Notas iniciais
Yaaaaay finalmente consegui postar mais um!!! Espero que gostem, esse cap ta meio sentimental kkkkkkk

Simplesmente e exatamente assim: vamos queimar o carro importado, cujo preço equivale à soma de nossas almas multiplicada por setecentos e cinquenta.

–O que ela falou?- Sussurrou Irina.

Passei o bilhete insano a ela. A loira tornou a olhar para mim dizendo com o olhar:

“Que?!”

“Como assim que?”- Respondi do mesmo modo.

“Que o que?”

“Que? Como assim que o que?”

–Estou atrapalhando alguma coisa?

–Na verdade está s...- E antes que Irina pudesse terminar a frase, percebemos que era a voz da professora.

–Desculpa professora...- Disse rapidamente.

–Sem problemas!- Ela disse sorrindo.

–Serio??- Dissemos Irina e eu.

–Claro que não. –E então seu sorriso se apagou.- As duas pra fora.

Saímos, fingindo trsiteza, então olhei para Mei, a qual dizia em Morse:

“Planejamos depois da aula.”

Como sei código Morse? É uma longa historia... Mas basicamente foi o meio que achamos para passar cola durante as provas. Por isso que nunca repeti de ano. Aconselho este método a você, caro leitor, é simples e eficaz. A única desvantagem é...

– Porque ela disse vamos roubar um pastel de flango?- Perguntou Irina.

–Ela disse planejamos depois da aula!!

As vezes confundem-se os sinais.

Andamos mais um pouco pelos corredores em silencio, quando minha amiga o rompeu:

–Mudando de assunto... Como você esta... Daquilo?

–Ah...- Sabia exatamente ao o que ela se referia.- Sei lá...

–Ele não deu mais noticias?

–Nem... -Suspirei alto.-Ele... Vai voltar né?

– Harley...

– Sabe o que é uma bosta?

Ela tomou fôlego para falar, mas a interrompi:

–Não no sentido literal...

– Mals, não resisti...

E quando percebi, estávamos rindo juntas.

–Sabe Harley, corações partidos são tipo hematomas.

Limitei-me a olhá-la com um ponto de interrogação no olhar.

–Tipo, quando você bate em algum lugar, fica vermelho e ai vai ficando cada vez mais roxo, ai vai ficando preto e...

–Já entendi o lance do roxo...

– E dói pra caralho. Mas então, um dia, o preto vai clareando... A dor vai sumindo... E quando você perceber, o hematoma já não esta mais lá.

–Uma coisa é levar um fora de alguém que nunca te correspondeu... Outra é de alguém já te amou... As lembranças ficam... E machucam... –Senti meus olhos lacrimejarem.

Irina me abraçou forte. Às vezes, até mesmo o mais louco pode ter seus momentos de sabedoria...

Eram nove da noite quando Mei entrou no quarto.

–Então gente, o plano é o seguinte...

–Mei... Você não estava falando sério né?- Perguntei.

–Claro que estava.

–Mei...

–Se vocês não forem fazer isso, eu vou sozinha.

Entreolhamos-nos e por fim, concordamos em ir junto para colocar algum juízo na cabeça dela.

–Parece que o jogo virou, não é mesmo?- Disse Irina convencida.

Do mesmo modo que às vezes o mais louco pode ter seus momentos de sabedoria; o mais sensato também pode ter seus momentos de loucura. Esperamos até meia noite para agirmos. Estávamos vestidas de preto, como ninjas. Eu estava com uma calça legging preta e um moletom preto; Mei estava praticamente com a mesma coisa e netao Irina apareceu um um corset preto, casaco de couro, mini saia preta, meias arrastão , salto (preto) de 15 cm, olhos esfumados e batom vinho.

– Mas que porra é essa?- Perguntei.

–É que eu sou uma ninja sexy.

–Vamos.- Disse Mei.

Fizemos uma corda com nossos lençóis e descemos pela janela. Corremos por todo aquele caminho até o Saint August na calada da noite quando enfim, chegamos na garagem. Lá estava: O maravilhoso Masserati preto do jeito que deixamos.

–Temos mesmo que fazer isso?- Perguntei.

– Sim.

– Mas ele é tão lindo...- Insistiu Irina.

–Tão caro...

–É a única maneira de não deixar provas.

–Não tem outro jeito??-Já estava entrando em desespero.

Mei Lin acendeu o isqueiro e então Irina entrou na frente dela.

–Mei, como sua melhor amiga, eu não vou deixar você fazer isso!! Você não é assim!! A Mei que eu conheço é fofa e nerd, não aspirante à Cosa Nostra!!

–Volta pra gente Mei... –Disse para dramatizar a cena.- Volte para luz...

Os pequenos olhos asiáticos de Mei (opa, pleonasmo) começaram a marejar como um personagem de anime e ela balbuciou:

– Eu sou um monstro...- Então ao sair cataratas de seus olhos, ela jogou o isqueiro pro alto. O problema é que ele estava aceso. Foi então que observamos, em câmera lenta com direito a ópera dramática de fundo, o isqueiro cair sobre o belo Masserati; e este se incinerar em dois segundos. Perdemos o fôlego. O alarme de incêndio tocou e o tempo voltou à velocidade normal.

–E agora?- Perguntou Mei com a cara molhada.

–Agora corremos por nossas vidas. — Disse.

Partimos em disparada. Durante a alucinante corrida, digna do filme Maze Runner, sabe-se lá como, comecei a filosofar: Todo mundo se envergonha de alguma coisa do passado. Todo mundo fez algo a qual se arrepende amargamente e tenta queimar isso. No caso, foi literalmente. Enfim... O carro não vai voltar a ser o que era antes. E... Viajando um pouco mais, meu relacionamento também não. Foi queimado, destruído, apagado. Por mais lindo que tanto o carro quanto meu namoro tinham sido... Queimou-se. Agora eu finalmente entendi. Ele não vai voltar. Talvez, ele nunca tenha chegado a mim; mas uma coisa é certa. O fogo consumiu tudo. Tudo que me restava agora eram as memórias em formato de cinzas.

Naquela corrida alucinante, chorei por ele. Pela última vez.

Notas finais
O que acharam?? Nao se esqueçam de deixar seus comentários!!