Conejo Blanco
7 Circo dos Horrores
Notas iniciais
Um certo anjo caído andava apreensivamente, olhando ao redor. Orihime e Ulquiorra estavam em uma avenida muito movimentada, a enorme lua da noite iluminava àqueles que realmente a notava.
A garota cravou sua íris nas costas largas do moreno, com seus pensamentos em inúmeros devaneios, ainda em conflito interior, tentando achar um jeito de colocar – pelo menos um pouco – de sentimentos no ser à sua frente.
O jovem, que desviava das pessoas que logo se esbarrariam em si, parou subitamente no meio da multidão energética. Orihime, que não estava prestando atenção, acabou chocando seu corpo contra as costas de Ulquiorra, a mesma olhou por cima do ombro dele, e assim o fez parar.
Um menino distribuía cartazes para as pessoas que passavam rapidamente por ele e insistia naquelas que ignoravam. Schiffer voltou a andar, com a menina em seu encalço. Pelo visto, o maior andava até a criança, logo quando alcançou o estranho garoto, pegou um dos cartazes dele.
– Tsc – Estalou a língua, pelo jeito era o que imaginava.
Ele largou o papel chamativo em qualquer lugar e encarou o menino, para intimidá-lo. A ruiva abaixou-se e pegou o folheto extravagante, no qual anunciava que um novo circo estrearia pelas redondezas.
Black & White Circus.
Era o nome do circo e abaixo desse, tinha uma pequena descrição.
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“Um circo... O que um circo tem a ver com a menina?” – A ruiva se perguntou observando as feições do moreno.
– Onde fica esse circo? – Ulquiorra perguntou impassível.
O menino ao ver o rosto do maior, deu um passo para trás e acabou por tropeçar nos próprios pés e caindo, receoso.
Schiffer o olhou com indiferença e quando ia dizer algo, Inoue o cortou se pondo a sua frente e abaixando-se até a altura do menino de exóticos cabelos alaranjados, sorrindo carinhosamente.
– Garotinho... – Chamou suavemente e tocou sua mão – Não fique assustado. – Disse para o garoto e o mesmo aparentemente acalmou-se um pouco – Como se chama? – Perguntou gentilmente.
O menino alternou seu olhar castanho para a ruiva e para o moreno, enquanto olhava seguro para Inoue, para Schiffer olhava com cautela.
– Kurosaki... Kurosaki Ichigo – Respondeu baixo, numa tentativa insignificante de apenas fazer Orihime ouvir.
– Kurosaki-kun... Pode nos dizer onde fica esse circo? – Pergunta e o menino, meio surpreendido pela mulher chamá-lo assim, cora levemente. Mas no mesmo instante adquiriu um olhar preocupado.
– Eu posso até lhe levar lá, onee-chan, mas... – O garotou pausou – Não é um bom lugar. – Disse, misterioso.
– Como assim? Do que... – Fora cortada pelo moreno que a segurou pelo braço, a levantando.
– Isso não importa. Se sabe, nos leve até lá. – Impõe Ulquiorra.
O garoto bufou e levantou-se limpando as vestes.
– Sigam-me. – Exclamou áspero, sem demonstrar medo, como se fosse uma afronta.
De fato, não gostava daquele tipo de aberração ao lado da Inoue.
[...]
Ichigo parou de andar quando chegou em um amplo campo enorme e vazio.
– Onde nós estamos? – Orihime perguntou.
– No circo. – Kurosaki murmura olhando em volta do terreno que tinha algumas plantas ralas.
A garota virou-se para todos os lados, mas não havia sequer alguém. Ulquiorra começou a andar até parar no meio do campo, olhando atentamente para a frente. Orihime e Ichigo correram até se aproximarem do moreno.
O ruivo esperou paciente, pois sabia o que iria acontecer a seguir. Inoue estava muito confusa, não fazia ideia do que estava havendo, nem o porquê dos dois ao seu lado estarem seriamente calmos e tranquilos.
Ulquiorra esticou a mão direita recém tirada do bolso e a esticou para frente e as fechou como se estivesse tocando em algo, puxou para a esquerda e um pano de lona preto e branco revelou-se, assim como uma entrada barulhenta com inúmeras pessoas comprando pipocas e outras comuns guloseimas.
“Como não ouvimos todo esse barulho?” – A garota se perguntava.
Schiffer pôs as mãos nos bolsos e adentrou o local. O garoto ruivo logo puxou a mão da garota ruiva que estava aérea ainda.
Na entrada havia um grande cartaz mostrando o dono do circo, aparentemente era um jovem de cabelos grisalhos e olhos parcialmente fechados. O homem tinha um sorriso que parecia sair do seu rosto tal como o pior dos traidores. Logo abaixo podia se ler o nome do dono em letras azuis brilhantes.
"Ichimaru Gin"
A expressão de desgosto quase não pôde ser contida no rosto de Ulquiorra, pois o seu raciocínio estava certo.
"Sousuke Aizen... Maldito. Então ele tem algo a ver com o desaparecimento da menina."
– Mulher... – Chamou a atenção da ruiva – Vá procurar a garota.
– E-Eu? – Perguntou a ruiva.
Ulquiorra deu as costas para Inoue e começou a andar, entretanto parou ao ouvir o pedido dela para que esperasse.
– E o que vai fazer? – Questionou um pouco apreensiva. Sentia um mal pressentimento desde que pregou seus olhos naquele folheto, e medo do que podia acontecer.
– Vou verificar algo – Respondeu evasivo e voltou a andar.
Orihime suspirou longamente, olhou rapidamente para Ichigo, soltando um sorrisinho tímido e se virou para as pessoas que estavam no circo, as analisando. Ficou apavorada.
Não importava, fossem crianças, adolescentes e adultos todos estavam com a mesma expressão no rosto, de olhos arregalados e sorrisos largos e psicóticos, como se estivessem felizes em sua alienação. Até mesmo os funcionários pareciam estar na mesma situação.
O anjo apertou a mão do garotinho ruivo levemente. Esse, corado, se vira em busca do rosto da ruiva.
– Você trabalha aqui, Kurosaki-kun? – Perguntou retoricamente, recebendo um aceno de cabeça afirmativo – Conhece uma menina chamada Yachiru?
O menino parou para pensar por um minuto, refletiu que não se lembra de ninguém com esse nome.
– Não. – Respondeu rapidamente. A garota franziu o cenho, frustrada.
– Tem certeza? – O garoto afirmou – Não viu uma garota de cabelos róseos? – Insistiu.
– Espera, cabelo rosa? – Perguntou e a ruiva assentiu – Tem uma menina assim, ela chegou a pouco tempo.
“Só pode ser a Yachiru!” – Pensou, esperançosa.
– Você poderia me levar até essa menina? — Pediu e Ichigo ponderou um pouco sobre a ideia.
– Não agora... Teremos que esperar o show acabar primeiro.
– E para qual direção fica a apresentação? – O menino apontou para a corrente de pessoas que entravam em uma grande tenda preta e branca mais detalhada. A garota respirou fundo e puxou o ruivo enfiando-se no meio da multidão alienada que estavam indo em direção à tenda.
Antes que Inoue pudesse entrar na tenda que havia uma grande arena, Ichigo a puxou.
– Não pode ir lá, Inoue... – Disse sem olhá-la – Não pode ver aquilo.
Orihime franziu o cenho – mais uma vez – e contra a vontade da criança, largou a mão do mesmo e foi até a arena ouvindo os protestos do menino, mas quando atentamente viu os números dos artistas, estancou.
Orihime franziu o cenho, e contra a vontade do menino, ela largou sua mão e foi até a arena sobre os protestos do garoto, mas quando visou os números dos artistas, estacou no local.
O circo estava cheio, e pessoas hipnotizadas olhavam os três números do grande espetáculo.
Havia o dos palhaços, que faziam movimentos e riam-se uns com os outros, impecáveis.
Mas os sorrisos eram automáticos.
Orihime podia ver o semblante verdadeiro dos palhaços, eles também estavam com os olhos arregalados, vermelhos e umedecidos – sofriam de alguma forma – e permanecer nesse estado de torpor lhe parecia ser muito doloroso.
A situação dos trapezistas era a pior, faziam o número nas alturas, sem redes ou meios de segurança, aparentemente era impressionante, mas eles não faziam o número com perfeição, simplesmente despencavam dos ares, quebravam-se e machucavam os membros, porém não gritavam ou demonstravam dor, somente pelos olhos.
E a multidão aplaudia de pé, como se fosse perfeitamente normal.
E por último, tinha o domador de animais. Na frente deste um leão enorme estava se equilibrando sobre as patas traseiras em um banquinho. O homem possuía um chicote em mãos e o animal se portava confiável e obediente, sempre a acatar as ordens do seu domador, entretanto, não havia estralado o chicote uma única vez e quando o fez, o leão enlouqueceu e num pulo e um grunhido feroz abocanhou o braço do indivíduo e começou a arrastá-lo pela arena.
O homem sorria e acenava para a plateia, como se tudo fizesse parte do truque, e as pessoas gritavam e aplaudiam alucinantes.
Orihime fora puxada por Ichigo até que se afastasse do show, e quando aquelas pessoas estavam fora de seu campo de visão, se sentou no chão, respirando pesadamente, tentando se acalmar.
– Se acalme, Inoue, onegai... – Murmurou o menino segurando os ombros da ruiva amedrontada.
Aos poucos, a ruiva foi recobrando a calma e seus sentidos voltaram a si.
– O que foi... aquilo? – Questionou receosa, por medo da resposta.
– Não sei, eles parem drogados, é difícil de explicar. – Disse a ajudando a se levantar do chão.
Kurosaki a guiou pelo local, sempre evitando chegar perto da arena e parou diante de uma porta espelhada.
– A garota que você está procurando está atrás dessa porta – Começou e ao fundo ouviram gritos histéricos e então suspirou – Não vou poder lhe ajudar agora, chegou a hora do meu trabalho, mas não se preocupe, já volto, ok? – Orihime assentiu e o garotinho saiu correndo na direção da arena.
Voltou-se na direção da porta e tocou a maçaneta. Automaticamente um arrepio subiu por sua espinha dorsal, sentia medo e ansiedade. A caída girou a maçaneta e temerosa, empurrou a porta, de imediato vendo inúmeros espelhos forrados em todo o ambiente.
Era desconfortável e hipnotizante, se perdia em suas próprias imagens refletidas uma em cada espelho, assim se tornara difícil seguir algum rumo. A cada passo que dava, parecia que ela ia na direção do abismo, e juntamente com seu mal pressentimento, aparentava que estava indo mais rápido para a escuridão.
Mas então pôde encontrar um corredor estreito e longo à sua frente, não tinha muitas escolhas, assim resolveu percorrê-lo. No final do extenso corredor tortuoso, deu para enxergar uma pequena cúpula de muitos espelhos no seu redor, e na entrada desta, havia uma menina sentada no chão de costas para si.
A menina era pequena, tinha cabelos escuros devido ao local pouco iluminado, mas eram róseos assim que começou a andar e ficar de frente para a rosada, devido à iluminação da lua, talvez.
– Yachiru-chan? – Se arriscou chamando a garota.
– Sim? – Resmungou a pequena sem levantar a cabeça para Inoue.
Orihime viu um pequeno bicho de pelúcia no colo da criança – objeto que a rosada não parava de olhar – nem mesmo quando havia alguém além dela ali. A menina tinha rodeado seus braços ao redor do brinquedo pousado em seu colo, impossibilitando a ruiva de ver exatamente o que era.
– O que está fazendo? – Perguntou gentilmente, mesmo que tivesse sentindo receio.
– Nada. Somente brincando... – Disse apertando mais a pelúcia no colo.
– E... – Engoliu em seco – Com o que está brincando?
Yachiru parou de amassar o brinquedo e por pouco tempo não fez nada, mas logo levantou a cabeça lentamente, mostrando um sorriso malicioso assim como todos os outros, e os mesmos olhos arregalados e vermelhos. Hipnotizada.
Drogada.
– É o Senhor Coelho! – A menina disse levantando e mostrando o brinquedo para a ruiva – Pegue! – O coelho era branco e estava com respingos escarlates, os olhos eram dois botões acinzentados.
Antes que Yachiru pudesse entregar o coelho para Inoue, essa por puro reflexo foi para trás, e a menor não pôde esconder a expressão de decepção no rosto.
– Não, não pode fazer isso, Orihime-chan! – Exclamou histericamente com o rosto retorcido – Ele é seu, não? Pois então, pegue-o e cuide de seu amiguinho! – Levantou-se jogando o brinquedo no chão.
Logo Yachiru começou a correr rapidamente gargalhando sonoramente enquanto observava seus reflexos nos vários espelhos. Orihime se aproximou da pequena pelúcia. Agachou-se até ficar na altura do coelho e quando tocou seus dedos no mesmo, sentiu um desespero lhe sufocar aos poucos...
Era o horror das pessoas do circo.
Juntamente com o desespero sentiu o medo percorrer as suas veias. Não havia mais dúvidas.
“Será O Coelho?”
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