Como amar Roderich Edelstein
22 Capítulo XXI
Notas iniciais
Capítulo XXI
Roderich passou o final de semana em casa, e eu ainda não descobri se ele vai à festa. Nem meu irmão nem Kiku sabem me dizer. Acabei me lembrando que na segunda-feira é aniversário do austríaco, imaginei que ele quisesse passar os sábado e domingo em casa, apesar de Francis achar que não. Inclusive, no domingo faz aniversário da morte de seu pai. Ele deve estar muito triste...
Como sou uma pessoa muito incrível, resolvi por comprar um presente para ele; não muito sofisticado, é claro. Por isso, enquanto ainda estávamos na cidade, obriguei a meus amigos carregando suas pesadas fantasias (exceto Lovina, pois Antônio carregava todas as suas compras) a entrarem em cada loja de presentes que eu encontrava.
Chegamos a uma loja bem arrumadinha, e com uma grande variedade de artigos. Alguns tinham um preço bem salgado que não mereciam, e outros que pareciam caríssimos, valiam uma mixaria. Procurei entre as prateleiras algo relacionado à música, e eis que encontro uma caixinha de música em formato de gramofone. Era grande até, e tocava alguma coisa de Mozart. Comprei e mandei gravar o nome de Rod. Embrulhei num papel de presente discreto, por sugestão de Lud. Eu queria um que tinha vários desenhos de laços e furta-cor, mas seria muito... gay. E por enquanto eu gostaria que ele não soubesse que eu amo laços furta-cores.
Voltamos para o colégio, exaustos. Antônio teve dor na coluna por carregar fantasias, a bolsa de Lovina, assim como suas compras: maquiagens, produtos para o cabelo, diversos acessórios. Coitado. Mas mesmo assim exige carregar as coisas da namorada. Digo, quase namorada.
Tônio nos segredou no quarto que vai pedi-la em namoro no domingo depois da festa e questionamos qual domingo. O lerdo só entendeu meia hora depois e nos jogou travesseiros na cara, xingando em espanhol.
–x-
Eu mal dormi na noite de domingo para segunda, tamanha a minha ansiedade. E se ele não aceitar? Ou não gostar? Ou quebrar na minha cabeça?
Deixei para entregar na hora do almoço, já que geralmente voltamos para as salas sozinhos. Ou seja, aguentei seis aulas seguidas com o estômago doendo de agonia.
Para a minha surpresa, ele não havia descido. Almocei rapidamente e voltei a sala dele, com o presente em mãos. Tentei me acalmar dizendo que tudo daria certo, mas toda a minha autoconfiança se expirou quando vi Liz e Rod sentados nas últimas carteiras, com um cupcake que parecia ser de chocolate e cobertura de chantilly, enfeitado com estrelinhas coloridas! CO-LO-RI-DAS! E uma fina vela em cima. Eu observava os dois felizes e me senti tão... Mal. Resolvi que iria embora, mas era tarde; os dois já tinham me visto.
– Gilbert? – a voz melodiosa naturalmente de Roderich me chamava. Eu fiquei estático na porta, sentindo a mão da tristeza apertando meu coração. Ambos me encaravam sem entender nada. – aconteceu alguma coisa?
–N-não... – estava imaginando o quão o meu rosto expressava o contrário.
– Bem, Roddy... eu tenho que resolver algumas coisas com a Feli... – Liz se levantou e beijou a testa de Roderich, que SORRIU. Vou repetir: ele SOR-RIU! – Feliz aniversário de novo!
Ela simplesmente pediu licença ao me ver. A acompanhei com o olhar até ela sumir do corredor. Respirei fundo, contei até três e me dirigi ao lugar onde Rod estava. Ao notar a proximidade das cadeiras, senti o ciúme corroendo meu estômago, mas resolvi ignorar me assentei ao lado de Rod, cujos olhos ametistas me fitavam curiosos.
– Então, Roderich... Eu vim... Lhe desejar... Feliz aniversário... – as palavras custavam sair.
– Oh, obrigado – ele pareceu sorrir.
– E eu trouxe um presente... – deixei o embrulho em cima da mesa.
– Ah... — Ele fitou o objeto por uns instantes e finalmente abriu, delicado. Seus olhos faiscaram ao ver a caixinha de música. Deu corda e ouviu a melodia. – Rondo alla Turca...
– Não precisa xingar se não gostou... – amuei.
–Não estou xingando, é o nome da música, seu tolo! – ele sorriu, se divertindo à custa da minha ignorância — Eu a amo, simplesmente! – seus dedos tamborilavam na mesa, como se imitasse os acordes da composição.
Quando acabou, olhara satisfeito para a caixa de madeira e o gramofone dourada, até notar seu próprio nome gravado na lateral.
– Você mandou gravar meu nome!
– Sim...
– Gilbert... Não sei como vou te dizer isso, mas – ele vai dizer que não pode aceitar, que acabara de planejar a vida com a Liz, que me odeia... – que esse foi o presente mais amável que eu já recebi na minha vida.
O quê?!
– C-como?
– É sério... Eu espero certo presente há anos... E apesar de saber que nunca vou ganha-lo... Esse é o que eu nunca esperei e... – ele parecia melancólico – obrigado – ele sorriu para mim sincero.
– De nada... Feliz aniversário, de novo! – retribui o sorriso.
–x-
O sábado da festa finalmente chegou! Lovina ficou atarantada por ter que maquiar a mim, Tônio e a si própria. Ela deixou meu rosto com um aspecto vampiresco incrível, deixando meus olhos ainda mais vermelhos! Lá pelas sete da noite, começamos a nos vestir. Nossas fantasias eram riquíssimas, parecia que íamos a algum baile num reino. Francis combinara com Alfred de irem fantasiados de Capitão América e Thor. O francês parecia a encarnação do próprio deus do martelo! Já o moreno de olhos verdes estava fantástico em seu traje de Rei de Copas. Ele mal esperava para ver Lovina.
Ivan já me mandara três mensagens perguntando a quantidade de cerveja que eu queria. Apenas duas garrafas. Ele saíra com Yao para comprar as bebidas, que nós pagamos antes, para não ocorrer confusões.
Eu e o francês descemos para o ginásio, onde já começava as primeiras batidas da festa. Alfred já estava arrumado, correndo de um lado para o outro, verificando com cada pessoa responsável por uma parte se estava tudo bem. Cumprimentou-nos e disse para ficarmos à vontade. Arthur e Peter já estavam lá, o mais velho de pirata, ricamente adornado, e o mais novo como seu leal marujo. Vash e Lily também já estavam lá. Ele parecia com um Robin Hood zumbi, enquanto a irmã estava vestida como uma Barbie bailarina. Uma gracinha!
Meu irmão logo chegou. Ele estava maravilhoso vestido de lobisomem! Na verdade estava fofo, porque aquelas orelhas pareciam tão felpudas! Feli ia ficar encantada! Ainda mais que a camisa dele estava aberta até o terceiro botão, mostrando aquele peitoral bem definido e a calça branca marcava as pernas torneadas.
Os próximos a chegarem foi Hansen e Bella, vestidos de médico e enfermeira diabólicos.
– Será que ela gosta de injeção? – Francis sussurrou.
– Cala a boca! – ri da piada infame dele.
Os orientais vieram em seguida, cada um com uma fantasia de anime, mais assustador que outro. Kiku era sem dúvida o mais assustador deles! Também, já ganhara um concurso mundial de cosplay duas vezes seguidas!
Ivan vinha acompanhado de outra galera. O próprio estava fantasiado todo de branco, com chifres semelhantes aos de um bode na cabeça e profundas olheiras no rosto; a irmã trajava a roupa do Cisne Negro, enquanto os primos Eduard e Raivis estavam de Darth Vader e Coelhinho Fofo Macabro, respectivamente. O casal Toris e Feliks contrastava um com o outro, já que ele estava de anjo e ele, digo, ela, de diaba sexy.
Outros alunos já se instalavam, e ao som da música eletrônica, o ginásio foi enchendo. Não demorou muito e a festa estava animando já. Alfred parecia orgulhoso! Antônio, Lovina e Feli chegaram. A mais velha estava tal qual uma rainha! Só achei o decote muito exagerado, mas o corte realçava bem o busto. Os detalhes preto e dourado davam um toque de glamour nas roupas, o salto enorme também a deixava uma diva! Já Feli estava tão fofa e amável de Colombina! A roupa toda cheia de pompas e pompons! Eles se aproximaram.
– Meu Deus, Lovina! Que belo para-choque!
– Francis! Cadê o respeito?! – Antônio exclamou.
– Tô olhando para ele. – Francis não tirava os olhos do decote.
– Escuta aqui, seu nojento! Ou você para de olhar ou eu enfio o meu sapato num lugar onde o sol nunca viu!
– Nossa, Lovi, quanta violência!
– Cala a sua boca, só quem pode me chamar de Lovi é o Tonton. Entendeu?!
– Sim...
– Ótimo! Amorzinho, estou com sede – falou manhosa para o Rei de Copas. Incrível!
– Okay, meu tomatezinho rechonchudo! – e saíram de mãos dadas para o barzinho.
– Você ouviu o que ele falou?! Ele falou dos seios dela e ela nem chiou!
– Não falou, não.
– Falou!
– Enfim – Lud interrompeu, apontando discretamente para a porta.
Eis que surge na porta um Fantasma da Ópera, que mais parecia um príncipe, tamanha a riqueza de suas roupas. Meu queixo caiu e acho que comecei a babar.
– Gil, fecha a boca! – Francis sussurrou e voltei à realidade; mas meu coração disparou ao perceber que ele e a bruxa da Liz, digo a Liz vestida de Bruxa (que deixava-a com um corpão) se aproximavam. Nos cumprimentamos muito formalmente não me passou despercebido o fato de Roderich estar sem os óculos. Ele se sentou em nossa mesa, parecendo estar desconfortável. Lud e Feli trocavam olhares tímidos nesse meio tempo, e eu percebi o tamanho da vela que estava segurando.
Chamei Francis para pegarmos alguma coisa para comer e beber, e notei que estávamos sendo seguidos por Liz. Eu já ia me virar para aquela piranha o que ela queria comigo, mas o máximo que ela fez foi me puxar para um abraço.
– Obrigada, Gil. – sussurrou enquanto me apertava. “Obrigada” porque, cascavel?!
– O que eu fiz? – questionei.
– Muita coisa. Espero que me perdoe logo, Gil... – ela deu um meio sorriso e foi para a pista de dança. Francis estava atônito, mas deu de ombros e foi pedir duas batidas de abacaxi. Também esperando as bebidas estava... O Luciano vestido de alguma coisa que eu não consegui identificar, estava com óculos de aro redondo, uma blusa de manga comprida listrada de branco e vermelho e calça azul claro.
– Oi Lu! Do que está vestido?
– Olá, Conde Beil... Beil...scm...
– Beilschmidt – corrigi; Lu nunca aprendera a falar meu sobrenome.
– Isso aí. Estou vestido de Wally. Minha namorada que escolheu.
– Aaaah... – entendi patavina nenhuma! – quem é sua namorada?
– A Amanda! Você já a viu, mas nunca apresentei vocês, espera... Amanda!
Veio caminhando lentamente uma rainha de bateria extremamente tímida, com a roupa decorada de plumas e lantejoulas rosa, dourado e azul. A garota era linda, mas parecia meio destoante com aquela roupa.
– Não é maravilhosa? Eu que escolhi a fantasia dela!
– É... Prazer, Gilbert!
– P-prazer, Amanda...
Lu pegou as bebidas, entregou uma para a garota e não demorou muito para atracar na cintura dela, e não muito discreto usando a mão boba. Se a Lovina visse... Bem, ela estava na pista de dança com o Tônio, então não há problema.
Estava tudo indo muito bem até que chega um argentino fantasiado como o personagem de “A Laranja Mecânica”.
– Nossa, Luciano, agora você pega papagaio também?
– Calado, alfajor mofado! Você bem que queria que eu estivesse te encoxando, né, loura azeda!
– Quem queria estar sendo encoxado é você!
– Deixa de recalque, mandada – Lu beijou o próprio ombro.
Martin xingou em espanhol e saiu dali. Luciano e Amanda começaram trocar beijos e procurei por Francis. Ele me entregara um copo e disse que o show da banda iria começar.
Os Nordic V estavam todos de vikings rockeiros (se é que isso é possível), cada um com uma cor diferente. Mathias estava de vermelho, Lukas de azul escuro, Emil de azul claro, Tino de roxo e Berwald de laranja. Enquanto nos horários normais eles eram tímidos, num palco eram totalmente ao contrário! Mathias era o que mais se destacava, interagindo com o público. E tocavam muito bem! O repertório era animado, e lá pelas tantas, comecei a observar a troca de olhares entre o baixista e o guitarrista. Numa música mais agitada, Mathias por entre as pernas de Lukas e fizera um solo incrível, que fiquei abobado. Tão abobado que nem percebi que bateram em mim.
– Desculpa, Gilbert.
Me virei e Roderich estava tentando focalizar meu rosto, apertando os olhos.
– Desculpado... O que faz aqui?
– Seu irmão saiu com a Feliciana e me deixou sozinho. E agora estou com sede, sem óculos e não consegui enxergar ninguém, só você – OWWWWN! – Por causa do seu cabelo – sem owwwn.
– Ah... Quer beber o quê?
– Tem uma bebida vermelha que parece ser muito gostosa.
– Tudo bem, pegarei pra você, não saia daí. – me dirigi ao barzinho e pedi a tal de “batida de sangue”. Em minutos eu voltara, entregando ao fantasma.
– Obrigado... O que eles estão fazendo? – ele olhava para o palco. Agora meu queixo foi no chão de vez! Mathias fazia outro solo enquanto beijava o Lukas ardentemente!
– Se beijando!
– Sério? – ele ainda apertava os olhos para tentar enxergar.
– Não force sua visão, ou terá dor de cabeça.
– Tudo bem... – ele tomou um gole da bebida – é boa mesmo! – ele ficava brincando com os gelos faiscantes do copo. Achei a cena muito fofa. Enquanto observava o austríaco fazer isso, uma loura me chamou, do segundo ano. Ela já tentara flertar comigo, mas eu não retribuí. Faço a menor ideia de qual seja seu nome.
– Só um minuto, Rod, já venho – ele assentiu, distraído com os gelos.
A acompanhei até um lugar mais distante do palco, onde havia outros casais, inclusive Matthew, que estava aos beijos com uma garota do primeiro ano, vestida de Branca de Neve. Imagine a cara do Alfred quando souber onde o irmãozinho inocente está apertando!
A loura estava dançando, possivelmente tentando me seduzir. O DJ havia voltado com músicas de pegadas mais quentes, e isso a atiçava ainda mais.
– Gil... Faz tempo que a gente se conhece, não?
E desde quando a gente se conhece, lacraia?
– É...
– E sabe, eu sempre te achei muito gostoso.
Garota, você bebeu?! Falando em bebida, nem peguei minhas cervejas... Vou deixar pra amanhã, mesmo. O Ivan não se importa.
– Obrigado, eu acho.
– Então, você não acha que pode rolar algo a mais?
– Mas é que eu...
– Não se preocupe, a gente arranja camisinha.
– O QUÊ?!
– Eu disse que-
– Eu entendi perfeitamente o que você disse, mas não sei de onde tirou essa ideia que eu queria ficar com você, quanto mais transar!
– Como assim, Gil? Está me dispensando.
– Tá louca? Como vou dispensar algo que eu nunca qu- — ela tentou me agarrar a força, mas a empurrei de forma delicada e me virei.
– Viado!
– O quê?
– Bicha, brocha! Tem que ser boiola mesmo pra me largar assim!
– Tem que ser inteligente, isso sim! Adeus! – virei a cabeça
– Vai ver só, sua bichinha! Vai arranjar quem te coma, viado!
Eu tentava manter a postura, mas por dentro eu sentia desmoronando. Dói ouvir aquilo, dói o ódio.
– Gil? – a melodiosa voz de Roderich me era o paraíso. Ele estava me seguindo? – aconteceu alguma coisa? Quem era?
– Nada e ninguém. – suspirei
– Do que ela estava te chamando?
Fitei seus olhos roxos, que parecia um mar de questionamentos e um tantinho furioso.
– Ela me chamou de gay por não querer ficar com ela.
Ele tentou focalizar qualquer coisa loira de microshort mas fora em vão. Suspirou também e balançou a cabeça negativamente.
– E desde quando homem de verdade tem que ficar com qualquer uma?
– Pois é... Acho que vou ficar lá fora... – comentei ao pegar uma fatia de pizza que estava sobre a mesa. – aceita?
– Sim... — ele pegara um prato.
– Até mais, então... – respondi desanimado.
– Espera, Gilbert... Vou com você!
–x-
Ambos ficaram a metade da festa do lado de fora, observando a lua cheia, apenas calados e parados, sentindo a suave brisa da noite tocando-lhes na pele.
Até que Ludwig resolveu falar; afinal, ele quem chamara Feliciana para uma conversa “séria”.
– Então, Feliciana...
– Pode me chamar de Feli.
– Feli, eu queria dizer que... Eu gosto muito de você... –As bochechas de ambos se tingiram de tom escarlate.
– Eu... Também gosto muito de você...
– Mas eu acho que tem outra pessoa no caminho e...
– Você fala das flores, não é? Eu achei que fosse você...
– Eu queria ter tido essa ideia...
– Mas... Se não foi você não tem valor! Só achei o poema tão a sua cara...
– Que poema? – ele estranhou.
– Um que veio em meio às flores! Eu o tenho salvo aqui – a italiana procurou a foto do papel, e assim que encontrou, mostrou ao alemão. Ludwig lera palavra por palavra e conclui.
– Esse poema fui eu quem escrevi, ano passado! Mas não faço a menor ideia de quem possa ter copiado. Impossível ser o Gil... A não ser...
– Quem?
– O Francis esteve no meu quarto dia antes, alegando pegar algo para o Gil, nem liguei para o que era, mas agora...
– Mas porque ele fez isso?
– Não sei...
Ficaram bons minutos em silêncio. Ludwig puxava a coragem novamente.
– Feli, eu gostaria de dizer mais algumas coisas...
– Diga! – ela lhe sorriu.
O louro limpou a garganta e começara a declamar o poema “Pela Luz dos Olhos Teus”, o favorito da italiana, a voz grave do alemão declamando aquelas palavras tão delicadas soavam tão bem nos ouvidos da garota!. No quarto verso, ambos entoavam juntos:
– Pela luz dos olhos teus
Eu acho, meu amor
E só se pode achar
Que a luz dos olhos meus
Precisa se casar.
E terminaram num beijo calmo, sem pressa, sem desejo, apenas amor que soltava após tantos anos guardado no coração.
–x-
Acabamos nossas pizzas e apenas admirávamos o luar. A lua cheia parecia ser de prata, querendo combinar com aquele 31 de outubro. A brisa estava gelada e por sorte, nossas fantasias eram quentinhas. Rod deveria estar vendo tudo desfocado, coitado.
– Gil, tenho uma pergunta – ele disse de repente.
– Pergunte.
– Você usa lentes?
– Não. Tudo cem por cento original.
– Ah...
Ele se virara para mim.
– Acho seus olhos lindos...
– Ah... o-obrigado – droga! Ele me pegou desprevenido! – também acho os seus muito... Lindos...
– Obrigado.
Encaramo-nos e ele se esforçava para ver meus olhos. Acabei me aproximando para ajuda-lo; entretanto, ele não mediu a distancia e acabou encurtando a distância ainda mais. Ficamos com os rostos irresistivelmente próximos.
A brisa soprou mais forte e eu o vi estremecer. Quis fazer algo para protege-lo, mas seu oceano roxo me prendia. Ele não se afastara em momento algum; apenas me observava.
Novamente, os impulsos falaram mais alto. Não resisti e rocei nossos narizes para ver a reação dele. Ele apenas sorriu e devolveu o afago. Meu coração estava a mil, e após esse gesto, ele estava a um milhão!
Novamente, tentei roçar nossos narizes, mas dessa vez aproveitei para tocar os lábios doces dele com os meus. Ousado e arriscado, mas necessário. Em resposta, ele fez o mesmo, com a diferença que havia mordido levemente meu lábio inferior.
Talvez tivéssemos aprofundado o beijo, mas um barulho suspeito nos fez nos distanciarmos. Eu estava tão feliz que achava que era apenas um sonho.
Mas felizmente não era.
Porém, a outro "mas"... O QUE FOI QUE O RODERICH FEZ?!
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