Como estragar um casamento
9 Oitavo passo
Notas iniciais
8° Se nada deu certo, desista. Não se pode obrigar alguém a te amar, e muito menos obrigar esse alguém a não amar outra pessoa (esse passo ficou grande e confuso. Preciso de corretivo para poder modificá-lo)
— Não quer ver os resultados do pó de mico? – Natalie aparece na porta, sorrindo, mas logo fecha a cara, e corre para o meu lado. – Aconteceu alguma coisa? Dean desconfiou e... Sei lá, passou a te odiar?
— Não. Ele só me disse que, no fundo, sempre foi apaixonado por mim. E eu sempre fui idiota, e nunca vi. E agora ele vai se casar.
Natalie me encara por algum tempo, como se estivesse pensando se tem água em Marte. Então morde o lábio, e coloca uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
— OK, agora me explica uma coisa, porque você está aqui com essa cara de cachorrinho que caiu do caminhão de mudanças? Tudo não foi por isso, Sarah? Nós não fizemos todas essas coisas, desde fazer Elizabeth te odiar, até fazer o dia ser um grande fiasco, apenas para fazer ele se apaixonar por você, e desistir dela? O que você acabou de me falar só faz do nosso trabalho mais fácil de ser feito. – Diz ela.
— É que ele disse que, após tantos anos, ele finalmente se desprendeu de mim. E, Natalie, ele é o meu melhor amigo, e eu o amo. E quero que ele seja feliz, mesmo que, para isso, tenha que se casar com aquela... Coisa da Elizabeth. – Falo. Natalie revira os olhos.
— Você decidiu isso? Decidiu desistir depois de tudo? Não, Sarah. Você vai levantar essa bunda gorda daí agora, e vai lá pra fora, e vai rir dos resultados de tudo o que fizemos hoje, e quando o carinha lá perguntar se alguém tem algo contra o casamento, você vai dizer que, sim, você tem, porque você ama aquele cara, e merda, eu não acredito no que vou dizer, mas você é minha amiga, e eu não gosto de ver meus amigos sofrendo. Ok? – Natalie retruca, se levantando. Abro a boca, apenas para voltar a fechá-la, enquanto Natalie agarra meu pulso e me leva para fora.
Todas as madrinhas de casamento estão posicionadas. Vejo Elizabeth, arrumada depois da fila não muito longa. Ela está mexendo o braço, tentando coçar discretamente as axilas. Não resisto, e acabo dando um sorriso com a cena. Como sou a última da fila, fico logo na frente dela.
— Meu Deus, como eu estou nervosa. – Sussurra Elizabeth, roendo a unha do dedinho. Arqueio uma sobrancelha, observando a cena.
— Sempre que estou nervosa, como chocolate. – Fala uma garota na minha frente. Ela tem cabelos pretos demais, lábios finos, olhos escuros e cílios longos. Reconheço ela como Kassandra Bennett, uma das melhores amigas de Elizabeth. – Eu tenho um aqui. Você quer?
— Por favor. – Responde Elizabeth, agarrando a pequena barra que Kassandra dá para ela, e colocando um grande pedaço na boca.
Logo, começa a tocar a música. As madrinhas começam a entrar, junto a seus pares — o meu é Tyler Scott, um ser humano que era meio amigo meu e de Dean no colegial. -. Suspiro, sem ter certeza de que estou pronta para ver Dean novamente, depois de tudo o que ele me disse naquele quarto.
Mas, ao entrar na igreja, ele imediatamente desvia o olhar de mim, o que, por algum motivo, me acalma um pouco. Do banco onde está sentada, Natalie ergue os polegares para mim. Mordo o lábio inferior, enquanto me posiciono ao lado do altar.
— Eles não combinam em nada, né? – Tyler Scott murmurou para mim, sorrindo com um dos cantos da boca. – Eu sempre pensei que vocês iriam acabar ficando juntos, sabe?
— Por que todo mundo fala isso? – Pergunto, surpresa. Tyler dá de ombros.
— Dava para perceber a quilômetros de distância que vocês se gostavam. Acha que eu esqueci daquela vez que você estragou todo o nosso trabalho de química por que estava olhando para ele? – Tyler arqueia uma sobrancelha. – Sabe, daqui a pouco será a sua única oportunidade de acabar com isso.
— Aquilo... Foi passado. – Digo, ignorando todas as palavras que Natalie havia dito para mim, e decidida a deixar o meu melhor amigo ser feliz com a garota que escolheu para passar o resto de sua vida.
— É, claro. Estou percebendo. – Retrucou Tyler, me olhando com ironia clara. Coloco a mecha solta do meu cabelo atrás da orelha, sentindo minhas bochechas queimarem.
A casamento continua. Está quase chegando na esperada parte do “Se alguém tem algo contra esse casamento, que fale agora ou se cale para sempre”. É, assustador. Fecho meus olhos, mordendo o lábio inferior, enquanto ouço as palavras serem ditas. É então que o caos começa.
Pessoas começam a correr de um lado para o outro, e quando abro os olhos, me deparo com uma Elizabeth inchada e vermelha. Arregalo os olhos, correndo para o lado de Dean, que está pegando ela no colo.
— O que aconteceu? – Pergunto, caminhando ao lado dele.
— Ela está tendo um ataque alérgico. – Foi a mãe dela quem me respondeu, se juntando a mim e Dean na nossa corrida para o carro de Dean. – Ela comeu alguma coisa? Tomou? Qualquer coisa? Ela é alérgica a lactose.
— Ela... Comeu uma barra de chocolate. – Respondi, olhando para a mãe dela, que imediatamente fez uma careta de sofrimento. – Ela estava nervosa, e uma amiga dela ofereceu.
Dean abre a porta de trás do carro, colocando Elizabeth deitada no banco de trás. A mãe dela se senta lá, colocando a cabeça da filha em seu colo. Me afasto um pouco, e quando Dean fecha a porta do carro, ele agarra o meu pulso.
— Vem comigo. – Murmura ele. Assinto, e o acompanho, me acomodando no banco de passageiro. O caminho para o hospital é de puro silêncio. Dean estaciona, e volta a pegar Elizabeth no colo, enquanto sua mãe corre para o hospital, para fazer a ficha. Fico ao lado de Dean.
Não demora muito, e um enfermeiro aparece, pegando Elizabeth nos braços, e a levando até um maca, para então empurrá-la até algum lugar que não vejo. Dean acompanha ela, junto a mãe, e eu me sento sozinha na sala de espera. Pego a minha bolsa, e tiro de lá minhas maquiagens e minha agenda, e pego o meu celular. Tem uma mensagem de Natalie.
“Cadê você?”
“No hospital junto com o Dean e a Natalie. Tô na Sala de Espera, adivinha o que estou fazendo? Esperando '-'.”
Sinto o banco ao meu lado afundar, e olho de esguelha. Dean me observa, enquanto aperto enviar. Viro o rosto para ele, elevando uma sobrancelha. Dean sorri em resposta.
— Como a Elizabeth está? – Pergunto, colocando (de novo) a mecha solta do meu cabelo atrás da orelha. Dean suspira, e dá de ombros.
— Ela vai ficar bem. – Respondeu ele, mordendo o lábio inferior. – Ela está recebendo uma bronca da mãe por ter comida chocolate logo antes do casamento, sabendo que tinha alergia.
— Ela estava nervosa. A Kassandra disse que comia chocolate quando ficava assim, e deu uma barra para ela. – Falo, explicando o acontecimento. Dean assente, passando a mão pelos cabelos.
— É. – Concorda ele.
O silêncio que se estende deixa o clima tenso, algo que raramente acontecia entre mim e Dean. Estou sentindo, mais do que antes, o peso das palavras que ele me disse naquele quarto. Fecho os meus olhos, apoiando o rosto em minhas mãos.
— Sarah. – Duas vozes dizem ao mesmo tempo. Levanto a cabeça, e vejo Natalie entrando na sala, acompanhada de Colin. Ela está correndo, e atraindo toda a atenção para ela, com aquela aparência de jovem ingênua que foi transformada em vampira.
— Oi. – Murmuro. Natalie dá uma rápida olhada para Dean, e praticamente vejo seu cérebro fazendo as ligações: quinze centímetros de distância, clima tenso, silêncio total. Rolou algo?
— A gente veio saber como a Elizabeth está. – Colin diz, enquanto Natalie ainda alterna o olhar entre mim e Dean. Nego a cabeça para ela, de forma discreta, e seus ombros caem, enquanto seu rosto é de pura decepção.
— Vamos comprar um sanduíche? – Natalie chama o loiro. Os dois se afastam, e eu olho para a minha unha. Suspiro, tomando coragem para perguntar.
— E o casamento? – As palavras saem de minha boca antes que eu possa repensar a frase. Dean esfrega as mãos pelas suas coxas, nervoso.
— Vamos mudar o dia. – Responde.
Me lembro de suas palavras: agora eu finalmente me desprendi de você. Mordo o lábio inferior, tentando fazer algum raciocínio. Isso queria dizer que ele não é mais apaixonado por mim, não é? Ele se desprendeu de mim, me deixou ir. Quando vejo Natalie e Colin voltando, vou na direção deles.
— Preciso de uma carona para casa. – Murmuro, e Natalie assente, colocando uma mão em meu ombro, me fitando com os olhos verdes. Casa. Nova Iorque, Manhattan, nosso pequeno apartamento perto da Universidade de Yale.
— Eu te levo – Sussurrou ela. Colin lhe entrega uma chave, e ela sorri para ele, começando a andar para fora, e eu a acompanho. – Colin vai falar com o Dean. E vou deixar o carro na casa dele, pegaremos um táxi, e vamos para Manhattan. Vai ficar caro, é claro, mas minha família tem dinheiro de sobra, então...
— Obrigada. – Digo a ela, sorrindo. Natalie devolve o sorriso, enquanto dirigi pelas ruas que levarão até a casa de Dean. – Só pra você saber, eu também te considero uma amiga. Provavelmente, a minha melhor amiga.
— Ah, deixa de sentimentalismo, Sarah. Ninguém merece. – Resmunga ela, e eu solto uma risada baixa.
Quando chegamos na casa de Dean, pegamos nossas malas e chamamos um táxi. Por sorte, a casa está vazia. Afinal, se tem uma coisa que eu não estou nem um pouco afim de fazer, é explicar o porque de eu estar indo embora.
Estamos perto da Virgínia, quando me lembro de algo. No hospital, quando fui pegar o meu celular, e deixei minha agenda no banco ao lado. E depois, quando fui embora, com pressa demais para me lembrar de pegar ela de novo.
Uma placa passa por nós, provavelmente está escrito o nome de alguma cidade, mas o que vem na minha cabeça é:
Ferrou.
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