Como se eu fosse te perder
5 Cap 5 - Sra. Jones.
Notas iniciais
9 de Abril de 1915: As forças francesas e inglesas se concentram ao largo de Dardanelos
POV. Regina Mills
Esperava ansiosamente o momento do casamento. Não exatamente por estar desejando desesperadamente me encontrar com aquele bronco do Robin, mas por estar com um frio na barriga por fazer algo tão arriscado. E, por que não? Estava morrendo de curiosidade para encontra-me com a famigerada Emma Swan. Não podia esconder minha vontade de conhecê-la, até porque ela possui minha admiração.
Já tinha planejado com Blue como eu iria fugir. Não poderíamos fingir que iria para um lugar comum com uma vestimenta tão nobre, então eu diria aos meus pais que era aniversario de Blue e eu queria ir para a comemoração modesta que iria dar. Claro que minha mãe vai chiar, porque ela acha que não deve me misturar com criados (como diz ela), mas meu pai irá deixar, pois, apesar de tudo, ele gosta muito de Blue. E querendo ou não, minha mãe guarda um pouco de afeição por nossa criada. Ela está conosco a vida toda. Acobertada pelo consentimento de meu pai e Blue, irei sair para o casamento. Mesmo com tudo devidamente resolvido, eu ainda estava muito ansiosa, nervosa. Tinha de repetir para mim mesma que iria dar tudo certo. Quando finalmente deu a hora para irmos, desci para almoçar com eles de forma natural e me sentei à mesa com se nada estivesse acontecendo. Depois de ter comido a metade da minha comida, comentei como quem não quer nada:
– Bem, sabem que dia é hoje? – Antes que pudessem responder, emendei – Aniversario da Blue.
– Sério? – Meu pai perguntou surpreso. Minha mãe apenas me olhou com os as sobrancelhas levemente erguidas.
– Sim. Inclusive, ela vai dar uma modesta festinha na casa dela e eu me ofereci a ir – Mesmo Blue dormindo a maioria das noites em casa, ela tinha seu cantinho — Posso?
– Que pergunta, Regina. Óbvio que não! Já lhe disse que existe uma divisão, e temos que saber respeitar a mesma. Você vai desrespeitar esse equilíbrio – Me senti desconfortável pelo fato de minha mãe falar isso com tanta naturalidade, e com Blue ali no recinto.
– Cora, não vejo grandes problemas em Regina ir numa festa inocente. Nossa é filha é jovem, mas adulta o suficiente para ir a eventos como esse. E conhecemos Blue, ela trabalhou a vida toda conosco. Não é de todo ruim a Regina prestar uma pequena honraria para a nossa criada.
Pensei comigo mesma o quão hipócrita era a minha família. Para ir a uma festa da empregada, eu era autônoma. Para decidir o meu futuro, não.
– Então, eu posso ir?
– Eu lhe dou permissão. – Disse meu pai.
– Obrigada! Melhor ir arrumar-me logo. Com licença! – Limpei a boca com guardanapo e subi, sem esperar que meus pais falassem algo.
Já no quarto, arrumei-me de forma devida e coloquei o vestido azul que, agora parando para observá-lo, era realmente belo. De cetim, era um azul claro que suave descia até o final da saia, onde esguichos de azul mais escuro surgiam. Tinha uma manga longa que descia até meu pulso, com o final da mesma se fechando em um triangulo. Quando coloquei, desci e me encontrei com Blue. Ela me disse que estava linda e estávamos prontas para sair, mas não sem antes sermos abordadas por minha mãe:
– Regina, você está linda! Mas me responda uma coisa... Porque você vai tão arrumada e Blue tão simples?
Sabia que ela estava desconfiada e, no momento da pergunta, travei. Não sabia o que dizer. Mas, para minha grande surpresa, Blue respondeu tão rapidamente e de forma tão natural que até eu quase pensei que fosse verdade.
– Vou arruma-me em casa, madame. Não quis incomoda-los, nem mesmo o vestido eu trouxe.
– Certo. Então, boas festas. E feliz aniversário!
Blue agradeceu e saímos. Sabia que minha mãe não estava nem um pouco satisfeita com essa história.
Caminhamos por um lugar que Blue conhecia, ficava mais adentro pelas ruas, porque ninguém poderia ver Regina Mills indo com uma criada para o casamento da desertora Emma Swan. Como sabemos que apenas pessoas de confiança vão estar na cerimônia, temos ciência de que depois que entrarmos lá estaremos seguras de olhares maldosos. Depois que pareceu ser uma eternidade, chegamos ao local que seria o casamento ao ar livre. Blue me deu um beijo na bochecha e desejou sorte, soltando uma piscadela.
Já estavam todos lá, esperando apenas pela noiva. Fiquei feliz em notar que meu traje não estava inapropriado. Estavam todos vestidos de maneira impecavelmente formal, foram poucas pessoas e apenas uma da alta classe social, Elsa, estava lá. Os outros, estavam em pouca quantidade e pareciam felizes em prestigiar os noivos. Quando olhei o altar, encontrei Robin parado ao lado do noivo. Ele ainda não tinha me notado. Permiti-me admitir que ele estava, de fato, muito bonito, trajado em um smoking completo preto, barba rala e cabelo penteado. Mesmo que estivesse atraente, quem realmente brilhava naquele local era o noivo Kilian.
Ele era o rapaz bastante bonito, com um ar de debochado. Porém, naquele lugar, naquele meio, ele parecia o mais sério e maduro dos homens. Estava trajado em um paletó preto e mesmo que demonstrasse claro nervosismo, a felicidade que transpirava de seu corpo era encantadora, o que fazia com que ele roubasse a cena sem esforço, mas não por ser noivo, e sim por estar radiante.
Depois de um tempo, a marcha nupcial começou a tocar e nos pusemos de pé. Nesse momento, meu olhar cruzou com o de Robin. Ele abriu um sorriso tão largo que senti minhas bochechas queimarem e tremenda vontade de sorrir também. Ele assentiu uma vez para dizer que estava grato por eu ter aparecido e depois se perdeu em uma visão atrás de mim. Seu olhar, antes iluminado, foi substituído por um perplexo. Quando olhei atrás de mim, perdi o fôlego – Esqueça o que disse sobre o noivo roubar a cena, a pessoa que mais brilhava ali, definitivamente, era a noiva. Emma Swan estava absolutamente deslumbrante em um vestido branco e véu em grinalda, entrando ao lado de sua mãe. Na mão, um buquê de lírios. Seu cabelo estava magnificamente trancado nas laterais, deixando que alguns fios caíssem do lado de seu rosto, e a parte de trás de seu cabelo permaneceu solto pelas suas costas. Ela brilhava, não só por sua beleza, mas pela sua realização de estar se casando com quem ama.
Quando avistou a sua futura esposa, Killian abriu um sorriso que me fez entender imediatamente a razão Emma ter se apaixonado por ele. Seus olhos brilharam e, depois de um tempo, percebi que não era apenas por felicidade, mas também por lágrimas. Na medida em que Emma se aproximava dele, seu sorriso incrédulo se alargava e seus olhos iluminavam, como se ele não acreditasse que aquela mulher pertencia a ele. Quando Mary Margaret pousou as mãos da filha nas mãos de Killian, ele não conseguiu aguentar e teve que baixar a cabeça para esconder a emoção. Quando voltou a erguê-la, lágrimas escorriam pelo o seu rosto. Pelo abraço apertado que ele trocou com Emma, pude ver que ela também chorava.
Enquanto a cerimônia se seguia, eu cheguei a esquecer de Robin e do qual motivo estava lá, ainda que fosse por um breve momento. Quando o olhei, vi que ele também estava completamente imerso no casamento, se deixando embriagar pela beleza daquele evento.
Chegamos ao momento dos votos. Para minha surpresa, nenhum dos dois tinha papéis para ler. Tudo que eles fossem falar seria de puro sentimento. Emma começou.
– Killian, quando eu aceitei me tornar sua noiva, eu sabia que iria está aceitando, também, um grande risco. Iria perder muitas coisas, mas, agora, tenho a plena certeza do que já sabia: Ganhei muito mais do que perdi. Olhando-te aqui, na minha frente, posso dizer que jamais tomei uma escolha tão certa na minha vida. Eu ganhei uma vida nova, porque agora estarei ao seu lado. Tudo, todos os momentos difíceis, todas as dificuldades, tudo vale a pena no momento em que eu olho em seus olhos e vejo seu sorriso que me recebe sempre com ardor. Se há algo que me arrependo, é de não ter te encontrado antes, porque no momento em que você entrou na minha vida, me tornei mais feliz, mais leve, me tornei mais! Eu te amo mais do que posso expressar, mais do que cabe em palavras, portanto, não irei dizer. Temo que, quando tento colocar em palavras o quanto te amo, elas acabem por banalizar a proporção do meu amor por você. Então irei te dizer o quanto te amo, irei mostrar. E, se você me permitir, minhas ações com sua esposa irão te mostrar, todo dia até o fim de minha vida, o quanto você significa para mim. Obrigada por te me permitido ser a nova Sra. Jones.
Palmas se seguem e eu estou emocionada, Olho ao meu percebo que não sou a única.
– Emma Swan, nada no mundo me dá mais prazer do que saber que a partir de hoje poderei gritar ao mundo que Emma Swan é minha esposa. Quer saber? – Ele encheu os pulmões de ar – EMMA SWAN É MINHA ESPOSA! – gritou com toda a força, fazendo com que todos rissem, e ainda no meio de tantas gargalhadas, a risada de Emma ainda conseguiu sobrepor a de todas – E eu sou o cara mais feliz do mundo por isso. Eu te vi entrando, desse jeito, tão linda... E eu não pude acreditar. Não pude acreditar que essa mulher tão maravilhosa fosse minha para sempre. Às eu acho que vou acordar e ver que é tudo um sonho. Que vou me levantar da cama e olhar para o lado e ver que Emma Swan não está do meu lado. Nossa! Deu-me um aperto só de falar isso – Ele riu desconcertado, claramente tentando segurar o choro – Eu simplesmente acho inacreditável que uma mulher tão espetacular esteja comigo. Eu não sou merecedor. Justamente por isso que eu acho tudo tão... Irreal! Eu não sou merecedor de te ter. Tenho muitos desfeitos e, ainda assim, você está aqui comigo e me ama apesar de tudo. Aqui, do meu lado. Swan, eu te amo. Te amo porque você me faz sentir uma pessoa melhor, você me az querer ser melhor. Tudo o que eu sou hoje é por você. Tudo o que eu tento ser, que eu luto pra ser, é por você, pra que eu possa ser minimamente digno de ser chamado de seu. Porque, Swanm, sou teu. E toda a essência da minha existência se resume nesse fato. Eu sou teu, tu me tens. Obrigado por ter me feito quem sou hoje. Amo-te mais do que a mim mesmo.
Eles estavam chorando e eu também. Quando o noivo é permitido para beijar a noiva, eles o fazem com tanta ternura que chegou a parecer a primeira vez. Robin está sorrindo e então nosso olho se cruzam. Não consigo evitar estampar um sorrisinho. Quem diria? Um bronco grosseiro roubou meu livro e acabou por me prender em um mundo que eu não conhecia. Pela primeira vez, vi a união de duas pessoas que se amam de verdade. Não imaginei que fosse algo tão intenso.
A cerimonia termina e Emma e Killian se beijam mais uma vez para depois se abraçarem forte. Os convidados começaram a aplaudir e me juntei a eles. Na pós-festa, vi Robin vir em minha direção, mas a visão dele se aproximando logo foi bloqueada por uma figura branca. Emma Swan, antes dançando com o marido, veio ao meu encontro. Vê-la de perto a faz ficar ainda mais bonita, o que me faz ficar até um pouco intimidada.
– Regina Mills? – Perguntou ela. Sua voz estava trêmula e ela parecia tentar manter a voz estável.
– Sou eu. Está tudo bem? Sua voz...
– É só euforia. Não é todo dia que se casa, não é mesmo? – Ela ri – Mas então... Um prazer ter você aqui. Fico feliz em lhe receber.
– Eu que agradeço. A cerimônia foi linda.
– Obrigada – Seus olhos brilhavam – Vou direto ao ponto: Robin já me contou tudo sobre vocês. Ele estava muito animado em receber você aqui. Queria muito lhe encontrar de novo. – Senti minhas bochechas queimarem, mas continuei agindo naturalmente.
– Por isso que ele estava tão feliz hoje? – Perguntei tentando soar desinteressada, o que ficou difícil pelo olhar engraçado de Emma Swan.
– Em boa parte, sim. Mas também porque ele era um dos que mais estavam ansiosos pelo casamento. Ele estava muito feliz em ver a mim e ao Killian felizes. Eu sou muito grata a ele, sabe. Ele é o melhor amigo que meu noi... Marido. – Ela se corrigiu, sorrindo, boba – O melhor amigo que meu marido já teve depois que perdeu o irmão. Ele faz Killian se sentir muito bem. É incrível o fato de ele se sentir tão bem ao ver outras pessoas bem. – Ela se interrompe quando seu novo esposo chega por trás dela e beija sua bochecha.
– Olá, Sra. Jones. — Ele olha para mim com um sorriso deslumbrante que chegou a me tirar o fôlego. Tendo convivido com ambos, consegui entender perfeitamente a razão por terem se apaixonado um pelo outro – Regina? Muito prazer. Obrigado por ter aparecido nesse dia tão importante.
– O prazer foi meu.
– Agora, se me dá licença, vou roubar a mulher mais linda do mundo pra mim um pouquinho. — Ambos sorriem um para o outro — Vamos deixar a convidada com seu homem. – Ele riu sob o olhar de repreensão e brincalhão da esposa e eles se afastaram, revelando um Robin ansioso para me ver.
– Olá, incógnita. — Ele sorri e eu reviro os olhos.
– Me dá logo meu livro para eu ir em embora.
– Não mesmo. Vamos conversar antes disso.
– E se eu não quiser?
– Não lhe devolvo o livro e ainda lhe conto o final da história.
–Ok, tudo bem. — Solto uma bufada impaciente — Mas que seja rápido.
– Gostaria de me acompanhar para uma dança?
– Apenas em seus melhores sonhos. – Ele ri com minha resposta e estende os braços em sinal de redenção. – Tudo bem então. Vamos?
Nós começamos a andar para sair do tumulto do casamento. Olhando para suas costas por debaixo do smoking, solto seu nome sem pensar:
– Robin. – Ele se vira para mim, curioso. Eu me permito abrir um meio sorriso — Quer saber? Obrigada.
Ele sorri para mim, algo que me faz sentir algo parecido com um calor dentro de meu peito. Ele ergueu uma sobrancelha e apontou com a cabeça para continuarmos andando. E o ladrão de livros me guiou para a primeira conversa verdadeira que teríamos.
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