. Não de jeito nenhum. O candidato da oposição que era apoiado pelo atual prefeito buscou coisas do breve passado do jovem Alec em Nova Iorque, e mesmo que Edward houvesse movido céus e terras para apagar um erro de seu filho, ainda assim Oliver Grant conseguira provas e testemunhas sobre o incidente de Alec. Custou um bom dinheiro em propagandas para reverter à situação, e vários debates para que Alec provasse que apesar de sua pouca idade tinha a capacidade de governar a cidade. Porém, o que rendera a sua vitória foi à influência de seu pai, o Senador Edward Cullen.
Washington sendo a Capital Federal dos Estados Unidos, as decisões tomadas pelo prefeito e pelos conselheiros municipais sofriam a anuência do Congresso Nacional, e, com Edward Cullen como presidente do Congresso, a administração do mais jovem Cullen seria muito mais fácil de ser levada. Os eleitores, ou pelo menos 55% deles, que garantiram a sua vitória, se focaram nisso: no benefício que a aliança entre pai e filho poderiam trazer a cidade.
Pela vitória de Alec que aquele dia não era apenas um dia de comemoração para a família Cullen, era um dia de glória. As três gerações de líderes juntas era inspiradora. Carlisle como um dos vice-presidentes mais carismáticos do país, Edward como um dos grandes nomes para a corrida presidencial em alguns anos e Alec como o mais jovem prefeito de Washington e um futuro promissor na política.
Tanto que o baile de gala ofertado por um dos grandes patrocinadores da campanha de Alec estava atraindo atenção de todos. Carros elegantes, decoração impecável, homens com seus smokings bem cortados, mulheres com seus belíssimos vestidos de designers de renome. Mas nenhum destes detalhes chamava tanto a atenção quanto à família Cullen. Toda a família Cullen, incluindo seus agregados.
Carlisle e Esme Cullen foram os primeiros a chegarem ao local onde seria o baile. Carlisle vestia um tradicional smoking preto completo, seus cabelos loiros normalmente tão disciplinados e, penteados para trás, estavam mais displicentes, mas sem perder a sua elegância e charme. Esme, por sua vez, era a etíope da elegância feminina em seus sessenta e poucos anos. Um vestido nude com rendas levemente douradas, seus acessórios variavam do nude nos sapatos e clutch, e dourados em seus brincos e anéis. Seus cabelos acobreados com um leve toque de prateados estavam belamente penteados no seu corte Chanel tradicional.
Os próximos do clã Cullen a chegarem foram o Senador Jasper Whitlock e sua esposa Alice Cullen Whitlock. Jasper também estava com um tradicional smoking preto, a única diferença para o do seu sogro era sua lapela com um leve toque de cetim. Alice apesar de ser considerada por muitos como o espírito mais livre da família Cullen usava um elegante vestido sem mangas azul claro com detalhes geométricos, seus acessórios eram prateados e seus longos cabelos castanhos com mechas acobreadas e loiras estavam soltos e penteados para o lado, com cachos largos e brilhantes.
Jane Cullen, responsável pela campanha que rendera a vitória a seu irmão, chegou acompanhada de seu namorado Demetri Hastings que como todos os homens usava um smoking, porém para a sua tenra idade Demetri apostara por um modelo mais jovial com gravata skinny invés da tradicional borboleta. Jane, optara por um modelo dégradé de patês que partia do prata indo até o preto carvão. Seus acessórios eram de um tom de prata escuro, e seus cabelos loiros avermelhados como o de sua mãe Tanya, estavam pretos para trás em um coque bagunçado.
O Senador Edward Cullen e sua noiva Isabella Swan foram os próximos a chegarem ao elegante baile. Edward como sempre estava impecável em um de seus smokings de corte tradicional com apenas um detalhe de cetim em sua lapela, usando gravata borboleta elegantemente. Isabella por sua vez, deixou que o enorme diamante que fazia parte de seu anel de noivado chamasse a atenção. Seu vestido de um azul meia noite era simples, ou quase simples, o generoso decote da frente chamava a atenção, mas sem revelar muito ou deixa-lo vulgar, abraçando as suas curvas antes do mesmo descer amplamente por suas pernas. Suas sandálias eram negras, confundindo com o vestido, e seus acessórios eram pequenos e discretos com detalhes de diamante e safiras do mesmo tom do vestido, tudo para não chamar a atenção do seu dedo anelar direito. Seus cabelos castanhos estavam presos em sua nuca num elegante coque e sua franja caia lateralmente, dando-lhe uma elegância impar.
Mas quando o convidado de honra da noite chegou com um sorriso tímido, ao lado de sua atual namorada a atenção passou a ser dividida entre ele, seu pai e futura madrasta.
Alec assim como todos os homens vestia smoking, o seu, entretanto, uma versão mais modernizada com uma lapela mais fina e de cetim, indicava a jovialidade do prefeito eleito. Seus cabelos acobreados como os de seu pai estavam elegantemente despenteados e seus olhos verdes brilhavam de felicidade. Angela Weber, sua namorada, estava estonteante em um vestido de um ombro só vermelho do qual marcava a sua cintura. Seus acessórios de um suave tom de dourado, e seus cabelos elegantemente presos em um rabo de cavalo.
A noite fora memorável, onde a atenção era dividida entre os parabéns a Alec por sua vitória na eleição e a Edward e Isabella por seu noivado, que havia sido oficializado para a imprensa no dia anterior.
Políticos, lobistas, grandes empresários e até mesmo algumas celebridades cumprimentavam a família Cullen, primeiro pela vitória de Alec, e depois pelo noivado de Edward e Isabella. Alec que apesar de desde pequeno saber o seu destino na política, ainda estava contido em sua comemoração, ele sabia que ainda não havia ganho a guerra, apenas uma batalha. Seu mandato seria observado com lentes de aumento por todos, e qualquer deslize poderia ser fatal para toda a sua carreira.
Edward, em contrapartida, estava radiante com a vitória de seu filho, ele sabia que nada iria prejudica-lo, ele mesmo faria o impossível para que a oposição não causasse problemas a Alec quando fossem aprovar qualquer coisa para cidade. Outro motivo para o sorriso vitorioso no rosto do Senador era a sua noiva, Isabella esbanjava uma simpatia que agradava a todos, era evidente que Isabella Swan, num breve futuro Isabella Cullen era a escolha mais do que perfeita a primeira dama.
Quando chegou a hora dos discursos, Carlisle como presidente do partido dos Democratas foi o primeiro a falar. Com um sorriso jovial, e com seus olhos azuis cobertos por seus óculos de leitura de aro metalizado, o ex-vice-presidente iniciou o seu discurso:
– Boa noite a todos. Essa noite é muito especial não só para mim, mas como para toda a minha família. – sorriu o médico por paixão. – Acredito que até aqueles que não estão mais aqui, como o meu pai o Senador Anthony Cullen, e até mesmo o meu avô Owen Cullen estão felizes com a vitória do meu neto. Sim. Hoje não estou aqui apenas como o representante do partido, estou aqui como um avô orgulhoso de seu neto, por ter conseguido chegar aqui. Alec, parabéns por sua vitória; tenho certeza que esta é apenas à primeira de um caminho cheio de outras na carreira pública. – pontuou orgulhosamente Carlisle. – Sei que este caminho não é fácil, e ainda tem muitos e altos e baixos a vir, mas com a sua persistência, força e dedicação eu tenho certeza que você conseguira. – seus olhos azuis focaram o de seu neto. – E, para tudo o que você precisar neste caminho eu estarei ao seu lado, te ajudando. – os olhos do avô e do neto brilharam com lágrimas não derramadas. – Peço a todos uma salva de palmas para o prefeito eleito do Distrito de Columbia, Alec Cullen! – encerrou Carlisle visivelmente emocionado.
Aplausos soavam por todo o salão com o discurso de Carlisle Cullen a seu neto Alec. O jovem político tentava conter ligeiras lágrimas que banhava seu rosto, ao contrário de sua avó e tia que choravam copiosamente. Angela olhava orgulhosa de seu namorado. Jane tentava conter as lágrimas enquanto abraçava o seu irmão gêmeo. Isabella apenas olhava com um leve toque de surpresa em direção a seu futuro enteado. Enquanto Carlisle voltava à mesa, Edward se levantou abotoando um botão de seu smoking indo em direção ao palco. Deu um leve abraço em seu pai, antes de assumir o microfone.
– Boa noite. – começou o Senador. – Obrigado a meu pai pelo belo e inspirador discurso. – elogiou. – Quero começar esse discurso, vamos chamar assim, dizendo que eu sempre tive orgulho dos meus filhos, eles sempre foram impressionantes, mas durante esta campanha não só Alec como a sua irmã Jane foram imbatíveis. Hoje mais do que nunca com a vitória de Alec e de Jane, como chefe de campanha, eu posso dizer que o meu orgulho por vocês aumentaram. Vocês são os melhores filhos, netos, sobrinhos, o futuro que podemos ter. – ressoou Edward apaixonadamente. Na mesa dos Cullen, Esme chorava no ombro de Carlisle, Alice que também era madrinha dos gêmeos segurava as mãos de Jasper enquanto lágrimas rolavam por seus olhos. Jane, já não continha suas lágrimas, diante do discurso orgulhoso de seu pai. Alec também chorava, porém mais contido. Carlisle sorria orgulhoso para o seu filho, com os olhos brilhando. Isabella tentava a todo custo conter as lágrimas que banhavam seus olhos. Pela primeira vez desde que se relacionara com Edward viu no político o pai que ele era, um pai muito similar a seu próprio pai, Charlie Swan.
“Muitos da oposição vão dizer que vocês só conseguiram a vitória por causa da minha influência no Senado, mas digo para todos aqui que não. Os dois trabalharam incansavelmente para conseguir esta vitória e se conseguiram, mereceram por seus próprios esforços.” – sorriu amplamente para seus filhos. – “Como meu pai, Carlisle, disse a pouco, tenho certeza que meu avô e bisavô estejam onde estiverem estão tão orgulhosos de vocês como nós estamos hoje. Ambos que sempre disseram que a família sempre é o mais importante, que um legado passado de geração em geração, não é aquele que tenha poder, mas apoio entre os entes.” – editou Edward, modificando um pouco o discurso de Anthony para que não parecesse arrogante ou prepotente, afinal, todos dentro daquele salão eram futuros eleitores.
“Alec” – sorriu Edward para o seu filho. – “Lembro da primeira vez que você foi me visitar no gabinete em Chicago, quando fui prefeito. Você estava deslumbrado, lembro que na época você deveria ter um pouco mais de 3 anos, trocava a maioria das letras ainda” – divertiu-se. –“Mas quando você se sentou na minha mesa você me disse todo orgulhoso: ‘Papai um dia eu vou ser prefeito que nem você, vou sentar numa mesa dessas e tomar decisões importantes, ajudar ao povo a viver melhor. Papai eu vou ser um político que nem você, o vovô Cullen e o bisa Tony.’, naquele momento eu sabia que você iria conseguir chegar onde quisesse, você seria um prefeito, um governador, um senador e até presidente, porque você tinha força de vontade, você tinha toda a nossa família para estar ao seu lado. Você, Alec, é o futuro, não só como político, mas como homem, como um legado. Parabéns meu filho, não existe palavras para dizer o quanto estou orgulhoso por você hoje.”
Mais uma vez aplausos encheram o salão, desta vez muito mais animados e emocionados. Não era só o clã Cullen que chorava, era fácil ver por todo o salão olhos marejados. Edward sempre fora bom em convencer multidões. Sempre um excelente orador, capaz de emocionar o mais difícil dos homens. O seu discurso que sempre priorizou a família, o apoio familiar sempre fora pontual e essencial em todas as suas campanhas, e no discurso orgulhoso a seu filho o Senador Cullen não deixaria de trazer mais uma vez o que a família representava para eles. Alec entendeu as palavras não ditas de Edward. Afinal, assim como o seu pai e antes dele seu avô, Alec sempre soube o seu papel no legado Cullen.
Quando Edward voltou à mesa abraçou com força seus filhos, primeiro, Jane e depois Alec, que agradecia o seu pai por seu discurso pontual. Sabendo que precisava por si próprio discursar, Alec soltou o seu pai e seguiu para o palco. Com seus olhos ainda levemente marejados começou:
– Boa noite a todos, e obrigado por estarem aqui. – agradeceu dando um sorriso que abrangia a todos no salão. – Depois dos discursos do meu avô Carlisle e do meu pai Edward, vai ser difícil superar o que eles disseram, por isso me perdoem se eu soar infantil ou até mesmo pouco articulado, mas é que diante de tanta emoção me faltam palavras. – ressoou o jovem. – Minha família, como todos aqui sabem, sempre estiveram envolvidos com a política, e para tantos talvez, esse destino já estava traçado para mim antes de nascer, mas não é assim, nunca foi assim. Meu avô é médico, meu pai além de um excelente advogado é Coronel da Força Aérea, inclusive defendendo a bandeira do nosso país na Guerra, então não, eu nunca fui obrigado a seguir a carreira política. – pontuou Alec com uma meia verdade, afinal, sempre fora decidido que ele seguiria a carreira política. – Mas eu escolhi representar o povo, porque vi meu bisavô, meu avô e meu pai fazerem isso com prazer, amor mesmo. Então sim essa vitória é pela minha família, mas principalmente a todos aqueles que acreditaram em nós, que acreditaram em mim. Eu afirmo a todos aqui, eu farei o meu melhor nos próximos 4 anos, sempre lutarei pelo povo, pelo melhor da população da minha cidade. – declamou acaloradamente. – Obrigado, pelo voto de confiança de todos.
Após o curto discurso de Alec, uma nova onda de aplausos soou por todo o salão. Alec assim como seu avô e seu pai também tinha o dom da oratória, mas o jovem, que nascera sabendo como manipular a população com belas palavras, era mais emocional, não dava todos os créditos à família, mas ao povo. Alec sabia como ser um populista. Sabia que convencer as massas não era só pintar uma boa família, como um homem de família. O povo já não era mais ingênuo. Por isso Alec se mostrava um homem do povo. Sua campanha fora uma prova disso: escolas, asilos, feiras comunitárias, festivais, tudo o que acontecia na cidade nos últimos 4 vezes ele se fez presente. Cumprimentava, abraçava, beijava o povo, comia junto com eles, ria junto com eles, ouvia atentamente cada pedido, cada reivindicação, cada história. O seu jeito de lhe dar com cada habitante de Washington foi um dos pontos altos de sua campanha. Alec havia aprendido bem com seus familiares como se deve ser um político. E ele estava sendo, muito melhor do que todos os outros.
O restante do baile passou-se tranquilamente, ainda havia muitas parabenizações a Alec e a Edward e Isabella, mas eram bem mais contidas do que antes dos discursos. Tanto que Isabella e Esme começaram a falar sobre os preparativos do casamento, com uma participação de Alice, afinal ela nunca fora de grandes planejamentos, sempre deixando isto para a sua mãe que sempre gostara de planejar tudo. Alice gostava de ir conforme a música, levando a vida um dia de cada vez.
.
Após, passado a eleição de Alec em novembro, o foco passou para os preparativos do casamento. Esme indicou a Isabella um excelente planejador de casamentos que estava auxiliando-a com todos os detalhes. Como a data definida pelo Senador no início do mês de abril os preparativos tinham que serem rápidos. Local, flores, ministro, convidados, convites, jantar, bolo, vestido. Isabella escolheu cada detalhe, afinal aquele não seria apenas um simples casamento, aquele seria o casamento do século. Para a jornalista cada detalhe era de suma importância. Ela queria que tudo fosse mais que perfeito, fosse memorável, inesquecível.
Ação de graças, natal e ano novo, foi eventos esquecíveis diante dos preparativos do grande casamento. Isabella ia e vinha de Nova Iorque quase toda a semana para fazer provas de seu vestido – que ela havia importado da Itália de um designer que havia se apaixonado. Junto do planejador de casamentos, Corin O’Donnell, Isabella decidiu cada detalhe, Edward apenas assinava os cheques e, caso, algum desejo de sua futura esposa estava difícil de satisfazer ele dava o cartão Senador dos Estados Unidos, e voilá, tudo se resolvia.
Fora em meados de fevereiro, quando Jacob retornou de Iowa. O ex-membro do exército americano ainda não estava nada feliz com o casamento de sua amada Isabella. Ele ainda não se conformava na necessidade dela se casar com quem planejava destruir. Na verdade Jacob Black não aceitava de maneira alguma esse casamento. Mas depois de quase 5 meses nos confins de Iowa, Jacob decidiu que não adiantava ficar chorando suas magoas, ele deveria ir atrás de Isabella e impedir que ela cometesse a loucura que era se casar com Edward Cullen.
Jake tentou marcar diversos encontros com sua paixão, mas ela recusou cada um, deixando o moreno cada dia mais irritado. Foi somente no começo da segunda quinzena de março, 20 dias antes de seu casamento com Edward, que Isabella decidiu enfim encontrar com Jacob. Edward teria uma reunião de emergência com alguns Senadores da oposição, falando sobre os planos do presidente para alguns projetos de lei. Esta reunião era tão importante que ninguém estaria acompanhado, seria somente os Senadores. Foi então sabendo que Edward ficaria preso até altas horas na sala de reuniões do Capitólio que a morena decidira ir ao seu antigo apartamento onde Jake estava vivendo.
Estranhamente o apartamento encontrava-se completamente limpo. Nada estava fora do lugar, cada coisa do jeito que Isabella havia deixado antes de se mudar para downtown. Jacob estava sentado no sofá com um olhar sério em direção a Isabella. Seus cabelos que já eram curtos, agora estavam ainda mais curtos, praticamente raspados. Suas roupas também estavam diferentes. Saíram os jeans surrados e entrou à calça social cinza, as camisetas que marcavam seu belo corpo também ficaram de lado, por camisas social, no caso uma branca com detalhes em azul. A sua famosa jaqueta de couro também estava faltando, em seu lugar um blazer cinza com detalhes em cinza mais claro.
Jacob Black estava diferente e Isabella não gostou nem um pouco daquilo. Mas se Jake estava vestindo-se diferente, Isabella também estava.
Seus longos cabelos castanhos normalmente tão ondulados estavam mais curtos, mais lisos e com cachos largos em suas pontas. Até mesmo pequenos filetes acobreados misturavam-se entre os cabelos castanhos de Isabella. Era obvio que ela havia feito alguma aplicação de tintura recentemente. Sua maquiagem que antes priorizava seus grandes olhos castanhos estava mais discreta, mais elegante. Sua roupa gritava sifões, o vestido rosa suave com detalhes pretos parecia ter sido feito especialmente para o seu corpo, o casaco também era elegante e se ajustava perfeitamente ao seu corpo. O sapato Jake facilmente podia ver o famoso solado vermelho. A bolsa que ela usava também tinha extremamente visível a tarjeta da marca. Brincos de diamante adornava a sua orelha, em seu pulso o relógio Rolex, mas o que chamava mais a atenção era o imenso diamante que repousava no dedo anelar direito. Jacob sentiu-se nauseado com a imagem.
Isabella fora a primeira a falar.
– Jake... – começou praticamente sem folego, aproximando-se onde seu amante de outrora estava sentado. – O que aconteceu com você? O que são essas roupas? Esse cabelo? – questionou atordoada.
Jacob riu sem humor.
– Do tipo de homem que você se envolve agora Isabella. – replicou grosseiramente. – E você? Parece que finalmente realizou o sonho de comprar em lojas de estilistas famosos.
Isabella fechou seus olhos e respirou fundo.
– Jake, não é assim.
– Não é assim? – o homem explodiu levantando-se de seu lugar no sofá. – Então como é? Há pouco mais de um ano, você me prometeu, jurou Isa, que iria apenas infiltrar-se no Gabinete do Senador Cullen, tentar seduzi-lo para descobrir todos os podres dele que o Jenks disse vagamente e depois destruí-lo, com o objetivo de se tornar uma grande jornalista. Mas agora onde está este desejo? O que estou vendo diante de mim é mais uma esposa troféu de um político, você se vendeu! – esbravejou irritado.
– Eu me vendi? – questionou surpresa Isabella, copiando a postura de Jacob. – Eu estou trabalhando o meu futuro, o nosso futuro Jake! Você sempre soube que não seria fácil achar algo sobre Edward Cullen, ele não diz a todos os seus podres, ele os mantém bem seguros, senão fizesse isto nunca teria chego aonde chegou! – pontuou estendendo o dedo diante da face de seu amante.
– Mas e o casamento, é tudo um ato? – perguntou Jacob com um leve tom de escarnio.
– Você sabia que um possível casamento poderia acontecer, não era um plano efetivo, mas poderia acontecer, e vai acontecer! Eu preciso me casar com Edward para conseguir o que eu quero sobre ele, saber tudo sobre o que aconteceu, que malditos esqueletos são esses que Jenks não diz ou divulga prova, eu preciso saber e mostrar ao povo! – declamou, mas sem convencimento.
– Você fará isto com o seu marido? – divertiu-se Jacob. – Irá entrega-lo em uma bandeja de prata a Corte? Vai fazer algumas visitas íntimas a ele no presidio federal?
Isabella trincou seus dentes.
– Para com isto Jacob Black, esse papo de noivo largado no altar não combina com você. Eu tenho que fazer isto, e se tiver que fazer visitas íntimas a Edward no presidio eu irei, se isso mostrar-se necessário. – declarou.
– Você está delirando Isabella. Você não precisa disto. Você não entende que nunca vai descobrir nada sobre o passado do Senador Cullen? Jenks blefou, não há nenhuma prova de nada. Você está se vendendo por alguns sapatos, roupas e diamantes. Eu posso te dar tudo isso se você quiser! – exclamou apaixonadamente, aproximando-se de sua amada.
– Não é por causa do dinheiro, Jake.
– Você o ama? – questionou.
Isabella respondeu prontamente:
– Lógico que não! Eu amo você, Jake, não Edward. – respondeu fervorosamente. Os olhos de Jacob suavizaram. – Só que antes de ficarmos juntos eu tenho que promover a minha carreira. Você sabe que a minha carreira sempre foi a minha prioridade.
– Me beije, Isa. Se você realmente me ama como diz, me beija. – exigiu o moreno.
Isabella não pensou duas vezes antes de beijá-lo com toda a paixão que podia, entretanto o beijo estava diferente, algo estava faltando, mas antes que esse pensamento a consumisse, Jacob aprofundou o beijo e logo, peça a peça foram sendo deixadas pelo chão e em questão de segundos estavam nus se amando como há tempos não faziam em sua cama.
Havia saudade, era óbvio. Mas também havia algo diferente. Para Jacob estava tudo igual. Tudo perfeito. Mas para Isabella estava faltando algo, estava errado, era simplesmente estranho. Ela já não era uma participante muito ativa, deixando tudo para ele que parecia avido dela, necessitado dela.
Fora depois das dez que Isabella deixou um Jacob completamente satisfeito sexualmente em seu antigo apartamento. Ela tinha que voltar para o apartamento que praticamente estava dividindo com Edward. As últimas horas na companhia de Jacob rastejavam em sua mente como cobras venenosas presas em uma caixa.
De repente Isabella sentia-se suja, mas porque esse sentimento a consumia tanto? Ela não fazia ideia.
Ela estava tão atordoada, tão perdida em pensamentos que mal notou Jacob correndo atrás dela pela calçada do edifício. Seu sorriso amplo brilhava em sua pele morena. Seu peitoral estava a mostra pela camisa aberta da qual ele lutava para fechar.
– Isa! – chamou a distância. Isabella não virou para reconhecer. Fora só quando ele puxou o seu braço que ela saiu de seu devaneio.
– Jake? – perguntou confusa, olhando para os lados, procurando algum olhar sorrateiro.
– Esqueci-me de te dar um presente. – murmurou abrindo uma caixinha de joias onde uma pulseira, provavelmente de ouro branco, estava. Enganchada nas argolas da joia um pendente de ouro em formato de um lobo. Era tão delicado, mas também tão forte, tão íntimo. Isabella sentiu-se instantaneamente sufocada e aliviada ao mesmo tempo. – Para você não se esquecer de mim, Cachorra. – provocou com um sorriso apaixonado a Isabella.
– Obrigada Bonitão. – retribuiu Isabella, que ficou nas pontas do pé dando um beijo suave nos lábios de Jacob. Entretanto o filho bastardo de Aro Volturi não estava preparado para encerrar o beijo, puxando a morena pela cintura e aprofundando em um beijo apaixonado.
.
Não muito longe de onde o casal trocava o beijo apaixonado Liam Klotz estava munido de sua máquina fotográfica registrando o momento com um sorriso vitorioso no rosto. Liam já havia descoberto muita coisa sobre Isabella Marie Swan nos últimos meses, aquela foto era apenas a cobertura do bolo, agora faltava apenas a cereja, que ele estava positivo que seria colocada em breve no topo do bolo.
Isabella nem fazia ideia de como a vida dela estava prestes a mudar, tanto para o bem, quanto para o mal. Tanto que a morena ignorou completamente o mal estar que se alojou em seu estomago quando se afastava da frente de seu antigo edifício onde Jake ainda estava a observando.
Um fugaz pensamento passou por sua mente, enquanto ela relembrava os seus momentos com Jacob, não só aquela noite, mas durante os últimos anos. Era verdade que ela o amava? A resposta veio com a voz de Edward soando em sua mente:
– Não.
.
Fale com o autor