Como se eu fosse te perder

7 cap 7 - Uma amizade surgindo?


Notas iniciais
Olá amores! Aqui vai mais um capitulo com as loucuras de Robin. Foi escrita pela ESCRITORA MAIS TOP DAS PARADAS - Amanda Raquel. Confesso que amei a escrita dela. E preparem-se para ficarem vidrados nesse futuro casal. E sabemos... Os capítulos estão ENORMES, mas preparem-se, eles irão ficar maiores. Então não se entediem, pf! Vamos lá? Ahhhh, narrado apenas por Regina e vocês vão ver o jantar de Leopold, como citado no capítulo anterior.

13 de abril 1915: Um dirigível Zeppelin lança bombas sobre o aeroporto de Bailleul.

POV. Regina Mills

Acordei, no horário de sempre, numa manhã igual às outras, com as mesmas pessoas me esperando lá embaixo para a rotina de sempre, depois de termos tido a mesma noite entediante de sempre.

Isso foi o que pensei alguns segundos antes de me levantar até as lembranças da noite anterior me atingir de uma vez só, de supetão. O casamento de Emma Swan e Killian Jones, a conversa com Robin e o novo homem que ele revelou ser para mim... Tudo parecia ser nada mais que um sonho, o que eu tinha certeza que era. A realidade de que um amor tão puro quanto o de Emma e Killian jamais seria real, estava prestes a me atingir quando me recordei: o livro! O livro que não tinha página!

Logo me levantei tão rapidamente que cheguei a ficar tonta por um instante. Corri para pegar o livro, que estava lá — evidência já convincente — porém, por desencargo de consciência, abri ansiosamente o livro até ir para a última página – que não se encontrava lá. Ao invés disso, encontrei um bilhete escrito em letras que mais pareciam garranchos.

Pego aquele pedaço de papel com tanta avidez que acabei por amassá-lo todo. Comecei a gargalh ar por motivo nenhum, apenas ri histericamente. Nunca achei que fosse ficar tão feliz em saber que algo assim não era um sonho.

Mais uma vez fui puxada à força para a realidade: bruscamente, aterrissei novamente na Terra, uma terra na qual eu era prometida a Leopold e onde eu iria jantar com ele hoje mais tarde. Essa era uma realidade que eu, definitivamente, não gostava.

Contra a minha vontade, me peguei pensando em quando e como iria conversar com Robin novamente. Eu precisava daquela porcaria daquela página. Preciso terminar o livro decentemente. Como aquele ladrãozinho ia conseguir chegar até mim novamente?

Balancei a cabeça e dei algumas batidinhas no rosto. Eu precisava desanuviar. Não queria ficar pensando nessas coisas o tempo todo, precisava esfriar a cabeça. Talvez um banho resolvesse isso, quem sabe? Antes que pudesse me arrumar para me banhar, ouvi alguém bater na porta. Era minha querida mãe.

– Regina? O que está fazendo? Só levantou agora? Temos que descer para comer. Lembra-se que hoje é o jantar com Leopold, certo? Ei, ainda não terminou o livro? Espera, ele está com uma página faltando...?

– Mãe, por favor, diminua a velocidade. – Arfei. A rapidez com a qual ela tinha proferido todas aquelas perguntas era de um nível assustador, até mesmo para ela – Não estava fazendo nada demais, sim, acordei agora, já vou descer, lembro-me muito bem que o jantar é hoje, estou quase terminando o livro e ele não está com uma página faltando. – Respondi tudo na mesma velocidade, enquanto pegava O Morro dos Ventos Uivantes e o fechava sobre meu peito, para evitar que ela desse mais uma olhada em seu interior.

– Tudo bem então... – Ela estava completamente pensativa hoje, avoada, distraída. Pergunto-me se ela estava pensando no jantar de mais tarde – Vamos descer. A comida já está na mesa.

Durante o café da manhã tudo ocorreu normalmente. Minha mãe tagarelava horrores sobre como tudo tinha que ser perfeito hoje à noite, como eu tinha que me portar, como meu pai tinha que se portar, como ela iria se portar, como Blue tinha que se portar, sobre como tudo tinha que ser perfeito, sobre como eu tinha que me portar, sobre a comida que seria servida, sobre como eu tinha que me portar, as respostas que daríamos, sobre como eu tinha que me portar, sobre como tudo tinha que ser perfeito.

No horário de praxe, recebemos duas batidinhas na porta, como toda manhã.

O jornal estava sendo entregue.

– Eu atendo. – Falei com uma voz calma, mas, ainda assim, me levantando imediatamente, com urgência. Antes que minha mãe protestasse contra, abri a porta (que percebi pela primeira vez que era enorme). Assim que a luz do sol entrou e parou de cegar meus olhos, consegui ver com clareza o homem com jornal que estava na frente de minha casa. Seu sorriso, entretanto, me iluminou ainda mais que o sol o fizera.

– Milady! – Disse ele, entregando o jornal em minhas mãos – O jornal matinal. – Nossos dedos se enroscaram e fomos forçados a nos olhar; péssima ideia. No momento em que nossos olhos se cruzaram, a desconfiança de ambos se confirmou – estávamos morrendo de vontade de rir. Fiz um barulho engraçado com a boca e olhei para baixo, tentando não gargalhar. Ele fez o mesmo. Quando conseguimos autocontrole o suficiente, voltei a encará-lo e sussurrei:

– Eu quero a minha página!

– Vai consegui-la quando nos vermos novamente.

– E quando e onde isso seria? – Ele deu um meio sorriso e ergueu as sobrancelhas.

– Deixe isso comigo. – Soltou o jornal em minhas mãos e deu meia-volta, indo embora. Eu balancei a cabeça. Esse homem não tinha jeito mesmo. Virei-me para entrar em casa, fechando a porta enorme atrás de mim. Encontrei meu pai terminando de comer e minha mãe limpando os lábios com o guardanapo, me encarando desconfiada.

– Por que foi pegar o jornal hoje, Regina? — Provavelmente aprendendo com Blue, dei a resposta bastante rapidamente:

– A guerra. – Falei – Ela está ficando cada vez pior. Achei que talvez pudesse ter alguma notícia sobre ela no jornal de hoje. Estou preocupada, mãe, estou sedenta por notícias. Desculpe se fui rude! – Minha mãe me analisou de cima a baixo. Assentiu e até estampou um olhar condescendente no rosto.

– Está tudo bem. Vá para o seu quarto. A guerra está abalando a todos, eu entendo! Tudo bem!

Subindo as escadas, me senti mal por ter usado a guerra como desculpa, – ainda mais depois de ver que a notícia principal era que Bailleul tinha sido atacado – mas sabia que isso era necessário para garantir a minha segurança (e, por que não a de Robin?) e me proteger de minha mãe, mas me pareceu injusto mexer com assunto tão sério. Não que não estivesse incomodada com todo o enredo que a guerra estava causando em nosso mundo, pelo contrário, não havia um dia que se passava sem que eu pensasse nas batalhas, nas vidas, nas mortes, nos lutos. Não havia um único dia que se passava sem que eu me martirizasse pela situação que nosso mundo se encontrava e, principalmente, por me responsabilizar por não poder fazer nada.

Ainda suspirando, abri a porta de meu quarto, procurando descanso, porém, ao olhar o conteúdo do cômodo, tive que me segurar para não gritar.

O que diabos estar fazendo aqui?! – Perguntei entre dentes.

Robin me olhava com uma expressão que misturava confusão, inocência e repreensão.

– Estou esperando você, oras. Já não disse para limpar essa boca? Ah, a propósito, excelente cama. Super macia!

Estava estarrecida. Robin Hood estava, simplesmente, deitado em minha cama, completamente relaxado, folheando O Morro dos Ventos Uivantes, como se nada estivesse fora do normal. Levou alguns segundos até que conseguisse recuperar a habilidade da fala.

– O que... Como... Mas que... Por que... Como?! – Aparentemente, não tinha recuperado a fala muito bem.

– Árvores. – Ele apontou para a janela – Muito fáceis de subir, não fiz isso quando roubei seu livro pela primeira vez? – Ele perguntou, pensativo, falando mais consigo mesmo do que comigo.

– Está louco?! Se alguém pegar você aqui...

– Esse é o ponto, Milady. – Ele se levantou e se aproximou de mim; na verdade, se aproximou bastante de mim – Você vê, você me chama de ladrão basicamente desde que nos conhecemos. Quer saber? Ninguém vai me pegar aqui. – Ele pisca como se estivesse me fazendo uma confidência.

– O que? Perdeu a cabeça? Por que você...

– Ah, deixe de fazer tantas perguntas! – Ele se afasta, pegando algo no bolso – Aqui! A página que prometi. Eu trouxe! Ok? Não tem pra que essa desconfiança toda. Eu só queria adiantar logo nosso já premeditado encontro.

Puxo a página de sua mão, ainda de cenho franzido. A verdade é que a perspectiva de terminar de ler a saga de Heathcliff me fez quase esquecer que havia um homem estranho de conduta duvidosa, sozinho comigo no quarto, e por um instante aquele pedaço de papel que finalizaria a vida de personagens tão bons se tornou a única coisa que conseguia ver no momento.

– Vamos lá. – A voz dele me chamou para a realidade – Quero ver você lendo. Quero ver sua reação quando terminar a história.

– Mas quanta petulância! Agora quer me encarar fixamente enquanto faço minhas coisas?

– Fique quieta e leia de uma vez! Você sabe que tudo o que quer é saber o final.

– Agora vai ter que esperar. Vou ter que reler o último capítulo inteiro para recuperar o fio da meada. – Em parte era verdade, mas eu também queria deixá-lo esperando.

Essa última parte de deixá-lo mofando à minha espera não deu muito certo. Devorei com tanta avidez as últimas páginas do livro que nem me vi mais no ambiente em que realmente estava, apenas mergulhava nas últimas reflexões de Heathcliff. Quando cheguei à bendita última página, o livro já estava empastado de lágrimas.

Procurei, e logo descobri, as três lápides na encosta da charneca. A do meio, cinzenta e quase coberta pelas urzes; a de Edgar Linton, com a base recoberta pela relva e o musgo; e a de Heatcliff, ainda nua.

Demorei-me à sua volta, sob aquele céu suave. Observei as mariposas que voavam sobre a urze e as campânulas; escutei o vento brando que alisava a grama. Então me perguntei como alguém poderia imaginar um sono inquieto para aqueles que dormiam sob aquela terra serena”.

Então era isso. Heathcliff estava morto. Pelo menos havia sido enterrado ao lado de Catherine. Pelo menos isso.

Saí de dentro do mundo literário quando escutei uma risadinha acima de mim. Olhei na direção do som e encontro um Robin risonho me encarando. Percebi de supetão que ele tinha me pegado chorando pela primeira vez. Pela primeira vez, o homem da tatuagem de leão tinha visto minha pele de cordeiro.

– Perdeu alguma coisa? – Perguntei, tentando soar indiferente, enquanto fungava e enxugava as lágrimas que escorriam pelo meu rosto; quando voltei a olhá-lo, ele ainda estava me fitando – O que foi? Nunca viu uma mulher chorando? – Falei em tom severo.

– Nunca tinha visto você chorando. Isso é algo novo. – Ele pigarreou e sentou-se ao meu lado, mesmo que eu não quisesse isso – O que achou? – Hesitei antes de responder, analisando as variáveis.

Sim, ele era um bronco, ladrão, grosso, deselegante e desconhecido que entrou no meu quarto em plena luz do dia achando que era uma boa ideia, ou seja, também era completamente insano. Mas esse mesmo homem também me proporcionou um dos dias mais especiais da minha vida, que foi ver a união de duas pessoas que realmente se amavam de forma pura, desinteressada. Eu ainda me sentia grata a ele por isso, o que me fazia ter uma dívida com ele, e odeio ter dívidas com alguém. Talvez ter uma conversa civilizada e gentil com ele fosse um jeito de pagar esta dívida. Além do mais, os comentários de Emma e Killian sobre ele tinham sido apenas elogiosos. Não é possível que ele fosse tão ruim assim ao ponto de eu não conseguir comentar um livro com ele, um livro que claramente era preferência comum entre ambos. Que mal poderia fazer?

– Apesar de ser doloroso, – Comecei – o final me pareceu ser justo. Heathcliff enlouquecera, ele perdeu tudo. O melhor desfecho para a história dele era, de fato, a morte. Era o que lhe esperava... E, querendo ou não, ele teve seu desejo cumprido. Foi enterrado ao lado de Catherine. – Enquanto eu falava, Robin acabou por mostrar outra qualidade de sua pessoa: ele sabia ouvir. Ele me olhava nos olhos e se demonstrava realmente interessado no que falava, assentindo quando necessário, para demonstrar compreensão. O ladrão realmente sabia lhe roubar a atenção. Quando terminei, ele ainda ficou uns segundos calado, como se esperasse algo mais e ao mesmo tempo refletisse sobre o que disse.

– Entendo. Boa análise a sua, realmente. Não vejo melhor final e mais justo para Heathcliff do que este que nos foi apresentado .

– E você? – Falei, depois de pensar um pouco – Leu o livro, certo? Que análise tem para me dizer?

– Bem, nada demais. Eu não foquei muito no final, sabe. – Começou ele – Foquei mais do desenvolver da história. Para mim é o que mais chamou atenção, porque foi muito bem escrita, as metáforas e associações são muito boas.

– Metáforas e associações? Como quais, por exemplo?

– O livro faz um paralelo muito bom com a sua ambientação. Por exemplo, os vales e montanhas que cercam a história, para mim, são uma representação da natureza de Heathcliff, selvagem, mas bela, a essência de sua própria loucura, entendes?

O pior é que eu realmente entendia. Tive que ter muito cuidado para mascarar de minha expressão a surpresa, porque algo que eu definitivamente não esperava era que o ladrão da tatuagem de leão fosse tão culto, eloquente e inteligente. Ele fez análises literárias que eu nem imaginaria ser capaz de fazer. Ele tinha um entendimento da essência do livro que ia além da minha compreensão e a de muitos nobres que se diziam gênios.

– Entendo. – Pela primeira vez, me permiti olhar para ele com outros olhos. Tirei a casca de bronco e grosso de seu rosto, que outrora era a única coisa que eu via, para vê-lo como sábio e culto. Quantas outras cascas ele tinha, uma embaixo da outra, que eu não me permitia enxergar? Quantas coisas ainda me restavam desvendar sobre esse homem, que finalmente me parece ser alguém bom para se conhecer – ao contrário da impressão anterior que tinha dele?

Não importa quantas vezes ele diga que eu sou misteriosa; a verdadeira incógnita será sempre ele.

– Regina? – Minha mãe chamou por detrás da porta, batendo levemente. Um calafrio percorreu meu corpo quando me dei conta do que estava acontecendo: havia um homem desconhecido, camponês, no meu quarto durante o dia, com a porta trancada. E minha mãe estava do outro lado.

– Droga. – Eu disse.

– Moças não devem ter esse linguajar – Disse Robin, conseguindo até me arrancar um meio sorriso.

– Não temos tempo, você tem que sair daqui.

– Regina, está tudo bem? Com quem está conversando?

– Anh, estou rezando, mãe! – Falei para ela. Não havia tempo para Robin sair, ele teria que se esconder – Rápido, entre aqui e não faça nenhum barulho até que eu abra, entendeu? – Falei enquanto empurrava-o bruscamente para dentro de meu guarda-roupa.

– A senhorita também tem seus segredos, não é, Milady? – Ele me olhou com um sorriso galanteador que me fez ter vontade de rir – Não se preocupe, ninguém consegue pegar Robin Hood. – Fechei o guarda-roupa e me encaminhei para a porta do quarto, olhando ao redor e me certificando que não tinha nenhum rastro de Robin.

– Que demora, Regina. – Disse minha mãe, já entrando no quarto – Por que resolveu rezar agora?

– Por causa dos... Por causa da guerra! Li o jornal e vi as notícias. Fiquei angustiada e decidi lavar a alma por meio da oração.

– Entendo, filha. Espera... Estava chorando? O que aconteceu?

– Ah, eu terminei O Morro dos Ventos Uivantes. A morte de Heathcliff acabou por ter alguns efeitos colaterais em mim. – Sorri sem graça. Minha mãe riu.

– Isso acontece com todas nós, mulheres. Sempre que vemos que Heathcliff se foi depois de toda a sua saga sentimos uma dor no peito. Lágrimas são reflexos disso. Mas o que achou do livro? Alguma observação em especial.

– Hum, hã... Achei o final bastante justo. Mas o que mais me chamou atenção foi o desenvolver da história e as metáforas que ela proporciona. Como o paralelo entre a ambientação, cheia de vales e montanhas, com a natureza de Heathcliff, selvagem porém bela, a essência de sua própria loucura.

– Uau, Regina. – Minha mãe me fitava, analisando meu rosto, com surpresa em seus olhos – Isso é... Uma análise belíssima. Como chegou a essa conclusão? Ah, que pergunta tola. Minha filha simplesmente é muito inteligente. Leopold vai gostar bastante disso. Inclusive, vim aqui falar que o jantar será na casa dele. Por favor, fique bela para a ocasião. – Beijou minha testa e saiu. No momento em que a porta se fechou atrás dela, a do guarda-roupa abriu-se atrás de mim.

– Está louco? Disse para sair apenas quando eu abrisse a porta.

– O guarda-roupa não é à prova de som, Milady. – Ele sai de dentro da cômoda e fecha-a – Mas me diga... Ainda tem audácia de me chamar de ladrão? Roubou minha reflexão descaradamente!

– Cale a boca. – Falei, ainda que estivesse rindo – Tinha que despistá-la de alguma forma. Agora saia, já é muito perigoso.

– Ok, eu vou, então. Mas antes... Quem é esse Leopold?

– Amigo da família, não lhe interessa. – Falei, levando-o para a janela – Agora vá logo!

– Como queira. – Ele se debruçou pela janela e ficou em cima da árvore, virando-se para olhar para mim – Estou ansioso para lhe encontrar novamente.

E, pela primeira vez, falei a seguinte frase sem ironia, sem sarcasmo, e com plena sinceridade:

– Eu também.

Ele abriu um sorriso e desceu pelo tronco, atravessando o jardim e desaparecendo pelas ruas.

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A noite estava aconchegante, cheia de estrelas no céu, adorada pelo cosmo e por todos os habitantes de Londres. Era lindo perceber que a dádiva mais preciosa estava ali, simplesmente ali, naquela noite. Tinha passado um bom tempo com um homem que me parecia, outrora, completamente desconhecido, mas que estava começando a se mostrar como alguém que me era mais comum do que as pessoas que vivem comigo sob o mesmo teto. Robin, agora, parecia um homem de intelecto de fazer invejar qualquer admirador literário. Robin, agora, parecia um homem que eu gostaria de ter por perto.

Entretanto, meu momento estar se resumindo em um jantar com meus pais e o meu “futuro noivo” Leopold. Meu pai estava praticamente tomando o meu lado de futura esposa, falando por mim ou sorrindo quando era necessário. Sentia que não estava lá, pois todos conversavam e não se lembravam de me colocar no diálogo. Minha mãe sempre me cutucava pedindo que sorrisse ao rico homem, mas apenas revirava os olhos tentando não escutar seus sussurros. A casa é realmente aconchegante e de bom gosto, uma das primeiras a receber a energia elétrica, e com certeza a mais cobiçada. A sala de jantar fizera apaixonar-me por um lustre de cristal preservado desde o século XVIII dado por um dos nobres do império a família, era realmente uma raridade, e pude escutar falar sobre a história dele. Leopold? É um velho homem carismático, de porte fino e inteligência inabalável, mas tem algo que jamais poderia aceitar dele: Sua prepotência. Abusar de seu poder era a marca que garante Leopold White, e isso vem em todos os seus requisitos. Seus pensamentos medievais que poderíamos chamar de arcaicos, quadrados ou outros significados. Aceitar uma mulher na liderança, de algo que não fosse a casa, era inoportuno e totalmente fora de questão. Para ele, uma ideia absurda colocada por mulheres que não tinham o menor respeito com seus familiares ou com a sociedade.

Como meus pais querem que fique com uma pessoa assim? Era a pergunta que mais fazia desde o dia que minha obrigou-me a esse jantar.

– Devo dizer que a comida estar ótima, caro amigo. Sua criada com certeza é umas das melhores da região – Disse meu pai com um sorriso carismático no rosto.

– General Henry, sua amizade com certeza é bem-vinda nessa casa. Um homem que aprecia uma boa comida é um homem que também cria seus filhos com esses dotes – Leopold acendia a taça de cristal a boca tomando-lhe o vinho.

– De certa forma, se me permite, — Mamãe colocou suas mãos entre a minha – Regina é uma ótima cozinheira, encarreguei-me eu mesma de ensiná-la tudo que poderia aprender em relação à cozinha, inclusive a torta de maçã, receita exclusiva de nossa família. Todavia, acredito que não será necessário cozinhar, com tantas empregadas...

– De forma alguma! Senhorita Regina terá tudo o que precisar nesta casa. Com certeza não faltará nada – Leopold deu um breve sorriso a minha mãe, que também retribuía.

– Creio que faltará grande paciência – murmuro entediada.

– O que disse? – Leopold fitava-me confuso.

Não havia percebido que todos olhavam para mim quando acabei pensando alto, minha mãe fazia uma cara feia enquanto meu pai tentava cortar aquele momento. Cora Mills levou a taça de sidra de maçã que meu pai havia trago de casa, tentando desvendar uma forma de sair da situação, ao mesmo tempo mantive-me ainda mais impaciente.

– Creio que Regina expressou-se mal, às vezes as tarefas domésticas causam grandes transtornos – Minha mãe cortava a situação, enquanto os homens da mesa riam.

– Devo compreender o transtorno das panelas, mas, como já vos disse, ela não terá problemas com isso, a não ser que queira ter. A senhorita quer? – Leopold colocava um pouco de vinho em minha taça enquanto o fitava em silêncio.

– Regina, escutou o rapaz? – Meu pai insistia que respondesse.

Dei um sorriso balançando a cabeça desacreditada com a situação. Estavam jogando comigo, só poderia. Era horrível a forma que me encontrava, não era o que sonhava, não era o que queria. Casar sem amor, apenas por dinheiro, e no final de tudo ser apenas mais uma mulher submissa ao seu marido, sem nenhum tipo de conhecimento ou trabalho. Que absurdo!

– Se o senhor quer tanto saber, senhor Leopold, o que quero de verdade é que esse jantar acabe, estou muito cansada – Levantei-me da cadeira colocando o tecido fino sobre a mesa – Agora, se o “senhor me permitir”, peço-lhe as desculpas, vou me retirar.

Não estava mais aguentando. A verdade é que passar o dia com um homem completamente diferente, no bom sentido, para depois ver o nível despencar em um jantar cem por cento robótico mexeu com minha cabeça. A prepotência de Leopold, os jogos de meus pais, todo o controle, a ideia de um casamento sem amor tão divergente daquele tão belo que aconteceu com os Jones, tudo isso estava me enlouquecendo.

Andei com meu vestido escuro até a varanda sem olhar para trás, mas pude sentir o pasmo olhar de meus pais sobre mim. Leopold apenas sorriu com a minha indiferença. Será que gostava de mulheres que o desprezavam? Com aquele momento ele poderia apenas acabar com o casamento, mas não me impediu, não segurou-me ali e muito menos disse que o jantar havia acabado. Más, não importava o que ele faria em relação a minha reação, só queria ir ao toalete vomitar todo aquele jantar, como não achei, fitei apenas as estrelas, esperando que Deus me desse um sinal naquela noite e que pudesse de verdade fugir dali.

Notas finais
"Ninguém pega Robin Hood!" Estou adorando. Palmas a Amanda - beijos(Maria Andressa).