Notas iniciais
O capítulo ficou pequeno, um filler fofinho, espero que gostem.

Capítulo XVII

Eu estudei muito durante toda a semana para ocupar minha mente. Tirar notas boas era segundo plano. Resolvi mais de vinte exercícios de cada matéria, assisti a vídeo-aulas, revisei conteúdos, tirei dúvidas com alguns professores, revi alguns antigos clipes da Lady Gaga (não que isso seja relevante para você, mas deu para extravasar um pouco, tá?), e lia muito os livros-texto antes de dormir. Tentava ficar exausto mentalmente ao máximo, e após uma boa noite de sono, eu despertava preparado para fazer a prova.

Elas não estavam muito difíceis, só extensas e um pouco cansativas; por sorte, eu estava preparado. Muitos diziam que se deram mal, mas eu acredito que eu tenha ido bem. Caso o contrário, desisto da herança e vou virar DJ da Lady Gaga (é uma boa opção...).

Brincadeiras à parte, recebi domingo à tarde um recado dos meus pais. Desejavam a mim e a meu irmão boa sorte nas provas, muita concentração e tudo o mais. Mas na minha mensagem vinha algo a mais. Diziam o que eu já sabia: “seu futuro depende disso”. Só faltou dizer: os negócios da família dependem da sua nota. Eu não queria imaginar o dia que eu contaria aos meus pais sobre minha sexualidade ou quando eu levasse Rod para conhecê-los. Meu estômago se revirava só de pensar nisso e nas consequências.

Falando no austríaco metido, Praticamente não o vi essa semana. Apenas relances na hora das refeições e nada demais. Estava um pouco chateado e eu o notava resmungando por ter que comer com a mão esquerda.

Eu ansiava pelo final de semana. Tinha planejado comprar uns presentes para alegrar o Roderich. Eu sentia mais e mais vontade de tomar conta dele, de vê-lo sorrindo com seus dentes pequenos, e beijar seus lábios... Mas tenho que me contentar só com a imaginação... Não que eu também não use a música Sexxx Dreams para atiçar ainda mais minha fantasia, mas meu cérebro relembra ainda as imagens do corpo de Rod, que apesar de mal tratado, era lindo. Então “when I lay in bed I touch myself and think of you”.

A semana inteira meu cérebro, cansado, começara a me dar sonhos sugestivos, os quais eu reprimia. Na sexta-feira, coincidentemente ouvi a música já citada antes de dormir. A voz da Gaga parecia contar uma história na qual eu e Roddy éramos protagonistas. Não resisti e deixei meus pensamentos e minhas mãos seguissem para onde bem entendessem, abafando os gemidos no travesseiro.

Obviamente acordei me sentido culpado, tanto pelos pensamentos impróprios com um cara que mal comecei a conversar e por suspeitar que alguém ouvi alguma coisa. Do jeito que o Francis é não duvido nada.

Como já havia terminado as provas com a consciência tranquila (nessa parte), fui dar uma volta no shopping da cidade, que fica a quase uma hora do colégio. Eu queria ir sozinho, mas não vi problema algum do casal de tomate me acompanhando. Seria até bom me ajudarem a comprar algo para meu austríaco.

Fomos de ônibus mesmo, quanto menos luxo, melhor. Lovina e Antônio trocavam beijos e carícias durante a viagem e no shopping. Ei, Brasil! Me espere em 2016! Estou carregando atocha olímpica!

O chato de passear com uma garota italiana extremamente amante da moda é que ela gosta de entrar em todas as lojas, experimentava vários vestidos e pedia A MINHA OPINIÃO! Só porque é gay tem que ser aficionado por moda? As únicas mulheres que amo ver as roupas é minha mãe e a mamãe monstro. Só.

Lovina levou uns três vestidos e cinco sapatos. Ela ficou tentada com uma bolsa, mas o estômago do namorado roncou e nos dirigimos à praça de alimentação. Queria um lanche rápido para voltarmos as compras. Um passada no Mc Donalds resolveria nosso problema. Eu quase enfiei o sanduiche na boca de uma vez, enquanto o casal ficava de gracinha. Uma coisa que me chamou a atenção entre aquelas mesas era um casal gay que trocava olhares apaixonados, conversavam e se tocavam em carícias. Sorri ao imaginar que um dia eu Rod pudéssemos estar assim também. Eu queria estar com ele aqui e agora, mas...

Acabamos de lanchar e pedi a Lovina que me ajudasse na escolha. Ela me levou a uma loja de bichinhos de pelúcia... Ok, Lovina: que imagem você tem de mim?!

Achei a ideia boa, afinal de contas. Uma forma de mostrar que eu estaria com ele, além de ser fofo e carinhoso. Pensei em fazer uma cesta com as mais deliciosas guloseimas, já que me chegou a informação que ele é um chocólatra.

O bichinho que escolhi foi um panda. É um animal bicolor, com cores opostas, e isso me lembrava Rod. Ele parece doce e sensível, mas por dentro é um chato. E sensível.

Gastei mais de cem euros no presente, que ficou incrível! Escrevi num papel decorado “espero que melhore logo :)” Estava orgulhosíssimo do embrulho. Mandei entregar como se fosse encomenda. Avisei ao meu irmão para me informar sobre tudo. Domingo a tarde eu saberia toda a reação dele.

–x-

Feliciana passara a semana toda entristecida. As flores estavam murchando e o papel em sua mão estava esquecido. Ela acreditava piamente que seu amor de infância finalmente havia ia se consumar, o garoto desajeitado que viu crescer e se transformar em um rapaz sério e maduro finalmente tinha feito alguma coisa... Não que ela esperasse que ele correspondesse, mas...

Tentava estudar e não conseguia se concentrar. Suas notas provavelmente estarão lá em baixo, mas não conseguia não pensar no alemão. Relia o poema e o achava tão o estilo dele... Meio bobo, mas era tão lindo... Sentia uma pontinha de inveja da irmã, tinha um cara lindo aos seus pés! E por que não ela?

Feli se revirava no colchão, com o coração doendo. Então agora tinha um admirador? Ela não queria saber de outro! Não e não! Ela amava Lud desde quando o viu pela primeira vez! Ela releu os versos novamente, antes de fechar os olhos e sonhar com seu amado.

Notas finais
No próximo capítulo teremos DenNor :D