Como sobreviver ao coração partido
3 Desculpa México...
Notas iniciais
Era ele mesmo. Mei olhava para nós duas como se quisesse arrancar nossos pulmões fora e usá-los como luvas, enquanto que Irina e eu tentávamos processar a cena. O novo professor passou os olhos por Mei; aparentemente não a reconheceu, mas que foi pelo fato do meu maldito sombreiro ter chamado toda a atenção existente na sala. Logo em seguida, o sinal tocou e corremos em disparada para o intervalo.
–Tira essa droga Harley!!- Sussurrou Irina.- Daqui a pouco a polícia vai vir atrás de você por causa desse sombreiro...
Neguei com a cabeça e arrastamos Mei para o refeitório, pegamos o almoço e sentamos. Mei Lin mordia seu lanche como se estivesse rasgando nossas gargantas. Repentinamente, ouvimos a garota ao lado dizer:
– Vocês viram o que aconteceu hoje de manhã? Parece que uma gangue de terroristas mexicanos confrontou a polícia e...
–Deixa eu ver isso!!-E arranquei o celular da mão da garota. Minhas amigas se ajeitaram atrás de mim. A notícia dizia:
“Terroristas mexicanos enfrentam a polícia
Hoje por volta das 6:40 da manhã, um masserati conversível preto foi visto correndo além do limite de velocidade no Km 65. Uma viatura foi encaminhada para aprender o veículo; porém este resistiu e então se descobriu que os motoristas eram mexicanos, por conta dos sombreiros, e após uma tentativa de contato, o motorista bateu contra um das cinco viaturas, as quais foram atender ao pedido de reforço, e esta perdeu o controle e bateu contra as quatro restantes causando uma explosão. O acidente deixou 10 policiais feridos e não há informações sobre a gangue. Suspeita-se que sejam aliados ao estado islâmico, porém o comissário da AFP (Australian Federal Police), Ethan Knight, diz para não tomar conclusões precipitadas e acrescenta que a recompensa para qualquer informação é de 600 dólares australianos.”
–Agora você vai tirar esta bosta da cabeça?!- Disse Irina um pouco mais alto do que pretendia.
Quando a garota ao lado estava prestes a se virar intrigada, já tinha tirado o sobreiro e sentado em cima. O problema foi:
–Ai meu Deus!- Droga...- Seu cabelo está azul!!!
Sorri irônica e disse:
– Avá...
Bastou isso, para atrair a atenção do internato inteiro. Toda criatura viva, humana ou não, olhava para meu cabelo como se fosse uma espécie rara de elfo saltitante e purpurinado. Continuei a comer sentindo-me ligeiramente dissecada e então o sinal finalmente bateu. Todas as garotas voltaram as salas restando apenas eu, Irina e Mei.
–Somos procuradas pela AFP...- Disse Mei.
– Porque todo mundo acha que mexicanos são do mal?! –Exclamou Irina na maior tranquilidade.
– Temos que queimar o sombreiro...
– Vamos queimar o carro também?!
– Porque não?
– Calma gente... – Intervi. – As chances de a polícia descobrir são mínimas e...
– 600 conto!- Gritou Mei.
–Relaxa...
–Matando aula, senhoritas?- Uma voz surgiu atrás de nós.
Era o Collen.
–Claro que não professor...
– A senhorita está cheia de respostas, Srat. Young...
–Pois é... Então garotas... Vamos indo?
– Claro amiguinha... –Completou Irina.- Estou louca para ter aula de trigometia...
– É trigonometria... Minha doce amiguinha...- Corrigiu Mei.
– Como pode ver professor, estamos indo para a aula...
–Afinal sobre o que vocês estavam discutindo?- Ele perguntou desconfiado.
–Ahm...
– Sobre a sua matéria professor... Estávamos discutindo a diferença entre transformação isobárica e isovolumétrica...- Respondeu Mei.
–E a paz mundial. – Completou Irina.
– Tchau!!- Dissemos juntas.
Corremos pelos corredores, conseguindo chegar antes do professor. Sentamos em nossos lugares de costume e então recebi um bilhete de Mei, dizendo:
“Vamos atear fogo ao masserati do Diretor Natas”
Estava com a adrenalina tão alta, que sequer me lembrava do meu pé na bunda. Mal eu sabia que era essa a primeira lição.
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