Como se eu fosse te perder
2 Cap 2 - Curiosidade.
Notas iniciais
14 de março de 1915 – Britânicos afundam o cruzador alemão SMS Dresden.
POV Regina Mills.
Uma semana, uma semana já se fazia quando o vi. E como poderia esquecer? Os saqueadores e assassinos daquela rua, sua arma, a o salvamento, aqueles olhos claros, o bate-boca... Ele era imprescindível, mas ao mesmo tempo, parecia ter deixado marcas que não consigo tirar da minha cabeça. Pensava nela a maior parte do tempo, geralmente não prestava atenção em ninguém, porém, havia algo nele que me deixara curiosa.
– O que ele estaria fazendo no meio da guerra? – Murmurei para mim mesma.
Desde aquele dia que encarei a minha própria morte as palavras aqui em casa se tornaram extrema raridade. Minha mãe não falava tanto comigo, meus pais ainda estavam bravos com meu ato insano, mas algo a mais os incomodava. A história dos saqueadores que a população acusava a tríplice inimiga se espalhara rápido – Mexericos sempre se espalham – e todos estavam com medo. Desde que o exercito inglês venceu a batalha de Neuve Chapelle o exercito alemão desejou ardentemente acabar não só com a França, sua maior inimiga, mas também com toda a Inglaterra. Meu pai estará se aposentando o final deste ano, mas o Estado adiou seu descanso para mais alguns anos, eles querem homens na guerra e consequentemente meu pai estará entre eles, e creio que o assusta, pois quando General do Exercito Inglês, Sr Gold, deixou-me em “segurança” com meus pais ouvi dizer sobre as más noticias.
“Os países inimigos estão tentando achar uma maneira de usar armas químicas mais desagradáveis!”.
“Acredita que se eles conseguirem inventar essas armas mais rápido do que os nossos cientistas eles irão acabar com os homens, general Gold?”.
“Tudo indica de que alistaremos mais homens do que alistamos. Não podemos esquecer-nos daqueles homens que estamos defendendo. David protege alguns homens, nós também, mas não será por muito tempo, Senhor”.
Escutei passos que vinham do corredor, não dei importância, nem mesmo percebi que estava com a porta do quarto aberta, enquanto tentava a todo custo tirar os forros que estavam por debaixo do vestido.
– Regina? – Minha mãe estava à porta do meu quarto enquanto despia os forros da saia.
– Senhora?! – Ela havia saído da porta e entrado.
– Poderia lhe punir, gritar com você ou coisas piores, mas vim aqui abrir os seus olhos para o que estar acontecendo...
–Mamãe, por favor...
– Cale-se! – A voz de minha mãe saiu ríspida – Já chega, Regina! Chega! Você me ouviu?! – Me mantive rígida fitando-a com os olhos arregalados – Você se esqueceu do que estar acontecendo? – Mantive-me em silêncio – Estamos em uma guerra, guerra onde os jornais estão anunciando o que esta acontecendo no mundo todo. A Inglaterra está em crise e o seu pai a qualquer momento pode ser convocado...
– Mamãe...
– Você estar sendo egoísta, e espero que essa sua mediocridade não sobressaia sobre a nossa família.
Ela se pôs em silêncio e podíamos já escutar nossas respirações. As criadas passaram as pressas para não escutar mais uma de nossas brigas, ela percebera e fechara a porta.
– Você sabe muito bem que podemos perder seu pai – Ela cochichava com os braços cruzados segurando as lágrimas – E do jeito que as coisas estão andando iremos perder tudo.
– Perder o que, mamãe? — Rebati – Os privilégios que temos? Não será com o casamento que a guerra nesse país vai acabar...
– Mas não será tendo autonomia, Regina! Você tem ideia de quantas mulheres são vistas a margem da sociedade porque cuidam delas mesmas? Não! Não sabe! Cuidarei dessa família do mesmo jeito que sempre cuidei, e não serão os seus sonhos tolos que me farão parar. – Ela apontava o dedo para mim em tom de ameaça – Me escute, pare de sonhar, você não é nada mais e nada menos do que uma mulher para cuidar de seus filhos e se seu marido.
Calei-me e pude ver minha mãe derramar algumas lágrimas quando saiu. Senti vontade de fugir, mas dessa vez apenas me contive, tirei finalmente o forro que me aprisionava, joguei-me na cama e fechei os olhos esperando voltar para tudo o que ainda não vivi.
POV Robin Hood.
– Regina Mills – sussurrei sem ao menos dar-me conta de Killian Jones olhava para mim enquanto carregava os jornais estranhando-me
Regina não saía de meus pensamentos, já se passara uma semana, e não tinha nenhuma noticia daquele lindo sorriso. Sua imagem havia se gravado em mim, e por mais que tentara tirá-la de mim, não consegui em um momento. Ela era misteriosa e doida – Sim, ela era louca, e mulheres como ela eram raras. Eu via sua finura por seu sarcasmo, mas ao mesmo tempo era tão simples no seu olhar, como se fosse desapegada a todo luxo.
Killian ainda olhava para mim pensativo. Eu o escutava murmurar em como estava pesado isso, como estava pesado aquilo, um amigo reclamão que tentara por diversas vezes arranjar empregos nas novas empresas que surgiam, mas nada. Até o momento não tinha sido convocado à guerra, o que deixava mais tranquilo, em poucos dias iria se casar com sua noiva loira, Emma Swan Nolan, filha do general David Nolan. Emma apesar do bom nome já era rica, era apenas uma camponesa que havia deixado tudo para se juntar ao seu amado, Killian considerava-se um homem de sorte por amar uma das mulheres mais bonitas de toda a cidade. Já era a quinta caixa que descarregávamos, estávamos alarmados com tantos jornais, já que a maioria era a classe nobre. Noticias como: Vitoria dos britânicos sobre o território inimigo; Alemães são principais acusados de assassinato a um bairro nobre de Londres; Russos descobrem armas químicas para usarem contra países inimigos; Inglaterra entrará em uma crise? A alguns teóricos que já afirmam isso – Mas nenhuma onde dizia que a guerra teria acabado.
– Então? – Killian sorria – Não vai me dizer?
– O que exatamente...? – Perguntei confuso.
– Não sei! Talvez alguém que tenha mexido com seu coração, – Ele cutucava com o cotovelo enquanto abria a última caixa – sinto que estar apaixonado, senhor Hood.
Franzi a testa colocando as mãos no bolso da calça. Ele acenou com um sim com a cabeça e acabei soltando uma risada.
– Está tão na cara assim? – Perguntei coçando a parte detrás da cabeça – Na verdade, acho que é mais curiosidade, não sei se é paixão.
– Hum... Se isso não for paixão, então não sei o que senti por Emma quando a vi – Ele debochava de mim com prazer – Diga logo, ela te prendeu atenção. Quem é ela? – Perguntou colocando alguns jornais na bicicleta velha que havíamos comprado.
– Honestamente? Só sei o nome dela, não sei endereço, nem onde mora, nada... – Ele parou por um instante se apoiando nos portes de iluminação velhos, ainda movidos a querosene – Regina. Regina Mills.
– Espera, espera... Como ela se vestia? – Killian perguntava com se a conhecesse e isso me animou.
– Não dava para ver direito, estava chovendo e bem... Ela estava em um vestido de seda fino e rosa. Parecia uma louca fugindo de um manicômio, – Sorri com minha própria comparação – mas ao mesmo tempo era muito recatada, até o jeito que corria era delicado, como aquelas moças de bairro nobre.
– Bem, amigo Robin, acredito que tenha se apaixonado por uma princesinha – Killian gargalhou – Quem sabe nós não nos encontramos com ela ainda hoje?!
Dei de ombros, ele bateu a mão no meu ombro em sinal de apoio e dei um leve sorriso. Pegamos a bicicleta e os jornais espalhados e saímos em rumo a casa dos burgueses. Rumo ao nosso trabalho.
Estávamos indo em direção ao bairro mais nobre de toda Londres. Podia-se ver a diferença dos bairros de classe média para os da nobreza. Casarões muito bem feitos e cuidados com jardins que poderiam sobreviver todo um inverno. As moças que saiam de suas casas não olhavam para os lados e tinham o ar de superioridade. Podia se ver pelas janelas de cada casa as donas brigando com as serviçais e criadas, e as crianças arrumadas correndo pela a sala. Eram 9:00hrs da manhã, e apesar de para aqueles senhores serem cedo, para nós já estávamos atrasados. Entregávamos os jornais em cada casa que tinha filiação com a coluna, e parecia cada dia crescer mais as entregas, desde o anuncio de que todo o Reino Unido estaria na guerra o número de pessoa vinha crescendo a cada dia. Podia contar tudo o que aquelas pessoas eram apenas por suas famas, como por exemplo, Sra. Ruby Luccas, uma viúva herdeira de toda a fortuna de seu marido que cuidava de sua avó doente, ou General Gold, conselheiro do exercito britânico onde estaria – Pelas as más línguas – recrutando homens para a guerra... Assim como uma infinidade de histórias que já não mereciam serem contadas que atravessavam mais de um quarteirão. Na ultima casa da rua estava a casa de um general que mal podia vê-lo pelas inúmeras vezes que deixara sua mulher para servir as guerras. Nunca me atrevi saber quem era ele ou que fazia, mas tinha mais privilégios e poderes que a metade daquele bairro todo.
– Aqui será a última que entregaremos, Killian – Ele tirava um dos últimos jornais que restara colocando na caixa de correios que ficava ao lado do portão principal.
Dei uma olhada para toda aquela casa, todo aquele luxo. Era mais do que se poderia ter uma pessoa só. Via-se que não havia tanto movimento, a não ser das criadas, mas seus donos nunca apareciam. A casa tinha janelas em cada cômodo. Os quartos deveriam ficar no topo da casa, podia até mesmo ver uma janela aberta. Der repente passou pela janela uma moça de cabelos castanhos com uma roupa de cetim azul-escuro, dei alguns passos para trás – Não poderia ser ela – ela estava a ler um livro com aquele mesmo sorriso.
– Regina?
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