Notas iniciais
O tamanho deste capítulo é inversamente proporcional a sua importância!

Capítulo VIII

Francis e Antônio mantinham o olhar levantado. Eu não me lembrava de ter aprontado nada com eles, por enquanto. Sentei-me em minha cama, enquanto meus amigos andavam de um lado para o outro, absolutamente sérios.

– Tem que ser agora? Estou com fome... – resmunguei.

– Agora, depois jantamos – Francis retrucou – ouvimos a sua conversa com o Mathias... Ou melhor, o Antônio leu os lábios de vocês. Agora queremos saber se...

– VOCÊ É MESMO GAY? – Antônio quase saltou para cima de mim.

– Como é?! – Devo ter ficado da cor do meu moletom favorito. Como odeio a falta de melanina em horas tão propícias como essas!

– Você ficou com o Mathias? – Francis empurrava Tônio para o lado. Fiquei sem reação. Bem, eu não sei se meus amigos eram homofóbicos, nunca contei da minha preferência sexual, nunca ouvi comentários ou opiniões deles sobre o assunto. E eu sei que dependendo da minha resposta, nossa amizade nunca será mais a mesma. Aliás, seja qual for. Uma pode gerar um soco bem dado no meu rosto, aversão à minha pessoa, e eles seriam os piores amigos do mundo. A outra... eles poderiam ficar desconfiados, para sempre.

Antônio olhava-me fixamente, enquanto Francis alisava o queixo. Após uma rápida troca de olhares, o louro suspirou, aproximando-se, olhando no mais profundo da minha alma.

– Isso é um sim?

– Quem cala, consente – o espanhol completou.

Baixei os olhos, ponderando as melhores respostas, as consequências, com meu cérebro e coração a mil por hora. Eu deveria falar a verdade, acima de tudo; uma hora eles iam saber, mais cedo ou mais tarde. Mas a oportunidade surgiu neste exato momento.

– Eu tenho 54 pôsteres da Lady Gaga só nesta parede, sei todas as músicas dela de cor e salteado, 20 coreografias subi no palco e cantei com ela, e vocês nunca desconfiaram?

Ambos se entreolharam, assustados. Já fechei os olhos, esperando qualquer reação violenta.

Fui empurrado na cama.

Com um espanhol e um francês me abraçando.

– Por que você nunca disse isso pra gente, Galego?

– E-eu... eu não sabia como reagiriam... E não é tão simples assim...

– Cara, a gente te ama! É nosso irmão albino e magrelo, a gente te aceita como você é!

– Cala a boca, Tônio. Claro, a gente ama você, Gil... Quem mais sabe?

– Só vocês... E o Mathias, claro... E eu também amo vocês, caramba! – meus olhos se encheram d’água.

– Me diz, Galego, me acha bonito?

– Acho, Tônio.

– E eu? Sou realmente muito sexy?

– Acho que se eu estivesse bêbado, te pegaria numa balada – rimos.

Meu estômago roncou alto e nos levantamos. Antônio fez uma expressão confusa e lembrou de algo que ficou enterrado:

– Ei! Mas você já nos viu despidos várias vezes!

– Até parece que eu fico tarando meus amigos! Não sou desses, fiquem tranquilos. Comigo tem que rolar uma boa química...

– E depois uma física, nhomnhomnhomnhom.

– E uma biologia... Estudar anatomia, hein, Galego?

– Não sou tão devasso quanto o Francis – o louro riu.

– E eu acho que o Tônio não sabe nem de longe as estruturas da Lovina – o francês alfinetou.

– Mas eu já a vi de biquíni! E é a perfeição em forma de garota. Tantas curvas, e eu passaria por elas sem freio.

– Mon Dieu, CALA A BOCA, ANTÔNIO! – eu ri dos meus amigos. Estava abrindo a porta do quarto quando Francis retomou a expressão séria e me chamou – Gil, você sabe que as coisas não serão fáceis, não é?

– Como assim?

– Digamos que você e um garoto comessem a namorar. Sabe que a maioria aqui ainda não vê isso com bons olhos...

– O Francis tem razão. Os famosos podem ser gays. Subcelebridades ou meros filhos de ricaços são condenados no próprio nível social e pelos demais status. Por mais que haja artista que abracem a causa, tem muitas pessoas por aí e por aqui que não gostam muito...

– Eu sei... Um dia os outros vão saber... Lud nem sonha com isso.

– Eu sei que é uma barra pesada, mas vamos segurar com você, Galego! – o moreno sorriu.

– E já tem alguém na mira?

– Com certeza... Fui pego pelos olhos mais lindos do mundo

***

Acabara de beijar os lábios de um amigo. Que sensação boa que corria pelo corpo! Mas aquela boca lhe parecia tão apetitosa, rosada, macia, a língua quente e morna... Atraente. Era esse adjetivo que Mathias achou que combinasse com o alemão. Tinha uma beleza diferente, rara e deliciosa. Mas era só o físico. Apesar das personalidades bastante parecidas, achava Gilbert um pouco mais exagerado, em vários sentidos. Não que não gostasse dele... Faltou alguma coisa.

Anestesiado pelo beijo, passeou pelos corredores do colégio, com a guitarra a tiracolo e alguns papeis com letras de músicas.

Era o que eles precisavam.

Quatro lourinhos estavam sentados numa mesa da lanchonete, bebericando Coca-Cola e discutindo sobre a banda que acabaram de criar. Faltava apenas um guitarrista. E justamente, um acabara se surgir, feliz e carregado.

Lukas namorava-o de longe. Aquele cara alto, alegre e de voz divertida lhe provocava arrepios inexplicáveis. Sempre que o via, sentia frio na barriga, apesar de não admitir. Mas a presença do dinamarquês no seu restrito círculo social lhe parecia interessante.

Tino pareceu ler-lhe a mente e convidou o louro bobo alegre para sentar na mesa. Mathias atendeu ao chamado.

Fora apresentado a Berwald, Emil, Tino e Lukas. Mathias sorriu mais para este último. Ele era fofo! Merecia mordidas nas bochechas. Sentou-se ao lado do norueguês e recomeçaram a discussão.

Ao final, Mathias mordiscou levemente a bochecha do mais novo, e o gosto do lourinho tornou-se seu novo vício.

Notas finais
Saudade de algumas leitoras :( Cadê vocês? Voltem para mim *chora*