Conexão Seattle
4 Interesses particulares
Notas iniciais
A tarde de sexta feira no Ridgeway foi no mínimo inusitada. Geralmente as três não há mais sinal de alunos pelas salas, que dirá nos auditórios. Apenas nerds assistem ás palestras que acontecem a menos que sejam obrigatórias. Mas desta vez foi diferente. Muitos esperavam ver a garota perversa falando de boas maneiras, esperavam se sentir vingados de certa forma, ou pelo menos dar risada com alguma que ela pudesse aprontar.
Sem falar nos admiradores de Carly, que não eram poucos. Ao fundo, os primeiros a chegar, Três garotos e uma garota magérrima com cara de poucos amigos prontos pra tocar o terror na hora em que a loirinha solicitasse. Brad provavelmente não participaria de arruaça alguma mas apoiaria intelectualmente qualquer coisa que eles vissem a fazer.
As duas garotas estavam ajeitando na mesa o material da palestra, slides, e outras parafernálias. O diretor subiu ao palco para falar com elas.
–Garotas, estou muito feliz que tenham chegado até aqui, confesso que não acreditei que concordariam com isso.
–A Sam se comportou muito bem la em casa. Apenas uma pequena desavença com o Freddie, mas creio que ele deva ter lhe contado.
–Não, o senhor Benson não me informou absolutamente nada.
–É como eu disse, apenas uma pequena desavença. –Disse Sam fulminando Carly com o olhar.
–Sim, mas pelo visto ele não só desistiu de auxilia-las como nem ao menos veio prestigia-las, não foi? –Perguntou o homem desconfiado.
–Não, ele vai ajudar via Web. –Disse Carly sorrindo.
As duas se entreolharam e permaneceram em silencio. O homem se afastou e sentou na primeira fila aguardando as duas iniciarem o breve seminário.
Carly continuava a olhar atormentada para a roupa de Sam que parecia se divertir muito com isso.
Freddie estava no Vitamina da hora com Missy tomando vitaminas e fazendo a retrospectiva dos últimos acontecimentos.
–Nossa Freddie, a Carly pisou feio na bola desta vez. Te trocar por “fama”?
–Espero que elas façam um bom seminário.
–Por que não foi assistir?
–Eu, heim! E ter que ficar aguentado a Puckett? Mas a Carly esta filmando e vai me enviar em tempo rela de modo que eu possa exibir online.
O garoto abriu a mochila e pegou seu note. Missy aproveitou a oportunidade para ficar mais próxima dele.
–Você é tão entendido nessas coisas, meu pai até tenta me ensinar, mas não tenho saco.
–É uma pena, é muito divertido. Tenho que esperar a Carly mandar o sinal. Wow! –Disse ao ver o auditório. –Elas lotaram o lugar, nunca vi isso ai tão cheio!
–Meu Deus, olha a roupa da Puckett! –Riu Missy. –Vai ser o mico do século!
–Eu e minha colega Samantha Puckett falaremos hoje sobre conduta e convívio escolar, baseado no meu trabalho da feira da cidadania do ano passado, e completamente reformulado pelas ideias da minha colega. Primeiramente vou dar a definição das duas palavras. Conduta é a maneira de alguém se comportar, agir, proceder em determinadas situações. Convívio é o ato de conviver em determinado ambiente. Ora, o que seria então a maneira de se comportar e de conviver na escola? Seria ser sempre educado? Tirar sempre boas notas? Respeitar os colegas? Passo a palavra a minha colega, Samantha Puckett.
Todos aplaudiram Carly que continuou de pé ao lado de Sam. Não que elas não pudessem ficar sentadas, mas acharam melhor assim.
–Boa tarde a todos. –A garota estava extremamente relaxada. -Boa conduta escolar é uma idiotice que inventaram para deixar a escola ainda mais insuportável. –A sala silenciou incrédula para logo depois explodir em risos. -Mas, por sorte ninguém age de acordo com tais regras. Apenas finge agir, criando as suas próprias regrinhas. São elas: Crie ou integre-se a um grupo de alunos já existente e mantenha o mínimo contato possível com os outros grupos. Você também pode escolher entre ser popular, nerd ou completamente apagado. Nerds são aqueles geralmente fora dos padrões de beleza, que só são lembrados em época de avaliações. Populares são, ou bonitos de mais, ou ricos de mais ou briguentos de mais. As notas quase sempre são umas drogas, mas ninguém liga para isso. Esses indivíduos fingem ter alguma aptidão artística para esconder o real motivo de sua popularidade. É claro que toda regra abre exceção, mas basicamente é isso.
A sala explodia em risos e aplausos, com exceção dos professores que tinham expressões duraras e incrédulas.
–Agora, -Carly tomou a palavra. -Sam e eu faremos pequenas encenações de situações corriqueiras nesse cenário peculiar.
Sam tomou distancia foi até uma caixa no canto do palco. Colocou um óculos e se andou até onde Carly estava.
–Nesta cena, a Sam é uma novata desavisada, e eu uma popular patricinha.
Começaram a encenar expondo e ridicularizando fatos comuns da escola. Brigas por causa de garotos, e bailes onde o patinho feio virava cisne, sempre tirando coisas da caixa que incrementavam a apresentação.
Passaram alguns vídeos com cenas de filmes que exemplificavam o que elas falavam. Frente as cenas, elas simulavam reações, ódio, surpresa ou felicidade fazendo a sala explodir em risos.
Era como uma peça com duas atrizes, muito hilárias e afiadas. Durou em torno de uma hora e quinze minutos e era notável no rosto dos estudantes presentes o desejo de que elas prolongassem a apresentação.
Ao final, elas agradeceram ao diretor Franklin e saíram do palco sob forte enxurrada de aplausos. O diretor não pareceu gostar muito, achar engraçado ele achou mas a expressão dos professores ao seu lado pediam que medidas fossem tomadas.
–Sam foi ótimo, parecíamos duas atrizes! –Falava Carly entusiasmada.
–Ta, agora já chega, voltamos a o ponto de partida.
–Como assim? –Perguntou confusa.
–Você não fala comigo, eu não falo com você, e a inimizade continua.
Carly pareceu desapontada.
–Tudo bem. –Disse meio sem jeito.
–Ta, tudo bem –Disse Sam com voz derrotada. –Você pode falar comigo. Em casos extremos. –Disse e sorriu discretamente para a garota.
Carly sorriu e se afastou para se juntar aos amigos. Sam a observou se afastar e pensou por um instante que droga ela pensava que estava dizendo. Uma patricinha, nerd e mimada não é legal.
–Sam! –Chamou Shelby pulando no palco. –Arrasou.
A garota deu um abraço na loira.
–Como foi aguentar a Shay?-Perguntou Jonah
–Normal. Ela é legalzinha.
–Sempre disse isso. –Disse Griffin.
–Tão legal que você deu um pé na bunda dela. –Replicou Shelby.
–Ta, já chega! –Cortou Sam. –Vamos ensaiar pra poder recompensar esses três dias.
Os cinco desceram do palco e saíram do auditório sem cumprimentar ninguém.
–Carly, não acredito que conseguiu aturar aquela garota! –Dizia Wendy. –Soube que ela já comeu um pato vivo.
–É mentira. –Disse Carly rindo. –Mas agora tenho que procurar o Freddie,pra agradecer, ele deixou tudo online assim mais gente vai poder ver!
–Ele saiu com a Missy. –Informou Gibby.
–Hum... –Carly riu insinuantemente. –Será que agora vai?
–Vai o que? –Perguntou Wendy. –O Freddie não ta nem ai pra Missy, ele gosta de você.
A garota revirou os olhos e saiu sem responder. Os amigos a acompanharam.
O fim de semana passou normalmente. No Sábado, a PurPle tocava em um bar extremamente suspeito.
Apenas três músicas. Mas também só pagavam 200 dólares. Pros quatro. E era um dos bares que pagava melhor pelas redondezas. Se não existisse o sonho de um dia se apresentarem em um grande show, não suportariam passar por um pesadelo daqueles.
Um dos diferenciais da banda era o vocal feminino. Por mais discreta que tentasse ser, muitos iam as apresentações deles só por causa da vocalista. Ou da baixista. Homens bêbados, e horrendos a maioria de meia idade babando as garotas era preciso ser forte para não vomitar. Sempre que iam, andavam armadas de canivete, mas nunca precisaram usar. Brad era o filho do chefe da mais respeitada quadrilha local. Shelby filha de um assassino que embora preso, mantinha comparsas soltos. O histórico da família de Jonah era bom, o mais problemático era ele, e Sam era conhecida por ser boa de briga.
As garotas iam vestidas com blusões escuros e folgados, e jeans mais masculinizadas o possíveis para não chamar atenção pros seus corpos, não é bom facilitar... Shelby era magra e não fazia muita diferença, mas o corpo de Sam já começava a chamar atenção mesmo com aquelas roupas.
Tenso.
–Ele volta no mês que vem. –Era a voz de um homem. Ela não se virou para vê-lo mas percebeu que ele falava no telefone. –É vem pegar a grana com o Robinson. É eu sei já falei pra ele, mas o cara não houve. Ta, vou esperar ele na rodoviária. Ele não confia a grana dele a ninguém. (Risos) Pelo correio o cara fica enrolando. (Risos). Ta certo, thau.
Sam e Shelby desciam do palco quando viu o homem que conversava ao telefone se levantar da mesa e sair do bar. Entrara ali só para telefonar e se retirou em seguida. Não deixou de observar uma cobra tatuada no braço do sujeito. Ele era branco, alto e tinha os cabelos e olhos escuros.
Sam não soube dizer o que chamou atenção naquela conversa, mas sabia que havia algo de familiar em suas palavras.
–Quem ta afim de vazar?-Perguntou a loira assim que encontrou os amigos próximos da saída.
Eles nem responderam, apenas se puseram a andar.
–Hei! –Um garoto de uns 15 anos chamou a atenção do grupo na rua.
Eles se viraram e o garoto se dirigiu a Sam.
–Eu vi seu vídeo na internet, não sabia que era cantora... Você arrasa!
–Que vídeo? –Perguntou confusa.
–Do seminário que fez ontem....
–Ah! –Disse sem jeito. –Obrigada.
–Quando vem o próximo? –Perguntou ansioso.
–Não sei. –Disse sem jeito. –Boa noite.
Ela sorriu e se afastou seguida pelos amigos que voavam tanto com ela.
Sam dirigia-se ao seu armário com seus trecos na mão quando viu Carly e Freddie conversando encostados nos armário. Revirou os olhos e pensou em desistir, mas já estava perto de mais.
Nem ao menos os cumprimentou, abriu o armário e começou a empilhar suas coisas.
–Hã... –Carly pareceu sem jeito. –Sam?
–O que? –Perguntou sem olha-los.
–É que ligaram pra mim ontem. De um web site , querem falar com a gente.
Só agora Sam notara uma certa expectativa na voz da garota. Ela a encarou.
–Que web site, falar o que e quem é a gente? –Sam perguntou ironicamente a ultima parte.
–Um tal Life hilarious, eles fazem um tipo de jornalismo humorístico, é bem legal. Eles viram nosso seminário, e querem que agente, trabalhe com eles.
–Há, legal. –Disse com a cara fechada. -Não. E ainda não engoli você ter postado aquilo, só não te quebro por que você me livrou da suspensão.
–Eles pagam cen dólares por semana.-Continuou ignorando a ameaça. — É uma coisa meio independente. A gente faz os vídeos, envia, eles decidem se postam ou não, se for bom eles postam, se não for, deixam guardado. Mas tem que assinar contrato pra garantir que a gente não se desvincule.
–Hum... –Continuou a empilhar os cacarecos.
–Ai se o vídeo for postado, a gente ganha mais 500 dólares por fora do semanal...
Carly concluiu e olhou para o lado. Freddie havia saído a francesa e estava um pouco distante conversando com outro garoto.
–Bom... –Murmurou Sam. –Mas onde gravaríamos esses vídeos?
–Na minha casa. O sótão é perfeito pra isso, pensei em pedir ao Freddie pra gravar, não sou muito boa com tecnologia.
–Opa, opa, pode ir parando. Se eu aceitar, os vídeos serão gravados na garagem da casa minha casa onde a Purple ensaia, e o Brad pode nos ajudar com a filmagem.
–Na minha casa, Sam, por favor la ficaremos mais a vontade, é mais espaçoso e mais seguro, por mais que você seja legal, não da pra dizer isso de todo mundo que mora no subúrbio.
–Então nada feito. –Sentenciou.
–Sam, pensa. Você é cantora, isso ajudaria a promover sua imagem. Fora o dinheiro, deixa de orgulho.
Sam refletiu. A garota estava certa. Dinheiro, visibilidade.
–Ok, mas deixa o seu amiguinho de fora.
–Eu não entendo nada de tecnologia, e o Freddie não vai procurar problema com você se você não procurar problema com ele. Ele só vai filmar editar e enviar. Vocês nem precisam se falar.
–Sei não, Carly. Sinceramente não sei.
–Mas não tem tempo pra pensar, temos que ir la hoje assinar o contrato. Eles recebem muitos pedidos de humoristas para postar os seus vídeos, tem ideia da sorte que demos?
Sam terminou de empilhar os trecos. Fora pega de surpresa. Mas eram setecentos dólares semanais. Fariam muita diferença em sua vida, que importa o que os outros iriam pensar dela?
–Fechado. –Disse fechando o armário. -Que horas você vai?
–As 20:00 pode ir comigo pra minha casa e vamos de lá.
Sam a olhou um pouco desconfiada. Carly tinha fama de se dar bem com qualquer um mas até com ela?
–Ok. –Respondeu desconfiada.
–Ah, Sam aqui ta as 250 pratas do vídeo do seminário. Eles pagaram pra poder postar no site. Só deram 500 por que já tinha ido pra outros sites antes.
–Sério? –Sam riu largamente. Seria muito idiota de não aceitar. O dinheiro que o pai mandava mal cobria seus lanches, e a mãe era só conta!
O contrato era bem simples, qualquer vídeo produzido por Sam e Carly só podia ser reproduzido primeiramente pelo Hilarious Life. O contrato tinha validade de um ano e durante esse período as duzentas pratas semanais eram garantidas.
Sam saiu da escola acompanhada de Carly, o que chamou muita atenção. Shelby a viu e acenou a distancia, mas não se aproximou para falar. Odiava Carly. Achava que Sam também odiava.
Desta vez Carly não se dirigiu ao sótão, abriu a porta da sala e deixou a garota entrar na sala.
–Fica a vontade. –Disse sorrindo simpática.
Não demorou muito bateram na porta. Carly abriu e Freddie entrou.
–Ah, eu volto depois – Disse ao ver a loira sentada no sofá.
–Freddie, temos que conversar. –Pediu Carly. –Entra.
O garoto entrou desconfiado.
–Ótimo, aqui podemos conversar melhor. Freddie senta ali do lado da Sam.
O garoto hesitou.
–Freddie é só uma menina que não pesa nem 45 kg, ela não vai te morder, agora senta la por favor! –Carly pediu com impaciência.
A loirinha permaneceu imóvel olhando os dois com expressão vazia. Pensava se valia a pena aturar aquilo tudo. Mas eram 100 dólares semanais só pelo contrato e mais 500 por vídeo. Alem da visibilidade!
Carly alem do dinheiro pensava em ir mais longe, era ancora do jornal da escola a três anos, provavelmente pensava em sua carreira como jornalista. Freddie herdara muito dinheiro do pai mas era apaixonado por Carly, faria o sacrifício por ela.
Interesses particulares, o mundo é construído sobre eles, quem não sabe disso?
–Muito bem. –Carly começou logo após Freddie sentar. – Hilarious Life é um inovador site de entretenimento, eles falam tudo invertido, de forma cômica mais ou menos como fizemos no seminário. É uma coisa totalmente independente, as pessoas enviam os vídeos e eles decidem se postam ou não. Eles satirizam fatos históricos, relacionamento, tudo, tudo mesmo. Se o vídeo enviado for bom, eles contratam a pessoa, de modo a impedir que ela venha a postar por conta própria. Foi nosso caso. O vídeo do seminário teve 500 mil de exibições apenas durante o fim de semana. Eles vão nos fazer assinar um contrato, ganharemos 100 dólares semanais e a cada vídeo postado mais 500 dólares. Pra cada um de nós. Isso por que eles possuem fortes patrocinadores que sustentam o site, e eles precisam estar sempre renovando seu conteúdo. Temos que criar uma marca dentro do site, algo que nos diferencie dos outros.
–Um nome para os vídeos? –Perguntou Sam.
–É, Algo tipo uma marca nossa.
–E se fosse Icarly? –Perguntou Freddie. –I de internet, e Carly, você.
–E se fosse ISam? I significa eu em inglês, e Sam sou eu de novo, monopolizando só pra mim algo que produzimos em equipe buscando ser o destaque a todo momento. Ah, mas não da por que eu não sou a mais bonitinha e delicada, e o produtor técnico não puxa meu saco por que é apaixonado por mim!
–Ok. –Disse Carly após o silencio constrangedor que se fez presente. –Como os vídeos do site são enviados de vários lugares, pensei em buscarmos o apoio local. Conexão Seattle, o que acham?
–Melhorou. –Disse a loira.
–Ah, Sam, eu não quis te excluir. –Disse Freddie educadamente.
–Garoto, você não fala, você não opina, você não se dirige a mim, você grava tudo, envia, e fim, ok?
Outro silencio constrangedor.
–Ok. Começamos bem. –Carly sorriu tentando descontrair –Regras básicas. Não é permitido bater, morder, chutar, nem xingar os coleguinhas de equipe. Também não é permitido discriminar os mesmos em função de suas habitações. Se alguém violar as regras, paga trezentas pratas ao ofendido.
–E provocar, pode? –Perguntou Freddie.
–Defina provocar. –Replicou Sam.
–As regras são as que eu falei, e pronto, o resto vocês se viram não tenho idade pra ter dois filhos da idade de vocês! -Disse impaciente.
Os dois se calaram e continuaram ouvindo a garota falar. Carly nunca teve medo de Sam, achava que tudo o que ela fazia não passava de brincadeira pra se divertir, e muitas eram engraçadas. O único problema era Griffin.
Não, na verdade haviam vários problemas. Ignoravam pois estavam extasiados com o fato, mas eles apareceriam mais cedo ou mais tarde.
Notas finais
É isso e até o prx cap no qual outros conflitos serão iniciados!!
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