Como se eu fosse te perder

10 Cap 10 - Declarando-se...


Notas iniciais
Estou de volta! Trazendo a vocês um remédio pra triste despedida do nosso casal insano. Bem... Quero dizer obrigada por todos os comentário. Amanda está amando. E eu também. Mais uma vez escrita por Maria Andressa. Não se apavorem! Amanda escreveu o cap 11. Então vocês verão a top das top aqui novamente. Um grande beijo e aproveitem esse capitulo, que com certeza, está bem melhor do que o último. (A poesia é de Maria Andressa - Entre dois olhares).

9 a 15 de Maio 1915 : Batalha de Aubers Ridge, também conhecida como a Segunda Batalha de Artois./ 15 à 27 de Maio 1915: Batalha de Festubert.

POV Robin Hood.

Depois do dia em que Regina falou que iria casar-se, decidi que iria atrás entender o que havia acontecido. Naquele dia, arrependi-me de não ter dito a ela o que sentia, e nem sei mesmo o que sentia naquele momento – Creio que estou confuso. Na verdade, sentir grande irritação, e por isso meu orgulho falou mais alto. Ao me acalmar fui atrás da verdade, sem que ela soubesse. Então soube na última vez que seus pais haviam descoberto nossa amizade e que a ameaçaram de casa-la contra a sua vontade, – Não que acreditasse que Regina iria se render a isso – mas me dava medo. Ela estava prometida ao homem mais rico de toda Londres: Lorde Leopold. Um velho senhor que morava na casa mais luxuosa, mas que era altamente conservador, e isso não seria por amor. Regina não poderia casar-se com um homem que não tinham nada a haver com ela. Não acredito que irá se casar, ainda não.

Regina nunca mais havia mandado alguma resposta ou recado por Blue. Não havia mais dito a mim sobre a fuga e muito menos sobre as mensagens que mandei. Senti a sua falta durante toda a semana e sabia que algo havia acontecido, porém confesso que tinha medo de saber o ocorrido. Era como se a perdesse para sempre se casando com ele, o que tomava conta dos meus pensamentos fazendo-me angustiar. Não podia perdê-la, não podia naquele momento, porque sabia o que sentia: Todos aqueles sintomas que dão antes de uma paixão, já havia sentido com ela, mas apenas agora soube que já não havia mais tempo. Regina não poderia se casar com aquele velho asqueroso, ela não o amava, não poderia.

Apesar do tempo que havia passado, sempre ia a sua casa, ficando horas esperando que seu sorriso aparecesse na janela, mas nada. Esperando que ela me dissesse algo, me desse apenas uma explicação de seu paradeiro, mas não havia feito nada. Regina castigava-me e deixava que ela fizesse isso comigo. Agora, estava ali sozinho, me encontrando como a meses atrás vendendo jornais com meu amigo, mas dessa vez, com um vazio no coração em meio aos potes de cachaça.

– O que está fazendo aqui? – Killian perguntava enquanto segurava uma faca para cortar o queijo que estava na mesa.

– Eu que devo perguntar isso, o que está fazendo aqui? – Fitei o copo sem olhar nem sequer um minuto a ele.

– Vim te resgatar desse seu sofrimento. Não deveria estar correndo atrás de Regina, agora que finalmente descobriu que a ama?

– Ela irá se casar... – Joguei minha carga em cima de Killian enquanto ele franzia a testa sem compreender – Me deixou, talvez ela não sinta o que sinto. Talvez ela nem saiba o que sinto a ela... A culpa é minha, toda minha! Deveria ter dito, esperei tempo demais...

– E o que pensa fazer? Chorar até acabar com o ultimo gole dessa garrafa ou ir atrás dela e impedir que ela seja infeliz? – Killian olhava-me indignado, tentei sair de minha hipnose e olha-lo também, e poderia até compreender. Estava reagindo como um fracassado, e nunca fiz isso, mas quando se tratava de Regina, tudo era tão impulsivo e desordenado que nesse momento não sabia o que fazer.

– De verdade?! Eu não sei! Não posso chegar à igreja e parar um casamento daqueles. Regina não merece que... Não sei, eu simplesmente não sei o que faço – Dei um grande gole na cachaça e esperei a reação de protesto de meu amigo.

– Pois eu vos digo o que deve fazer – Killian levou o queijo à boca – Pare de beber e vá agora atrás dela! – Franzi o rosto tentando entender o grande plano – Não conheço o Robin Hood fracassado e que desisti, conheço aquele que luta pelo que quer, e sei que seu coração nesse momento a quer, não quer? – Killian colocou as mãos em meu ombro.

– Sim... – Dei um sorriso pensando em Regina

–Então, vá atrás dela, lembra-se do que me disse quando tentei desistir de Emma? – Meu amigo sorria enquanto tomava o resto da minha cachaça que estava no pote, e assenti com a cabeça em sinal de positivo a sua pergunta – Você disse que o tempo não espera para amarmos, mas que se você amar em tempo ele esperará toda a eternidade, e é isso caro amigo! Vá atrás dela! Ela precisa de você, agora!

Sentindo-me encorajado por Killian, agradeci e corri até a porta indo em direção a minha maior loucura: Amar Regina!

Pov Regina Mills.

Sei que estou errada, nunca mais o vi desde o ultimo momento de tensão que vivemos. Não poderia nutrir nada por Robin, ele não merecia toda aquela minha confusão e todos os meus dramas pessoais, e por mais que queria liberdade, sabia que jamais poderia tê-la. Estou indo contra todos os meus padrões de felicidade, consequência disso, aceitei: Aceitei o meu destino como um soldado que se sacrifica pela a nação, aceitei tudo aquilo que vinha em consequência: A vida conjugal com Leopold, a vida sem amor e liberdade e a vida sem Robin. Por mais que tudo em mim doesse teria de ser o certo a fazer, teria de crescer e entender que o amor não é para todos, não era para mim.

Provei o vestido de noiva, era lindo e elegante, minha mãe ultimamente sorria e cantarolava por toda a casa e meu pai apenas dizia o quão orgulhoso estava da minha decisão madura. Passei a semana toda vendo detalhes de casamento com minha mãe, concordando em tudo que escolhia. Já estava cheia de ver igreja, vestido, arranjos de flores e buffer. Queria que tudo aquilo acabasse. Quando saia a rua, todos cumprimentavam dizendo o quanto era sortuda por estar com o homem mais rico de toda a Londres e como seria feliz – Como se dinheiro trouxesse felicidade – O que sentia? Tristeza! Apenas chorava, chorava muito! Sonhar com Robin Hood se tornou rotina, o que me deixava irritada. Quanto mais queria esquecer, mais eu o lembrava. E voltando ao antigo assunto, sei que ainda sim estava errada, mesmo com tudo dizendo que estava certo e repetindo a palavra “certeza” em minha cabeça. Deveria ter dado alguma explicação, algo que o deixasse em paz, pelo jeito impulsivo de ser, deveria estar mordendo os lábios para falar comigo, mas nutri esse sentimento, o castiguei sem querer e o pior de todos, me castiguei por sentir o que poderia ser amor. Minha mãe tinha algumas razões em relação a isso, o amor é altamente viciante, mas ela também te destrói se for nutrida. E bem, eu nutri, deixei que crescesse e agora estar dando frutos que não poderiam de maneira alguma dar.

Me encontro dividida

Entre o amor e a ganância

Dois amores que dizem amar

Duas vidas que se fazem distâncias.

Curiosidade – Paixão – Amor. Estava acelerando essa particularidade de paixão e desenvolvendo amor? Não! Não poderia, pois seria um absurdo casar com um homem pensando em outro.

Sou falsa comigo mesma

Porque finjo amar um

Enquanto meu ser deseja outro

E no final, não deseja nenhum.

E com esses pensamentos escrevo em meu caderno choroso, que agora estão cheio de poemas, onde o eu-lírico de todas elas sou eu!

– Filha, daqui a pouco terá de se arrumar, a festa de noivado será aqui. Ande! Não temos tempo – Cora pegava algumas flores que estava em meu quarto – Regina, acorde, está escrevendo de novo? Você não cansa de viver no mundo da lua?

Ela por um minuto parou o que fazia para olhar-me, nem mesmo percebia que me olhava. Deu passos lentos até chegar perto de mim, viu que estava no parapeito da janela e que chorava enquanto rabiscava em meu diário. Passo a mão em meus cabelos colocando-os para trás e assusto-me ao vê que estava me observando naquele estado. Limpo as lágrimas rapidamente e dou-lhe um sorriso amarelado, daqueles de “estar tudo bem, mãe, não precisava perguntar o porquê, já estou fazendo o que você quer” e fecho o diário esperando a sua fala.

– Querida, não precisa chorar, – Ela passa as mãos em meu rosto limpando as lágrimas que caiam sobre minha bochecha – sei que não deve estar sendo fácil pra você essa decisão – Minha mãe soltou um sorriso confortante sentando-se também no parapeito da janela.

– Sabe? – Arregalei os olhos e prendi a respiração com a ideia de perceber que ainda estava apaixonada por Robin.

– Claro que sei! Não é confortável toda essa pressão antes do casamento, — Soltei o ar entre meus pulmões em sinal de alívio — além do mais, quando se torna uma mulher, e a bendita ideia de te desposar, bem... Deve ser um pouco temoroso – Dei novamente um sorriso amarelado e olhei para a janela que, pelo que se podia ver, anunciava uma temporal.

– Sim... É exatamente isso mãe! – Respirei entre as frases soltando todo o ar.

– Mas não se preocupe! Você aprenderá com o tempo, além do mais quando tiver seus filhos – Ela limpava a borda do meu vestido que estava para fora da janela – e também entenderá que está fazendo um bem a si mesmo – Ela pegou meu queixo levantando-o para encontrar seu rosto, olho em seus olhos castanhos, tão lindos, sensuais e claros, fazendo um biquinho – Eu te amo! – Ela sussurrou e fiquei assustada olhando-a enquanto levantava-se – Agora, estar na hora de irmos. Vamos! Levante e se arrume! Deixarei o vestido em sua cama quando voltar de seu banho.

Quando vou aprender

Que não posso amar ninguém

Dividida entre duas pessoas

Fingindo ser alguém

E quando descobrirem

Perderei para a dor

Por causa da falsa divisão

Que diz sentir amor.

Fiquei tão apreensiva e assustada com suas palavras que não me deram tempo de processar todos os sentimentos, ao vê-la fechar a porta só voltei a chorar agora dividida entre os dois olhares que agora, se resumiam entre amor e a ganância.

Pov. Robin Hood

Estou correndo em direção a casa de Regina como um louco. Sim! Como um louco! Sentia algo por ela e sei disso, sei disso porque quando resume em Regina também se resume em sentimentos. Uma confusão de todos eles! Eu estaria a gritar a toda a Londres, mas meu maior medo se resumiria em saber se sentia o mesmo. Não que já desconfiasse: todas as suas palavras, os nossos olhares, a forma que seu peito subia e descia quando nos tocávamos, o seu semblante perdido e a tensão que ficava entre nós dois, era sempre, sempre um sintoma ameaçante de que ela também tinha sentimentos por mim. Eu tinha fascinação por ela, e pude perceber apenas agora, isso era tão imbecil. Estava perdendo por causa do meu orgulho e de minha vaidade, mas iria reverter toda essa ação, antes que Regina desgraçasse com as nossas vidas.

– Robin? – Uma voz suave chamou-me pela calçada oposta em que estava correndo – Robin!

Meu instinto fez com que meu corpo parasse tentando encontrar de quem era aquela voz doce. A rua em que estava tinha pouco movimento, aliás, as ruas ultimamente tinham pouco movimento, motivo que todos nós sabemos, e estava buscando em minha calçada quem me chamava. Então, vi uma moça de vestido azul surrado correndo para atravessar a rua larga com a face fechada, como se estivesse confusa e ao mesmo tempo surpresa em ver-me. Dei um sorriso ainda atordoado pelos meus pensamentos, meu coração ainda palpitava sem parar e minha respiração ia a mil por hora.

– O que faz aqui? Porque essa pressa, até parece que fugiu de um fantasma. Aconteceu alguma coisa? — Arqueou as sobrancelhas.

–Regina – Soltei minha respiração junto com a palavra – Ela... Onde ela está?

– Robin, — Blue deu um sorriso tentando trazer conforto – ela está bem, não aconteceu nada demais... Pensei que tinham conversado, que você tivera pedido a ela que aceitasse o seu destino...

– Eu o que? – Levantei minha voz em protesto serrando os punhos.

– Robin, — A voz de Blue continuava contida, mas agora seu rosto mostrava-se assustado com minha voz – sinto muito! – Então houve uma pausa que durou a eternidade – Ela irá se casar, em uma semana.

Não me contive e surtei. Apertei ainda mais os meus punhos serrados, meu rosto se enrijeceu e fiquei atordoado. Ela irá se casar? Em uma semana? Não poderia ser!

– Você está bem? – Blue colocava sua mão em meu ombro, mas sentia tão longe. Uma mistura de angustia, raiva e aflição tomou conta de meu corpo e corri – Aonde você vai? – Gritou, mas já estava longe para respondê-la.

Corria mais depressa possível, o suficiente para não perceber que as pessoas assustadas me olhavam, o que parecia já bem normal o medo se apoderarem delas, mas não me importava. Olhei para o céu e vi que a tempestade se aproximava, uma chuva grossa cairia a qualquer momento, mas não importava, tinha que impedir... Meu Deus! Era um idiota completo por deixar que isso tivesse acontecido. Regina iria se casar, e Blue tinha sido muito clara. O suor frio havia se apoderado e sentia meu corpo como se estivesse sido pego um baque, minha cabeça doía e a pressão que meu corpo tinha, agora desaparecera. Dobrei a esquina e adentrei a rua luxuosa em que Regina morava, passei sobre os casarões e avistava sua casa, a última, que parecia abraçar-me com o seu tamanho. Um raio ecoou no céu sobre uma nuvem escura, e pode sentir o primeiro pingo cair sobre meu ombro. Não demorou dois segundos, e toda a chuva caiu com tremenda violência encharcando-me. Olhei para os lados e não havia ninguém ali, as casas fechadas, nenhum serviçal, mas que diabos haviam acontecido? Corri ainda mais em direção a Regina. Quando cheguei peguei uma pedra pequena que estava no meio da rua, e arremessei na sacada de sua janela. Um corpo movimentou-se lá dentro, mas pareceu não se importar. Com tremenda fúria e angustia pus-me a gritar.

Pov. Regina Mills

– REGINA! – Robin gritava para a minha janela enquanto a água caia lá fora o encharcando – REGINA!

Olhei a janela e logo depois a rua. Passei a metade do dia pensando em Robin, e agora ele estava lá, mas dessa vez como um louco no meio da tempestade. Saio pela porta de meu quarto indo em direção à escada, as desço sem reparar em toda a decoração e que estava descalço, e passo a cancela que protegia o espaço do território de minha casa. Corro em direção à rua, que por sinal não havia nenhum movimento, enquanto o via ali parado olhando-me desesperado. Preocupei-me, e não pensei duas vezes, entrando na chuva com o vestido de gala escolhido para tal festa. Não demorou muito e já estava acompanhando o seu molhado. Meus cabelos e roupas, como na primeira vez em que nos conhecemos. Eu olhava-o atordoada, nunca o tivera visto daquele jeito. Seu peito subia e descia relutante a sua respiração, que parecia aquele momento ser tão rápida quanto os cavalos de corrida que meu pai tinha. Agora, eu o acompanhava e parecia até mesmo que faltava o ar. Meus olhos pareciam marejar com aquela situação, mas segurei-me a todo o momento em que passava, esperando que Robin pudesse acalmar a sua voz e conversarmos.

– O que houve? – Falei quebrando o gelo.

Novamente estávamos naquela mesma cena: Robin irritado, eu confusa e nervosa, a tensão entre nós dois e o silêncio que dizia mil e uma coisas. Ele parecia doente ou que estivera passada a noite toda sem tocar em sua cama. Ele não me dizia nada, apenas me encarou e me encarou e me encarou... Irritada esperando uma explicação convincente para tudo aquilo serrei os punhos. Só poderia estar louca, só poderíamos estar loucos, o que estávamos fazendo mesmo no meio dessa chuva?

– O que você acha que está fazendo? – Falei irritada saindo de minha paralisia, o puxando pelo o braço – Vamos sair da chuva, podemos pegar um resfriado...

– Eu não me importo – Soltou minha mão enquanto puxava e fiz uma cara em sinal de protesto – Eu que devo perguntar a você, o que acha que está fazendo com a sua vida Mills? Como você pode fazer tudo isso? Porque está me castigando?

– Eu estou o que? – Minha indignação elevou minha voz e nem percebia o quanto estávamos alterados – Não fiz nada, estou tentando cumprir o meu papel de boa filha...

– Casando com um homem que jamais poderá te dar amor? Acha que isso é ser uma boa filha? – Eu fiquei calada enquanto não pude conter-me e as lágrimas desceram confundindo meus olhos com toda a chuva – Eu não posso Regina! Eu não posso deixar, não faça isso...

– Robin, você não está bem – Minha mão foi a sua testa tentando sentir alguma temperatura, o que era meio impossível no meio de tanta água – Deve está febril. Vamos! Irei te levar pra casa – Puxando mais uma vez pelo o braço.

– Não! NÃO REGINA! – Meu corpo tremeu e seu olhar parecia perdido com suas pupilas dilatadas, deixando seus olhos mais lindos do que eram. Logo desviei o olhar, já não queria a mesma tensão.

– Não o que? – Explodi — Não tem o direito de fazer isso – Falei ainda mais irritada com aquela situação. Não olhava em seus olhos e tinha medo de olhá-los, não queria que me visse chorando, e nem que soubesse o porquê – Olha o que me fez fazer, — Olhei para o vestido que agora estava estragando-se – estou no meio da chuva com você, e daqui a três minutos terei de me apresentar como noiva de Leopold, não só para os meus pais, mas para todos da cidade. Más, estou aqui com você no meio disso tudo, no meio dessa, dessa...

– Dessa o que? – Ele tentou diminuir sua irritação e parecia tentar compreender-me.

– Dessa confusão, Robin, no meio de toda essa confusão que estar sendo a minha vida. Eu não tenho paz, nunca tive, sou atormentada pelos meus desejos e não os consigo mais controlar – Chorava compulsivamente enquanto o via ficar estático ao meu desabafo – e eu não quero mais. Por favor, deixe-me fazer o que é certo, talvez à ideia de liberdade nunca existiu...

– Não Regina – Ele segurou minha mão e senti um calafrio atingir minha espinha – Não...

– Você não pode ficar no meio da minha bagunça. Você sabe que mulheres como eu nunca serão vistas como eu sonho. Você é importante demais para vê-lo destruído, você sabe que meus pais irão atrás de você, terá que ficar longe de mim...

– E ACHA JUSTO! – Senti sua voz alterar-se e tremi ao ouvi-lo ecoar a rua deserta. Eu o via chorar naquele momento, parecíamos partilhar a mesma dor. Vendia-me a manipulação de minha mãe, aos desejos de Leopold, a felicidade de meu pai e ao que chamavam de boa fama pela sociedade. Agora chorávamos olhando um para o outro, e sinto que minha cabeça rodava ao pensar na ideia de casamento – Nem que seja para raptá-la, mas você não irá se casar com esse homem. Não irá fazer isso comigo!

– Com você? – Franzi o cenho – Porque isso te afeta tanto Robin? Porque isso nos afeta tanto?

–Por quê? Isso não é óbvio, Regina? – Pisquei algumas vezes vendo o tomar coragem para responder – Eu estou louco por você, e essa loucura – Robin invadia meu espaço pessoal deixando-me paralisada – Essa loucura que sinto... É... Essa loucura, meu Deus – Ele olhava para mim como se estivesse pedindo ajuda... – O que sinto é amor! – A palavra “amor” deu ênfase em minha cabeça.

Fiquei pasma e não sabia reagir. Ele havia dito que me amava? Que sentia algo por mim? Não conseguia engolir toda aquela situação e tive que piscar devagar duas vezes, organizando minhas ideias, meus pensamentos.

– O que sinto Regina, é amor, muito amor! Estou completamente louco por você, e não há nada mais libertador do que sinto.

Robin se aproximava ainda mais de mim enquanto fitava sua boca, minha respiração ficou irregular, tremia-me sem parar, não pela chuva, mas por seu toque. Ele apertou minha cintura e senti diferente no mesmo instante quando olhava em meus olhos. Meu espaço agora parecia se tornar o dele, e podia sentir seu coração em seu peito, que estava colado ao meu corpo. Sua testa roçava na minha testa, e seus braços seguravam-me ainda mais forte. Meu coração parecia explodir de tantos sentimentos. Sua pele estava tocando o meu braço exposto e seu olhar encontrava-se nas diversas vezes o meu olhar e a minha boca, alternando como se estivesse escolhendo quem pudesse amar primeiro.

“O que sinto Regina...”

– Você tem certeza... Digo, amor entre homem e mulher...

“... é amor,...”

– Amor verdadeiro, daqueles que não saem tão fáceis de nós – Rebateu-me sorrindo ainda alternando entre os meus olhos e minha boca.

“... muito amor!”

– Porque escondeu o que sentia? – Tentei não perguntar, mas meus pensamentos eram tomados pelo desejo impulsivo que Robin causava-me – agora estou o perdendo...

– Não! Não está não – Sussurrou – Na verdade, você está me ganhando, milady, me ganhando!

Estávamos tão colados que mal podíamos respirar. A chuva caia entre nós, mas mal nos esfriava. Algo em nós acendia-se rapidamente até que enfim pude compreender o que ocorria. Então aconteceu, seus lábios se encontraram com os meus e o mundo todo parou, podendo sentir aquilo que jamais pensei em existir: O beijo do amor verdadeiro.

Notas finais
Então... O que estão achando?