Concrete Heart

6 Capítulo 5 - Next Story


Notas iniciais
Cacete, merda de bloqueio hein... Mas enfim, consegui escrever kk, então Carpe Diem.

Depois do dia finalmente terminar, eu pude relaxar. Todos os meus instintos estão apitando, porém eu ignorei por longas doze horas, enquanto Victor estava com sua insuportável amiga Jane.

Estava descendo as escadas quando Jasper me apareceu na minha frente.

— O que foi? – perguntei.

— Você não acha que devia ter nos dito que o chefe dos Quileute está em Forks?

— Jasper! – Carlisle o interrompeu.

— Não é uma ameaça — eu disse, dando a volta e terminando de descer a escada.

— Não devia ter tanta confiança, afinal ele com certeza ainda...

— Eu já disse que ele não é uma ameaça! – eu disse um pouco mais alto que o necessário. – Eu tenho que ir.

Eu suspirei quando cheguei do lado de fora. Ás vezes conviver com vampiros pode ser mais difícil do que com humanos. E eu sinto a diferença agora.

Cada dia da eternidade é como se removesse um pouco da humanidade que resta em nós. Ainda assim tentamos ir pelo caminho certo. Um caminho com o poder de evitar o que você é de verdade. De vez em quando todo esse senso de família postiça sente a pressão de nossas vidas como vampiros. Mas quando esse senso falha, é difícil ser o mesmo de novo. Tudo bem, eu admito. Houve momentos em que duvidei da minha capacidade de redenção com minha família. Mas toda vez que eu penso em desistir, eu vejo que nunca conseguiria evitar a minha própria natureza sem eles. O problema é que ás vezes eles não facilitam.

— Oi – Victor disse, assim que entrei no quarto.

Eu sorri e me deitei ao seu lado.

— Você parece cansado – eu sussurrei, escutando a respiração do Chefe Swan.

— Eu estou. E nem sei por quê.

Ele pegou minha mão e começou a brincar com ela.

— A gente precisa conversar – ele disse.

— Hum?

— Angel, não dá mais para ficar nessa de esperar. Eu não vou para faculdade, só vou fingir que vou. E o verão já está quase acabando.

Desviei o olhar. Eu sabia bem sobre o que ele queria conversar. A conversa que eu não queria. Quase senti vontade de ter ficado com Jasper, falando sobre lobos. Mas então percebi que seria tão ruim quanto essa conversa. Eu não sei decidir qual é pior. Talvez a lei do silêncio?

— Eu estava pensando... – ele começou.

— Isso é novidade – ironizei.

Ele revirou os olhos.

— Você não quer que eu seja como você, não é? – ele mudou a tática do assunto.

— Não – respondi sem hesitar.

— Por quê?

— Você sabe.

— Não, eu quero que você me diga uma coisa menos óbvia.

Eu o encarei por um longo tempo até perceber que ele já estava ficando irritado com o meu silêncio.

— Por que você não quer que eu seja um vampiro? – ele insistiu, com a voz mais firme.

— Por que... Eu não quero.

— Tem que ter um motivo.

— O motivo é esse: eu não quero. Ninguém quer isso. Você não está pensando direito. Não é como nos filmes, Victor. Você quer ser um assassino?

— Você não deixaria isso acontecer.

— Acha que eu te impediria? Acha mesmo que eu ia deixar você sentindo dor em vez de apenas deixar... Você ser o que é? Vai ser como se tivesse uma lâmina em brasa na sua garganta, isso sem contar que você não me atacasse.

— Eu não...

— Não vai ser mais você. Por um longo tempo, você vai ser apenas... Um vampiro. Um vampiro viciado em sangue. Você não vai se importar se é a sua mãe, ou eu quem está na sua frente.

— Você consegue se controlar.

— Eu tenho mais de um século de experiência. E além do mais, eu tenho um histórico bem ruim sobre ser uma recém-criada. Não sou um bom exemplo.

— O quê?

— Recém-criado é o termo que se usa para vampiros novatos.

— Não pode ser só por isso.

— Eu já te dei mais do que um motivo. Agora vamos parar de falar nisso.

— Tem a ver com a minha alma, não é?

— Hum? Do que você está falando?

— Carlisle me disse o que você acha sobre... Sobre isso.

— Carlisle não sabe do que ta falando.

— Você pode duvidar de qualquer um, menos de Carlisle.

— Não tem nada a ver com isso.

— Eu te conheço e sei quando está mentindo.

— Eu só... Não quero fazer isso. Você tem uma vida, e eu não quero acabar com ela.

— Angel, você tem 16 anos, não é como se estivesse acabando com a minha vida aos 18.

Ele realmente não entende.

— Não, olha, eu não tinha escolha. Eu estava morrendo. Não estava perdendo nada quando Carlisle me mordeu. E mesmo assim, eu ainda não tenho certeza.

— Você preferia que ele não tivesse te salvado?

— Eu não sei, Victor. Mas não é isso o que importa. O que eu estou dizendo é que você tem escolha, amor. Não tem que fazer isso.

— Mas eu vou morrer.

— É assim que tem que ser.

— Você não pode decidir isso por mim.

— Eu posso sim. E é não!

— Você não é a única que pode fazer isso.

— Eles não teriam coragem de fazer isso.

— Não é você quem decidi.

— Eu já disse que não!

— Eu não vou mais discutir com você. Sabe muito bem o que eu quero e eu vou ter.

— É, eu sei; Você quer a única coisa que não vou te dar.

— Não é como se fosse o fim do mundo, Angel. Isso tornaria tudo mais fácil.

— Não para mim.

— Especialmente para você.

— Victor...

— Por favor.

— Não.

— Você não...

— Eu não o quê?

— Nada.

Eu suspirei.

— Victor, você acredita que eu tenho alma, mas eu não tenho...

— Angel...

— Shh. Me deixa terminar de falar – coloquei minha mão sobre sua boca. — Eu te amo. E arriscar a sua alma, só para nunca ter que te perder... É a coisa mais egoísta que eu faria em toda a minha existência.

— É só por isso mesmo? – ele perguntou, retirando minha mão da sua boca e a segurando em cima da barriga.

— Sim. Por que mais seria?

— Ah, eu achei que... Bom, que você talvez estivesse com medo de não me querer mais quando eu não for... Você sabe, quente, e macio como um humano. Quando eu for louco por sangue a ponto de não me importar mais com você. E eu não vou mais ter o mesmo cheiro – ele franziu as sobrancelhas ao pensar nisso.

Eu ri.

— Acha mesmo que isso poderia acontecer? – balancei a cabeça, em descrença. — Victor, você realmente deveria parar de pensar, por que quando você pensa, só pensa besteira. Não existe nenhuma possibilidade remota de eu não querer mais você só porque vai ser um vampiro. E, na verdade, seria um alívio não ter que ficar me controlando o tempo todo, ou ter cuidado até de tocar em você.

— Então só seria mais fácil, não é?

— Sim, se esse fosse o único problema. Mas não é. Então... O que foi?

— Nada. É que eu te amo demais e ás vezes isso me assusta.

— Eu entendo perfeitamente. Não é fácil amar um vampira.

— Mas é a melhor coisa do mundo.

Ele me beijou. Quando nos conhecemos, ele tinha muito mais cuidado até do que eu mesma quando o assunto toque físico. Mas depois do que houve com Victoria, quando ele percebeu que eu podia me controlar, era como se eles se esquecesse que estava beijando uma vampira. E ele me disse que realmente se esquecia, para ele era tão humana que não importava que tinha dentes cheios de veneno. Com o tempo ele foi ficando mais ousado, e isso me deixava em alerta toda vez ele me beijava. Eu tinha que instruí-lo a parar. Porém, ele tendia a nunca me escutar.

— Se comporte – eu disse, empurrando seu rosto com delicadeza, eu acho.

Ele sorriu.

— Depois que você me transformar, eu vou ficar diferente, vou querer fazer coisas que eu não deveria querer. Eu tenho total consciência disso. Mas não vai ser para sempre. Eu vou conseguir me controlar depois de alguns anos – ele sussurrou e beijou meu rosto.

No fundo, eu sei que só estou lutando contra o destino dele. É quase que por reflexo. Eu não estava tentando mudá-lo, só tentando fazer ele se afastar. Não sou idiota, eu sabia que Victor iria terminar como eu. Por mais que eu quisesse que não, as visões eram diferentes do o que eu queria. Mas o futuro não está gravado em pedra, ele pode mudar. As visões sempre mudam. E eu não queria permitir que elas me consumissem por completo. Sabe, eu não sou Atlas, e o futuro tem o peso de um planeta. Eu não posso, simplesmente, sustentá-lo nos ombros.

É claro, que uma parte de mim, ás vezes quer voltar atrás e mudar as coisas. Mas não é assim que a minha vida funciona. As escolhas foram feitas, e coisas estão acontecendo por causas delas.

Notas finais
XOXO