Notas iniciais
*Limpando a poeira* Oi gente! Quanto tempo! Me desculpem esse longo hiatus, mas estava estudando muito, fora que tive uns problemas para escrever... Mas enfim! Cá estamos com um capítulo super fofo, recheado de marshmellow e bala de gelatina. Quero deixar o meu muitíssimo obrigada para a Bruna Sanches pela recomendação super fofa ♡ Nos vemos nos reviews :)

A semana custou a passar. As aulas eram intermináveis e as noites duravam mil anos, já que ao invés de dormir, eu pensava no sábado. Vez ou outra um carinho de Roderich me acalmava o suficiente para dormir. Na noite de quinta-feira, Roddy preparara um chá de camomila para mim, e na manhã seguinte, um copo triplo de suco de maracujá e uma boa massagem para acabar com a ansiedade. Funcionou muito bem até a hora de preparar a mochila. Meu namorado não sabia o que vestir em um encontro de família, ainda mais quando o neto mais velho vai apresentar o cônjuge, candidato a primeiro-cavalheiro (eu tinha dito "primeira-dama", mas levei uma ursada na cabeça). A indecisão de Roderich era como um tapa de realidade na minha cara: amanhã, uma hora dessas, posso estar vivendo de favor na casa de Tônio ou Francis.

Meu pessismismo está ligado a diversos fatores. Entre eles, está o fato que meus pais prezam muito pela família e pela imagem. Meus avós são super religiosos e fiscalizam a vida afetiva e social dos netos (graças a Deus, jamais souberam de... um probleminha que tive ano retrasado). Isso já é bastante ameaçador. O pior é que vou perder todos aqueles que amo, por mais que tenha Roderich a meu lado. Mas até quando? Seu padrasto é um demônio cruel, sabe-se lá o que ele pode fazer de pior. Fugir? Pra onde? Obviamente meus pais vão cortar meu cartão, meu carro — ai! — e meus avós e tios vão me evitar, e estarei completamente sem apoio para ajudar meu garoto. Eu não faço idéia de como vou alimen-

– Você está tenso — Rod me abraçou por trás — se preocupar não vai alterar em nada o que eles vão achar.

– Estou preocupado com onde iremos dormir.

Ele se virou para mim, me fitando, sem entender.

– Gilbert, seus pais não vão te deserdar! Duvido que vão deixar de te amar... — ele apertou o abraço — minha mãe ficou bem surpresa, mas aceitou... — sorriu triste e eu o ajeitei em meus braços.

– Espero que esteja certo... — o apertei contra mim.

Ficamos um tempo ali, desfrutando do perfume e do calor um do outro, até meu irmão chegar. Lud ficara um pouco incomodado, mas não proferiu palavra. Talvez pensou que pudesse estar atrapalhando algum momento íntimo.

– Por que não dorme aqui? — Roderich sorriu meigo e não resisti. Dali a minutos, estávamos abraçados entre suas cobertas. Amanhã será o grande dia.

***

Acordamos eram quase duas e meia da manhã. Queríamos chegar cedo, embora estivéssemos congelando. Vestimos nossas roupas mais forradas, tomamos chocolate quente com biscoitos amanteigados e fomos esperar o ônibus.

Na parada, Roddy e eu ficamos abraçados e trocando carinhos e beijinhos. Meu irmão aproveitou a vela que segurava para se aquecer — ou então estava pensando na amada, que ainda não poderia ir para nossa casa.

Roderich adorava passar as pontas dos dedos na minha nuca, o que me deixava um tanto desconfortável. Ele deve saber disso, pois o fazia em momentos inapropriados, como agora. Eu distribuía beijos pelo seu rosto aveludado, enquanto o engraçadinho tentava me atiçar. Já não era a primeira vez que eu notava que ele gostava de me provocar, como por exemplo, depois que começamos a namorar, ele usava calças mais justas, deixando algo que já era grande ainda maior — no caso, o bumbum dele. Quando ficávamos deitados, ele costumava se esfregar sutilmente em mim, fitando-me de modo travesso. Eu até retribuiria, mas ainda estava inseguro quanto a esquentar as coisas, ainda mais que nós namoramos há pouco menos de um mês.

O ônibus chegara depois de meia hora de espera. Se fosse janeiro, estaríamos congelados feito picolés, mas graças às nossas roupas, estávamos apenas gelados.

Entramos discretamente, e o coletivo estava praticamente vazio. Lud sentara no banco anterior ao nosso, enquanto eu e meu namorado sentamos coladinhos um no outro. Sentei ao lado da janela e enlacei Roddy pela cintura. Cochilamos uma boa parte da viagem, até mínimos raios de sol tocarem nossa pele. Passei protetor solar no rosto e troquei de lugar com Roderich. A ansiedade voltou a tomar conta de mim quando nos aproximávamos de Berlim. Ao notar isso, meu garoto encaixou um de seus fones em minha orelha, onde pude ouvir a voz da minha amada Lady Gaga cantando Born This Way no piano.

– Ei! — o olhei surpreso — você-

– Eu gosto da letra e gosto de piano. E é impossível não lembrar de você enquanto escuto. E você precisa relaxar, Gil... — ele sorriu, sereno. Ele tem toda razão. Eu preciso me acalmar para deixá-lo protegido.

Depois daquela gloriosa música, tocara clássicos, mas ao invés de alfinetar, preferi segurar a mão do meu doce austríaco, e aguardar a chegada na Estação.

***

Tomamos um táxi até a nossa casa, pois ônibus urbanos não passavam por lá. Chamar o motorista do papai também não seria muito legal. Passamos por alguns pontos turísticos cidade, os quais eu mostrava a um empolgado Roderich (eu sei, é difícil associar esse gato preguiçoso com empolgação). Ele ficava maravilhado com os monumentos, me questionando desde a data de fundação até os materiais que foram utilizados. Mais tarde entendi que aquilo era uma máscara: ele também estava tão ansioso e nervoso quanto eu.

O taxista pareceu meio chocado ao ver a mansão florescendo entre um dos bairros mais bonitos e caros da Europa. Os portões dourados pareciam feitos de ouro com o sol das oito horas da manhã. O jardim não estava tão lindo quanto fica na primavera, mas os resquícios do outono davam um contraste vampiresco a casa. Falando nela, era enorme, imponente, tal qual deve ser a um alemão. Foi construída por meu avô Fritz, quando recém-casado, mas foi ganhando um toque de mordenidade, e com o tempo, acabou mudando totalmente o estilo. Agora estava num estilo contemporâneo, de cores claras e vivas.

O terreno é enorme e abriga um parquinho que hoje só é usado pelos meus primos mais novos, uma estufa de cristal da minha mãe, onde ela cuida de flores raras, uma pequena horta e algumas árvores frutíferas, fora de um espaço dedicado às festas, pegando parte do jardim, juntando a uma cozinha, copa e banheiros, uma pequena versão da adega do meu pai, e a parte interna da casa, onde as senhoras tomavam drinks e elogiavam umas às outras, criticando alguma coisa, ou admirando a decoração. Ainda tinha uma grande piscina, sauna e um campo de futebol, onde já joguei tarde da noite com meus tios. Não posso me esquecer do mausoléu que fica nos fundos da propriedade: parecia uma capelinha, com vitrais coloridos, mas é onde estão enterrados os meus bisavós. Não é muito legal imaginar que um dia eu vou parar lá, assim como meus avós, meus pais e Lud. Cada um tem seu "cantinho". No meu está escrito "Gilbert Maria Beilschmidt e esposa".

***

O mordomo abriu as portas e nos cumprimentou, estranhando a presença do garoto moreno. Anunciou a nossa chegada e mamãe veio correndo nos abraçar, ainda de roupão de seda e rolinhos nos cabelos. Vati, descera um pouco mais calmo, e visivelmente se questionando sobre aquele menino. Mutti mal olhou para ele e ordenou que fôssemos logo tomar café da manhã decente, que em casa é melhor e mais saudável, enfim, coisas de mãe.

Sentamos todos na mesa, respeitando a hierarquia. Papai parecia incomodado com o fato de Roderich ter sentado no lugar onde seria adequado a uma namorada, mas nada disse. Tomei uma boa xícara de café quente e doce, misturado com coragem. Peguei a mão de Roderich e ele sorriu de leve, me dando ainda mais confiança. Lud me fitou, e sua expressão serena me trouxe a paz que precisava ao meu coração.

– Vati, mutti! Este é o Roderich... — o olhei e ele dera um lindo sorriso, os olhos brilhantes — e ele é... — virei-me para os meus pais — ... o meu namorado.