Notas iniciais
Olá~ Quanto tempo, não? Como sabem, vida de vestibulando é terrível e eu tenho prioridades... Não que a fic não seja. Talvez os capítulos estejam um pouco desanimados, mas é algo necessário. Em breve teremos algo mais... Badalado, eu diria. Uma introdução a LietPol para me desculpar. E prometo que os próximos capítulos serão maiores. Boa leitura!

CAPÍTULO XXV


Que ele era diferente, isso todo mundo já constatava ao vê-lo. Era um menino delicado, que desde novo já sabia escolher o que era mais bonito; era vaidoso e ao contrário dos outros garotos de sua idade, detestava sujar-se; jogar bola então... Nem pensar! Enquanto um monte de garotos trocava palavras feias atrás de uma bola, observava as meninas com suas bonecas. Cada uma com a Barbie mais bonita que a outra.
Em um colégio que tinha alunos das mais variadas culturas e cores, aprendia-se a conviver com as diferenças. Criancinhas filhas de magnatas e donos do mundo dos negócios interagiam diariamente, aprendendo com os professores o respeito ao próximo, que ninguém era melhor que ninguém e que todos somos seres humanos.
Mas vez ou outra eles resolviam problemas com racismo, brigas entre filhos de políticos rivais e outros problemas. Mas foi com surpresa que eles encaminharam para o diretor o caso de uma boneca quebrada, propriedade de um garoto do quarto ano.
Chamaram os pais, questionando se sabiam do comportamento do menino. Não havia, até então, nenhuma história de um transgênero naquela instituição. Foi um período em que o corpo docente estava atrás de psicólogos, estudavam sobre o tema, enquanto Feliks continuava a brincar com suas bonecas, sozinho.
Era debochado, humilhado, e as crianças, sem muito conhecimento, o excluía. Afinal, ele era um menino que agia como uma menina, e por causa disso, era considerado nojento.
Passam-se meses e o garoto continuava a ser exilado do círculo escolar. Propuseram aos pais que o mudassem de colégio, mas negaram. Quer dizer, a mãe negou. O pai de Feliks não aceitava que o seu filho se portasse como uma garota. Foi uma briga medonha, que deixava o personagem principal deprimido.

Alvo de piadinhas dos colegas de turma (não só os de turma, até mesmo Gilbert brincava), o lourinho se fechava mais e mais. Sentia-se culpado, não sabendo exatamente o porquê.

Mas um bom anjo sorriu para ele. Yekaterina era uma estudante do segundo ano, na época. Também a zoavam por ser mais gorda, mas nem por isso deixava aquilo a atingir. Principalmente por seu irmão do meio amedrontar quem não o conhecia.

A loura brincava com o pequeno com as Barbies. Quando saía aos fins de semana, trazia na bolsa novas roupas cheias de glitter para as bonecas de Feliks. E isso o deixava muito feliz.

Yekaterina se formou e saiu do colégio, mas não antes fazes Ivan jurar três vezes que ia defender o garoto. E, bem, depois que Feliks foi anexado ao grupo, não fora mais zoado. Não depois de uns dentes quebrados e olhos roxos aparecerem em algumas pessoas.

–x-

Eu fiquei por mais algum tempo na enfermaria, abraçado ao panda de pelúcia que eu dei ao Rod. Eu acariciava aqueles pelinhos macios, e quando estava sozinho, respirava o cheiro do meu austríaco que ficara impregnado no objeto. E como o cheiro dele era bom! Levemente adocicado e amadeirado.

Meu irmão vinha me ver durante os intervalos, junto com a Feli ou a Liz. Eu me sentia envergonhado por ter sido tão estúpido com ela, e mesmo assim ela foi me socorrer. Seria tarde para pedir desculpas?

O que mais me incomodava, fora a dor, era o dente que faltava. Quando eu era criança, assim que arrancava o dente, costumava passar a língua na gengiva, pois achava divertido, até o dente nascer, ou até outro ser tirado. O que eu perdi agora não tem a menor graça. Fora ainda eu ficar com um buraco no meu sorriso sedutor até meus pais liberarem uma verba para o meu dentista!

Finalmente fui para meu quarto, desejando passar o resto da vida ali, na minha cama, no meio das minhas quase 60 Lady Gagas (eu comprei mais pôsteres), ouvindo a discografia da minha loira toda, de trás pra frente, alternada, por ordem alfabética... Enfim, eu não queria encara ninguém mais.

Muito menos meus pais.

Ludwig conversou com os diretores, explicando a situação da briga (ele vai ser levemente punido, por causa da agressão. Sério) e infelizmente um dos caras era filho de um certo ministro dos Estados Unidos (!) e...

... Não poderia ser expulso ou transferido. Simples assim.

Não preciso descrever a indignação que meus amigos ficaram, mas filhos de empresários estão em um nível diferente dos de políticos, principalmente se for de uma potência mundial. Só foi recomendado que não me deixassem mais sozinho.

Sozinho... Eu sempre andei sozinho, apesar de me sentir rodeado de amigos. Eu preferia ficar afastado, muitas das vezes, e respeitavam isso. Agora acabou. Droga.

Finalmente liguei meu celular, que quase travou com tanta mensagem do Rod (metade delas me xingando). A última foi:

“Fique bem, idiota :(“

E respondi:

“Gonna be okay... Just dance”.

–x-