Como amar Roderich Edelstein
1 Prólogo
Notas iniciais
Eu amo as férias de verão. Principalmente as minhas. Mal eu e meu irmão recebemos o boletim, já pegamos nossas roupas, sapatos, tênis e toda a sorte de coisas e as enfiamos nas malas. Pegamos a estrada até a fazenda do meu avô, que é o paraíso na terra. Há cachoeiras, uma piscina no fundo do quintal, árvores frutíferas, primos engraçados, comidas caseiras deliciosas feitas pelas mãos abençoadas de minha avó, jogos de baralho até a alta madrugada... Enfim, ficamos umas duas ou três semanas e depois vamos para a casa de algum tio na cidade, onde tem baladas, shoppings, pessoas bonitas e muita novidade para conhecer.
Apesar de tudo, tem uma hora que sentimos falta da rotina, do colégio, dos colegas, dos amigos, e até dos professores, dos quais sou amigo também. Quando começo a ficar enjoado da falta dos horários regrados, já era hora de pegar a estrada rumo a nossa querida casa.
Como costume, assim que chegamos, pela hora do jantar, minha mãe faz uma deliciosa canja. Após o jantar, vamos até alguma papelaria que esteja aberta só para comprar um caderno para alguma anotação no primeiro dia de aula. E olhe lá.
***
Acordei cedo, mais pela ansiedade que pelo despertador, cantando nas alturas o mais recente hit da Lady Gaga. Tomei um banho quente, com direito a sabonete perfumado, afinal, começo de ano tem que ser com o pé direito, e estar apresentável. Ao sair do box, me deparei com meu reflexo no espelho. Nada mal. 17 anos, albino, o corpo levemente definido, alto e sexy. Este ano será mais um que arrancarei suspiros das roqueirazinhas do colégio. Basta levar minha Les Paul e tchanan! Um monte babando atrás de mim.
Mas sei exatamente que não é disso que eu gosto. Em outras palavras, me sinto mais atraído por caras, por mais que não tive coragem de chegar em um que realmente me interessasse e pedisse para ficar. Por que nenhum chega aos pés de Gilbert, o incrível!
Terminei de me arrumar, colocando o uniforme fashion e chato do colégio. A calça azul axadrezada, sapatos sociais pretos, camisa social branca, gravata, um colete bege – ou cáqui – e o blazer azul marinho. É tão sofisticado que chega a dar ânsia. Prefiro o conforto do jeans e menos peças de roupas, mas para o ambiente climatizado do colégio, até que está bom.
Bem, lá fomos eu e meu irmão caçula, Ludwig – mais alto e mais musculoso – rumo a velha rotina.
Era o que eu imaginava.
Até conhecê-lo.
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