Concrete Heart
3 Capítulo 2 - Some events are predestined to happen
Notas iniciais
Dois dias depois Victor viajou para a Flórida.
— Já está com saudade do namorado, não é? — Emmett me provocou enquanto eu via TV.
— Cala a boca, Em — eu disse, jogando uma almofada em seu rosto mas ele foi mais rápido e desviou.
— Own, esta boladinha. Não fica boladinha não. — ele continou.
— Rose! — chamei.
— Emmett, deixa a Angel em paz — ela disse, descendo as escadas.
Ele riu e a abraçou por trás. Aquilo me fez pensar no Victor de novo. Já era difícil ficar longe dele quando eu tinha que caçar e geralmente não passava de dois dias. Mas agora ele ficaria uma semana inteira longe. E eu tinha que me preparar psicologicamente para os próximos dias.
Suspirei e é claro que Emmett riu de novo. Ele nunca me deixa em paz.
Isso é uma fato.
— Estou saindo — eu disse.
— E aonde você vai? — Rose perguntou.
— É... Vou andar por aí já que meu namorado está do outro lado do país.
Ela sorriu e acenou com cabeça.
Era estranho andar em vez de simplesmente correr, mas não era tão impaciente quando não tinha uma direção certa em que precisava seguir.
O dia estava chuvoso como sempre e a minha roupa já estava molhada quando eu cheguei na campina.
Isso! Era disso que eu precisava. Esse lugar parece ter uma áurea angelical. Como um templo de paz. Era tão mais calmo e silencioso que o mundo humano que as vezes parecia uma outra dimensão, de quando nada existia e nada estava destinado a ser.
Mas então a realidade voltou quando eu escutei um coração rápido e quente, muito quente vindo da floresta. Eu me virei para o som mas ele era tão distante quanto um sino em uma torre, mas tão alto quanto o mesmo. E agora estava se aproximando, o ritmo já estava quase regular mas então acelerou de novo quando deu o próximo passo e o responsável por acabar com a minha paz me viu.
Uma das convenções menos sem sentido de ser uma vampira com dons é seu Último Dia Normal. Quando tudo ao seu redor parece bem e instável mesmo que só na superfície da coisa. Mas então de repente algo insignificante — que na verdade é importante demais — acontece e muda o curso da história.
Alguns acontecimentos estão predestinados a acontecer.
— Angel — ele disse depois de segundos me encarando, tentando ver se eu era mesmo real.
Ephrain Black.
Eu não posso nem começar a imaginar o que ele sentiu durante todos esses anos, mas sua mente tem coisas que eu realmente não queria saber. Coisas que me fazem me sentir culpada.
— Oi — eu disse e permaneci no mesmo lugar quando ele deu passo a frente.
A distância entre nós era exageradamente grande e ele estava acabando com isso. Eu gosto de manter distância, não confio nessas coisas. Nunca confiei. OK, talvez eu tenha confiado quando era humana, mas esse foi o principal problema: eu realmente confiei. E então eu morri por causa disso.
Eu não queria pensar nisso e muito menos me lembrar, mas era impossível esquecer. Era tanto sangue e a dor... Aquilo era pior do que qualquer outra coisa. Tudo bem, não qualquer outra coisa. Mas foi bem doloroso ter seu corpo em chamas por três dias.
— Eu não imaginei que te encontraria tão cedo — ele disse.
— É Forks. Impossível achar que não me encontraria.
Ele estava pensando em mim. Em mim quando eu era frágil e declicada demais. Meus olhos ficaram embaçados com as lembranças que não eram lá muito nítidas na minha cabeça.
Eu queria que ele parasse de pensar. Isso dá dor de cabeça.
— O que está fazendo aqui? — perguntei.
Como se eu não soubesse!
— Eu queria ver minha mãe.
Sei!
— Depois de tanto tempo?
— É. Sinto falta dela. E me disseram que tinha vampiros aqui.
Hum, direto ao assunto. Que rápido.
— Cullen — eu disse e ele afirmou com a cabeça.
— Sim, os Cullen — ele sussurrou, me encarando.
Ele não me considerava uma Cullen. Mas eu sou!
— Mas eles disseram que outra vampira andou rondando Forks — ele disse, cruzando os braços e parando a uns dois metros de mim.
— Sim, mas eu já dei um jeito nisso.
— O que aconteceu?
— Digamos que ela perdeu a cabeça — literalmente!.
— Ela veio atrás de você? Era você lutando com ela — ele insistiu, confiante.
Lobos idiotas e fofoqueiros!
Ele tinha certeza de que eu estava envolvida. Era por isso que ele estava aqui. Mas chegou atrasado!
— Uma coisinha aconteceu. Um pequeno deslize. Mas agora está tudo bem.
Eu tentei não ser grossa mas a minha vontade era perguntar o que ele tinha a ver com aquilo. Não era nada meu!
— O que exatamente?
Ele sabia que eu estava enrolando. Eu não queria falar sobre o Victor. Eu não tinha ideia de qual seria sua reação. Não conseguia ver o futuro de criaturas sem rumo. E isso estava incluindo a minha vida ali. Mas, por outro lado, se eu não contasse, os lobos contariam e pelo visto estavam esperando que eu contasse já que Ephraim parecia não saber de nada ainda.
— Era uma... perseguidora — eu disse.
— E veio atrás de você? — ele parecia surpreso e desconfiado ao mesmo tempo.
— Não exatamente.
— Você pode me dizer o por quê de uma perseguidora estaria atrás de você, Angel? — ele perguntou em pensamento.
— Nós estávamos jogando e aí eles apareceram. Estava curiosos sobre nós.
Ele se retesava toda vez que eu me referia aos Cullen com um "nós".
— Enfim, — continuei — tinha um humano conosco...
O quê? E onde está o humano?
— Angel, o que vocês estavam fazendo com um humano?
— Me deixa terminar — eu me irritei.
Ele gritar em pensamento é uma coisa, mas em voz alta já é completamente diferente. Quem ele pensa que é? Nem o Victor grita comigo! Só Carlisle pode me repreender desse jeito. E ele age como se nós precisássemos de um lembrete de "não ficar sozinhos com humanos e outros vampiros". Ah, na cabeça dele é como se eu precisasse de babá!
Respirei fundo.
— Então, a vampira sentiu o cheiro dele e começou a caçá-lo. Nós tiramos ele daqui e ela achou que ele estava comigo. Foi a briga que o seu... Bem, não sei o que ele é seu. Hã, sobrinho de segundo grau?
Qual era mesmo nome dele? Ah, Sam. Sam Urley.
— Ele é meu primo de muitos graus — ele disse, fazendo um gesto com a mão para que eu continuasse.
— Bom, ela acabou fugindo e soube onde estava o Victor...
— Quem é Victor?
Você não está prestando atenção na minha história? Ele conhece todos os Cullen, bem, quase todos. Mas sabe que nenhum deles se chama Victor.
— O humano — eu disse como se a coisa mais óbvia do mundo.
E é!
— E por quê esse humano é tão importante?
Ele fez a única pergunta que eu não queria ele fizesse.
— Sinceramente, você não vai gostar disso — eu disse.
— Quero saber mesmo assim.
Eu podia ver em sua mente as milhares hipóteses para Victor ser tão importante. Algum parente vivo de algum dos Cullen. Alguma fascinação. Alguém que Carlisle considerasse muito importante, ou até que tenha salvado a vida. Mas nenhuma das suas dúvidas pensava em mim. Eu estava tão fora na cogitação de ser o alvo que ele nem chegava a me imaginar aceitar o humano com os Cullen.
— Ele é... — ele voltou seus pensamentos para mim quando eu voltei a falar — importante para mim. Muito importante.
— A ponto de fazer você enfrentar uma vampira que com certeza era bem mais velha que você e bem mais forte?
— Sim.
Eu nem havia pensado nisso na época. E daí que ela era forte? Eu acabaria com ela e pronto. E assim foi. Tudo "planejado" na minha cabeça. Cada movimento... Tudo bem, tudo mentira. Mas eu ganhei e fiz aquela vadia morrer pela segunda vez!
— Por que?
Ele realmente queria uma explicação? Ele queria a porra de uma explicação! Ah, eu não posso ficar nervosa. Toda vez que eu fico nervosa eu começo a xingar. Isso não é bonito! Na verdade, é feio para cara... MBA! CARAMBA!
— Porque eu sou apaixonada por ele.
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