Condance Falls
5 Capítulo 5 - Blue
Notas iniciais
– Porque vocês chegaram mais cedo? — Perguntou minha mãe pelo telefone assim que cheguei em casa.
– Não te falei? Senti uma saudade imensa de você quando estava lá
– Haha, acha que vou cair nessa? — ela riu e de repente ficou séria — Oque aconteceu querida?
– Nada mãe, resolvemos voltar para aproveitar o festival, vai poder ir comigo? — falei mudando de assunto
– Na verdade sim, só vou fazer mais uma ronda e estou indo para casa, beijos! — e desligou
Na sexta-feira as coisas ficaram tensas, todo ficaram medindo as minhas atitudes, esperando eu surtar, de noite como viram que eu não iria dar a louca resolveram que poderíamos vir embora hoje cedo, não me despedi de ninguém quando me deixaram aqui na porta.
Tomei banho, arrumei as minhas coisas e fiquei deitada no sofá esperando minha mãe chegar, acabei cochilando.
– Querida? — Acordei com minha mãe me chamando — Oi, desculpa a demora, comeu alguma coisa?
– Não — olhei em volta e vi que havia se passado 2 horas e meia
– Tudo bem, vou me arrumar e poderemos comer algo fora ,que tal?
E subiu as escadas, me espreguicei e fui beber água pensando nos meus amigos, sentia falta deles, queria que nada disso tivesse acontecido. Alguém toca a campainha.
– Deve ser a Holly! — Gritou minha mãe de cima
Olhei pelo olho mágico e não via ninguém, que estranho.. Abri a porta e olhei para os lados para ver se via alguém de conhecido, quando ia fechar escutei um latido, olhei para baixo e lá estava ele, pequeno, um filhote ainda, cinza e branco com os olhos tão azuis como os meus, fiquei encantada.
– Hey amiguinho, está perdido? Vem vamos cuidar de você — peguei ele no colo
Nunca tinha tido um animal de estimação, nunca pensei em ter pelas nossas mudanças constantes, mas porque não agora?
– Quem era.. — Mamãe parou assim que viu o meu novo amiguinho
– Olha que gracinha, estava na porta, devem ter abandonado aqui — O levantei para mostrar a ela — Podemos ficar com ele? — Perguntei pensando em ficar de joelhos se preciso
– Ah, não sei, você teria de cuidar dele, dar comida, levar para passear.. essas coisas, você quer isso? — perguntou cruzando os braços,
– Sim — respondi sem pensar
– Ah, não sei se é uma boa idéia.. — Falou olhando para o cãozinho
– Mãe, eu nunca tive nem um peixe! Alem do mais eu fico bastante tempo sozinha aqui quando você está no hospital, porque não ter um cachorro para me fazer companhia? — Tentei
– Tudo bem — Concordou
–Sério?
– vamos levá-lo no veterinário quando sairmos, teremos de comprar algumas coisas.. — ela começou a listar
– Obrigada! — Gritei a abraçando e enchendo de beijos
O batizei de Blue, por causa dos olhos, e parecia combinar com o jeito dele, era brincalhão mas sério ao mesmo tempo, tentei ensinar alguns truques e ele pegou bem rápido, acho que tive uma sorte enorme ao pegar um cãozinho tão inteligente. Saímos e fomos almoçar em um restaurante com área aberta, logo depois o levamos à um veterinário, estava tudo certo, compramos uma coleira com seu novo nome, ração, almofada e tudo que iriamos precisar.
Fomos no festival e tudo estava lindo, cheio de cores e havia muitas pessoas, estava realmente incrível, dei graças por não ter perdido isso, minha mãe e eu nos divertimos muito, conversamos, rimos e conhecemos novas pessoas, coisa que não fazíamos a muito tempo. Vi os pais do Lucas lá, sua mãe me encarava, pedi para minha mãe para irmos para outro lugar:
– Mãe, vamos ver aquelas bijuterias artesanais? — falei já puxando ela
E o dia se passou assim, somente eu, minha mãe e o Blue. Não vi meus amigos.
– Emi, tenho que ir para o hospital, me ligaram e precisam de toda ajuda que tiver disponível — minha mãe apareceu no meu quarto enquanto eu lia um livro
– Está tudo bem mãe, ou devo te chamar de doutora? — Falei sorrindo — Aconteceu alguma coisa?
– Ah, um acidente de carro, estavam todos embriagados.. Queria ficar aqui e conversamos sobre sua pequena viagem e tomarmos um chocolate quente, como antigamente — Ela lamentou
– Mãe, podemos fazer isso depois, vá salvar vidas!
Então ela saiu apressada, pela primeira vez aquele dia fui checar meu celular não sabendo oque esperar.
"Estamos bem, certo? Alice"
"Espero que ainda sejamos amigas, você é pra mim minha melhor amiga. -A"
"Hey, dê notícias, estamos todos ficando preocupados -L"
Não sabendo oque eles poderiam fazer, resolvi mandar mensagem para os dois:
"Estou bem. — Em"
Não me importei de ter sido grossa com eles, eles não haviam culpa de ser oque são, eles não escolheram a vida que tem, mas eu poderia ter, certo? Eu poderia virar as costas para os meus primeiros amigos verdadeiros? Desci, olhei se estava tudo bem com Blue, se havia ração, água, se ele estava preso em seu cercadinho e então fui dormir.
Acordei com meu telefone tocando, olhei no visor e era Alice, resolvi não atender, me espreguicei e bati com o pé em alguma coisa, me sentei e vi que ela Blue em minha cama dormindo, como ele foi parar ali? Deve ter sido a minha mãe, fui em seu quarto e ela não estava, resolvi ligar para ela.
– Mãe, aonde você está? — Perguntei assim que ela atendeu
– Oh, desculpa querida — deitei novamente — Ontem estava tão cansada que resolvi ficar aqui no hospital e evitar outro acidente, aconteceu alguma coisa?
Olhei para Blue deitado na minha cama e estranhei
– Não, só fiquei preocupada — e nos despedimos
– Como foi que você veio parar em minha cama ein? Acho que você é inteligente demais, vou ter que dar um jeito nisso — Falei passando a mão na cabeça dele
Blue e eu passamos a tarde fazendo companhia um para o outro, deitados no sofá, dormindo, comendo e brincando, ficamos assim o dia inteiro, acho que fui ficando louca pois comecei a conversar com ele, ele era um bom ouvinte, escutava tudo calado e as vezes virava a cabecinha como se tivesse confuso, minha mãe chegou no final da tarde e foi tomar banho. Fiquei olhando Blue, seus olhos demasiadamente azuis, era estranho ser tão parecidos com os meus.
– Temos que conversar.
Como é????
Fiquei parada olhando para ele, de onde vinha a voz dele, deveria ser brincadeira, como que .. como que isso é possível? Fiz oque qualquer pessoa normal faria se estivesse no meu lugar, gritei.
– OQUE? OQUE ESTÁ ACONTECENDO? — Minha mãe apareceu de roupão na sala
olhei para Blue, olhei para a minha mãe
– Emily, porque você gritou? Você está bem? Parece estar meio verde — Perguntou preocupada
–Se você falar, ela vai achar que você está louca — Blue me disse
– Nada.. eu.. vi uma aranha, das enormes, assustador — Falei suando
– Aham, então vou tomar banho, cuidado com essas aranhas — saiu sem acreditar
– Ok, você fala? Porque ela não te escutou? — perguntei saindo de perto dele — Oque você é?
– Eu não falo, ou falo.. só você pode me entender, eu sou ligado a você, sou uma parte de você, sou seu guardião ou algo parecido, nasci quando você nasceu, sempre estive com você, de longe.. Mas depois do que aconteceu na casa do lago acho que finalmente você está pronta para mim. — Dialogou
– Nunca te vi na minha vida — falei desconfiada
– Isso porque posso estar em forma de outros animais. Quer um cachorro maior? Eu posso ser — Então Blue virou adulto — Quer um gato? Eu também posso ser — Virou um gatinho
– Não estou me sentindo bem, — Me sentei no chão e comecei a hiperventilar.
– Eu sei — se transformou no cachorrinho e se sentou na minha frente — Eu sinto oque você sente, como falei, sou uma parte de você.
Ficamos durante um tempo um olhando para o outro, se familiarizando com essa nova etapa da minha vida, eu acreditava no Blue, confiava nele, ele era uma parte de mim. Quis ligar para Alice e contar oque havia acontecido, mas ainda não estava pronta para falar com ela e com os outros.
No jantar minha mãe tagarelou sobre o acidente de carro, o quanto era irresponsabilidade dirigir quando está sob o efeito do álcool, que graças a Deus ninguém tinha morrido, mas sobreviveriam com grandes sequelas, ok, eu entendi que isso era uma forma de ela mandar um recado "se for dirigir, não beba".
– Oque você fez hoje? — perguntou
– Vi TV — respondi sem muita importância — Mãe, oque é isso? — perguntei cheirando oque estava na minha frente
– Sopa. Porque não saiu com os seus amigos? Hoje foi o ultimo dia do festival.
– Quis ficar em casa e assistir aos programas super interessantes — respondi e empurrei o prato não querendo comer aquilo
– Ah é, qual? — Perguntou me empurrando o prato de volta
– Aquele com crimes, sangue e prisão. — comi uma colher, não era tão ruim.
– Sei..
Depois do jantar decidi ir para meu quarto ler algum livro, Blue pulou em minha cama e se sentou olhando para mim, o ignorei.
– Olha, estou indo dormir, amanhã vou te levar para a escola — 'como sempre' pensei — Boa noite. — Me deu um beijo
– Boa noite mãe.
Li alguns capítulos até eu começar a me incomodar com o Blue.
– Ok, oque você quer? — Perguntei
– Você está com saudade dos seus amigos, porque não liga para eles? E ainda estou tentando entender a sua relação com o Jake — Falou na lata
– Não existe relação nenhuma, e eu não estou afim de falar com algum amigo, vamos dormir — Falei desligando o meu abajur
Não dormi de imediato, fiquei pensando nas palavras do Blue, estava com saudades dos meus amigos, de rir com eles, mas não estou preparada para entrar nesse mundo ainda.
Na manhã seguinte minha mãe me deixou na escola e avisa que não poderá me buscar, pois vai sair com a tia Holly para comprar coisas novas para a casa, fingi que estava tudo bem. Na aula de inglês avistei Alice sentava no lugar de sempre e ao lado dela uma cadeira vazia, sentei na frente sentindo que ela olhava para mim, a minha vontade era de me levantar e ir falar com ela, mas não fiz. No final da aula sai rápido não dando tempo de ela falar comigo, fui para uma das poucas aulas que não tínhamos juntas, e meu primeiro tempo foi assim, evitando os meus amigos a todo custo. Na hora do almoço me sentei em uma das mesas afastadas sozinha.
– Sabe evitar seus amigos não é a solução, você é oque é e eles são oque são, nada vai mudar. — Disse Blue em forma de pássaro em minha mesa me assustando
– Você deveria arrumar um jeito de me avisar que está chegando, quase morri de susto, oque aconteceria com você se isso acontecesse?
– Você tem que prestar atenção as coisas a sua volta, se você tivesse fazendo isso teria me sentido perto de você a manhã inteira.
– Fique calado por um instante — Falei fechando os olhos começando a ter dor de cabeça
– Falando sozinha? — Perguntou Lucas parado atras de mim
– Sim — Respondi ainda não pronta para falar de meu amigo que saiu voando
– Vai continuar nos ignorando por quanto tempo? — Perguntou novamente
– Ah, ela vai parar agora — Falou Alice com os olhos vermelhos se sentando ao meu lado — Você acha que escolhemos ser isso? Nascemos assim ok? Você está com medo? ótimo, todos nós estamos, mas você ainda é a nossa amiga, eu considero você a minha melhor amiga, quero conversar com você.. Posso contar com você?
– Desculpe, isso só é muito para absorver — Admiti envergonhada
Naquele momento foi totalmente menininha, ela chorava, eu chorava.. enfim, ambas chorava. Tentei de novo.
– Me desculpa ter ignorado vocês, mas é tanta coisa acontecendo que.. — Não terminei de falar, nos abraçamos.
– Olha que coisa linda — Ouvi Ethan falar — Vem cá menina, dá um abraço
Falou isso me puxando quase como se fosse me derrubar, mas como é forte me levantou e abraçou, quase me matando.
– Abraço grupal! — exclamou Alice fazendo com que Lucas e Hanna se juntassem ao abraço
– Jake, se junta ao abraço — Ethan falou ainda me abraçando
– Não, tem muita gente olhando — Jake falava sorrindo
– Se junta ao abraço
– não
– Se junta ao abraço agora
– Não
– Porquê?
– Quer se juntar na merda do abraço logo? — Gritei querendo acabar com isso
Ele nos abraçou e nos separamos, rimos com a cena e nos sentamos para lancharmos algo.
– Você tem que ir no ritual de iniciação — Falava Hanna enquanto comia suas batatinhas
– Ah é? E oque eu tenho que fazer? Andar sobre as cinzas? Cortar a minha mão e dar um pouco de sangue para vocês ? Fazer um pacto? — Eu falava sem parar
– Não. Sabe, acho que você anda assistindo filmes demais — Me cortou Lucas
– Vamos em uma sorveteria só — Disse Alice com um sorriso
– Sério? é isso? — Falei meio decepcionada
Todos rimos das minhas idéias malucas no final. O resto do dia se passou tranquilamente, era incrível como parecia tudo dar certo quando o meu relacionamento com o pessoal dava certo, eu fazia parte do grupo, parecia que estava completo quando estávamos juntos.
Combinamos de nos encontrar na sorveteria em poucas horas depois, eu e Alice saímos andando no centro e eu aproveitava e conhecia o lugar aonde estava morando.
– Hey, vamos passar ali? — ela pediu
– Tudo bem
Atravessamos a rua e entramos em um lugar que ainda não sabia oque era, era tudo muito organizado e claro.
– Tampinha? — Chamou um homem alto saindo de tras do balcão
– Tio! — Falou Alice indo abraçar o tal homem — Então, essa é a minha melhor amiga Emily, e esse daqui é o meu tio favorito, Jonh.
–Favorito é? Eu não sou o único? Prazer te conhecer Emily, já ouvi falar muito de você
– Prazer em conhecer o senhor — Falei educada
– Tio, esse tipo de detalhe não importa.
– Importa sim! E sem senhor, sou muito novo para isso — Ele disse sorrindo
John não era não novo assim, estava na casa dos 30 já, mas era muito bonito, Alice puxou muito dele, como os olhos e cabelos escuros, o mesmo sorriso contagiante e a maneira com que você se sinta a vontade quase imediatamente. Ele nos mostrou o espaço enquanto Alice me explicava que ele morou um tempo fora, que havia voltado a cidade a pouco tempo. Me explicou que abriria um café ali, com alguns lanches, tenho certeza de que seria um sucesso.
– Ih, está quase na hora de irmos nos encontrar com o pessoal, — Disse Alice olhando as horas — Temos que ir tio, outro dia voltamos, beijos. — E saímos
– A cidade é bem bonita não é? — Dizia Alice vendo que eu observava tudo por ali.
– Sim — respondi
– Sabe, meu tio ele é bem legal, mas coisas só não dão muito certo para ele. Ele estava noivo, ela era legal, era muito bonita, arqueóloga, eles se conheceram na faculdade, começaram a namorar e ficaram noivos, bem clichê isso ne? — Perguntou
– Um pouco, mas oque aconteceu? -
– Ah, estavam apaixonados, meu tio estava cego de amor, e não viu que ela estava traindo ele com o melhor amigo, duas traições de uma vez — Falou ela balando a cabeça indignada
– Ele os flagrou?
– Sim, ele ficou quebrado, abandonou o emprego e veio para cá, ficou os 3 primeiros meses só bebendo e se lamentando, era triste de ver, mas, eu dei uma forcinha. — Disse sorrindo
– E como você fez isso?
– é muito simples, eu posso ver a aura das pessoas, consigo ver oque elas estão sentindo, consigo ver a dor nelas, mas não é tão simples assim oque eu fiz, — Respirou fundo e continuou — Eu preciso conhecer bem a pessoa para fazer oque fiz, e é cansativo, eu apenas peguei a dor dele e transformei em outra coisa, em determinação, isso já existia mas não era tão grande assim, não é como controlar os sentimentos das pessoas mas..
– é como controlar os sentimentos das pessoas. — Observei, olhei para ela e ela parecia pensar em algo
– Não é tão simples, e eu tenho que ter cuidado em mexer assim com as pessoas
– É
Finalizamos o assunto e entramos na sorveteria, aonde Hanna e Ethan já estavam nos esperando, logo logo Lucas e Jake chegaram e começou a mesma farra de sempre, todos conversando, todos rindo e todos se sentindo completos.
Fale com o autor