Notas iniciais
Oi ♥ Contínuo sem tempo, escrevi esse capítulo hoje :3 Espero que gostem

7° Faça ele beber antes do casamento (isso pode dar em alguma coisa? Eu não sei) (acho que é uma medida desesperada)

Aquele momento em que você fica encarando a menina na sua frente, sem saber o que dizer. Natalie está parada, me encarando de volta, com as mãos na cintura.

— Para de me olhar com essa cara de Barbie sem cérebro, e vamos logo nos arrumar. Falta pouco mais de duas horas para o casamento, e logo teremos que ir para aquela chácara esquisita no meio do nada. – Resmunga ela. – E faça um milagre acontecer, e fique bonita. Sabe, para chamar a atenção dele.

— Você é um amor de pessoa, sabia? – Reviro os olhos, colocando um mecha do meu cabelo atrás da orelha. – Eu quase choro com todo o sua fragilidade, e sensibilidade.

— Ah, cala a boca e vai se arrumar. – Reclama Natalie, bufando e sorrindo.

O meu vestido é verde escuro. Ele é longo, até os pés, e é todo rendado, e uma faixa na barriga é toda rendada. Visto ele após um longo (bem longo, mesmo) banho, e me sento de frente a penteadeira, enquanto seco o meu cabelo loiro com o secador. Ele fica liso, com as pontas em cachos perfeitos, e no fim, arrumo ele em um coque, deixando apenas as pontas soltas, além de uma mecha do lado direito. Faço uma maquiagem rápida, um esfumado marrom e preto, passo delineador, no estilo “gatinha”, um brush bem leve e rosado, já que sou pálida demais, e na boca um batom vermelho,e um gloss sem cor por cima. Nos pés, coloco um salto preto lindo.

— Agora sim você parece um ser humano. – Fala Natalie, ao entrar no quarto ainda enrolada em uma toalha. Reviro os olhos, bufando.

— E você, nem assim. – Retruco, fazendo ela sorrir e ir se arrumar logo.

O vestido de Natalie é preto — nossa, até eu fiquei surpresa com a cor -, e tomara que caia. Ele é agarrado ao corpo, até a cintura, e então se solta um pouco. Ela arruma o cabelo, o alisando, e deixando ele todo jogado de um lado, e prendendo sua franja ao lado. A maquiagem é bem simples, uma sombra preta, um lápis forte, um batom vermelho escuro e pronto.

— Já podemos até competir no Miss Universo. – Natalie me lança uma piscadela, e não consigo evitar de dar um sorriso.

Poucos minutos depois, estamos sentadas na minha cama, pensando sobre a lista, procurando algo para colocar no sétimo item. Estou mordendo a tampa da caneta, e Natalie canta o tema de abertura de Cavaleiros do Zodíaco, enquanto olha para o teto, como se, de repente, fosse aparecer escrito lá: aliás, no sétimo item, vocês poderiam colocar...

O que, é claro, não vai acontecer. E se acontecer, ao invés de agradecer, vou sair correndo e gritando que nem uma doida, porque, né...

Estamos dessa mesma forma, quando alguém bate na porta. Grito que está aberta, e Dean entra, já arrumado com um smoking preto maravilhoso. Fico olhando para ele por mais tempo do que é recomendável, até Natalie pigarrear, provavelmente para me avisar que a cena já estava constrangedora.

— Você... Vocês estão lindas. – Diz Dean, ficando vermelho. Sinto meu rosto queimando, também, e tenho certeza de que estou parecendo uma pimenta. Dou um sorriso para ele, tentando disfarçar o meu nervosismo.

— Obrigada. Você... Também não está nada mal, mas tenho um ligeira impressão de que esse é o mesmo smoking que você usou no baile do time de basquete do primeiro ano. – Digo. Dean ri, levando um dedo até a boca.

— Não conta isso para a Elizabeth. – Sussurra ele, e eu mordo o lábio inferior, para segurar o riso. – Bem, eu vim aqui avisar que já estamos saindo. Vocês estão prontas?

— Estamos. – Respondo, sorrindo. Dean passa um braço por sobre o meu ombro, e nós três descemos as escadas, vamos para a garagem, e entramos no carro, apenas os três, e a mãe e o pai de Dean.

— Sarah, meu amor. Você está linda. Dean, seu idiota, porque você não vai se casar com ela? Olha só, que menina mais linda. Quando vocês viraram amigos eu tinha uma esperança de vocês se casarem. – Esbraveja Jen, irritada.

— Mãe, para. Sério. – Dean resmunga irritado, ficando vermelho. Seguro o riso, e lanço uma piscadela para Jen, que responde com um sorriso, com aquela cara de quem vai aprontar algo.

A Chácara Três Amores fica no meio da Interestadual Vinte e cinco, e o local do casamento está arrumado e bonito. O lugar parece uma barraca, e mesas estão dispostas. Um tapete branco e longo se alonga entre as mesas, e vai até o altar, onde rosas brancas estão arrumadas ao lado de onde os noivos ficarão. É tudo bem simples, mas ainda assim, lindo.

— Vem comigo. – Murmurou Dean, e eu o acompanho até a casa grande, onde todos irão passar a noite após o casamento. Dean fecha a porta de um quarto, e se joga na cama. – Eu estou nervoso. Tipo, não só nervoso, mas estou com uma vontade doida de ficar aqui, e não sair nunca mais.

— É claro que você está nervoso. Está prestes a se casar. – Falo, sorrindo, e me sentando ao seu lado. Dean sorri de volta, e aproveitando o momento, minha mente decide entrar em ação, e dar uma ideia para o sétimo item. Me levanto, e encho um copo com alguma bebida que não faço a menor ideia do nome, e levo para Dean. – Bebe. Vai te acalmar um pouco.

— Eu vou acabar indo me casar bêbado. – Suspirou, pegando o copo e engolindo tudo de uma vez. – Me dá outro.

Animada, me levanto e encho o copo novamente, e entrego para Dean.

Sétimo passo da lista de Como estragar um casamento: deixe ele bêbado.

— Toma. Só toma cuidado. Acho que a sua noiva não vai ficar nada feliz em te ver bêbado. – Digo, fazendo o meu papel de boa moça, mas já me levantando para voltar a encher o copo de Dean. Sim, minha hipocrisia é nível mil. Fazer o que, é a vida.

— Obrigado. – Murmura ele. Ficamos daquela forma, com Dean pedindo mais bebida, e eu pegando, até a mãe dele aparecer, dizendo que ele tem que ir para o altar. – Já vou. Merda, acho que estou meio bêbado.

— Meio? Dean, você está quase caindo. – Zombo dele. Dean sorri, passando a mão pelos cabelos, e então me olha, e morde o lábio inferior.

— Sabe, quando eu comecei a sair com a Elizabeth, eu queria me desprender do passado. Pois, todo o meu passado se resumia a você, e você tinha ido embora para o outro lado do país. E eu estava tão mal, Sarah. – Disse ele. – Mas, acho que, na verdade, eu me confundi. Não é essa a forma correta de mudar o que já passou. E, desde que você chegou, eu tenho dito a mim mesmo para te deixar ir. Para... Aceitar o futuro. Mas eu não consigo.

Ah, tinha me esquecido do lado “filosófico” que Dean sempre teve ao beber. Suspiro, sorrindo, e me sentando na cama.

— Você não precisa me deixar ir, Dean. Somos melhores amigos. – Falo, enquanto ele suspira, e se senta de frente para mim.

— Sarah, quando eu tinha dez anos, eu estava andando de bicicleta na rua de casa, junto a alguns outros garotos que eu chamava de amigos, e eu caí, e todos absolutamente todos, riram de mim. Inclusive você. A diferença, foi que você, enquanto ria, vinha me ajudar, e, Sarah, eu lembro que você assoprou o meu joelho, e perguntou se eu queria que você o beijasse, pois assim iria sarar mais rápido. – Exclama Dean, sem parar de me encarar. – A verdade, Sarah, é que eu preciso te deixar ir, porque, somente assim, poderei seguir em frente, e te esquecer.

— Dean...

— Sempre estivemos juntos, Sarah. Ao decorrer dos anos, eu te via crescendo, e você parou de brincar com bonecas antes que eu parasse de brincar de carrinho. E, eu sei que estou falando nada com nada, isso provavelmente se deve ao fato de que estou bêbado demais, só quero dizer, Sarah, que aquele dia, quando você estava subindo na janela pelo lençol, eu te agradeci por isso. Por me deixar ir. – Fala. – Durante muitos anos, eu fui completamente apaixonado por você, e você nunca reparou. E, agora, Sarah, eu finalmente me desprendi de você.

Com isso, Dean se levanta e saí do quarto onde estamos. Suas palavras ainda giram em minha mente, e não posso acreditar no que ele acabou de dizer.

Por que eu não reparei antes?

Notas finais
Espero ver vocês nos comentários :3 Até o próximo.