Como se eu fosse te perder

6 Cap 6 - Conhecendo incógnitas, entrando em jogos.


Notas iniciais
Estamos de volta! Esperamos que tenham passado a festa de Ano Novo "maravilhosamente bem", mesmo que tenha passado sua última noite de 2015 assistindo o fim de ano na Globo (hehe). Obrigada a vocês por acompanharem, cada visualização e favoritos. O capítulo da vez foi escrito por Maria Andressa, e pedimos perdão por algum erro, não tivemos tempo de corrigir. Preparados para a conversa mais doida que já viram? Vamos lá!

......

POV. Robin Hood

Conduzi sua mão até a saída da festa. Já havia anoitecido e as estrelas pareciam dançar em meio à infinidade do campo. Ela parecia, agora, menos irritada e satisfeita, ainda que não esbouçasse um sorriso ou reações de entusiasmo. Regina, na verdade, parecia surpresa com tudo o que viu. E mesmo que eu estivesse imerso entre o amor dos senhores Jones e a cerimônia, podia perceber o sorriso que Regina dava a cada ação dos noivos. Vê-la nesse momento comigo era algo surreal e bobo, pois não poderia acreditar que estivesse aqui pelo livro.

– Obrigada... Novamente! – Ela sorriu e tive que me esforçar para não prender meus olhos nos seus lábios.

– Pelo o que... exatamente? – Pergunto afim de que pudesse conhecê-la melhor.

– Por ter-me trago aqui – Ela se perdeu nas palavras olhando para o céu que se estrelava – Foi simplesmente... perfeito! Nunca imaginei que existissem amores como estes. Desejo muita felicidade aos dois!

– Está feliz por ter roubado o seu livro, ter te desafiado, desafiado os seus pais, feito você ter vindo aqui, ainda que fosse escondida? – Sorri e ela saiu de sua hipnose entrando em protesto.

– E quem disse que vim escondida?

– Suponho que seus pais jamais deixariam você vir aqui, ou deixariam? – Falo com calma esperando seu tom de irritação, mas ela se manteve em silêncio – Disse algo errado...?

– Não – deu um sorriso amarelado – Mas, parece que você me conhece. Como pode dizer que sou uma incógnita?

– Mas você não é? – Gargalho – Apenas deduzi, Regina. Você é simplesmente diferente de qualquer outra mulher. Você é surpreendente, sábia?

Ela olhou duvidosa franzindo o semblante. Por um minuto poderia ter parecido um cortejo, mas nenhum de nós estava neste clima. Percebo que ela corava nervosa, e parecia nunca ter conversado com um homem antes a sós, e me pergunto se Regina Mills era uma espécie de prisioneira de seus pais.

– Não sabia? – Pergunto afastando-me dela – Sabe o que vejo? Uma mulher que parece louca...

– Não sou louca...

– Por liberdade, Regina – Completo abrindo os braços para o campo iluminado pelo o luar – Você não tem medo?

– Irá me fazer mal? – Ela rebateu com as sobrancelhas arqueadas.

– Está vendo?! Você não tem medo, você não tem medo de nada, Regina. O que te diferencia dos outros? Eu não entendo você, não a conheço – Falo orgulhoso de minha tese sem sentido.

– E o que quer conhecer? Eu não entendo... – Regina gagueja nervosa virando-se e balançando a cabeça em tom de incompreensão – Você é louco?

– Não sou louco... – gargalho.

– Está falando coisas sem fundamento, Senhor Hood – Ela disse confusa – Vamos ao ponto: dê-me o livro.

– Não antes de responder algumas coisas em relação a você. Fizemos um acordo, lembra? – Exclamei em tom de sarcasmo.

– Que eu me lembre, você me ameaçou – Seu cinismo me sobrepôs – Vamos ao assunto, o que quer saber?

– Porque você estava em meio aquele caos? Quem estava procurando? E porque aqueles trajes? Você é louca? Seus pais são loucos? Você faz parte de algum movimento...

– Espera, espera, espera. Tantas perguntas – Gargalhou, e sua risada me fez sorrir – Eu não estava procurando ninguém, estava... fugindo – Seu semblante fechou-se.

– De quê? Por quê? Sua vida é tão boa, porque queria fugir?

– Existem coisas, ladrão, que não são o que parecem ser. Dinheiro não é tudo!

Fico surpreso ao vê-la responder daquela forma. Que pessoa da classe dela pensaria assim? Creio que ninguém! Regina era rara, humilde demais para sua existência. Solidaria demais para parecer o que me mostrava. Por trás daquele vestido azul e aqueles longos cabelos lisos e negros havia uma mulher que pensava no bem comum. Porém, seu olhar era triste e ele se perdeu em meio às lembranças, tornando-a ainda mais misteriosa, e posso confessar o meu arrependimento de tê-la perguntado. Ficamos em silêncio enquanto a vi tentar mudar por várias vezes a feição. O jeito quieto dela me fazia querê-la de fato ajudá-la, consolá-la, abraça-la – No que está pensando, Robin Hood? – ou encontrar uma forma de amenizar a dor que parecia sentir. O reinado de silêncio foi interrompido quando uma figura feminina apareceu entre nós.

– Precisamos ir! – Disse apressada.

– Tudo bem! – Assentiu para a moça e virou-se para mim – Preciso realmente ir. Agora, dê-me o livro!

– Deixe-me acompanha-las! – Insisti e ela arregalou os olhos quase protestando – Não é seguro andar sozinhas.

Por um momento, Regina protestou, mas enfim aceitou minha companhia. Avisei a Emma e ao Kilian, que sorridentes pediram que não a deixasse esperando. Logo, Emma e Regina conversaram brevemente e Regina agradeceu sorrindo aos dois.

Saímos eu, Regina e sua amiga, que descobri logo que era a sua criada de nome Blue. Conversamos pouco, mas Regina quis saber sobre minha vida e sobre o que fazia. Respondi todas as suas perguntas, e ela não mostrava nenhuma reação que não saísse de seu comportamento. Sempre centrada em suas palavras. Por um minuto as perguntas de Regina se cessaram e ficamos novamente no clima do silêncio. Sentia que ela sabia que iria perguntar algo, e posso até mesmo vê-la preocupada.

– O que faz da vida, Mills? – Pergunto a fim de quebrar o gelo da sua preocupação – Além de ler livros que já li – Regina gargalha, e podia saber o quanto era bonita vê-la feliz.

– Para falar a verdade, minha vida não é tão movimentada como a sua. Aprendo a ser uma mulher recatada, e bem, toco instrumentos de todos os tipos, aprendo a cozinhar, a fazer essas coisas que são “adequadas”... – Enfatizou a palavras “adequadas” – Mas não sou nenhuma cientista revolucionaria – Falou refletindo em suas palavras – Ou seja, nada!

– Quem disse que você não faz nada e não tem uma vida movimentada? Você estuda, você ler, você ouve musicas, toca, aprende a ser uma boa dona de casa – Revirou os olhos com a última frase – e além de tudo, arranja tempo para sair com a plebe...

– Não sou uma rainha, muito menos da realeza – Cortou minha frase.

– De fato, milady, mas não quer dizer que não tenha força para governar um reino. –Ela ri com o suposto elogio – Creio que seja por esse fato que nunca casou.

– Como? – Regina franziu a testa e Blue surpreendida arregala os olhos– Está me chamando de encalhada? – Brinca dando-me um sorriso.

– Não! De maneira nenhuma – Respiro sorrindo – Na verdade, é um elogio. Você é perfeita demais, senhorita. Talvez seja esse o fato de nunca ter sido desposada. Homens tem medo de mulheres inteligentes.

– E você tem? – Me surpreendo com sua pergunta e vejo que Blue também está também no momento em que Regina parou em minha frente.

– Não, elas me fascinam – Regina corou com minha resposta, logo depois colocando seu cabelo para trás.

– Mas porque quer me entrevistar? Agora já sabe que não sou louca.

– Ainda não entendi o porquê de fugir – Respiro fundo e vejo-a mante-se quieta com os olhos baixos novamente, e quase mordi a língua para não dizer mais nenhuma asneira – Tudo bem! Não precisa me contar se não quiser. Quando estiver pronta, você mesmo vai me dizer.

– Como tem tanta certeza?

– Não tenho!

Ela sorriu e assentiu. Ela parecia mais leve, mesmo não termos conversado sobre nada do que havia planejado. Regina dificultava as coisas, parecia um jogo que eu deveria jogar. Será que ela gostava de jogos? Bem, eu não era muito fanático por eles, mas me via na obrigação de jogar com ela. Sentia que a partir daquele momento poderia nascer sentimentos bons em relação a nós dois. Descobrir que Regina não era nada do que poderia pensar um dia, era de fato a coisa mais fantástica que se poderia entender. A incógnita começava a ser desvendada, e nem mesmo Regina percebia isso.

Dobramos a esquina, e então, Blue e Regina pararam novamente. Percebi que faltava apenas um quarteirão para chegar a sua casa, então Regina virou-se para mim nervosa. Parei por um instante e arquei as sobrancelhas esperando-a falar.

– Pronto! Conversamos, falamos de nossas vidas, mas agora preciso que me der o livro. Fiz a minha parte e espero que cumpra a sua.

– Okay, milady! – Coloco as mãos no paletó e puxo o livro de Regina a mostrando – Sou um homem de honra!

– Ladrões não têm honra! – Regina soltou, mais uma vez, cinismo.

– Não sou um ladrão, sou entregador de jornal, e colunista... às vezes – Sorri vitorioso – Quando nos veremos de novo?

– Já não tem as repostas que queria ter? – Regina tentava pegar o livro de minha mão, mas eu sempre esquivava. E via Blue sorrindo mais a frente daquela situação – Dê-me a droga do livro!

– Oh, mulheres não xingam, lembra? – Gargalho e ela irritada revira os olhos, desistindo de pegar o livro das minhas mãos – Você tem que se ver irritada, é muito bela!

– Isso não saiu nada cortês, Senhor Hood – Cruzou os braços fazendo cara de brava.

– E que vos disse, Mills, que estou cortejando-te – Ela irritada bufou, e gargalho – Tome! Aqui estar! – Entrego o livro em suas mãos e ela sorri vitoriosa – Aproveite o fim do livro, será doloroso...

–Obrigada! E sobre sua pergunta, nunca se sabe, ladrão – Virou-se andando – A vida é imprevisível, não é mesmo?

– Tem toda razão, milady, mas sei que a verei de novo – Grito fazendo virar-se pra mim sorrindo, ela balançou a cabeça em silêncio e continuou andando, sua figura bela desapareceu com Blue nas ruas de Londres.

Sorri novamente sozinho e cocei a parte detrás da nuca incrédulo com a ironia daquela mulher. Regina Mills ainda sim era uma incógnita, e por mais que ela respondesse todo um dia as minhas perguntas, sempre surgiria outras e mais outras. Porque ela era mais do que uma chave para se desvendar, ela era a criação do próprio mistério.

POV Regina Mills

Depois de ter ido a um casamento e ter visto Robin Hood, eu estava mais aliviada. E por mais que ele fosse grosso, ele era um homem muito, muito inteligente, além de ser um homem bondoso. Ver Emma e seu casamento, a forma como Robin se comportava, e como me acompanhou até quase em casa, me fez entender o porquê de ser tão querido por muitos que presenciavam o casamento. Robin quase tocou nas minhas feridas, e não estava pronta para falar dos meus problemas com meus pais para um homem quase desconhecido. As coisas que havia me dito haviam me tocado profundamente. Pude perceber que era um observador em tanto, e não acreditava o porquê de nunca o jornal tê-lo contratado com a visão que ele tinha ao seu redor. Em pouco tempo de conversa, ele havia quase me desvendado. Mas Robin, ele quer mais, e o pior, nem sei o que ele quer.

Minha mãe esperava-me na sala. Blue apenas sorria da situação que minutos atrás havíamos vivido. Estava feliz por o livro está de volta em minhas mãos. Cora Mills percebeu o livro e perguntou-me. Blue foi tão rápida que nem deu tempo de que rebatesse. – Ela era uma ótima mentirosa – Subi para o meu quarto e tirei o vestido pondo uma camisola preta.

Quando me deitei na cama, abri o livro e li as ultimas quatro páginas que faltavam, quando cheguei ao final pude ver que a pagina tinha sido arrancada, e senti um desespero sair dentro de mim, fazendo com que procurasse em todo o lugar. Só então percebi, havia um bilhete prendido no local onde a página deveria estar. Arranquei do local e li as letras rasuradas.

“Regina Mills,

Cumpri meu trato, devolvi o livro, mas não disse que devolveria a pagina. Por isso, se quiser ler o final da história terá que encontrar comigo novamente. Só gostaria de estar ai para ver a sua face de fúria.

Com amor,

Robin Hood.”

Era impossível que ele estivesse brincando comigo. – E ele estava – Como posso deixar que ele fizesse isso? Ele estava jogando comigo, eu estava deixando, e estava entrando. E devo confessar, estava gostando de jogar. Se ele achava-se esperto, eu também poderia ter cartas na manga. O que quer que ele queira saber em relação a mim ele iria descobrir, e isso era certo.

– Regina?! – Minha mãe estava à porta – Seu pai marcou um janta com Leopold e será no próximo domingo. Então, irei leva-la eu mesma a costureira, tende está impecável. Nossa, o lorde ficará encantado com sua beleza... – Minha mãe tagarelava sem parar.

– Okay mãe! Deixe-me dormir, estou exausta – Deitei-me de bruços esperando que ela compreendesse o meu cansaço – Podemos conversar amanhã sobre isso?

– Tem razão! Amanhã conversaremos – Disse assentindo e dando-me um beijo de boa noite – Tenha uma boa noite de sono, meu anjo...

Ela disse-me algo a mais, mas mal a escutei ainda pensando no dia de hoje, e como foi maravilhoso viajar no mundo de Robin Hood. Então adormeci satisfeita pela minha irritação do dia, e no quão me sentia, pela primeira vez, viva.

Notas finais
Então... gostaram? Creio que foi a conversa mais maluca que já escrevi. Beijos! - Maria Andressa.