Notas iniciais
Olá! Bem, primeiramente, aqui não é a Raposa Albina postando, mas sim a Edelsteinn aqui do Nyah, bff dela. Calma, ela não abandonou a fic, longe disso, mas sim continua com dificuldades para escrever/postar por estar estudando muito. Entãooooo, depois de eu encher muito o saco dela para que esse capítulo fosse escrito, ela o fez e eu ajudei na parte da correção, escrevi a partir dos quatro * e estou postando só agora porque o Nyah ficou fora do ar. Mas enfim, assim como vocês, fiquei aflita com o final do último cap., mas cá está o resto dele! Esperamos que gostem!

Capítulo XXXI

Eu acho que fui muito direto. Pelas caras que todos ali na mesa faziam – completamente chocados, inclusive os empregados -, pude perceber que eu deveria ter preparado o terreno. Mas adiar o sofrimento, o nervosismo, a dor no estômago pra quê?

Minha mãe olhava boquiaberta para mim, se virando a todo momento para meu pai, que estava mais branco que o costume. Roddy estava encolhido e Lud era uma grande interrogação (parei para pensar e seria muito engraçado se literalmente fosse). Uma das empregadas quase deixou cair leite no grande tapete persa que se estendia pela sala de jantar e uma outra tremia muito ao segurar uma bandeja de prata repleta de pratos sofisticados que em outro momento chamariam atenção. Está instalado o caos.

Embora aliviado a princípio, o medo começou a tomar conta de mim. Meu corpo formigava e cogitei seriamente em desmentir tudo e dizer que era uma brincadeira, mas um tapa na mesa me fez voltar à realidade. Herr Reiner ergueu-se, agora mais vermelhos que os rubis que compunham as belas joias de mamãe. Roderich apertou minha mão muito forte para um garoto magrinho; Senti meus olhos úmido, o pavor correndo nas minhas veias. Eu sinceramente nunca estive com tanto medo na minha vida, e isso tudo aconteceu em frações de segundos, até a voz de meu pai trovejar pela bela sala de jantar.

– Isso é alguma brincadeira, Gilbert?!

As palavras formavam um bolo na minha garganta, e eu não conseguia proferir uma palavra sequer. Uma pequena lágrima quente escorreu pelo meu rosto e caiu silenciosamente ao lado de outra, a do meu garoto. Roddy estava chorando baixinho.

– N-Nein, vati... E-Eu... gosto de... garotos...

E com essas palavras, um silêncio se instaurou no local. O único barulho que ouvi fora dos meus pais saindo de lá. Roddy tremia, meu irmão estava assustado, e eu, apavorado.

***

Eu estava na sala, assustado embora a minha mãe estivesse me tranquilizando. Apesar de estranhar toda a situação, ela me achou corajoso, mas não disse se concordava. Minha mão apertava a de Roderich, pequenina e delicada.

Minutos depois, meu pai me chamou até a biblioteca, para onde fui, cabisbaixo. Girei a maçaneta reluzente e folheada a ouro sem muita vontade, e adentrei o belo local revestido de madeira em todas as paredes, com suas estantes gigantescas e altas abrigando livros e mais livros, coloridos, grossos, finos, interessantes e chatos, de todos os tipos. Eu sabia as localizações dos livros de contos de fada de trás para frente: eram meus favoritos. Mas essa não é a questão. Assim que entrei, ele me indicou uma poltrona vermelha confortável, na qual sentei sem questionar, e andou pelo espaço, procurando naqueles livros palavras para me dizer. Ao contrário de mais cedo, ele estava tranquilo. Ainda assim, estremeci.

– É realmente isso que você quer da sua vida? – questionou. Assenti, vacilante, recebendo em troca um suspiro. – Eu não sei por que fiquei tão irritado. Foi uma... grande novidade. – levantei a cabeça, o olhando confuso. – Foi por isso que apanhou na escola? — Concordei com a cabeça. – Que coisa... Eu tenho um filho gay...

Engoli em seco e me encolhi na cadeira. Estava com medo dos insultos.

– Sabe, Gil... eu coloquei você no mundo, te eduquei, te criei... cuidava dos seus joelhos ralados... Acho que não tem motivo algum para ter raiva... Não é o que se aprende em igrejas, mas... Eu te amo, filho, independentemente do que você é. Eu fiquei tão feliz quando você conseguiu nos ver pela primeira vez, depois de dias vendo borrado por causa do seu nistagmo... Quando você desenhava carros para fazermos na fábrica, a adoração pelo seu irmão, pelos seus avós... Você nunca fez nada que realmente me desse raiva... nem agora... – ele me abraçou. Eu estava em lágrimas. – Me desculpa por ter gritado com você... – ouvir a voz chorosa do meu pai era algo extremamente raro. Eu chorava copiosamente, o abraçando mais.

– Eu também te amo, v-vati!

****

Permaneci por um bom tempo daquele jeito, chorando e abraçado no meu pai como um garotinho que já fui, até que ouvimos três batidinhas na porta de madeira maciça. Meu pai deu permissão para entrarem, sem me soltar, e supus que ele conhecesse a maneira com que as batidinhas eram dadas. Era mamãe. A expressão preocupada em seu rosto tinha sumiu na hora em que nos viu, e ela sorriu calmamente para nós. Retribui choroso, e quando ela nos abraçou, dando beijinhos na minha testa e falando "Você é nosso menininho de ouro", eu só chorei mais.

E antes que me chamem de "bebê chorão", imaginem estar na minha situação! Minutos atrás meu coração estava correndo para além da porta de casa!

Mas aos poucos fui me acalmando, e ria com algumas coisas que minha mãe me dizia, como "Agora você vai três vezes mais comprar roupas comigo!". Até que minha mente voltou para algo que nunca realmente saia dela: meu austríaco.

– O Roddy...

– Está comendo bolo na sala. Seu irmão disse que só isso, o violino dele e você conseguiam acalmá-lo... — Ela sorriu, mexendo na minha franja, e meu coração deu alguns pulinhos quanto à última parte. Ainda assim, ele não sabia o que aconteceria dali em diante. Nem eu.

– Vou voltar pra sala. Mas... uma coisa ainda não tá clara pra mim... — respirei fundo, apesar de estar bem mais calmo. Um pouquinho de drama faz bem! — Vocês... vão aceitar eu e o Roddy namorando?

– Ele te faz bem? Ele te faz feliz? — meu pai perguntou, sério.

– Ja, vati... Muito...

– Então isso basta para nós, filho. — ele se pronunciou, bagunçando meu cabelo. Senti um alívio tão grande no peito que era como se tivessem tirado um prédio de 100 andares de cima de mim.

– Sempre quis uma nora também, mas estou começando a pensar que um genrinho é muito melhor~! — Minha mãe já havia voltado para a mulher empolgada de sempre. Sorri para eles.

– Vou apresentá-lo direito então. Vamos! — ofereci o braço à minha mãe e senti a mão de meu pai no meu ombro, leve e firme ao mesmo tempo. Espero que eles gostem do meu garoto!

Fomos pra a sala, e encontrei um Roddy comendo compulsivamente biscoitinhos de chocolate que o Lud oferecia — o pratinho de bolo estava do lado, devidamente sem nada -, esquecendo aquela pose de jovem mestre perfeitinho que ele sempre queria demonstrar ter – mas ele continuava perfeitinho e eu achei adorável como ele parecia uma criança, com farelinhos nos cantos da boca.

Assim que chegamos, os dois olharam para nós, visivelmente ansiosos, e instantaneamente vi o mesmo alívio que senti minutos atrás surgir no rosto do meu irmão, mas Roddy ainda parecia abalado. Fui até ele, me ajoelhando ao lado do sofá, e segurei aquelas mãos tremulas e delicadas, sorrindo.

– Tá tudo bem, Roddy...

– M-Mas o que houve? O que vai acontecer?!

– Calma... – arrumei a franja e limpei com o polegar os cantinhos da boca dele, em seguida dando um selinho discreto. – O que vai acontecer é que vamos ficar juntos, ué. Eu não disse que não te deixaria nunca, apesar do que acontecesse? – ele assentiu, com os olhos cheios e um pequeno biquinho que ele fazia sempre quando estava prestes a chorar. Eu achava a coisa mais fofa, apesar de não gostar de vê-lo triste. – Então... E o que aconteceu é que meu pais aceitaram a gente...

– V-Verdade?

– Eu mentiria para o meu amor? – sorri calmamente, e não deram nem 2 segundos, um Roddy choroso se jogou nos meus braços, me abraçando forte. Não fiz nada além de retribuir, fazendo carinho em todo canto que eu alcançava e beijando a têmpora dele. Ele precisava aliviar toda aquela tensão, então apenas deixei-o fazer.

Passado um tempo, quando ele já havia se acalmado, senti a mão de minha mãe no meu braço e vi outra nas costas dele. Ela sorria.

– Querido, sei que você precisava chorar, mas vai ficar desidratado... – Roddy olhou para ela, com aqueles olhinhos brilhantes e tão infantis no momento. – Que olhos lindos! Vamos jantar, quero saber de onde herdou essas ametistas! Parecem de uma velha amiga!

Roddy olhou para mim, e apenas sorri, secando as bochechas fofinhas dele com a mão. Em seguida levantei, o carregando, e apenas soltei na porta da sala de jantar, por causa do meu pai. Ainda assim, o enchi de beijos antes de entrar, e consegui tirar dele um sorriso, a coisa que eu mais precisava naquele momento.

Entramos na sala, voltando aos lugares de antes, e tudo parecia diferente. Acho que a tensão havia perturbado totalmente a harmonia que aquele jantar me passava agora. Tudo ocorreu bem, com mamãe me contando as novidades e nos bombardeando com perguntas, até que chegou a vez de Roddy, que estava quietinho como sempre, falar.

– Então, querido! Como conseguiu olhos tão lindos?! Você viu, meu bem? Uma raridade!

– H-Herdei da minha mãe, senhora... – ele estava vermelho. O Roddy tímido é tão fofo!

– São magníficos! Oh, é mesmo! Se você estuda na World Academy, no mínimo seus pais são pessoas importantes, certo?

– J-Ja... sou o herdeiro da Edelstein, uma joalheria austríaca...

E o silêncio voltara. Fiquei assustado com a mudança repentina no clima. Será que a Beilsch e a Edelstein eram rivais e eu não sabia?!

– Você... é o filho do Franz? – meu pai parecia um pouco abalado. Ele conhecia o pai do Roddy!

– J-Ja... o senhor conheceu meu pai?

– Claro que conheci... Grande homem, tinha ideias fantásticas, e a senhora Anneliese também... Íamos fazer uma parceria com eles há 9 anos, mas... – ele suspirou. Wow! Disso nem eu sabia! – Perdão trazer o assunto à tona.

– S-Sem problemas, senhor Beilschmidt...

– Ah, por isso os olhos! Que saudades da Anne! Uma verdadeira rainha, e tão gentil! Eu amava os vestidos dela! Nunca mais falei com ela depois de... depois do acidente... Ela está bem?

– E-Ela está em... – Rod pigarreou, respirando fundo. – em tratamento... Espero um dia poder apresenta-la e retomar o projeto da Beilsch com a Edelstein... – ele sorriu levemente. Fiquei impressionado, mas ele apenas apertou minha mão e sorriu na minha direção, e não consegui não sorri de volta. Roddy estava se esforçando para fazer aquele dia dar certo, por mais que soubesse da dolorida verdade.

Eu amo esse garoto!

Meus pais sorriram para ele, e minha mãe ficou ainda mais empolgada, mas olhava para nós como uma garotinha vendo um filme romântico. Ri, perguntando a ela o que houve.

– É que parei para ver bem e vocês são realmente uma gracinha juntos... Combinam muito! Já namoram há quanto tempo?

– Faz pouco mais de um mês...

– Oh! E já fizeram~...? – Ela nos olhava, sorrindo maliciosa. Por que eu não previ isso?!

– M-Mutti! – Eu provavelmente estava roxo e o Rod era 10 tons mais fortes, o que fez minha mãe rir. – F-Faz um mês e pouquinho!

– E o que é que tem?! Ele tem um corpo lindíssimo, duvido que você não ficou doidinho para-

– M-Mutti! – saiu mais alto do que imaginei, mas um “Leonie!” saíra junto. Ela apenas ria, e apesar de eu estar morrendo de vergonha, não deixei de notar que sentia muita falta daquele som. A risada da minha mãe era uma delícia de ouvir.

– Depois nos chamam de caretas... Vou apostar 1 mês no máximo!

– N-Na minha... minha virgindade?!

– É! A do Lud... 3 meses! – Lud estava mais vermelho que a toalha de mesa.

– Eu apostaria mais na do Lud...

– B-Bruder!

A conversa se desenrolava cada vez mais, e ficamos horas e horas conversando como não fazíamos há muito, e até mesmo Roddy e meu pai conversaram bastante. Fizemos os dois e Lud rirem mais de três vezes! Isso é digno de um Óscar! A todo o momento, tentávamos fazer com que meu austríaco se sentisse mais e mais da família, conseguindo, e eu via nos olhos dele um brilho diferente de todos os outros.

E assim foi se seguindo o jantar da casa dos Beilschmidt: Aos poucos, ela também se tornava a casa dos "Beilschstein".