Notas iniciais
Espero que gostem. Boa leitura ;)

Ajoelhada diante Dele, ela permanecia. Com o rosto abaixado, ignorando a frieza do chão puro de pedras esbranquiçadas e sua posição que com o tempo se tornará desconfortável, esperava para ser punida, castigada...

“Julgada...” – Cochichavam em volta de si. Os que estavam parados em pé em torno de sua presença trajavam grandes véus, impossibilitando de ver seus olhos. Nos rostos dos mesmos os sorrisos não existiam, não naquele momento.

Ergueu sua cabeça para observar Aquele que estava sentado em um trono de veludo vermelho e detalhes brilhantemente dourados, feito a ouro puro e das melhores pedras preciosas do céu, desconhecidas pelos filhos humanos do Criador. O Onipotente trajava suas vestes costumeiras perfeitamente brancas e reluzentes, chegando a machucar a visão de todos ali presentes, de tamanha e estrondosa luminosidade. Tal como seu corpo, o rosto não podia ser admirado, devido à sua aura ser irradiada por toda a extensão do Mesmo.

Ao curvar seus lábios para um largo e doce sorriso, espantara a todos ali presentes, inclusive seu Pai. Suas mãos encontravam-se apoiadas no colo, entrelaçadas; Seu longo vestido branco voava conforme a leve brisa que passava por ali, assim como a longa cascata dos cabelos alaranjados; As asas brancas permaneciam fechadas. Em alguns momentos, seus fios lisos entravam em atrito com as plumas, enroscando-se entre si mesmas. Fechou seus olhos suavemente demonstrando calma e serenidade.

“Como ela pode estar tranquila sobre essa situação?”

“Será que O Todo Poderoso a mandará para o limbo?”

“Nosso Pai não perdoará esse ultraje!”

Os sussurros irritantes transformaram-se em vozes exaltadas. A mulher de cabelos alaranjados olhou para os outros anjos, mostrando um sorriso fraco em seguida.

– Silêncio – A voz imponente de Deus ecoou. Num milésimo de segundo, as vozes se cessaram. Os brilhantes olhos da moça a ser julgada miraram a imensa claridade que rodeava Ele mais uma vez.

– Por que fizestes aquilo, minha filha? – O Criador perguntou, repleto de compaixão.

– Pai, – Encarou a luz – Não era justo, eu... – Escolhia as palavras certas – Apenas os abençoei.

A mão Dele estava estendida em direção a ela, para que a mesma se aproximasse mais. Os anjos ali presentes ficaram surpresos ao mirar a piedade de Deus. No entanto, a jovem apenas estancou, não se movendo um milímetro sequer, O rejeitando. Então fechou os olhos mais uma vez.

– Levante-se e abra teus olhos, filha. – Pediu Ele com plenitude na voz. Esta fez como lhe fora ordenado outrora, abriu seus orbes acinzentados para que Ele pudesse enxergar sua alma. – Aquilo não pode ser revertido – A lembrou – Sua honestidade é uma das bênçãos mais preciosas deste lugar... – Concluiu com suave sorriso – Mas, tens consciência que pecou, minha filha? – Tocou o rosto dela com Sua mão.

– Não pretendia pecar contra Ti, meu Pai. – Franziu o cenho em angústia – Porém minha existência não podia negligenciar a deles.

O Espírito Santo fez um gesto com a mão, e aqueles ao redor foram saindo em ordem e silêncio, um a um, até que sobrara dois seres, tirando ela e Deus. Os dois seres caminharam em direção a seu Pai, ficando um em cada lado Desse, ajoelhados.

– Orihime, arrepende-te deste teu pecado contra mim. – Ele murmurou e o anjo negou com a cabeça – Tu eras um anjo puro, não me deixas escolha a não ser te punir. – Deus pausou Sua fala. – Se não te arrependeres agora, serás expulsa de nossa casa. – Aumentou Seu tom de voz em imponência.

– Perdoe minha imprudência, Senhor – Pequenas lágrimas brotavam de seus olhos – Porém não posso me arrepender, caso contrário, eles serão punidos em meu lugar... – Concluiu com firmeza, negando-se a derramar lágrimas.

– Não se trata de punição, mas sim do destino – O anjo do lado esquerdo explicou – Ela ou ele, era uma escolha que os mesmos tinham de fazer. – A ruiva negou com a cabeça, novamente em discordância. Deus suspirou, deixando o ar naquele espaço mais tenso.

O tempo se passou lentamente, Orihime se mantinha de cabeça baixa: O Unipotente estava absorto em seus julgamentos. Os outros dois seres continham uma expressão levemente angustiada, o que é raro já que são normalmente inexpressivos. Depois Dele decidir do que deveria ser feito, se levantou e caminhou até a pequena angelical, que engoliu suas lágrimas e se manteve em quietude inigualável. A Mão do Senhor tocou-lhe a cabeça, fazendo ela levantar o rosto e olhar diretamente para Sua luz.

– Não me deixas escolhas, terei de tirar tua candidez.

Desceu Sua mão até a testa alva dela, a ruiva fechou os olhos já sabendo o que iria acontecer, Sua mão preencheu o rosto da menina. A mesma se sentiu estranha, quando constatou que Ele havia retirado a mão de sua face, tentou abrir os orbes, entretanto a voz Dele a impediu.

– Não os abra – Pediu e ela apenas obedeceu.

Esperou em silêncio quando sentiu que Ele havia arrancado um pedaço de seu belo vestido e amarrou em seus olhos. Em seguida desceu uma mão em cada ombro da garota, até que sentiu a maciez das plumas brancas, contornou com os dedos o início de suas asas em uma carícia leve e acolhedora. Ele encostou seus lábios no ouvido dela e murmurou com pesar.

Sinto muito, minha filha. – E puxou o belo par de asas, as arrancando dela.

Uma dor excruciante espalhou-se por suas costas, soltou um grito agonizante que saíra de seus lábios, nunca sentira uma dor tão intensa em toda a sua existência. Jogou-se no chão numa tentativa de aplacar seu sofrimento, seu corpo tremia por inteiro, ela estava com medo. Desesperada, pôs suas mãos no lugar onde sempre teve tuas asas mas só se podia sentir nada ali, apenas sangue e dor.

Orihime não teve tempo de pensar, no instante seguinte seu corpo fora puxado para baixo, numa sensação horrível de cair infinitamente, medo era o que podia ser visto em seu rosto, até que bateu em algo. Sem mais saber onde estava, sua consciência a traiu, e aos poucos foi a deixando, então finalmente, seu corpo caiu em um chão duro e seus sentidos foram tomados de si.

Agora, o pequeno anjo estava em um lugar onde nunca havia estado...

Sua penitência era a permanência indeterminada na Terra.

Notas finais
REVIEWS: muito úteis para nós.