Notas iniciais
Olá meus queridos!
Cá estamos nós, eu (Maria Andressa) em minha primeira fafiction e Amanda (veterana nessa etapa).
Um prefácio rápido e ponto de vistas: POVs Regina Mills, por Amanda Raquel, e de Robin Hood por mim.
Sem mais delongas: Aproveitem!

Levantei da cama, envolta na minha camisola de seda, tarde da noite. Ainda não conseguia dormir. Depois de tudo, ainda não conseguia sentir o sono que me foi tirado há tanto tempo. Encaminhei-me para a lareira, que ficava na sala de estar, soltando um último olhar para o corpo que repousava sob os lençóis da minha cama; mas antes não pude evitar abrir a gaveta da cômoda que ficava no meu quarto e pegar um pedaço de papel que parecia tão simples para outros, mas que ainda me atormentava.
Já de frente para a lenha e o fogo, apertei a carta que continha uma letra rústica e grotesca, mas que conhecia tão bem. Queria lê-la novamente, mas não sabia se teria forças. Como algo tão mal escrito poderia me tirar o sono por tanto tempo?
Contra a minha vontade, as lembranças me atingiram com força, uma vez mais. Memórias que eu nunca gostaria de esquecer, mas doíam demais para serem lembradas.
Inconscientemente, sem querer, fui arrastada de volta para quando tudo começou; estava de volta em 1915.

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Londres – 1915 (segundo ano da Primeira Guerra Mundial) — Alemanha ataca os vilarejos que pertenciam a Londres.


Estava sentada na minha cama, apoiada na cabeceira da mesma, pensando no que pensava todos os dias: como encarar meu pai quando fosse descer para o café da manhã. Não queria ter que suportar mais 57 horas de falatório sobre como eu estava envelhecendo, o tempo estava passando, e eu não tinha arranjado nenhum pretendente a noivo; mais 57 horas enquanto eu repetia o quanto eu não precisava disso para ser feliz, porque homem não estava na minha lista de prioridades.
Respirei fundo e me preparei para descer. Estava com uma camisola vermelha meio transparente, com meu quimono vinho me cobrindo. Quando me levantei para me arrumar, ouvi uma batida na porta, seguida pela voz rouca do meu pai:

– Regina?

Por instinto, cobri meu corpo com o quimono, sentindo minhas bochechas ficarem quentes, retrucando com urgência na voz:

– Pai, eu não estou decente!

Quase pude vê-lo hesitar atrás da porta, com a face corada, quando respondeu:

– Ah... Me desculpe... Acho melhor esperar você descer então...

– Por favor. — Respondi.

Troquei de roupa, colocando um vestido simples de seda, rosa claro. Quando desci as escadas para a sala de jantar, encontrei meu pai e minha mãe sentados à mesa, sendo servidos por nossa criada mais antiga, que chamávamos carinhosamente de Blue, pelo fato de sempre usar uma peça de roupa azul.


– Muito bom dia. — Falei, sendo respondida por meus pais. Por questão de etiqueta, as criadas não eram permitidas a falar durante a nossa refeição.

Preparei-me psicologicamente para o sermão que viria a seguir, mas continuei mastigando como se nada perigasse acontecer.

– Regina. — Começou meu pai – Você já sabe que está na hora de arranjar um marido. O tempo está passando pra você e...

– Nossa, o senhor foi direto hoje. – Enchi a voz de cinismo – Sem rodeios nem nada.

– Regina, por favor. — Interferiu minha mãe, e tive que segurar a garganta para não vomitar as entranhas fora – Ouça seu pai, ele tem algo importante para dizer.

– Claro que você vai apoia-lo, mãe. – Estava impaciente –Você é a que mais compactua com isso. Acha que não sei que é você que enche a cabeça dele de caraminholas?

– Olha o respeito, garota. – Meu pai foi ríspido, me calando.

– O fato é que seu pai tem um anúncio para fazer. – Disse minha "querida" "mamãe". Fiquei quieta, esperando o próximo absurdo que iria ouvir. Meu pai limpou a garganta:
– Eu lhe arranjei um pretendente.

O garfo que segurava e levava para a boca caiu da minha mão; o susto que tomei fez com que eu derrubasse um copo de cristal, que se quebrou sobre a mesa.

– O nome dele é Leopold. Ele é um antigo amigo meu, com dotes parecidos com os da nossa família. Ele também é nobre, tem muito dinheiro a lhe oferecer.

Muitas coisas passaram por minha cabeça, que estava um turbilhão, mas uma coisa específica chamou minha atenção: "um antigo amigo meu".

– Qual a idade dele? — Perguntei, meu fôlego entrecortado.
– Ele tem mais ou menos minha idade.

Eu precisava sair dali. Estava com ânsia de vômito, estava passando mal, queria me trancar no quarto, vomitar no banheiro da minha suíte e ficar debaixo dos meus lençóis repetindo para mim mesma que essa família não era realmente a minha, não podia ser, ela me dava muito nojo para isso.

– Ele é ótimo, filha. – Falou minha mãe, um sorriso no rosto — É rico, bem apessoado...
– Eu tenho que sair daqui... — Murmurei, sem conseguir respirar direito.
– Esse vai ser um casamento abençoado, vai ser ótimo para você...
– Não! — Exclamei, sustentando o olhar da minha mamãezinha – Não vai! Entenda de uma vez por todas, isso é o que você quer, não o que eu quero! Eu quero estudar, trabalhar, e, se for para enfim casar, já que vocês querem tanto isso, quero casar com alguém que eu escolha! Vocês não têm o direito de decidir que rumo a minha vida vai ou não levar!
– Na verdade, podemos sim. Somos seus pais. – Respondeu minha mãe, com uma calma tão irritante que me fez perder as palavras; portanto, tudo o que consegui dizer foi:
– Vocês me dão nojo. – E me levantei, sem olhar para trás.

Entrei no quarto num rompante, fechando a porta com força, abrindo meu guarda-roupa sem pensar. Peguei alguns lençóis que estavam guardados lá e amarrei uns aos outros, fazendo uma espécie de corda. Prendi a ponta de um na cabeceira da cama e joguei o resto pela janela, o que me permitiu ter uma maneira para descer por ela. Só percebi que estava chovendo quando me lancei para fora da janela. Atingi o chão e corri pelo jardim, sem hesitar, abrindo o portão principal de forma brusca.
Corri pelas ruas, as gotas da chuva atingindo meu rosto e cabelos, milhões de coisas passando pela minha cabeça.
Como eles fizeram isso comigo? Como puderam arranjar um velho rico pra me desposar? O que eu era pra eles? Nada mais que um objeto? Com a visão turva e a cabeça confusa, bati em um corpo forte e firme que estava na minha frente. Com a brutalidade do baque, caí para trás, me molhando mais ainda. Um homem com trajes de guerra me encarava. E o traje não era de cor aliada. Antes que pudesse fazer qualquer outra coisa, ele apontou um revólver contra mim, e eu só consegui erguer os braços para proteger o rosto.

Então, seria assim. Uma morte patética para uma vida patética. Iria morrer aos 21 anos de idade porque corri que nem louca e me meti em um lugar que não devia. Prometida para um homem que tinha idade para ser meu pai. Tratada como objeto pelas pessoas que mais deveriam me amar, meu pai e minha mãe. Sem conquistar nada do que gostaria: estudos, trabalho, amor espontâneo. Que vida ridícula.

Antes que sentisse o estopim do tiro explodir em mim, ouvi um grunhido que me fez abrir os olhos, quando vi, me deparei com um homem um pouco mais velho que eu pulando em cima daquele que iria me atacar. Ele ficou por cima de suas costas, puxou seu revólver e atingiu sua nuca com o punhal da arma, atingindo uma coronhada e fazendo-o desmaiar. Depois pega minha mão e diz:

– Temos que sair daqui agora.

Ele olhava para mim de uma forma alarmante e, ao mesmo tempo, amansadora. Ele me ergueu com um puxão e correu me levando para fora do campo de batalha. Quando olho seus trajes, vejo que ele não possui armadura, mas sim uma roupa marrom extremamente simples.

Quando estamos suficientemente longe, paramos ofegantes. A chuva atingindo a nós dois. De repente, tive um estalo que me fez perceber que estava com um vestido inapropriado para a rua, feito para ficar em casa. Como estaria ele sendo molhado pela chuva? Enrubesci só de pensar.

– Você está bem? — Ele perguntou. Misturando o estresse do dia com a minha quase morte e meu constrangimento de estar com o vestido molhado e grudado no corpo, só consegui dizer:

– Quem pensa que é para me pegar desse jeito?

Ele olhou para mim confuso, e piscou duas vezes, como se estivesse tentando entender o que estava acontecendo.

– Perdão?

– Você ouviu direito. Não lhe dei intimidade para sair pegando minha mão e correndo como pela chuva.

– Você está ciente de que eu acabei de salvar a sua vida? Devia saber desde o princípio que você era louca. Só assim para se meter em um campo de batalha sem nem mesmo uma roupa decente para tal.

– O... O que tem minha roupa?! – Fiquei mais vermelha, mais logo me recompus — Pois você nem ao menos sabe quem sou! Como pode ter o direito de falar se sou ou não louca?

– Para mim isso está claro. Mas, já que faz tanta questão de me fazer conhecê-la, senhorita, qual o seu nome? – Hesitei.

– Regina Mills. Agora me diga o seu. — Acrescentei rapidamente.

– Robin. Robin Hood.

POV Robin Hood.

A chuva havia diminuído gradativamente, e podia notar alguns fios que caiam no rosto daquela moça. Em um instante ela estaria a mira de uma arma, assustada, agora, parecia irritada tentando cobrir-se com as mãos totalmente desajustada.

­ – O que faz em meio a uma guerra e no meio dessa chuva? – Perguntei sem rodeios, ela hesitou. Parecia estar com medo, mas mostrava ao mesmo tempo audácia.

– Para que quer saber, camponês? – Sua voz saiu em desdém.

– Eu não sou um camponês...

– Você cheira a floresta – Regina rebateu minha resposta demostrando ainda mais audácia.

– Como ousa...

– Em vez de me rebater, porque não saímos da chuva?

– Senhorita, por favor...

A conversa “amigável” foi interrompida por uma locomoção onde a classe dominante burguesa chamava de carro, uma voz dentro da bela máquina gritava:

– Regina? Regina!

Ela se virou rapidamente e parecia reconhecer a voz. Um homem com roupas militares mandava que Regina entrasse no carro. Segurei pelo o braço sem pensar fazendo com que ela me olhasse – Aqueles olhos e aquela boca pareciam com que conhecia toda uma vida.

– Deixe-me ir! – Regina tentava soltar-se das minhas mãos que agarravam seu braço.

– Quando a verei de novo?

– Suponho que nunca! – Ela sorria e pude notar uma cicatriz acima dos lábios, seu sorriso era encantador.

Vi-a escapar de minhas mãos e correr agora entre o sereno e as poças de água da rua deserta.

– Acredite milady, – Gritei enquanto ela corria – o destino é improvável.

Ela virou-se enquanto abria a porta do automóvel, entrou e desapareceu entre as ruas que agora estavam destruídas.

Notas finais
O que acharam? hehe
Postaremos uma vez por semana.
Um grande beijo!