Condance Falls

4 Capítulo 4 - Vivendo o pesadelo


– Vocês sequestraram ela?

Ethan ainda segurava o meu braço, por um momento fui grata pois se não fosse por ele eu já estaria caída no chão, não conseguia achar força nas minhas pernas, parecia que tudo estava se passando em câmera lenta, eu olhava para cada rosto tentando reconhecer meus amigos, aqueles que me trataram tão bem logo no meu primeiro dia.

– Bem, digamos que sim — Respondeu Hanna com um sorriso assustador

– Mas as coisas não são assim, temos os nossos motivos, se você soubesse de toda a história iria ficar do nosso lado — Alice falou com olhos suplicantes

– Nada justifica isso, é sequestro! Isso dá cadeia, eu não quero fazer parte disso ok? Oque ta acontecendo com vocês?! — Disse me soltando de Ethan e me afastando

Eu não sabia oque estava acontecendo ali, mesmo com medo eu precisava entender.

– Ok! — Falei olhando para Alice — Me conte de toda a história, quero saber.

– Você não vai acreditar. — Ela respondeu

– Me conta oque está acontecendo aqui — Falei mais confiante — Me conta o porque de ela estar amarrada, ela era amiga de vocês!

– Era — confirmou Hanna cheia de ódio

– Não importa oque você pensa, oque você acredita, mantenha a mente aberta — Pedia Lucas

– Tudo bem — Falei cruzando os braços, eu posso fazer isso

– Ela é um lobisomem, fez coisas erradas, temos que corrigir isso — falou Alice

Como manter a mente aberta quando jogam uma bomba dessas em mim? Eles eram loucos, isso não existia, em que mundo eles viviam? Olhei para todos em procura de algo, procurando uma dica de que aquilo era uma pegadinha, mas todos estavam sérios.

– Você não acredita — Alice disse o óbvio

– Você não vê que isso é loucura demais? Lobisomem, vampiro e coisas assim não existem! Como vocês querem que eu acredite nisso? — Falei tentando colocar juízo na cabeça dos meus amigos

– Loucura demais? Nós sabemos disso! — Falou Lucas

– Olhe aqui então — Então Jake pegou um balde com água e jogou na Julie

Ela levantou a cabeça cheia de ódio, olhou para todos antes de olhar pra mim, deu um sorriso ameaçador oque me fez tremer de medo. Oque me assustava era que o rosto dela era diferente, não porque estava um pouco mais peludo, mas o nariz não era humano, os olhos vermelhos-sangue não era humano, olhei para as mãos dela e havia garras no lugar das unhas. Aquilo não era possível, eu me afastava com medo, oque estava acontecendo ali?

Como se não bastasse tudo, vi Hanna pegando uma faca de cabo preto e lâmina cor de bronze e ir em direção da Julie, quis gritar para que não fizesse isso, mas eu não encontrava a minha voz, não tinha controle do meu corpo. Hanna enfiou a ádaga no peito de Julie, então o mais impressionante aconteceu, com o sangue Julie começou a brilhar, Hanna se afastou e parecia que o corpo pegava fogo em nossa frente, até tudo apagar e não sobrar nada além de poucas cinzas.

– Ela vai vomitar — ouvi Ethan falar, eu não prestava atenção, parecia que eles estavam longe demais, em outro cômodo.

– Emily você está bem? — Perguntava Lucas

– Dêem espaço a ela pessoal

– Não, ela vai desmaiar, a aura dela ta ficando fraca — Ouvi Alice dizer mas não prestei muita atenção, eu não tinha mais controle de nada, vi Jake se aproximando de mim antes de perder a consciencia.

–-

Ouvi vozes falando perto de mim, muitas vozes, falavam rápido, eu queria mandar eles calarem a boca e falar para me deixarem dormir, oque diabos eles fazem acordados? Só então eu comecei a me lembrar do que tinha acontecido, eu não queria acordar, não queria lidar com isso agora.

– Emily? — Chama Alice

– Calma gente, ela precisa de um tempo de absorver tudo — Ethan parecia calmo

Abri os olhos e me deparei com 5 pares de olhos olhando pra mim, medindo a minha reação, me sentei e tudo começou a girar.

– Vai com calma — Jake dizia com as mãos levantadas

– Tudo bem, estou bem — menti

– Ninguém está te julgando Emi, todos já passamos por isso — Alice explicava

– Olha, no momento eu só quero saber oque está acontecendo, quero saber oque eu vi, quero a verdade sem mentiras e sem segredos ok? — Falei ainda sentada

– Não sei por onde começar — Alice olhou para as suas próprias mãos

– Pode ser pelo começo — Respondi sem me importar com nada, eu era a vítima ali

– Tudo bem — Ela respirou fundo e começou : — Tudo oque você pensava que não existia na verdade existe sim, Lobisomens, Vampiros, Fadas, bruxas, Leviatans... — Tentei manter a mente aberta, não era dificil depois de tudo oque eu vi — Nós somos os escolhidos para manter a cidade sob o controle, para que toda essa bagunça se mantenha afastado das pessoas. Julie era nossa amiga sim, ela nos ajudava, conhecemos um clã de Lobisomens que estavam de passagem perto da cidade, fomos lá avisar que não iriamos permitir que eles fizessem dali a área deles. Primeiramente você tem que saber que existem os que nasceram lobisomens e os que escolheram ser, você pode viver mais, seus sentidos ficam mais aguçados e você tem poderes, algumas pessoas escolhem isso, Julie escolheu isso, tentamos fazer com que ela deixasse essa idéia pra lá, mas ela se apaixonou por um garoto do clã e pediu que a transformasse, mas não acho que foi inteiramente por amor, Julie sempre quis mais, sempre desejou poder.

Ela parou de falar, vi que estava triste com isso. Era muita coisa para registrar, o mundo que eu conhecia não existia mais, de repente todos os meus problemas sumiu, pareciam ser fúteis demais quando existe tudo isso acontecendo.

– O caso Emily — Jake continuou — é que não matamos todos, existem alguns que conseguem viver entre os humanos sem dar qualquer tipo de trabalho, mas do mesmo jeito que existe humanos bons e ruins, existem sobrenaturais bons e ruins. Quando tem alguma morte na cidade ou próximo dela tentamos nos manter informados se parece algo de suspeito damos uma investigada para ver se é algo que só nós podemos resolver. Ouve uma morte em uma noite, naquela noite que nos esbarramos, ela foi atacada, "ataque de animal" foi oque a policia disse, mas nós sabiamos da verdade, tudo ligou ao clã de lobisomens, fomos atrás deles e o líder nos jurou que não tinha nada a ver com o bando dele, mas mesmo assim ficamos de olho. No dia seguinte Julie apareceu na casa da Hanna, toda suja de sangue, falou que fez algo de errado e precisava de ajuda para sair da cidade, Hanna nos ligou e de resto você já deve imaginar oque tivemos de fazer. Ela pode ter sido a nossa amiga, mas nada disso importa se ela fez algo de errado, ela tirou uma vida, quem não iria garantir que ela fizesse o mesmo de novo?

Na noite que me esbarrei do Jake ele se ofereceu para me levar para casa alegando ser perigoso eu andar sozinha aquela hora, ele estava meio pertubado, as peças começaram a se encaixar. No dia seguinte que me resolvi com a minha mãe, durante o jantar ela estava comentando sobre uma garota que tinha sido atacada por animais, que não havia sobrevivido, ela havia me proibido de andar sozinha de noite depois daquele dia " é interior e não existe muita criminalidade, mas ainda sim existe alguns perigos aqui" dizia ela.

– Tudo bem, tudo bem — eu repetia isso para mim mesma

– Olha, está tarde, muita coisa aconteceu, devemos todos ir dormir, amanhã lidamos com o resto, sei que você deve ter perguntas, mas por favor Emily, ainda somos os mesmos — Suplicava Alice

Balancei a cabeça afirmativamente e todos fomos dormir, grata por não estar dividindo o quarto com ninguém me tranquei e comecei a chorar, me perguntando se era um castigo eu estar passando por tudo aquilo, pedindo para que fosse apenas um sonho. Naquela noite tive um pesadelo com um par de olhos vermelhos-sangue.

Acordei com o sol batento em meu rosto, sem muita vontade de encarar todos os acontecimentos logo cedo, fiquei um tempo deitada repassando tudo mentalmente e me perguntando aonde eu me encaixava em tudo aquilo. Me arrumei e desci afim de procurar algo para comer, Lucas e Alice estavam sentados conversando, não ouvi oque estavam falando mas pararam assim que me viram.

– Como é que você está? — Perguntou Lucas

– Bom, não sei muito bem oque responder, não sei oque pensar agora. — Respondi sincera

Droga, meus primeiros amigos são um tipo de guardiões ou sei lá oque, que se envolvem com vampiros, lobisomens e outros tipos de paranormais.

– Quer conversar? — Alice me perguntou assim que me sentei

– Sinceramente? — Olhei para ela — Não.

Tomamos o nosso café em silencio, eles não falavam nada, me deixava pensando sozinha, me dando um tempo.

– Sabe, — pensei alto — Aonde é que eu me encaixo nessa história?

– Você é uma de nós, foi escolhida também, sabiamos que você ia chegar, eu sonhei com você — disse Alice sorrindo

– Você é algum tipo de vidente? — Perguntei curiosa

– Não, foi a primeira vez que isso aconteceu, pensei ser um sonho comum até eu te ajudar naquele dia da secretaria, e também, você é especial, da pra ver pela sua aura. — Disse ela com os olhos brilhando

– Que negócio é esse de aura, você pode ver a minha aura? Todos vocês podem ver a minha aura?

– Não, apenas ela, isso porque ela é meio fada — Respondeu Lucas

– Isso é muito louco — Falei baixinho

Me levantei e sai, aquilo era demais, eu especial? Oque tinha de especial em mim? Não sei fazer nada, minhas notas estão em média, não sou um gênio, nunca inventei nada e sou uma negação nos esportes. Me sentei em um banco de frente ao lago e me perdi em meus pensamentos. Não sei por quanto tempo fiquei ali, se foi minutos ou horas.

– Sabe, pensar demais as vezes não é bom — Disse Jake se sentando ao meu lado

– Eu não sei nem oque pensar disso tudo — Falei abraçando minhas pernas

– Vamos dar uma volta — Falou se levantando e me dando as mãos, fiquei olhando como se elas fossem cobras — Relaxa, não vou te morder — Falou sorrindo.

– Tudo bem, mas saiba que eu sei lutar — Mentira, não sei de nada.

Caminhamos durante um bom tempo, os dois em silêncio, as vezes ele me ajudava quando o caminho era escorregadio demais e afasta os galhos para passarmos mas não disse uma palavra até chegarmos ao nosso destino. A cachoeira era incrível, não era muito grande mas era linda, a água que caía era cristalina, tirei meus sapatos e entrei no rio, observando meus pés, fechei os olhos e respirei aquele ar, cheiro de mato e água, os únicos barulhos que eu podia ouvir era dos pássaros e o da cachoeira, perfeito.

– é lindo não é? — Perguntou Jake olhando para mim

Sorri com a pergunta dele — Sim, obrigada por me trazer aqui.

– Vamos conversar um pouco, sei que você deve estar achando isso tudo muito louco

– sim — Respondi triste — Não sei mais quem eu sou

– Você ainda é você, olha, todos nós passamos por isso, você está se saindo bem, não saiu correndo ou gritando que somos loucos assassinos.

– Me dê alguns minutos, talvez isso ainda aconteça — Ele riu com o meu comentário.

Nos sentamos em uma parte de pedra, eu olhava para ele e ele olhava para a cachoeira perdindo num mundo só dele, de repente ele piscou e olhou para mim

– Sabe, a mãe do Lucas era caçadora antes de sermos, ela era uma escolhida, mas nunca nos contou nada até meus pais morrerem no acidente de carro, a polícia disse que a pista estava escorregadia e que perderam o controle do carro, mas alguma coisa não se encaixava, meu pai não dirigia rápido, como perder o controle? Ele era o motorista mais prudente que eu conhecia. Minha tia se sentou comigo e com o Lucas e nos contou de todas as histórias, eu acreditei mais rápido que o Lucas, demorou dias até ele voltar a falar com a mãe — Ele sorriu com a lembrança.

– Como isso funciona, passa de pai para o filho?

– Não sei muito bem, mas sei que pode pular algumas gerações, Alice disse que a sua mãe é humana, então é possível que você tenha puxado seu pai ou simplesmente pulou a sua mãe. — Explicava ele

– Como assim humano? Não somos humanos? — Perguntei um pouco pertubada

– Não somos inteiramente humanos, Alice é meio fada, Hanna é algo descendente japones, é Kitsune, significa raposa, Ethan é uma espécie de descendente é Ajatar, que é uma espécie de dragão..

– Dragões existem? — Cortei sobressaltada

– Não, de qualquer forma, não é desse tipo de dragão que você pensa, daqueles com asas, cauda e que cospem fogo, Ethan no máximo pode controlar o fogo. — Respondeu

– Mesmo assim é bem.. bacana — falei em vez de "assustador"

– Continuando — ele disse com um sorriso malicioso — Temos o lucas, ele é um Banshee, assim como a mãe dele.

– Desculpa te interromper de novo, mas uma vez eu li sobre Banshee em um livro de folclore, isso é não considerado pelos Irlandeses como um espírito da morte? — Comecei a tremer

– Olha, existem várias lendas para várias coisas — ele pegou a minha mão e eu comecei a me acalmar — Lucas as vezes sente quando algo está errado, já previu a morte, pensa o tanto que foi estranho na época quando formos visitar a nossa vó e quando estávamos indo embora ele falou que não iriamos mais ver ela, na época nossos pais acharam isso uma besteira, mas na verdade nunca mais vimos ela viva.

Olhei para a cachoeira pensando nas histórias de meus amigos, todos tinham passado por alguma coisa para poder ajudar na hora de descobrir a verdade, nunca aconteceu algo parecido comigo.

– E oque você é? — perguntei depois de algum tempo.

– Ta ai uma boa pergunta, pensei que eu não seria nada, minha tia foi uma Banshee e Lucas se tornou um Banshee, aonde eu me encaixo nisso tudo? Minha mãe foi acolhida pela família da minha tia quando era pequena, eu sou um nefilim, sou descendente de anjos, só sei disso. — Parou e deitou com os braços atras da cabeça.

Abracei minhas pernas apoiando meu queixo nos joelhos, aquilo parecia coisa de um livro, mas uma parte de mim, uma grande parte acreditava em tudo aquilo.

Notas finais
E então? Oque acharam? Meus dias de postar um capítulo todos os dias está para acabar! haha' enfim, espero que vocês tenham gostado, me mandem comentários sobre oque acharam! BEIJOS!