Notas iniciais
BRASIIIIIIIIIL o/ (apesar daquele pênalti roubado, caham) Gabaritei a prova de História - 2a Guerra Mundial o/ Enfim, eu sei que deveria ter postado ontem, mas fiquei meio mal, e hoje teve jogo e... Boa leitura, CAREaders o/

Capítulo XII

Combinei com Francis para que ele animasse Antônio enquanto eu conversava com Lovina. Obviamente, o espanhol não saberia de nada. Marquei com ela via whatsapp às 17 horas, depois da última aula da tarde. A italiana ficou bastante curiosa, e depois de alguma resistência, aceitou.

Eu me encarreguei dessa tarefa, por que além de estar ajudando um dos meus melhores amigos, Lovina odiava Francis e nos dávamos relativamente bem. Entretanto, ela não gosta do meu irmão, mas é por ciúmes de Feli. Bem, eu gosto da italiana gentil, e não me comporto da mesma maneira super-protetora da rabugenta.

Fui ao local do encontro e aguardei a italiana. Após alguns minutos, ela chegou, cheia de interrogações nos olhos.

– Oi Gilbert... Porque me chamou?

– Oi Lovina. Para termos uma conversa séria.

– Sobre? – arqueou a sobrancelha bem feita.

– Vamos dar uma volta? – Propus, caminhando entre as árvores de frutas do pomar que era cuidado pelos alunos do clube de jardinagem, chefiados por Antônio, do qual a minha interlocutora fazia parte.

– Tudo bem — ela me olhou desconfiada.

Escolhi as palavras que iria proferir, enquanto conferia se ela estava me seguindo.

– Fiquei sabendo da briga que teve com o Tônio – ela mal me deixou terminar e fechou a cara. – quero saber da sua versão da história.

Ela me contou algo semelhante a o que o espanhol havia dito, com alguns exageros, é claro.

– Você não acha que isso foi desnecessário, Lovina?

– Como é?

– Sei lá... O Antônio não é isso que você o chamou. Você sabe mais que todo mundo que ele é louco por você, e nunca faria uma coisa dessas. Se ele ficou excitado, bem, eu julgo isso ser normal. Afinal, além de amar seu gênio impossível, ele ama seu corpo, oras. Nunca vi um casal de namorados que se amam verdadeiramente sem sentir atração física um pelo outro.

– Você sabe que de acordo com minha religião, nós só...

– Não estou falando de fazer ou não sexo, Lovina! – ela ficou vermelha – estou querendo dizer que não foi culpa dele, visto que é natural... Pelo amor de Deus, Lovina... Não faz essa burrada... Perdoa o Tônio, o que custa? Ele te ama de verdade e o ocorrido foi só um acidente!

Ela emudeceu, seus olhos começaram a brilha de lágrimas.

– Sério... Tem gente que daria tudo por ter um cara como o Antônio ao seu lado... E você não vai ser burra de deixá-lo ir embora, vai?

A garota desandou a chorar. O que eu fiz?!

– Lovina?

A italiana chorou copiosamente, o que me deixou confuso e alarmado. A abracei para tentar consolá-la.

– O que houve? Pode me contar...

Ela limpou os olhos e procurou se acalmar. Estava bastante inchada, apesar de ter chorado por pouco tempo.

– Lembra-se do Sadiq? O primo mais velho do Heracles?

– Lembro sim, que terminou o colégio ano passado... O que tem ele?

– Eu estava no sétimo ano, enquanto você e o Tônio no oitavo. Eu já conversava com o bastardo na época...

– Ah, como eu poderia me esquecer... Antônio já era gamado em você!

Ela corou e prosseguiu.

– Bem, na época eu gostava do Hansen...

– O holandês? Caramba! Mas ele não estava com a Bella?

– Não ainda... Essa história é um pouco complicada...

– Pode contar, tenho todo o tempo do mundo.

– Pois bem, na época, o Hansen ainda não gostava da Bella, e nem ela dele. Eles só eram amigos e eu não tinha contato direto com o louro, até Antônio nos apresentar. Eu o achava muito lindo na época com aquele quê misterioso... Enfim, perfeito em vários sentidos. Começamos a conversar e logo gostei dele.

– E onde o Sadiq entra nessa história?

– Já vou chegar lá. Enfim, eu e o Hansen ficamos e tudo estava indo maravilhosamente bem, até ele se declarar para a Bella... – sua voz tinha um tom triste – Mas...

– Mas...

– Ele não queria que eu fosse embora, entende? Acabou que a Bella se tornou oficial e eu a “outra”, e eu me humilhei porque gostava dele... – uma luzinha começou a se acender na minha cabeça. – enfim, ele apresentava a Bella a todos como sua namorada, mas tarde da noite ele me procurava... Cara, eu só tinha 13 anos... – fiz um gesto de compreensão – mas como sabe, as paredes tem olhos e ouvidos... Sadiq descobriu tudo e começou a me chantagear, dizendo que contaria tudo para todo mundo se eu... – ela recomeçou a chorar.

– Calma, Lovi... Passou, passou... – a apertei em meus braços – o que ele fez?

– Ele pediu pra ficarmos... Eu relutei no começo, mas ele começou a fazer ameaças mais sérias... Até que cedi. Mas ele queria mais, e um dia... – ela fungou – começou a me molestar, passar aquelas mãos nojentas em mim... Fiquei com tanta repulsa que neguei, mas ele queria e queria mais... E acabei gritando pelo Tônio

– E aí?

– Aí que... Ele me socorreu, mesmo sabendo que podia apanhar feio. O Tônio cuidou de mim pra valer... E ficamos mais próximos...

– E qual o motivo de você nunca trata-lo bem?

– Eu não queria gostar dele... Mas ele é tão gentil... Ou achei que ele estava só me enganando, como os outros. Fiquei com muito medo.

– Lovina, você não pode basear um relacionamento em outro que não deu certo... As pessoas são diferentes, agem diferentes... Então deixa de ser, com perdão da palavra, idiota, e se permita a amar o Antônio com todo o seu ser... Converse com ele a respeito daquele episódio e peça desculpas sinceras... E perdoa-o. Ele ama você.

– Eu sei... – ela deu um pequeno sorriso.

– E você o ama?

– Muito – o sorriso se abriu mais.

– E ele sabe dessa história?

– Sabe...

– Está vendo? E ele ainda ficou do seu lado... Poxa vida, Lovi, dê valor ao que você tem!

– Eu sei... — ela limpou os olhos – e para de me chamar assim!

– Está certo, agora tome um banho, se arrume e fale com ele... O Tônio vai ficar tão feliz!

Ela me abraçou e me beijou na bochecha.

– Obrigada, Gil!

–x-

No jantar do colégio, normalmente é servido sopa. Uma refeição leve e gostosa, e uma sopa para cada dia da semana. Hoje é quinta-feira e servirão sopa de batatinha com linguiça e ovo. Quando digo batatinha, são aquelas batatas em miniatura inteiras. A sopa é uma fonte de carboidrato e proteína, o que vai deixar meu irmão muito contente.

Já estava amassando as batatas no prato, quando vejo um casal se aproximar. Antônio e Lovina estavam de mãos dadas com os dedos entrelaçados, e pareciam bem felizes. Durante o jantar, a italiana deu comida para o amigo colorido na boca, e o espanhol dividiu um pudim de leite condensado com a amada. Fato que deixou a todos – inclusive a mim – surpresos.

Como ainda estava um clima ameno, passamos o começo de noite no jardim do pátio, que era muito bonito. O casal ítalo-espanhol ficou um pouco afastado, trocando beijos e carícias. Eu e Francis ficamos muito satisfeitos.

Mais tarde, no quarto, Antônio contou com detalhes como foi a reconciliação.

– A Lovi bateu no quarto, perguntando se poderia entrar. Quem deixou foi o Francis, que saiu e nos deixou a sós. Ela sentou do meu lado, enquanto eu estava deitado e muito abatido... Ela fez carinho no meu cabelo e beijou na bochecha... Pediu desculpas por ter gritado comigo, e eu também pedi... Ficamos em silêncio, nos encarando... Até que ela me beijou... Ela estava tão fofa, parecia um tomate... E nem se importou quando a chamei pelo apelido...

– Só falta oficializar! – Concluí, bem feliz.

– Sim, mas tenho um plano. E vamos precisar da Feli!

Lembrei-me de outro plano. Contei minha ideia ao espanhol que concordou.

– Gil, não vejo outra maneira. E ainda a Feli pode te ajudar com o Ludwig.

–x-

Estávamos eu, Tônio, Lovina (sentada ao lado deste) e Feli. Estavam bastante curiosas e carregavam interrogações no olhar.

– Então, meninas... Eu as tenho com muito carinho, e vocês são quase irmãs para mim, além de cunhadas – ambas enrubesceram – e eu queria que soubessem por mim do que por outra pes-

– O Gil é gay!!

– Antônio, CALA ESSA SUA BOCA ENORME!

– Desculpa!

As italianas me fitavam surpresas.

– Bem, é isso. Eu corto para o outro lado.

Pronto, lá vai vir uma bronca! Desejei com todas as minhas forças que elas me aceitassem.

– Bem, Gil... – Feli foi a primeira a se pronunciar – Acho bacana você contar pra gente, não vejo problema algum! Além do mais, agora vamos ter que ir ao shopping sempre! – nós dois rimos.

– E você, amor? – o espanhol cutucou a quase-namorada, que estava muito pensativa.

– Sinceramente? Não muda nada! Apesar de eu não concordar com isso, Gil, eu vou continuar amando você, por essa incrível pessoa que você é! – ela enfatizou o adjetivo.

– Mas conta... Quem é o bonitão? – Feli escondeu uma risada.

– Se for feio, eu vou te dar uns tapas, hein? – Lovina ameaçou de brincadeira.

– É da turma de vocês... Sabe o-

– É o Roderich! – Antônio revelou.

– Caramba, amor! Para de estragar a surpresa do Gil! – Lovina lhe deu um beliscão.

– Ai!!

– Enfim, é ele mesmo... Só que eu não sei se-

– Ele é gay também.

– Perchè non stai zitto?!*

– Antônio, vou arrancar seus dentes! – reclamei. – enfim, preciso da ajuda de vocês. Eu não sei se o Roderich e a Liz estão namorando, ou se gostam. Eles são muito próximos...

– Ah, eu sei! – Feli ficou animada – que eles estão juntos eu sei que não, mas ela não me contou nada.

– E ele ser via... gay? – Antônio corrigiu.

– Não sei, Tônio... Na sala ele é muito quieto, na sala ele só fica próximo ao Lud e ao Kiku, por serem do quarto dele. E no intervalo ele fica sozinho... Se não está treinando violino com a Liz...

– E você sabe de onde eles se conhecem?

Ela negou com a cabeça.

– Eu sei que eles se conheceram antes de vir pra cá, mas eu posso assegurar que ela não está interessada nele, pois ela nunca comentou sobre.

– Mas o que vejo na sala, Gil, é que ele é um cara super comportado, fica na dele, quietinho. E antes mesmo de separarem os quartos, ele se aproximou do seu irmão. E dá preferência de fazer trabalho com ele. – Lovina completou – aliás, seria bom você aproveitar disso e se aproximar do Roderich.

– Bem... Eu tenho que contar a ele...

– Faça isso logo, Gil! Vamos torcer por você – os três me abraçaram.

– Quem diria, que a Feli teria um cunhado gay!

A italiana ficou vemelhinha, tal qual uma rosa rubra.

– Cala a boca, Antônio!!

–x-

Meu estômago estava revirando. Passei a noite em claro por que havia combinado que ia contar para meu irmão, o que é dez, cem, mil vezes mais difícil que contar para os amigos.

Você provavelmente deve estar enjoado de tanto ver minha preocupação em contar. Não é fácil, principalmente se você não sabe se a pessoa é homofóbica ou não, ou como ela irá reagir.

Eu e meu irmão somos cúmplices e amigos desde quando éramos pequenos, sempre nos apoiamos, sempre ficamos um ao lado do outro. Não me lembro de alguma briga séria, e sempre quando ele se machucava, corria para meus braços. Quando crescemos e ele ficou mais alto que eu, ele é quem me defendia. Espero que tudo isso não se acabe quando eu contar.

Eu amo meu irmãozinho pra valer.

Notas finais
*Perchè non stai zitto?!= Por que não cala a boca?! -- Bem, dolces, é isso aí. Vou tentar postar no domingo. Podem ir comentando à vontade, pretendo responder todos os reviews amanhã. JURO! Eu sempre os leio, mas geralmente estou ocupada (e amanhã tenho prova) e não penso numa resposta decente rapidamente. Um beijo, e até mais o/