Concrete Heart
5 Capítulo 4 - Absolute state
Notas iniciais
No domingo, quando Victor voltou para Forks, eu não sabia exatamente o que eu queria. Talvez eu devesse dizer a ele que Ephrain está aqui, ou talvez não.
Não é grande coisa, afinal.
Já era 01:00 quando decidi que precisava vê-lo logo.
Ele estava dormindo, é claro, mas abriu os olhos assim que eu me sentei na cama.
— Oi — ele disse, sua voz estava rouca por causa do sono.
— Oi — eu disse.
— Eu senti sua falta.
— Eu também senti a sua.
Ele sorriu, e eu suspirei. Como eu consegui ficar longe dele por tanto tempo? Isso é pura obsessão, eu sei. Foi apenas uma semana. Não é como se fosse o fim do mundo. Mas era tão estranho quanto desconfortável, ficar longe dele mesmo que por um dia.
— Você está bem? — ele perguntou.
— Hum?
— Quero saber se você está bem?
Rosalie ligou para ele! Como eu não ouvi isso nos pensamentos dela quando sai?
— Estou — eu disse mas ele continuou me encarando.
O que ela disse para ele?
— Sério, não se preocupe — tentei de novo.
Demorou dois segundos até ele se convencer ou apenas desistir.
— Ok — ele disse e puxou minha mão, insuando para que eu deitasse ao seu lado.
Assim que eu me deitei seus lábios foram parar no meu cabelo. Era sempre assim, era como se ele precisasse respirar no meu cabelo. Seu braço passou por cima de mim e me puxou, me virando de frente para ele e agora seus lábios estavam em minha testa. Ele os pressionou suavemente e então olhou para baixo. Minhas mãos estavam em seu peito que subia e descia num ritmo regular, mas seu coração disparou lentamente quando ele me beijou.
Era para ser um beijo rápido, sem "quase morte" para ele. Mas sua língua já estava na minha boca e sua mão apertou minha cintura.
Havia limites entre nós dois, eu os deixava bem clado para Victor. Mas ele tende a esquecer de todos eles quando está me beijando. O problema é que as vezes eu esquecia também... É que ele tem um gosto tão bom, melhor ainda do que o cheiro... Mas então eu sinto a natureza do beijo mudar, da minha parte pelo menos. Não é só beijá-lo que eu quero...
— Victor — sussurrei com os lábios esbarrando nos dele e afastei o rosto um segundo antes das presas aparecerem. — Você nunca vai parar de testar meu autocontrole? — perguntei quando o controle já era algo em primeiro lugar na minha cabeça.
— Sinceramente? Não — ele sorriu.
— Sinceramente? Acho que você devia passar o dia inteiro comigo amanhã.
Eu sabia o que ele iria fazer amanhã: Charlie o convenceu a ir à La Push. E com certeza Jane já estava imaginando seu dia.
Ele suspirou e revirou os olhos.
— Não faz isso — ele disse, devagar.
— Não estou fazendo nada — eu disse, inocentemente.
— Você vai me fazer escolher, e eu realmente não quero. Odeio quando você coloca as coisas desse jeito.
— Victor, é perigoso...
— Não é não.
— Você não faz ideia, não é?
— Confie em mim.
— Eu confio. É nela que eu não confio.
— Bom, quanto a isso eu não posso fazer nada.
— Só não... vai...
— Angel, não começa.
— Você sabe, tem lobos lá. Eu já te disse. Eles são imprevisíveis. Não tem controle.
— Eu sei me cuidar.
— Ah, é claro que sabe.
— Eu ainda nem fui e você já está brigando — ele se apoiando na cama.
— É para me poupar amanhã.
— Ou só para insistir mais.
Nós nos encaramos por longos e longos segundos.
— OK, você venceu — eu cedi.
— Eu sei.
— Eu estou irritada agora.
— Você vai superar.
Eu revirei os olhos.
Ele segurou meu queixo com o polegar e o indicador antes de pressionar os lábios nos meus. Eu deixei que ele continuasse e logo sua língua invadiu minha boca, sua mão desceu para minha cintura e a outra estava do lado da minha cabeça. Eu não o fiz parar, estava no controle. E era tão bom... Eu deveria parar.
Lá no fundo da minha mente eu sabia que era mais sensato parar.
Ele me apertou mais contra ele e eu podia sentir o calor do seu corpo, seu coração disparado e o sangue correndo rápido em suas veias. Minhas mãos estavam em seu cabelo e era tão macio, eu quase nunca tocava nele. E isso me fez lembrar que eu deveria fazer isso mais vezes. Mas então ele precisou de ar e seus lábios foram para meu pescoço. Eu podia sentir meu corpo todo se eletrizando de uma maneira que não deveria. De algum jeito era errado... Sua mão desceu por minha perna até o joelho e ele levantou até seu quadril. Um gemido involuntário saiu da minha garganta e os seus lábios voltaram para os meus.
— Victor... — eu sussurrei e ele me encarou.
— Isso também é perigoso? — ele perguntou, sarcástico.
— Sim — eu disse, o empurrado gentilmente para o lado.
Ele se deitou de costas na cama e encarou o teto. Eu me sentei na cama e olhei para a janela.
Ele estava mordendo o lábio, coisa que só faz quando está nervoso.
— O que foi? — perguntei, esquecendo momentaneamente o que aconteceu.
— Nada — ele respondeu.
— Fala.
Ele suspirou e sua respiração se alterou um pouco.
O que ele está pensando?
— Victor! — insisti, irritada em não saber.
Ele se sentou na cama, eu sentia sua respiração em meu pescoço.
— Você acha que... Que algum dia conseguiria ficar... Bem, agora que você consegue ficar tão perto de mim, sem perder o controle... Você acha que...
Ele não terminou a frase.
— Como assim, perto? - eu perguntei, então ele revirou os olhos e mordeu o lábio de novo.
Eu tentei entender o que ele quis dizer mas não deu muito certo, meu instinto ainda estava a flor da pele por causa do beijo.
Ele me encarou por alguns segundos e então suspirou de novo.
— Como uma mulher e um homem — ele apontou para nós dois — numa cama... — ele deixou a frase em suspenso mas era óbvio o que ele queria dizer.
Ele estava falando sério? Tipo, sério mesmo? Eu não sabia bem o que responder. Quando ele me perguntou isso antes, era uma coisa totalmente abstrata, eu sabia que ele não havia realmente cogitado a ideia. Mas agora era diferente.
Nós dois estávamos diferente.
Eu nem tinha reação para aquilo. Mas ele foi paciente e esperou os minutos se passarem enquanto eu tentava reformular uma frase na minha cabeça.
— Eu acho que não — eu disse, devagar.
Eu podia ver que ele estava decepcionado mas eu não podia mentir.
Porém, outra coisa passou por minha cabeça.
— Mas, bom, se você achar que isso não é... Você é homem e eu entendo perfeitamente — eu disse e ele franziu o cenho.
Sua expressão foi de pura repulsa.
— Sério que você disse isso? — seu tom não era irritado, só compreensivo. — Eu amo você e não é isso que vai fazer mudar o que eu sinto. Eu te fiz uma pergunta e você respondeu. Foi só isso.
Tudo bem, talvez isso não o fizesse mudar o que sente por mim. Mas o tempo vai passar e...
— Pare de pensar nisso! — ele disse, levantando meu queixo para olhar em meus olhos quando eu fiquei quieta. — Eu já disse que te amo. E, acredite, isso já é o suficiente para que eu sinta repulsa em pensar em outra garota desse jeito.
Ele me beijou por um breve segundo e então se deitou de costas, me puxando junto e colocando minha cabeça em seu peito. Agora eu não só ouvia mas também sentia seu coração bater.
— Eu também amo você — eu disse e senti o batimento irregular de seu coração.
Sorri.
Eu nunca me cansaria de ouvir seu coração disparar, ainda mais em saber que é por minha causa.
Em alguns minutos ele dormiu. Eu admirei seu rosto, a tranquilidade em dormir...
Por que os vampiros não podiam também? Ter um momento de descanso, sem ter que se preocupar com todas as outras coisas? Só por alguns instantes.
Eu e o Victor não precisávamos ter "aquela conversa". Não hoje. Não era importante.
Eu podia, enfim, ter um momento de paz. Quando tudo realmente esta bem. Mas amanhã logo chegaria, e teríamos mais complicações.
Eu suspirei. Ele se mexeu e me apertou, sussurrou o meu nome e se virou para o outro lado.
Amanhã... Eu iria me preocupar apenas amanhã.
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