Notas iniciais
Olá~! Esse capítulo é bem doce e fofo, e a srta Edelstein me auxiliou nessa tarefa :D Quem quiser, pode me acompanhar neste tumblr sobre fanfics e similares http://roselolitha.tumblr.com/ Um beijo e até os comentários!

Capítulo XXXII

O jantar ocorrera tranquilo. A sobremesa foi — coincidentemente — uma torta vienense. Roddy comera tímido, mas repetira umas três vezes. Depois de mais alguns minutos de conversa, nos retiramos para os nossos quartos. Meus pais já se encontravam no deles. Meu irmão ficara jogando Mortal Kombat na sala de jogos, enquanto eu e Roderich ficamos na varanda, embrulhados entre tantas roupas. Quando o frio começou a apertar, entramos. Lud já havia se retirado e ficamos nós dois, os únicos acordados naquela enorme casa.

A mochila do meu garoto ficara esquecida em algum canto da sala de entrada. A busquei e levei até a ele. O conduzi para um dos quartos de visita, indiquei onde era o banheiro, o horário do café-da manhã, o beijei e dei boa-noite. Eu mal me virei e ele resmungara, com a vozinha pedinte:

– Gil... — senti a mão dele apertar de leve o tecido do meu pijama, quase que me abraçando.

– Hum?

– Eu quero dormir com você... — Roddy soava mais manhoso a cada palavra, me puxando mais para perto.

–Pra quê? Se meu pai descobrir, amanhã será meu funeral!

– Bitte... É muito frio dormir sozinho...

– Nhw... — não tinha como resistir àquelas enormes orbes lilases. Seus olhos brilhavam, pidões, e somando ao biquinho que fazia, era extremamente impossível dizer não a ele.

–Tá bom. Pode vir.

Ele sorriu, e notei um pouco de travessura ali, mas talvez fosse só coisa da minha cabeça. Logo senti a mão delicada dele envolver a minha e nossos dedos se entrelaçarem, e o guiei pra meu quarto, tentando ser o mais discreto possível. Atravessamos o corredor e chegamos ao nosso destino. Meu pequeno país divergia um pouco dos demais que havia em casa. Todo pintado de preto e forrado com um carpete avermelhado, quadros de molduras brancas espalhadas por uma parede, com fotos da família, amigos, minhas e da Gaga. Na parede oposta, uma grande janela, dessas que dá para a varanda. As cortinas eram pretas cintilantes e pesadas, excelentes para um inverno rigoroso. Pequenas luzes amarelas enfeitavam as sancas. Um lustre brilhante pendia do teto, com opções de led coloridas, para transformar meu quarto em uma boate particular. Minha cama era gigante, macia e coberta pelos mais finos edredons e lençóis de seda. Almofadas de vários tamanhos, vermelhas pretas e brancas ficavam por cima. Uma raposa branca de pelúcia ficava entre elas. Em frente a minha cama, ficava posicionada a minha TV led enorme. cercada por pequenos cristais refletores, que pareciam brilhar com a menor incidência de luz. Ao lado, estava uma prateleira, que ficava ao lado de uma escrivaninha, logo abaixo dos quadrinhos. Perto da janela, uma porta discreta levava ao meu closet e ao banheiro.

– Nossa... Seu quarto é bem diferente do meu... Mas é confortável... — ele se encolheu mais junto a mim.

– Gostaria de ver o seu... Bem, fique à vontade. — deixei sua mochilinha na minha poltrona vermelha. Ajeitei a cama para dormirmos. Era a primeira vez que eu permitia alguém de desfrutar do meu colchão extra-macio.

– E poderá... Mas não por enquanto... — Os olhinhos lilases do meu austríaco corriam por todo o quarto, mas eu notava que vez ou outra ele olhava para mim, se demorando mais nessa ação. Parecia também um pouco inquieto...

Meu Roddy parecia prestes a aprontar alguma.

Depois de tudo pronto, o aguardei ao lado da cama e ele logo sorriu para mim, caminhando em minha direção com um brilho não muito... inocente, digamos assim, nos olhos. Talvez ele apenas estivesse ansioso, nada demais...

Indiquei a cama para ele se deitar e, assim que o fez, me deitei, virado de frente para ele para lhe dar outro beijo de boa noite. Minha intenção era permanecer daquele jeito ou deixar que ele me abraçasse, mas eu havia me esquecido que aquele ao meu lado era Roderich Edelstein, e ele nunca se contentava com o que eu achava mais sensato fazer.

– Gil... — a voz manhosa soou baixa no quarto, e mesmo na escuridão eu conseguia notar aquele brilho característico que envernizava aquele parzinho de ametistas que eu tanto amava.

– Ja?

– Eu quero dormir de conchinha...

–O-o quê?

– Conchinha, ora... Nunca ouviu? É assim... — Antes que eu pudesse me manifestar, Roddy já havia se virado de costas para mim e encaixado seu corpo pequenino no meu. Estremeci.

– A-ah...

– É mais gostoso, não? — Sua voz era um misto de inocência e pura malícia (claro que essa era mais sobressalente), e eu já sentia o coração palpitar conforme ele se ajeitava naquela... posição de dormir. — Hum... tem um jeito certo que faz com que a noite de sono seja excelente... Ah, essa... — Rod empinou-se, praticamente se roçando em mim. Era a primeira vez que ele fazia algo mais ousado, ainda mais com meus pais a poucos metros de nós. Além do mais, eu fiquei desconfortável. Logo agora que dormiríamos sozinhos entre quatro paredes e ele já vem com ousadia?! Nananinanão!

Me afastei um pouco, de modo que ele não ficasse completamente grudado em mim, e mal fiz isso, já notei que ele se virara de leve, me olhando, parecendo tanto confuso quanto em um começo de irritação.

– O que houve?

– Hum... Acho que está... meio cedo...

Roddy arqueou as sobrancelhas, daquele jeitinho que ele faz em momentos específicos, quando se sente contrariado. Lá vem bomba...

– C-Cedo para quê? Ora, só queria dormir desse jeito. Mas já que lhe incomoda tanto, não posso fazer nada, não é mesmo? Boa noite, não te incomodarei mais. — Ele se virou completamente, puxando as cobertas. Pude ouvir um “Hunf.” junto da ação. Como ele é mimado!

Virei-me para o lado oposto, irritado. Pouco tempo depois, senti uma movimentação atrás de mim.

–Ei... Vamos dormir assim mesmo? — Sua vozinha estava alterada.

Virei-me de novo.

– Regra número dois. Te tratar como você me trata. — ele fez beicinho. Não resisti e o abracei. — Regras para se amar o Roddy... — sussurrei e ele riu.

– Bobo... — senti os bracinhos dele apertarem mais meu tronco, e logo ele encaixou a cabeça perto do meu peito, na altura do coração. Aquilo era reconfortante, aconchegante, e provavelmente o único momento de plena calmaria dos últimos dias, o qual decidimos ambos aproveitar: ele escutando meus batimentos e eu sentindo o cheirinho doce do cabelo dele, que ficava impregnado nos meus dedos e, aos poucos, em meu travesseiro, até nos rendermos aos sonhos. Eu queria momentos como aquele pelo resto da minha vida...

***

Meu celular despertara as exatas sete horas da manhã. Tocava, como de praxe, Eletric Chapel. Apesar de alto, Roddy não movera um músculo, permanecendo deitado daquela forma graciosa, com uma das pernas sobre o meu corpo. Por mais que minha vontade fosse a de não acordá-lo, eu não queria atrasar o café da manhã, tradicionalíssimo na família. Decidi, então, cutucá-lo.

–Bom dia, dorminhoco!

– Nhw... — Ele me abraçou mais forte, ainda desacordado.

–Roddy... — o balancei de leve. — vai perder o bolo de chocolate.

– Bolo...? — sua vozinha ainda parecia estar perdida nos sonhos, mas já era um começo!

–Ja... Mutti mandou preparar para você.

– Mutti... Bolo... Quero...

–Roddy... — o enchi de beijos e ele riu — acorda!

– Que pressa... — coçou os olhos e depois de um breve momento me olhou. Ele era a coisa mais linda com os cabelos bagunçadinhos e essa carinha de sono! — Nhw... para que acordar tão cedo?...

–Papai e mamãe querem tomar café com a gente. É tradição — fiz carinho em sua cabeça.

– Ah... e tem bolo mesmo?

–Claro que tem, seu fominha!

– Que bom... — Roddy me abraçou novamente, fechando os olhos. Que preguiçoso! — Aqui é quente...

–É que sou fogoso!

– Oh, é? — seus olhinhos se abriram novamente, e vi um sorrisinho safado povoar os lábios dele. Roddy não tem jeito!

–É! — o beijei e logo fui retribuído. Era um beijinho quente e calmo, e aquilo deixava as Gilterflys na minha barriga doidinhas!

– Se eu pudesse, ficaria aqui pra sempre.... Mas agora senti o cheiro do bolo... — riu baixinho, com as bochechas vermelhas.

–Chato... Então vamos!

– Ja... — se mexeu um pouco, mas ficou me olhando, como se esperasse eu ir primeiro, e o fiz, mas ele permaneceu a olhar.

– Ué, o que foi?

– Não vai me levar? — ele me olhava do modo infantil. Mein Gott!

–Ainda não nos casamos, bobo.

– E quem disse que isso só pode em casamento?

–Vai ser meio assustador para os meus pais nos virem desse jeito.

– É só até seu banheiro...

–Tá... — me ergui e o levantei. — Satisfeito?

– Completamente... — ele sorriu, se segurando em mim. Meu garoto era folgado, mas me desmoronava com um sorrisinho... O levei até o meu banheiro, onde ele escorregou delicado como uma pluma e colocou seus pézinhos quentes no chão frio. Roddy não queria estar apresentável para qualquer pessoa que o visse, então logo tratou de se ajeitar, mas com um pouco de manha fiz com que ele deixasse os cabelos para baixo como estavam enquanto ele dormia.

–Prontinho?

– Ja... — ele me sorriu de leve e entrelaçou os dedos nos meus.

–Então vamos descer.

Peguei a mão dele e o guiei até onde meus pais e meu irmão já tomavam calmamente o café.

–Bom dia, família!

– Oh, Gil! Bom dia, bebê! — Minha mãe sorriu para nós e fui até ela, beijando sua bochecha. — Bom dia, Roderich!

– B-Bom dia, Sr. e Sra. Beilschmidr... Bom dia, Ludwig... — Ele cumprimentou a todos, sendo devidamente respondido. Notei que Roddy sempre ficava um pouquinho nervoso quando falava com outras pessoas além de mim e a Liz... Espero que ele se sinta em casa logo!

Puxei uma cadeira para ele.

– Fique a vontade...

As bochechas dele ficaram extremamente vermelhas. Eu queria apertá-las pelo resto do dia!

– D-Danke... — Roddy se sentou, quase que segurando o ar.

– Aww... Meu filho é um cavalheiro!

–Mãe! -corei um pouco, não muito acostumado com aquelas coisas de... mãe sendo sogra.

– E não é?! Mutti fica orgulhosa por saber disso!

–... Danke...

– Agora sentem e tomem o café! Roddy, o bolo está quase pronto... — ela sorriu para ele, que retribuiu.

– D-Danke, Sra. Beilschmidt...

–Roddy, quer beber o quê?

– Suco de laranja, bitte...

Pedi para uma das empregadas fazer, que trouxe uma bela jarra, sem demora. Roddy as agradeceu assim que ela o serviu, e aos poucos foi se adaptando ao nosso café.

A mesa estava farta, como sempre. Pães, bolos, sucos, cafés, chocolates, doces, salgados... Tudo isso para aguentarmos a chegada dos parentes por volta das dez horas. Comemos bem, até estarmos satisfeitos. Minha mãe gracejou sobre o meu namorado estar meio magrinho, pedindo para ele repetir mais o bolo de chocolate, com calda dupla! Já meu pai pediu para que ela não colocasse o garoto na engorda, para ficar beliscando-lhe as bochechas (que já são enormes). Após o término da refeição, a cada um seguiu para um canto, enquanto eu e Roderich fomos para a estufa da mamãe, distraí-lo um pouco com beijos entre aquelas flores raras.