Como amar Roderich Edelstein
36 Capítulo XXXV
Notas iniciais
— Volto mais tarde. Ou talvez eu acabe ficando por lá. Bem, você sabe onde eu vou estar. Tchau.
Era fim de semana. O tempo estava congelante, e chovia lá fora, de modo que a maioria dos alunos da Academia Mundial haviam decidido ficar pelo colégio, aproveitando a confortabilidade de suas camas. Os três garotos que ocupavam aquele cômodo não eram exceção, mas tinham noções diferentes de como aproveitar algo.
A porta do quarto se fechou. Era Emil Bondevik, indo encontrar os amigos para jogar vídeo-games, deixando à sós os dois. Aquilo sempre acontecia.Não demorou muito, é claro, para Lukas ouvir a risadinha travessa do dinamarquês.
— Luuuuk... — Mathias se levantou da própria cama, indo sorrateiro até a cama do norueguês, que lia um livro tranquilamente. Sequer se moveu com a aproximação, nem mesmo quando o outro se deitou ao lado dele e começou a dar beijinhos em seu pescoço. — Estamos sozinhos...
— O que tem?
— Você sabe o que tem...
E Lukas realmente sabia. Claro que, dada sua personalidade, ele era bem discreto quanto à qualquer coisa, principalmente as desse tipo, mas isso não significava que não entendia das mesmas, muito pelo contrário. Os beijos do outro faziam efeito imediato em si, e ele também tinha desejos fortes — principalmente os sexuais. Era culpa de Mathias, claro, ele dizia para si mesmo. Seu namorado tinha um corpo extremamente bonito, o rosto perfeito, a boca quente... e os beijos, o toque, as palavras que sussurrava... Lukas nunca conseguiu resistir, nem mesmo quando só observava o outro de longe. Sim, suas personalidades eram bastante diferentes, mas desde que se apaixonara por Mathias, a frase que mais fazia sentindo para ele era a clichê “os opostos se atraem”.
— Sei? — Desviou os olhos do livro por alguns instantes, pois sua atenção já havia sido desviada para as mordidinhas que Mathias deixava em seu pescoço, carinhosas, mas carregadas de segundas intenções.
— E como... Não envolve livros, você sabe... — o dinamarquês tirou delicadamente o livro das mãos do outro, deixando sobre um canto qualquer. Em seguida, se ajeitou melhor na cama, puxando Lukas para seu colo, segurando firmemente na cintura do mesmo. Em questão de segundos, já havia voltado a beijar o pescoço alvo, com mais voracidade, deixando algumas marquinhas. — envolve só nós dois... horas e horas...
— T-Thias... a porta... — a respiração do norueguês já estava ofegante. Desnecessário dizer que já havia se rendido, até porque, Mathias já sabia disso.
— Ninguém vai entrar, *elskede*... Seus gritos servem de aviso... — riu baixo, o beijando de novo. Lukas conseguiu notar as bochechas avermelhadas do namorado, por sorte (achava uma gracinha, ainda mais porque as sardas que as salpicavam ficavam um pouco mais destacadas, ironicamente), mas sabia que a condição de seu rosto estava bem pior. Sentia-o quente, ardendo.
— Eu não grito.
— Claro que não...
E Mathias tinha razão em usar um tom irônico na última parte. Depois de uma série de beijos, bastou o dinamarquês se esfregar de leve para Lukas entender o sinal e fazer bom proveito do fato de estar no colo. Não pararam os beijos, mas estes ficavam mais dificultados devidos aos gemidos baixos e ofegos, causados principalmente pelo menor, que rebolava no colo do outro, de início sutil, mas ao poucos cada vez mais vigoroso. Não demorara nada para o volume aparecer na calça de ambos e a necessidade por um contato mais intimo aumentar.
Mathias nem precisou pedir. Rapidamente, Lukas já estava fora de seu colo, abrindo os botões da calça jeans vermelha e a tirando lentamente, apenas até o joelho do namorado. Logo depois, tocou suavemente com a ponta do dedo o volume coberto pela boxer, e, sem hesitar, o apertou, tirando um gemido baixo do dinamarquês. E mais outro, e outro, cada vez mais alto conforme a mão delicada do namorado o estimulava com maestria.
Quando Lukas o tomou em sua boca, Mathias foi a loucura. Aqueles lábios delicados, finos e suaves envolviam seu membro de uma forma que era o bastante para satisfazê-lo. Da ponta até a base, o norueguês fazia questão de sugar cada centímetro, vez ou outra acompanhando o vai e vem com as mãos, os olhos azuis escuros focados no namorado agarrando seus fios loiros. Aos poucos, foi acelerando e comprimindo mais os lábios, até o momento em que sentiu o outro se desmanchando com um longo gemido, mas fazendo questão de olhar para Lukas, já que o mesmo fazia questão de engolir e lamber os lábios da forma mais sensual que Mathias jamais conseguiria imaginar — e isso deixava claro que eles nunca paravam por aí.
Foi a vez do maior agir, e Lukas sentiu um arrepio correr pelo corpo só de ter sido puxado pela cintura e jogado na cama para inverterem as posições. Aquele sorrisinho malicioso deixava Mathias ainda mais excitado. Em questão de minutos, já estavam ambos despidos, ofegantes, marcando e aquecendo o corpo um do outro e, acima de tudo, ansiando por mais.
— *V-Venlegst*... Forte...
— Nem precisa pedir... — o mais velho apertou forte a cintura do amado, enquanto procurava cegamente a sua entrada. Lukas gemia safado, querendo buscar mais prazer ao menor contato.
E quando o teve, gritou, fincando as unhas nas costas de Mathias, pronto para arranhá-las completamente. O dinamarquês o estocava forte, puxando o namorado cada vez mais. Ora o mordia, deixando marcas na pele alva do outro, esfregando-se, balançando a cama. Ora gemia, forçando cada vez mais, sendo devidamente respondido. Lukas rebolava, se forçava contra, o apertava... tudo para enlouquecê-lo — e estava se saindo excelente nisso. Mathias adorava ver o norueguês o agradando. Perdia a pose séria e se tornava o garoto mais delicioso e quente que já vira. Fazia questão de gritar seu nome toda vez que sentia o namorado indo mais fundo, ao mesmo tempo em que sussurrava obscenidades no ouvido do mesmo, vez ou outra usando sua língua materna ou tentando se lembrar de algumas palavras dinamarquesas que fizera questão de aprender só para excitar mais ao outro.
Para os dois, chegar ao ápice não significava que haviam terminado. Era costume de ambos ficarem por horas naquilo, com provocações, posições diferentes, tudo que conseguiam para deixar a experiência ser completa. Só paravam de fato quando lhes faltavam ideias de como continuar, ou quando mal conseguiam aguentar o próprio corpo, trêmulos, ofegantes. Permaneciam com os corpos suados juntos, o peito subindo e descendo em harmonia, o coração batendo no mesmo ritmo como se fosse um só — e ambos mantinham isso em silêncio em suas mentes, mas achavam aquela a melhor parte de tudo. Mathias sorria bobo e atacava o norueguês com os beijos que seu pouco fôlego lhe permitia dar, e Lukas sorria com aquilo, sentindo as batidas aceleradas falharem ligeiramente. O calor, já presente no corpo inteiro, crescia tímido no rosto de ambos.
Passado longos minutos, o menor comentou rouco uma ideia que lhe veio à mente enquanto Mathias mexia em seus fios loiros e finos.
— Mathias? Eu... estive pensando... em experiências novas...
— Huummm, que tipo? — respondeu, preguiçoso.
— À três.
Silêncio.
— Três?
— Sim. Eu lembro que você comentou que achava o Roderich bonito. Bem, eu também, acho...
— ... E?
— E que podíamos ver se ele aceita algo com nós dois. Uma vez só, você sabe. Nada sério ou compromissado. O que me diz?
— Ele é o carinha do segundo ano? Aquele com... o bumbum bem avantajado? — Riu, um pouco mais descontraído.
— É. O que me diz?
— Hum... bem diferente, mas podemos ver com ele sobre o assunto... Se bem que acho que ele e o Gilbert estão ficando... e o Gil é ciumento demais...
— Hum. Não custa tentar. E... Você fica reparando isso nos outros, Mathias? — o tom de Lukas mudou ligeiramente.
— Ah, Luk, a dele não tem como não reparar! Até os caras mais héteros do colégio olham e comentam. Você mesmo tá sugerindo um *menage* com ele! — sorriu, lhe dando um beijinho na testa. — Mas você sabe da verdade, não é?
— Qual? — o norueguês se virou para ele, o olhando com aqueles olhos mansos, mas com significados ocultos que só Mathias conseguia desvendar. O mesmo sorriu e puxou o corpo pequeno para mais perto do seu, lhe beijando calma e intensamente. Aquilo desmoronava Lukas toda vez.
— Eu sempre vou preferir você acima de qualquer coisa, *min lille engel*...
* * *
Meu avô passou o resto da noite mostrando ao Roddy os seus filhotes *dachshunds*, pretos e vermelhos. Eram seus novos bebês, sendo a alegria dos netinhos quando havia algum almoço lá e distração e carinho para o patriarca Beilschmidt. Meu namorado ficou entusiasmado e prometeu que logo ia conhecer os cachorrinhos pessoalmente. Como não teríamos aula na manhã do dia seguinte, dormimos em casa e partimos cedo.
Roderich ficou muito empolgado durante a viagem. Ouvimos todos os álbuns da Lady Gaga, e ele parecia gostar. Entre uma e outra, dizia "gostei!", "muitas batidas para o meu gosto" ou "me passa depois". Algumas mais dançantes, ele se balançava. As de toque mais romântico, ele entrelaçava nossos dedos e nos beijávamos. Quando tocou Sexxx Dreams, ele ficou roxo. Sussurrei a ele, dizendo que poderia ser nossa música. Com um biquinho, ele murmurou:
– Se não fizemos até agora, a culpa é sua. ***
Chegamos na escola, e o inverno já anunciava sua vinda. Era nossa última semana de aula antes dos períodos das festividades, e teríamos aulas novamente pelo meio de Janeiro. Entretanto, alguns alunos já foram para suas respectivas casas, o que esvaziava o colégio. A maioria que ficava era europeia, dada à pequena distância em relação a quem morava em outros continentes.
As aulas eram mais tranquilas, às vezes apenas rolavam debates, ou assistiamos filmes sobre determinado assunto, fazíamos doces para comer a noite (Roddy fazia tortas sensacionais) e claro, os casais aproveitavam o frio para namorar. A lareira da recepção ficava acesa, e modo que até diretores, professores e inspetores ficavam conosco. Roderich e eu ficávamos entre cobertas, trocando suaves beijos, até ele ficar impaciente e tentar começar uns amassos pesados. Sim. Você leu isso.
O Edelstein cansava de ficar apenas do meu lado. Deitava sobre mim e começava a me seduzir, seja empinando ou acariciando meu pescoço. Eu me excitava, não nego. Mas dava graças aos céus quando Francis ou Antônio chegavam. E isso irritava profundamente o moreno de olhos ametistas. Até que quinta-feira, ele trancou a porta, deixando meus amigos do lado de fora. Caminhou lentamente até mim e, sentando em meu colo, sussurrou docemente:
– Faça coisas indecentes comigo.
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