Concrete Heart

4 Capítulo 3 - I got tired of it


Notas iniciais
Oi, meu povo! I1m back, bitches!!! haha

As árvores ao nosso redor farfalharam e eu ouvi o rugido vindo do peito de Ephrain. Dei um passo para trás, só por precaução enquanto ouvia ele repetia muitas vezes minhas palavras em sua cabeça.

— Pelo humano? — ele perguntou, lentamente, quase tentando testar a frase.

— Sim — ele respondi.
­

— Quando isso aconteceu? — sua voz não passou de sussurro.

— Olha, eu não sei. Só aconteceu. Nem mesmo eu sei quando ou como.

Eu fui sincera. Acho que eu nunca havia sido realmente sincera depois que me transformei. Era tão fácil mentir, que ás vezes eu nem cogitava dizer a mais pura verdade.

É um equilíbrio delicado falar a verdade: o que dividir, o quanto guardar, que verdades ferem mas não arruínam, quais aquelas que criam feridas profundas demais para sarar. E eu sabia que essa talvez seria a última opção.

— Eu sinto muito — eu disse, depois de alguns longos segundos.

Aquilo parecia uma tortura: olhar dentro de sua mente. Era como uma guerra enquanto você tinha que ficar quieto.

— Sente mesmo? — ele perguntou, sarcástico.

— Na verdade, não. Mas eu não queria fazer isso com você... Quer dizer, não é como se eu estivesse traindo alguém.

Mas para ele era. Ele achava que era exatamente isso o que eu estava fazendo.

— Você sabia que isso iria acontecer. Por isso você foi embora? Por causa dele?

A forma como ele disse a palavra "dele" foi com um desprezo assustador.

— Não, você sabe por que eu fui embora. E ele nem existia ainda! Isso não tem nada a ver com o Victor...

— Victor. Esse é o nome — ele balançou a cabeça, em descrença. — Você tem noção do que está fazendo?

— Tenho.

Ele me encarou.

— Talvez.

Ele revirou os olhos.

Ele estava com raiva. Com muita raiva. Mas parecia mais decepcionado do que qualquer outra coisa.

— Você vai machucá-lo — ele disse.

— Não, não vou — eu disse, confiante.

O quê que ele sabia sobre isso? Sobre o meu controle? Ele achava que me conhecia, mas estava errado.

— Você está com raiva, e está reagindo. Mas você não sabe nada sobre mim ou sobre o Victor. Eu não machucaria ele.

— Talvez não intencionalmente. Mas alguma coisa vai acontecer. Ele vai se machucar. E você sabe disso.

— Para com isso...

— Ele já se machucou antes, não é? Com a vampira. E de quem foi a culpa?

Aquelas horríveis memórias vieram a tona: o sangue de Victor fluindo de dentro para fora, vê-lo sentindo dor... A mordida.

Eu me obriguei a parar de lembrar.

— Você não tem nada a ver com isso!

Eu sabia que tinha que manter o controle. Mas ele estava me tirando do sério.

Era o que ele queria, e estava conseguindo.

— E você vai se machucar também.

Ah, agora está preocupado comigo?

— Por que você não esquece que eu existo? — eu disse, sem pensar, e me arrependi no mesmo segundo.

Ele havia tentando, é claro. Mas quem é que conseguiria. Não é algo que se possa evitar.

— Talvez eu nunca tenha te perdoado por ter ido embora, porque você partiu a droga do meu coração. E talvez eu tenha feito um monte de coisas ruins na minha vida, por que você me fez viver o inferno durante todos esses anos, mas eu nunca esqueci você. Porque eu não consigo. Não sabe o quanto eu tentei.

Eu não sabia como reagir depois disso. Ele sentia tanto ódio de mim, que eu mal conseguia ver onde começava, só sabia que não tinha fim. Porém, ele ficava num meio termo. Ele me odiava, porque era obrigado a me amar.
Nós nos encaramos por longos segundos.

Eu não queria me sentir culpada, mas é claro que eu me sentia.

— Eu... eu tenho que ir — eu disse.

Seu rosto se tornou urgente, todo a postura se desprendeu um pouco. Ele era quase vulnerável. Não queria que eu fosse. Mas se eu não saísse logo dali, algum coisa ruim iria acontecer. Como já aconteceu antes.

— Não... — ele começou a dizer mas parou.

Seu rosto tinha se tornado todo sério de novo, como se a garota que ele tinha amado durante oitenta anos não estivesse ali, na frente dela. Ele ainda me amava, mas eu não conseguia saber de onde vinha. Nem ele mesmo sabia.

Eu não podia acreditar. Como ele podia ter mantido esse tipo de controle durante todos esses anos? Se eu tivesse que ficar longe do Victor por um mês, com certeza não poderia confiar em mim mesma. Imagine por anos. Por meio segundo, eu imaginei ficar longe dele.

Não.

Eu nunca conseguiria ter tanto controle assim, ter uma família... Amar outra pessoa, mesmo que não fosse da mesma forma. Eu teria enlouquecido.

Felizmente, eu não acreditava que Victor pudesse ficar longe de mim.

Eu estava no limite, não queria ouvir os pensamentos de Ephrain. Eu estava começando a sentir coisas que eu não queria sentir.

A palavra "inferno" se passou pela minha cabeça.

***

Eu estava na frente da porta de vidro, quase entrando em casa. Mas se eles vissem minha reação, iriam perguntar. E eu não teria como fugir das perguntas.

Suspirei e entrei em casa.

— Hey, miss das bonecas!

Emmett e seus apelidos estranhos. Eu o ignoro, subindo para o quarto e ouço Rosalie bater na porta antes de eu conseguir tirar a jaqueta.

— O que houve? — ela perguntou, sem esperar eu dizer "entre".

— Nada — respondi.

Rose e sua maternidade desnecessária para cima de mim.

— É claro que aconteceu alguma coisa — ela insistiu.

— Eu já disse que não é nada.

— Angel, você chegou e nem falou com ninguém e nem deu bola para o Emmett. Quando é que você deixa passar uma? — ela sorriu mas eu continuei impassível.

De repente eu fiquei com raiva. Ninguém entendia. Eles sempre acham que comigo está sempre tudo bem. Que eu tenho que sorrir toda vez que Emmett fizer uma palhaçada, que eu preciso dizer a Carlisle tudo o que acontece e, é claro, deixar que Rose tome conta da minha vida.

Eu me sentia... Eu não sei!

— Rose, me deixa sozinha — eu sussurRei.

— Não, me diz oque...

— Que droga, eu só quero ficar sozinha! — meu tom subiu alguns oitavos e eu me arrependi de ter explodido. — Não tem nada acontecendo. Eu só estou... — o que estou?— cansada! - isso, essa é a palavra.— Eu estou tão cansada de tudo isso.

— Angel...

— Para! Só para com isso! Eu não quero te ouvir dizer que vai ficar tudo bem ou que logo tudo vai se acertar. Eu não quero ouvir nada.

Eu podia ouvir os passos dos outros na escada, mas ninguém ousou aparecer no quarto. Eles apenas escutavam minha "conversa" com Rosalie.

— Você está falando do Victor? — ela perguntou.

Eu a encarei, revirando os olhos.

— Eu amo o Victor — sussurrei. — Eu o amo mais do que jamais imaginei que fosse possível uma pessoa amar. Mas isso é tão exaustivo. Eu tenho que ficar constantemente concentrada em não machucá-lo e ele mesmo me pedindo para que eu faça isso e aí eu fico pensando em coisas que eu não devo e nós brigamos e isso acaba comigo. Sabe, a minha vida está colidindo em algo que eu não quero e eu não posso suportar mais nada. Às vezes eu só quero que isso acabe mas aí eu me lembro que nunca vai acabar. Eu não posso, Rose — minha voz estava rouca e baixa. — Não posso fazer isso com ele. Eu não quero fazer isso com ele. Mas eu também não posso viver sem ele.

Talvez eu estivesse exagerando, mas o pior é que eles não achavam errado o que o Victor queria. E isso me irritava. Os pensamentos de Rosalie só me fizeram sentir mais raiva.

— Ei, se acalma — ela disse, me abraçando. — Vai ficar tudo bem.

— Esse é o problema, Rose! — eu me soltei dela e dei alguns passos para trás, a encarando. — Não vai ficar tudo bem. Tudo só vai piorar e você sabe disso. Todo mundo sabe. Pra quê fingir que isso é normal? Mais nada na minha vida é normal — eu disse e ela arregalou os olhos com a minha reação.

De onde tinha vindo essa raiva?

A verdade é que nos últimos dias eu não estava em plena consciência de tudo o que acontecia, eu não estava pensando. Ah, a quem eu quero enganar? Nos últimos meses eu estava me equilibrando na beira de um penhasco escorregadio e instável. Tudo parecia me levar para o precipício. Desde o começo eu sabia que não seria difícil me derrubar. Não imaginei que seria tão cedo. Eu não estou acostumada a não saber sobre a minha vida ou sobre a dos outros. Mas agora isso estava entrelaçado com o Victor. O que não me deixava claro o que estava por vir. Tudo era um enorme borrão. E algumas coisas eram nítidas demais, exatamente as que eu queria que fosse apenas um borrão.
E agora tem o Ephrain. Eu não dava mais conta.

— Angel, você está muito sobrecarregada — Rose diz em voz baixa, me trazendo de volta ao presente.

Qualquer um já teria se exaltado pelo jeito que eu havia falado. Mas Rosalie não. Ela nunca se altera. Não comigo. Isso é confortável e fundamental para mim. Mas no momento eu precisava que ela gritasse comigo ou me mandasse parar de falar besteira e agir como uma menina mimada. Mas é claro que ela não o faz. Porque eu não estou agindo assim. Eu apenas cheguei no meu limite.

— Você precisa respirar. Não sei, tenta não pensar nessas coisas, tenta evitar ter visões. Querida, eu não sei...

Ela parecia perdida. E realmente estava. Rose sempre sabia o que fazer e agora ela estava de mãos atadas, pois nem sabia o que estava acontecendo comigo.

Eu sorri e, respirando fundo, fechei os olhos.

— Eu não aguento mais — sussurrei e senti de novo os braços dela ao meu redor.

— O Victor ama você. Você sabe disso, não é? — ela disse e eu mais senti do que ouvi seus pensamentos.

— Ah, Rose — eu ri. — Eu sei que ele me ama. Olha o que ele está disposto a fazer só pra ficar comigo — eu disse, tranquilizando-a.

Eu não dei sinal de que imaginava o contrário. Ou dei? Que droga, esta tudo tão confuso!

Ela me apertou em seus braços e suspirei. Ouvi os passos dos outros para dentro do quarto. Nós duas nos soltamos e eu os encarei.

Com apenas um aceno de cabeça, Carlisle pediu aos outros para se retirarem.

— O que está acontecendo? — ele perguntou, quando percebemos que todos já estavam longe.

Eu dei de ombros e me sentei na cama.

— Não quer me contar?

— Não tem nada para contar.

— É o Victor? Está sentindo falta dele? Você não é de ficar tanto tempo sem vê-lo. Isso está mexendo com seus instintos.

— Pode ser isso.

— Mas...?

Carlisle me conhecia bem para saber que tinha um "mas" implícito nas minha três palavras.

— Eu não quero falar disso agora. Só tenho que esperar mais três dias e ele vai estar aqui. E aí talvez eu possa conversar com você. Só que não agora, não sem um equilíbrio.

Ele sabia do que eu estava falando e balançou a cabeça.

Notas finais
Angel surtando... Precisamos do Victor! XOXO