Como se eu fosse te perder
11 Cap 11 - Futuro
Notas iniciais
POV Robin Hood.
Beijo-a intensamente. A chuva continuava caindo sobre nós, mas sua intensidade havia diminuído. Olho para aqueles olhos castanhos dando-lhe um sorriso que podia sentir seu corpo estremecer. Ela era doce, aliás, totalmente doce. Seu beijo tinha um gosto adocicado, seu aroma era adocicado e atém mesmo seu olhar era doce. Nunca tinha visto Regina sorrir para mim como ela sorria. Era algo inacreditável – Aquela mulher me amava como eu a amava. Para mim aquilo me bastava. Já nem precisava lutar por nada, porque já havia ganhado tudo. Eu simplesmente a amava na fração do tempo em que a vi. Fui tolo em achar que era uma curiosidade, quando na verdade eu já sabia a muito tempo o que era. Eu a amo, simples assim, e dessa vez não deixaria que nada impedisse esse amor. Minha missão agora em meu código de honra era fazê-la feliz, e isso é exatamente o que farei.
POV. Regina Mills
Então era isso. Pela primeira vez, um homem estava tocando meus lábios com os seus. Sempre me perguntei como seria o meu primeiro beijo, qual seria a sensação. Imaginava algo como se nossos lábios fossem ficar quentes e iríamos mexer no cabelo um do outro. Eis o fato: Não tinha nada a ver com o que estava passando agora.
Talvez meus lábios estivessem quentes, mas a fervura da boca se perdia em meio à temperatura alta que tomava conta de todo o meu corpo. Mesmo que estivéssemos encharcados, ainda que devêssemos estar tremendo de frio, o único tremor que percorria meu corpo nada tinha a ver com questões térmicas. Talvez minhas mãos tocassem seus cabelos, mas as dele não; uma estava firme em minha cintura e outra estava pousada sobre meu rosto. Mas o que se passou estava muito, muito além destes detalhes.
Sabia que chovia, mas só sentia as gotas tocarem minha pele de forma distante, como se estivessem em uma outra dimensão. Enquanto estávamos ali, sentia que poderia ter passado minutos, semanas, eras, e eu não teria percebido. A única coisa que era perceptível para mim era o fato de que estávamos juntos e, agora, éramos um só. Esqueci tudo e todos ao meu redor; espaço, tempo, minha própria identidade e as coisas não substanciais da vida pareciam ser irrelevantes ou, até mesmo, inexistentes.
Depois de algum tempo – até hoje não sei quanto -, nós finalmente nos separamos. Continuamos abraçados, nossos olhos se encontrando, extremamente próximos. Minha cabeça girava, o mundo ao redor gritando para que eu voltasse à realidade, mas não conseguia tirar os olhos daquele homem. Principalmente depois de, ainda segurando meu rosto, ele soltar um sorriso que parecia abobalhado e incrédulo ao mesmo tempo.
— Robin... – Comecei, mas ele pôs o dedo em meus lábios, calando-me e me fazendo sentir um calafrio.
— Não fale nada. – Ele me admirava, como se estivesse me vendo pela primeira vez – Eu não entendo como pude demorar tanto. Parece tão claro, tão óbvio. Eu te amo. Como poderia não te amar? Você é a mulher mais linda do mundo, a mais autêntica... E tem os lábios mais doces que alguém jamais poderia ter. – Ele se aproxima novamente, mas eu o afasto.
Como todas essas palavras que ele proferia poderiam, ao mesmo tempo, trazer tanto calor ao meu coração e quebrá-lo em milhões de pedacinhos? Como, ao mesmo tempo, esse beijo poderia me deixar mais feliz do que já estive em toda a minha vida e me mostrar tão claramente que a realidade em que vivo é tão difícil, dura, injusta?
— Robin, eu vou me casar. Isso não está certo. Eu não... – Sinto minha garganta apertar e pauso pare recuperar o controle – Eu preciso fazer isso.
— Você não precisa, Regina. – Robin segurou meu rosto entre as mãos – Não vê? Eu posso te fazer feliz. Eu amo você e sei que você me ama também. Se não amasse esse beijo não teria acontecido como aconteceu. Esse homem não vai lhe fazer feliz.
— E que outro tipo de solução você tem, Hood?! – Explodi – O que quer que eu faça? Abandone tudo? Esqueça tudo o que minha mãe faz questão de pontuar todas as vezes que nos falamos? Quer que... – Ele me cala com outro beijo, um mais breve, que fez minhas pernas tremerem e meu peito se aquecer.
— Quero que fuja comigo. – Disse ele – Vamos embora. Para Yorkshire. Vamos ser felizes lá, vamos viver no ambiente literário responsável por nos unir.
— Robin, eu n... – Ele novamente me puxa pela cintura e me beija, dessa vez de forma mais intensa. Por um instante fiquei sem reação, depois relutei, mas, no fim, acabei por me entregar ao gesto. Quando nos separamos, tive que lutar para recuperar o fôlego. O calor havia aumentado.
Oh, droga.
— Digamos que você sabe mesmo como ser muito persuasivo. – Molhei os lábios, piscando, ainda zonza – Qual o plano?
Ele abre um sorriso tão grande, tão lindo, que tive a impressão que teria o poder de fazer surgir o sol no meio daquele temporal. Abraçou-me e me girou, rindo, e não pude evitar rir também. Tinha aceitado fugir com ele por puro impulso, mas ali, girando em seus braços, pude ter a certeza de que tudo iria ser melhor ao viver ao lado dele.
— Eu vou vir te buscar. Prometo. – Ele encostou a testa na minha, olhos fechados – Nós vamos ser muito feliz em Yorkshire, Regina, isso é uma promessa.
— Eu acredito em você. – Respondi, também de olhos fechados.
Ele tirou uma mecha de meu cabelo molhado da minha testa e me deu outro beijo – dessa vez, no meu nariz. Saiu andando de costas, ainda me olhando, sorrindo que nem um bobo. Depois se virou e foi embora; mas a certeza de que iríamos ficar juntos permaneceu ao meu lado.
—- # --
— Regina! – Meu pai exclamou quando entrei. Minha mãe não exalou nenhum som, apenas derrubou uma xícara de café no chão, espatifando-a, perplexa.
— Eu posso explicar. – Falei, entrando em casa com meu vestido completamente encharcado – Mamãe, posso conversar com você?
Ainda chocada, ela me seguiu até a cozinha. Antes que ela pudesse explodir e gritar horrores comigo, como sabia que ela faria, eu comecei:
— Robin veio aqui. — Ela prendeu a respiração, recebendo o segundo tapa da realidade em menos de 3 minutos. Como ela estava completamente sem palavras, resolvi continuar – Ele estava fazendo um escândalo no jardim, debaixo da minha janela. Para impedir que chamasse ainda mais atenção, desci lá para mandá-lo embora. Não percebia que chovia tanto.
— Regina. – Sua voz estava trêmula, tamanha a sua raiva – Você está dizendo que se encontrou de novo com aquele marginal?
— Mamãe, você não está me escutando. – Escondi com sucesso o meu desgosto por ouvi-la chamar Robin de marginal – Ele estava gritando meu nome lá embaixo, alguém ia perceber logo, logo. Eu tive que ir lá para fazê-lo calar a boca. Falei que ia me casar, que isso ia ser melhor para a minha família, que ele não tinha o direito de interferir na minha vida. Mandei-o embora para o resto da minha vida. Por isso estou tão encharcada.
Minha mãe me analisou de cima a baixo, refletindo. Parecia ver quais as possibilidades de eu estar mentindo ou não. Depois de um tempo ela falou:
— Vá lá para cima. Bote o vestido azul. Finja que nada aconteceu. – Eu assenti e me virei, até que ela me chamou. Quando a olhei, ela falou: — Estou orgulhosa de você.
Eu sorri e assenti, subindo. Fiz como ela disse para que eu fizesse e me preparei para descer. Para encarar o que supostamente seria o meu futuro.
Mal sabiam as pessoas lá embaixo que quem escreve meu próprio futuro sou eu.
Fale com o autor