Como amar Roderich Edelstein
21 Capítulo XX
Notas iniciais
Capítulo XX
Vou dar uma barra proteica para quem adivinhar para onde meu irmão me arrastou.
Isso mesmo, para a academia da escola.
Passou-se duas semanas desde a brincadeira do beijo. Nesse tempo, Ludwig me mandava indiretas sobre minha condição física – leia-se: esquelético em seu ponto de vista.
Roderich foi acompanhado por Liz ao hospital, tirar o gesso ontem. Eu queria ter ido, mas me convidar para escolta-lo seria deveras suspeito. E já não basta Francis estar cismado que o austríaco é gay.
Segundo o louro, tudo faz sentido. Quer dizer, nem tudo. De acordo com seu raciocínio, Roderich apanhava porque era uma bicha louca assumida em casa, mas no colégio ficava no armário. Perguntei-me onde ele arranja termos assim. A questão era: se o pai estava morto há anos, e boatos corriam de que a mãe teria arrumado as malas e percorrer o mundo (eu ouvi algumas garotas comentando sobre isso na sala), então, quem o machucava? Nunca o viram com nenhum adulto em momento algum, e quando sai da escola aos fins de semana, vai embora sozinho. Isso quem descobriu foi Lovina e Feli, que tinham um compromisso fora e observaram a saída do garoto. Ele parecia nada feliz.
Antônio sugeriu que fossem os avós ou tios, mas Francis se dizia não estar convencido. “A única certeza que tenho é a da morte e que o Roderich é fruta” ele afirmou. Sério mesmo, onde ele acha essas palavras?!
Enfim, Lud me mandou esperar o treinador para começarmos a avaliação física. O espanhol também queria estar com o tanquinho trincado, pensando nos elogios da italiana chata, então decidiu começar a malhar.
Meu irmão já treinava enquanto esperávamos na antessala. Havia uma reforma numa sala ao lado, talvez haja alguma consulta...
Um dos professores de educação física que passava nos questionou o que fazíamos ali, e diante de nossa resposta, se ofereceu para realizar a avaliação. Bateu à porta, perguntando para outro professor se poderia usar a sala, já que a outra estava inutilizável. Após o consentimento, deixo-nos usar.
MINHA SANTA LADY GAGA, DEUSA DO AMOR!
Mal entro na sala e me deparo com Roderich sentado e o professor ao lado. O garoto apertava uma bolinha de borracha vermelha com a mão recém-recuperada. Quando me viu, se assustou, e virou questionador para o professor, que agora parecia ser mais um fisioterapeuta.
Currículos cheios facilitam a nossa vida!
O professor respondeu ao olhar de Roderich simplesmente dizendo que não ia atrapalhar em nada, o que me fez entender que ele não desejava a minha presença, e disse a Rod para continuar apertando a bolinha caso quisesse se recuperar logo.
O nosso treinador disse que tomaria nossas medidas. Ele simplesmente disse para tirarmos as roupas, enquanto anotava alguma coisa na prancheta. Antônio mal acabara de ouvir e já estava apenas de roupas íntimas.
O destino me pregou peças. Antes eu tinha visto meu austríaco seminu – mas por uma boa causa! E ele nem ficou sabendo – agora quem vai ver meu lindo corpitcho era ele!
Oh, mamãe Monstro! O que eu faço?!
– Sr. Beilschmidt, não vai tirar a roupa? – questionara tranquilamente, o professor.
– V-vou, é por que... Hum, nada. – Esperei Tônio falar alguma bobagem, mas isso não chegou a acontecer, pois ele estava entretido em observar um cartaz na parede. Comecei a tirar minha camisa devagar, quase um strip-tease, todas as células tremendo de nervoso. Quase caí no chão ao tirar a calça! Hoje não será um bom dia.
– Roderich? – chamou o fisioterapeuta. Droga. Mil vezes droga! Olhei para meu amigo e ele reprimia uma gargalhada, mordia os lábios e os olhos estavam marejados. – Você está bem?
– E-estou... Qual o outro exercício? – sua voz trêmula o denunciava. Antônio se virou para a parede, tentando engolir o riso escandaloso. A única coisa boa nisso tudo é que minha cueca é bonitinha. NÃO, NÃO TEM GILBIRDS NELA! Eu só uso uma assim em casa.
O treinador nos chamou para verificar altura e peso, calcular o IMC, mediu os braços, coxas, barriga, quadril... Acreditam que o espanhol tem 110cm de bunda?! Ele era uma Nicki Minaj que falava espanhol! E descobri que o Luciano tem 105cm...
Após todos os cálculos, o treinador começou a montar um treinamento para cada um. Ele começou a nos mostrar alguns exercícios e tínhamos que fazer igual. Ludwig me olhava com orgulho.
Eu evitara olhar Roderich ao sair da sala. Eu estava morto de vergonha, o rosto vermelho durante horas.
Quando chegamos ao quarto, Antônio desandou a falar:
– Francis, se tinha alguma dúvida que o Edelstein era gay, caiu por terra! – e contou do acontecido. – Você tinha que ver! Ele comia o Gil com os olhos!
– Que exagero, Tônio!
– Não! Você nem viu o que eu vi!
– E nem quero saber! – redargui.
– Quer sim, eu sei que quer. Sabe aquele lance de quando uma pessoa sente tesão pela outra?
Eu devia estar roxo.
– Meu amigo, nem sou de reparar nessas coisas, mas como somos best friends forever, eu tinha que ser seus olhos – o moreno piscara repetidamente, como uma garotinha.
– Com licença, eu vou tomar banho – catei umas mudas de roupas perfeitamente dobradas e indo em direção ao banheiro, evitando encará-los. Francis ainda soltou mais uma piadinha.
– Gil, quando acabar, deixe o banheiro limpo, ok?
– E não faça muito barulho! À meia noite e quarenta e seis de sábado você estava escandaloso!
Bati a porta do banheiro com força; mais um pouco e a quebrava. Assim que me despi, percebi que estava semi ereto, deixando meu clima ainda mais desconfortável.
– Scheiße – suspirei. Entrei para o box, ligando o chuveiro. Refleti sobre o que o francês e o espanhol disseram. Mordi meu lábio inferior e comecei a me tocar, apenas imaginando Roderich ali comigo. Sua voz peculiar estava rouca em minha mente, sussurrando coisas indecentes. Eu imaginava-me explorando seu corpo com a língua, fazendo-o suspirar e gemer, mordendo-o, beijando-o e principalmente, amando-o. Mas aquilo tudo era só um curta que meu cérebro me ofereceu para eu me aliviar do incômodo. Eu preferia que ele realmente estivesse ali.
–x-
No dia seguinte eu me reprimia por ter feito aquilo de novo, mesmo sabendo que é normal e etc., mas eu não me sentia confortável ainda. Preferi passar a tarde de sábado no meu edredom, respondendo aos comentários que minha fanfic recebera, além de escrever mais um capítulo. Eu estava quentinho, confortável, obrigado, quando batem à porta.
Resmunguei qualquer coisa, e por estar sozinho, me vi obrigado a atender a porta. Qual minha surpresa ao ver lindos olhos lilases, ansiosos e inquietos, olhando para mim.
IMAGINA SE O ANTÔNIO OU O FRANCIS ESTIVESSEM AQUI!
Cocei a nuca, apreensivo, dizendo boa-tarde ao meu visitante. Ele retribuiu ao cumprimento e ficara um silêncio desconfortável. Perguntei se ele gostaria de entrar e assentiu; senti meu coração palpitar ao notar que eu e Roderich estávamos conscientes e no mesmo quarto.
– Você é fã da Lady Gaga? – ele perguntara com desprezo na voz, observando meus inúmeros pôsteres, fora a capa do meu notebook ser um desenho da artista feito por sua “desenhista oficial”, Helen Green.
– Sou sim, algum problema?
– Você usa sutiã de lantejoulas?
– O quê?! Não!
– Então, não. Nenhum problema.
Outro silêncio.
– Gilbert, você é gay?
O RODERICH AGORA SE CHAMA ANTÔNIO FERNENDEZ CARRIEDO E NÃO ESTOU SABENDO?!
– D-de onde tirou isso?
– Você é fã da Lady Gaga.
– M-mas isso não quer dizer nada... – estou me contradizendo, mas tudo bem!!!!
– Esqueça, estou brincando com você – HAHAHAHAHA já se inscreveu para o Zorra Total? – eu queria te entregar isso – e me estendeu uma enorme barra de chocolate, uma das que eu havia comprado.
– Por quê? – indaguei com as bochechas coradas.
– Em agradecimento pela ajuda. Eu recebi uma cesta enorme quando quebrei o punho, guardei todos os doces no frigobar, e são tantos... E eu tinha que agradecer de alguma forma...
– Ah... Obrigado. – que bonitinho!
– Eu que agradeço. A propósito, poderia me passar o seu whatsapp?
–x-
No sábado que antecedia a festa, eu continuava eufórico pelo o que aconteceu há uma semana. E durante os sete dias, Roderich puxava conversa me enviando músicas clássicas, dizendo “que aquilo que era música”, eu “deveria ouvir isso”, entre outros. Respondia que gostava, mas não eram as que eu mais costumava ouvir. Ontem, ele apelou, dizendo que a Gaga acabaria cedo ou tarde. Eu respondi tudo o que a minha rainha fez e por mim e pela música, em quarenta linhas, ainda enviando uma foto dela maravilhosa, reinando suprema em seu biquíni de conchas.
Ele simplesmente replicou “então se case com ela, já que tem fetiche por conchas e sereias”. Francis disse que era o mais puro ciúme.
Estávamos na cidade com Lovina e Feliciana para escolhermos nossas fantasias para a festa de Halloween. Lovina e Antônio fariam os reis de copas, enquanto Feli estava indecisa. Francis anunciara que iria de Thor, enquanto na minha cabeça só vinha Conde Drácula. Eu também tinha que arranjar alguma fantasia para meu irmão, porque o convencemos de se declarar para a italianinha. Com muito custo, isso é óbvio.
Eu também esperava que minha relação com o Rod avançasse!
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