Como amar Roderich Edelstein
37 Capítulo XXXVI
Eu não sabia o que fazer. Já estava chegando ao meu limite, isso era verdade. Mas eu estava inseguro, pois não fazia ideia de como fazer. Eu era puro. Puro e virgem. O máximo que cheguei foi a um amasso, e todos os meus sonhos eróticos eram confusos demais para eu entender. Enquanto isso, lá estava Roderich Edelstein, me pedindo uma coisa dessas, de repente, com ainda certa doçura no olhar, mas que ao mesmo tempo era quente. Muito quente. Meu rosto parecia em chamas.
Só fui perceber que já fazia um tempo em que eu estava estancado quando ele me chamou, ainda fingindo uma inocência que ele claramente não tinha enquanto mordia o lábio inferior. As mãos dele acariciavam de leve meu pescoço, me arrepiando.— Então... O que me diz? — V-vamos... — era impossível negar alguma coisa a ele, enquanto me enfeitiçava daquela forma. Roderich era uma armadilha, cada movimento me fazia prender-me mais e mais a ele. — Era isso que eu queria ouvir... — Ele sorriu, e então me beijou. Vale lembrar que quando eu e Roddy demos nosso primeiro beijo, eu disse que ele beijava mal, e era verdade. Mas com o tempo, quanto mais nos beijávamos, melhor parecia que ficava — e, naquele momento, não sei se por causa do meu nervosismo ou do calor dele, a ideia de ele beijar mal parecia muito distante. Eu estava agarrado à cintura perfeita dele. Fazia carinho para não machucá-lo, enquanto ele acariciava o meu pescoço. Entre o beijo, eu aproveitava e mordia levemente suas bochechas, enquanto minhas mãos começaram a passear entre a cintura e os quadris. Como resposta, ele rebolava devagar, gemendo baixo em meu ouvindo, o que estava me deixando mais nervoso, e aquilo provavelmente foi notório, pois ele parou segundos depois, me olhando.— O que houve? — N-nada, amor...! C-continue! — Hum... Está nervoso? — Ele sorriu de lado, voltando a rebolar. Dessa vez, parecia mais intenso. — U-uhum... — Entretanto, eu não poderia dizer que era virgem. Talvez ele gostasse, sei lá, de gente mais experiente! — Por quê? Ainda nem estamos fazendo nada demais... — Falou, e então mordeu o lóbulo da minha orelha. — Ahh... É que... É a nossa primeira vez! — eu não tinha certeza da virgindade do meu namorado. — Ja, mas... é a sua primeira vez? Porque você está tão nervoso... Pânico. O que será que ele vai pensar de mim se eu falar a verdade?! — Claro que não... — estalei a boca — é a sua? — Huum... O que acha? — Ele disse, e então deu uma rebolada mais forte. — Claro que não... — sorri, sem graça — já... fez muitas vezes? — Algumas... Mas meu interesse é fazer com você... — É...! Claro! — Eu estava desmoronando por dentro. Se eu tinha qualquer confiança, ela se esvaiu naquele segundo. Mas é claro que eu não podia demonstrar. Aquilo só pioraria tudo. Tentava focar nos movimentos dele, que iam se intensificando, ou em qualquer outra coisa que não fosse aquela novidade que eu acabara de receber, mas eu estava falhando miseravelmente. Minha distração era tanta que não ouvi Roderich me chamando, e aquilo o irritara.— Você não parece estar no clima. — E-eu tô! Super no clima! — apertei as coxas dele, tentando me excitar mais. — Então por que não me responde? Estou chamando faz tempo... — O que você tinha falado? — Falei que não via a hora de você entrar em mim... ... Droga.— Ah... Vamos, então, baby! — Eu estava apavorado. Tentei lembrar de alguns sonhos para ver se o... amigo... subia de novo. Consegui alguma coisa, tentando não olhar para ele. — Oh, mas preciso que me excite mais... — ...O que quer que eu f-faça? — Faça o que vier na sua mente... ... — Mas eu ainda não sei o que gosta...Ele suspirou. Ah, não, ele estava ficando mais estressado...— Bem... Eu gosto que de marcas... e que me provoque~Certo. Comecei então a sugar partes de seu pescoço, e mordiscando de leve. Apertava a cintura de um jeito forte. Ele, como resposta, gemia baixinho, rebolando com ainda mais força. Ao menos parecia estar gostando, e já era alguma coisa. Eu ia ficar muito triste se ele terminasse comigo porque... eu não tinha a menor ideia do que fazer. Mas continuei, tentando despi-lo, o que era bem difícil de fazer, ainda mais com ele rebolando no meu colo. Decidi, depois de um tempo, deitá-lo, e tentei tirar do fundo da mente algo que me guiasse no que fazer. Tremendo de nervosismo, fui beijando a pele que ia ficando à mostra, principalmente os hematomas que ele ainda tinha.— Você está tremendo bastante...Droga! Ele tinha que perceber justo isso?— D-de excitação! V-você é tão... maravilhoso... — constatei ao admirar aquelas curvas assim que tirei sua blusa.— Humm... — Ele sorriu. Ótimo, elogiar ajuda. — Gosta do que vê?— Muito... parece um corpinho de boneca! — comecei a relaxar, agora já tendo coragem de olhar em seus olhos, mas assim que ele me olhou de volta, deu uma risadinha, e senti um outro soco sendo dado em mim. Será que era por causa do nistagmo? Será que era minha cara de nervosismo e tensão? Não tinha como saber. Tentei continuar, enquanto minha vontade na verdade era de sumir.
— T-tá tudo bem?— Ja... Continue...~Continuei o beijando e apertando. Terminei de nos despir e voltei a beijá-lo onde minha boca alcançasse. Ele não comentou nada sobre meu corpo, como fiz com ele. Claro, eu não estava esperando, mas de algum modo aquilo só fez minha autoestima cair mais ainda. Apesar disso, meus beijos estavam dando certo e ele parecia gostar.Até ele parar de gemer pra falar de novo.— Hum, acho que já deu de beijos... — Sua voz tinha um tom ligeiramente incomodado.— P-Por quê? — me encolhi.— Porque eu quero mais que isso, oras... — sorriu de lado, mordendo os lábios. — Ou não está preparado?— Ah! Claro! — estremeci. O que fazer agora?! Fugir é uma boa opção. E então, novamente aquela risadinha debochada, antes dele se ajeitar na cama. Se ele soubesse como aquilo machucava...A posição não mudou muito, ele apenas se endireitou mais e então... abriu as pernas. Meu nervosismo triplicou. Depois, pegou em cima do criado mudo um pacotinho de preservativo que eu nem sabia que estava ali e me entregou. Certo, agora quadruplicou.— Sabe pôr, não é?— tsc, óbvio! — Que não! É, eu vi a professora de biologia ensinando a colocar, mas eu estava tremendo tanto que demorei minutos só pra abrir o pacotinho. Depois, mais problema: Eu era... bem, maior do que aquele tamanho, o que dificultou ainda mais.— Wow, eu deveria ter pego o maior... Você sempre se preveniu, né?— C-Claro, não sou irresponsável... N-Não precisa se preocupar... — Forcei um sorriso, ainda tentando colocar.— Hum... Quer ajuda? — ele não tirava os olhos. Certa hora, até mordeu os lábios. Bem, pelo menos isso...— N-Não! Eu... só... — Respirei fundo e tentei de novo. Certo, consegui. E não era nada confortável. — Pronto...— Ótimo! Então... — ele sorriu de lado, se esticou para abrir minha gaveta, e tirou de lá um potinho de lubrificante, me entregando. Não sei se devo ou não agradecer o Francis por ter colocado aquilo ali, mas deu mais veracidade pra história do "Não sou virgem". Em seguida, ele abriu de novo as pernas. — Melhor me preparar...Como?!— Bem, eu sempre ia direto...! — Wow, sendo desse tamanho?! Tenho pena das suas vítimas... — Ele riu. — É-é... v-vítimas? — É, as pessoas que fizeram com você... Mas, bem... quem sabe se lubrificar bastante não doa tanto...~ Peguei o potinho, abrindo-o. Tentei me lambuzar o melhor que consegui. Nesse meio tempo, acho que Roddy mudou de ideia, porque também lambuzou os dedos e introduziu em si mesmo, me olhando. Ao menos aquilo me excitou... Assobio. Ele deve realmente ser experiente. — Giil, chega~ — Gemeu, depois de um tempo.— A-Ah, okay... V-vamos?— Finalmente... — ele sorriu, tirando os dedos, e então segurei firmemente os seus quadris. Era a hora. Ele me olhava de cima abaixo. Eu não sabia como interpretar aquele olhar.— P-posso? — Pode... Segurei então suas pernas do jeito mais firme que consegui. Penetrar é fácil, né? Me posicionei em sua entrada e estremeci. Era para ser um dos melhores momentos da minha vida, com o cara que eu amava, mas naquele momento, ele era qualquer pessoa, menos o Roderich. — ... Gilbert? Pode ir... — Ah? O-okay... — respirei fundo e o penetrei lentamente, sem ter coragem de olhar para ele. Ele se agarrou em meus braços, instantaneamente. — A-Ah! Isso era pra ser bom, não era? Eu por outro lado, estava tão tenso que não consegui sentir prazer. Roderich fincava as unhas em meus braços, e doía menos que a falta de estímulo por parte dele. Não gemia, não incentivava, estava calado. E isso me deixava horrível. Ele arfava com uma expressão dolorida, mas me parecia mais impaciente do que qualquer coisa. Fiquei parado, apesar disso, na intenção de esperar ele dar algum sinal do que eu podia fazer, e só depois de um longo tempo ele me encarou.— Não vai se mexer? — V-vou.... — fiquei completamente dentro dele e ele começou a lacrimejar de dor. Fiquei aflito, mas obedeci a seu pedido, estocando-o da maneira mais fraca que conseguia. — Ah... ah... — ele dava gemidinhos fracos e chorosos. Droga, não era pra ir logo? Fiquei por um tempo fazendo aquilo, e assim que se acostumou, ficou com a expressão mais entediada que tinha. — Vai ficar só nisso? Nossa... — O que quer que eu faça? — Acelere, oras. Tem certeza que não é sua primeira vez? Você parece não ter experiência nenhuma... — Falou, bem desse jeito, sem nem cogitar como aquilo me machucava. Quase saí dele, mas eu ainda estava com medo. Acelerei então, mas a mágoa estava atrapalhando. Comecei a ficar com raiva, aumentando a intensidade. — E-ei, Gilbert... — Ele chamou, primeiramente incomodado, mas apenas continuei a estocar, já que ouvi só um murmúrio na hora. Eu estava quase que fora de mim. — Gilbert! Está me machucando! — Então parece que você não é tão experiente assim! — rugi. Afinal de contas, o que ele quer?! — O único não experiente é você! Você não tem jeito nenhum pra isso! Parei na mesma hora. Minha vontade era de estapeá-lo, mas não queria me igualar àquele garoto que não sabia quem era. — Então você é muito experiente!? Me diga! — Experiente o bastante pra saber que essa foi a pior vez de toda a minha vida! – Falou de uma vez, alto. Aquilo foi a gota d’água. — Você... Sai daqui! — ...O quê- — Vai embora, Roderich! Eu não aguento mais ser humilhado por quem diz me amar! Vai procurar alguém mais experiente então! Meus olhos estavam marejados, só para ser mais humilhante ainda. Sai de dentro dele na hora, respirando pesadamente. Não conseguia olhar em seus olhos, mas notei de relance que a expressão dele mudara, e que o tom de voz também. — Gilbert-— VAI. EMBORA. Ele ficara quieto, então respirou fundo, vestiu as roupas de qualquer jeito e saiu do quarto, batendo a porta com força. Corri para abri-la e gritar:— Não me procure NUNCA MAIS! — Porém ele não estava mais no corredor, nossos quartos eram próximos, afinal. Mas espero que tenha ouvido.Fechei a porta e me vesti apressadamente. Seria muito pior se Francis e Antônio descobrissem. O que iriam falar? É capaz de até meu irmão me zoar! Guardei o que estava na cama, joguei fora o pacotinho de preservativo e então, ainda tremendo de raiva, me deitei e peguei o celular por impulso. A tela de bloqueio? Ah, claro. Eu e ele, quando fomos pra casa dos meus pais. Minha vontade era de arrebentar o celular na parede, mas seria mais útil usar o rosto dele como alvo. Preferi mudar a foto e coloquei uma da Gaga, já que nem a minha própria cara eu queria ver.Mas o problema real é que sempre funciona desse jeito: tenho um pico de raiva, que dura por alguns minutos, e depois... tudo desmorona. Tudo o que ele me disse passou pela minha cabeça, toda minha insegurança voltou e minha autoestima desabou ainda mais. No fim, todo ódio se transformou em tristeza, porque eu amava Roderich, apesar de tudo.
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