Notas iniciais
Eu tinha uma outra ideia para este capítulo, mas achei que seria mais um filler. Vou deixar para o próximo o que seria para este. Enfim, boa leitura. P.S.: responderei todos os reviews ao longo da semana. Li todos e amei cada um! Sintam-se beijados na bochecha!

Capítulo XXII

Eu levei algum tempo para conciliar com o sono. Eu e Rod quase nos beijamos! Eu repassava todas as cenas da noite várias vezes, não acreditando que aquilo poderia ser real. Até mesmo a parte em que meu irmão e Feliciana escorregaram num dos pompons que havia se soltado do vestido dela, fazendo que Lud caísse no chão e a italiana no colo dele... Infelizmente, devido a isso, eu e Roderich não chegamos a nos beijar, mas ao menos pude sentir os lábios de seda dele...

A ficha ainda não havia caído. A maior surpresa da noite! A coisa simplesmente não entrava na minha cabeça, Rod havia me correspondido! VOCÊS ENTENDEM A MINHA FELICIDADE?!

Ok, me exaltei, me desculpem. Mas eu ansiava em saber como seria daqui pra frente, como ele ia se comportar, se foi apenas calor do momento... Eram tantas as coisas que se passaram pela minha cabeça... Resolvi acabar com a ansiedade antes que aparecesse alguma úlcera no meu estômago. Peguei meu celular no criado ao lado, entrei no aplicativo do whatsapp e procurei pela conversa que eu tinha com Rod, que para a minha sorte, estava online!

Mas aquela famosa sensação de borboletas voando no estômago tomou conta de mim ao digitar um simples “boa noite”, seguido de um emoji sorridente, mas para minha tristeza, assim que enviei, ele ficou off-line. Decidi reler nossa conversa toda, rindo em certos momentos em que ele parecia constrangido. Incrivelmente, o tom com o qual ele digitava comigo havia mudado desde nossa primeira conversa. Achava fofas as carinhas zangadas que ele me enviava quando eu o contrariava, e o possível ciúme que ele tinha em relação ao meu amor pela Gaga. Variava comentários como “mas ela tá gorda”, “ninguém mais ouve falar dela” e “você fala como fossem se casar algum dia”. Roderich era o garoto mais ciumento, ou melhor dizendo, a pessoa mais ciumenta que eu conhecia. Eu respondia “e?”, deixando-o irritado. Uma vez respondi que era recalque pois ele queria ser ela, e Rod ficou dois dias sem falar comigo.

Deixei de reler nossa conversa e fui admirar a foto de perfil, que era parte do rosto dele, tendo como foco sua boca e o sinal – extremamente sexy – e aquele meio sorriso lindo que ele raramente fazia. Eu poderia ficar horas admirando aquela imagem, muito mais bonita que sua antiga foto de perfil, que era partituras... Sério. Mas algo que me chamou a atenção fora a mudança de seus status, marcando que fora mudada há um minuto, dizendo: “e se a cor vermelha for a da esperança?”. Mas antes que eu pudesse cogitar qualquer coisa, o celular vibrou, indicando que Roderich me respondera.

“Boa noite” e enviou em seguida “eu tava quase dormindo”.

“Desculpa. E q tal a festa?”

Ele levou quase meia hora para responder:

“Achei q ia ser chata, a Liz tinha me implorado a semana toda para ir, e acabei aceitando porque ela disse que ficaria sozinha na festa. E ela me deixou sozinho”.

OBRIGADO PELA PARTE QUE ME TOCA!

Oh, ele ainda estava escrevendo...

“Seu irmão e o Kiku também estavam ocupados, e só tinha você disponível” poxa, Roderich, seu insensível! Bom, eu deveria esperar ele terminar de contar, né? “mas eu gostei da festa, apesar da música estar muito alta...” ele ficou outro milênio escrevendo e apagando, quando finalmente enviou: “mas a companhia foi a melhor :)”. Meu coração começou a palpitar e quase minha pressão caiu. “e pq vc não estava com seus amigos?” ele emendou rápido.

“A gente raramente fica junto em festas. O Tônio fica com a Lovina e o Francis fica... com qqr uma! Kkkk”.

“kkkkk, percebi isso... Mas e vc?”.

“Eu? Eu fico sozinho. Ou segurando vela”.

“Não parece. Você tem jeito de ser requisitado. Imagino quantas garotas devem ir atrás de vc...”. Hum... apreciem, leitores, a forma mais pura de ciúme.

“Ir atrás é uma coisa, agora se eu quero ficar... são outros 500”.

“Vc é bem seletivo, gosto assim” OPA!!!!!!

“Digamos que sim kkkkkk”. Eu estava gostando do rumo da conversa. Eu queria gritar pelos corredores, mas infelizmente tinha alguns bêbados por lá, então era melhor eu continuar quentinho na cama.

“Acho que já vou dormir... A propósito, vai fazer o quê amanhã?”

“Ainda não sei... Talvez ver um filme no quarto, disseram que choveria bastante amanhã... Hoje, né?

“Ah, sim... Boa noite!”

“Boa noite, Rod!” nem uma menção sobre o beijo... Quer dizer, o quase beijo.

“Ah, vou dizer ao seu irmão para não escorregar por aí, afinal... Isso assusta”.

..

MINHA NOSSA LADY GAGA DE ELECTRIC CHAPEL!

–x-

O dia amanheceu com o tempo nublado, do dia que eu amo. Eram oito horas de um domingo pós-festa, e o primeiro que eu não passava com dor de cabeça. Francis e Tônio ainda ressonavam, ferrados no sono. Eu não queria me levantar, apenas curtir o quentinho da cama, enquanto o frio ficava lá fora...

Eu fiquei na vontade de conversar com Rod, mas imaginei que ainda estivesse dormindo... Entretanto, mandei uma mensagem desejando um bom dia, seguido de vários emojis de nuvenzinhas. Eu não sei explicar a vontade que sinto em enviar essas coisinhas, após apertar o botão me sinto um idiota. Mas eu gosto de manter um contato mais carinhoso com o Roderich, vocês devem imaginar o por que.

Pluguei os fones no celular e comecei a ouvir o álbum ARTPOP. Devo confessar a vocês que a música Aura me deixava excitado, principalmente quando eu imaginava um certo austríaco cantando o refrão: “Do you want to see me naked, lover

Do you want a peak underneath the cover?”. Mas juro que dessa vez eu estava apenas curtindo a canção!

Por ironia do destino, justo nos versos em questão, o som da notificação partira a música, informando a nova mensagem de Roderich:

“Você odeia quando durmo, não é?”

Pensei em respostas no mínimo indecentes (culpa da música) e demorei a responder; a réplica foi nada mais nada menos que um simples sim, e a tréplica foi uma carinha zangada.

“Dormiu bem? :)” ignorei o emoji enviado.

“Até sonhei” acho que tem alguém zangado...

“Com o q?”

“Com a neve” indireta que ele quer me dar gelo, mas quer ser educado, reparem.

“Tá muito bravo comigo?”

“Bastante”. Opa...

“E o que posso fazer para vossa senhoria desfazer essa cara feia?”

“Ir comigo na cantina pegar um copo de chocolate quente. Espero-te em 15 minutos na porta do meu quarto”.

Levantei rápido, jogando as cobertas para o alto, me arrependendo logo em seguida pelo frio que estava fazendo, e eu só usando uma camiseta e um calção... Vesti-me rápido, com as roupas mais quentinhas que encontrei no armário, não esquecendo o meu amado casaco vermelho. Coloquei o celular no bolso e parti rumo ao quarto onde dormia o meu irmão e o austríaco. Bati à porta, que foi logo atendida. Provavelmente ele estava me esperando.

– Doze minutos, parabéns – ele dizia com a sobrancelha erguida, num gesto de pouco caso.

– Com três minutos de sobra, estou perdoado?

– Sim. – nos encaramos durante bons minutos, esperando a reação um do outro. Tentei-me a beijá-lo, mas quando nossos lábios estavam bem próximos, meu irmão se revirou na cama, grunhindo. Afastamos-nos e Rod parecia aborrecido.

Eu estou querendo saltitar feito uma gazela pelos corredores!

Roderich estava muito fofo com sua jaqueta azul marinho e calça preta, dava vontade de mata-lo sufocado num abraço apertado. Antes trancar a porta, observei sua cama: o panda de pelúcia que eu lhe dera estava em cima da cama, entre os lençóis e cobertores coloridos. Não podia deixar essa escapar.

– Não sabia que dormia com pandas...

Ele se virou calmamente para mim e respondeu secamente:

– Com quem eu durmo ou deixo de dormir não te interessa. – Roderich Apelão Edelstein! Não sabe brincar, volta para o primário.

– Foi mal...

– Foi péssimo! Se quiser receber tiradas como essa, continue fazendo perguntas estúpidas.

– Calma, Roderich... Esse estresse todo foi porque te acordei cedo?

– Exatamente. Que sirva de lição não me acordar antes das nove horas num domingo que mal dormi!

– Como assim dormiu mal?

– Não queria que você rendesse assunto, mas parece que é impossível.

– Você... Enfim, agora existe um manual para conviver com você?

– Manual? – ele riu – chame como quiser. – e saiu rebolando pelo corredor, sendo seguido por uma pessoa que estava ficando incrivelmente irritada.

– Já sei, escreverei um livro chamado “Como Aturar Roderich Edelstein”.

Ele parou de andar.

– Sério? – ele sorriu com escárnio – pode ir me falando suas ideias, já que vou participar dele.

– Pois bem, capítulo um: tem que ter muita paciência, pois Rod dá motivos para você enchê-lo de tapas. – já estávamos descendo as escadas.

– Dou mesmo?

– Você dá sim, com certeza.

– Continue – ele parecia estar se divertindo.

– Por enquanto, só.

– Já está fazendo progressos, senhor escritor – ele riu, debochado. Era irritantemente adorável a forma como ele olhava para mim, de baixo para cima, com o sorriso matreiro e os olhos lilases transbordando ironia.

Eu gostaria de dar umas bolachas na cara dele para servir de acompanhamento do chocolate, mas preferi expressar minha raiva bufando. Chegamos à cantina, que já trabalhava nos cafés da manhã dos demais. Os chocolates vieram acompanhados de bolinhos recheados, então não havia coisa melhor.

Ficamos sentados lado a lado, silenciosamente, tomando nosso dejejum; o pátio vazio era lindo, as flores bem mais visíveis, e a vista da chuva lá fora eram magníficas, e devido ao frio, eu e Rod estávamos próximos, e meu estômago borbulhava com as giltterflys lá dentro.

Acabamos do mesmo modo mudo e observávamos a chuva. Notei Roderich se encolher, apertando a blusa, e institivamente o enlacei pela cintura, colando nossos corpos. O garoto se surpreendeu com o meu ato, me encarando espantado. Apertei-o contra mim um pouco a mais, como se dissesse “você não me escapa”, tentando deixar claro minhas intenções, embora um lado meu gritava para eu fugir dali o quanto antes.

Com o dedo indicador da mão livre, toquei aquela pintinha sexy no canto da boca, deixando-o completamente rubro; ele tremia em meus braços, talvez de nervosismo, medo ou de frio. Acarinhei a bochecha, sentindo a suavidade daquela pele, quente pela reação. Sou ou não um sedutor profissional?

Lentamente, aproximei nossos rostos, evitando olhar diretamente em seus olhos, mas não deixando de perceber as demais reações. Toquei seus lábios com os meus de forma calma, numa tentativa de não assusta-lo. Meu coração estava a mil e os olhos fechados, querendo apenas deixar ligados os sentidos do tato e paladar, para me concentrar naquela boca que eu tanto amava platonicamente.

O beijo era calmo e a principio, não era correspondido, mas logo Rod se sentiu desarmado e pude sentir o toque de sua mão na minha nuca, brincando com os meus fios de cabelo. Por mais que fosse correspondido, ele não permitia que eu aprofundasse o beijo, mas nem por isso consentia no fim do mesmo. Mas era preciso que uma hora ele acabasse e nós teríamos que nos encarar. Roderich era a coisa mais fofa quando estava sem graça e constrangido, e ainda mais fofo quando encostava a cabeça ao lado do meu coração de Ferrari, deixando ser abraçado por mim.

Notas finais
Quem surtou saltita feito uma gazela albina! /o/