Como Vivem Os Anjos
16 A Dama É Uma Vadia
Havia uma energia estranha naquela casa.
Gabriel Melnick sentia-a conspurcada, violada. Alguém havia entrado ali, sabia disso de algum modo, mas de qual? Ou melhor, quem?
Atravessou a sala vazia como um túmulo. Ninguém havia tocado nela, estava como estivera na ida de Ethan, Nick e Lorenzo. As almofadas continuavam afofadas no sofá em formato de L, as flores dos vasos, perfeitas em seu estado, intocadas. Os livros da estante estavam iguais, as cadeiras da mesa, iguais, os quadros das paredes, iguais, o tapete, a mesinha de centro, a mochila de Nicholas jogada de qualquer jeito num canto, igual, igual, igual.
Havia algo diferente.
Como Nicholas pedira, checou a cozinha. Nada parecia mexido. O mesmo com o corredor do apartamento. Não podia ter certeza se algo no quarto dele estava remexido, porque tudo estava remexido. O recinto era uma bagunça total. Pelo menos metade do guarda-roupa do louro devia estar jogado no chão, além de outras coisas, como bolinhas de papel, roupas de cama, livros escolares e uma caixa de camisinhas já vazias. Tudo normal.
O quarto de Lorenzo e o de Ethan, impecavelmente arrumados, estavam perfeitos. Gabriel perguntava-se como o quarto de Lore podia ser mais arrumado que o de Nicholas. O menino era cego, pelo amor de Deus.
Bem, deve ter sido impressão minha. Não há nada de errado com a casa. Ainda assim, teria de voltar por mais 13 dias. Maldito fosse Nicholas. Malditos fossem todos os Hentz.
Foi quando estava a ponto de sair do apartamento que a viu. Jogada perto de um dos pés de uma das cadeiras da mesa da sala. Inocente. Quase invisível. Impecavelmente branca com um lacinho negro incrustrado. Uma presilha. Gabriel aproximou-se e pegou-a. Era leve. Um arrepio percorreu-lhe a espinha.
Saiu do apartamento apressadamente com o objeto no bolso. Alguém havia estado ali, era óbvio. Por que Ethan, Nicholas ou Lorenzo teriam uma presilha? Pegou o elevador e desceu até o térreo, saindo no hall.
Uma mulher loura acompanhada de uma menina provavelmente da idade de Lorenzo mais loura ainda carregava duas caixas pesadas com os dois braços, uma em cima da outra. A menina carregava uma menor. Ela não o viu, a mulher, ao sair do elevador, de modo que quando entrou no hall, quase deixou cair uma das caixas, e como não tinha mãos para pegá-la, ajoelhou-se e murmurou:
— Droga. Jill, me ajude aqui.
Como a garota também segurava uma caixa, Gabriel foi mais rápido.
— Aqui, senhora, deixe-me ajudá-la.
Ela fitou o garoto mais alto penetrantemente enquanto ele tomava uma das caixas nas mãos e se levantava junto com ela. Por meio segundo, Gabriel Melnick achou perceber algo estranho naqueles orbes claros… Ameaçador. Então eles se abriram e sorriram.
— Obrigada, querido. Dê-me aqui. — Ao invés de entregar-lhe, Gabriel pensou em todas as regras de etiqueta que já havia aprendido.
— Se a senhora precisar, posso ajudá-la com as caixas.
— Ah, eu adoraria — ela disse, polidamente —, mas, por favor, pode me chamar de Angie. Essa é minha filha, Jill.
— Gabriel. — Gabriel fez um esforço monstruoso para reprimir o gemido de insatisfação quando a viu apertando o botão do penúltimo andar. — Então… — murmurou o menor, quando as portas do elevador lacraram-nos lá dentro. — A senh… quer dizer… Está se mudando para cá?
— Oh, não — Angie respondeu. — Me mudei para cá há algum tempo com meus três filhos. Elas são do meu marido.
O elevador parou no vigésimo segundo andar, onde os três atravessaram um corredor quase idêntico ao da cobertura, porém que se dividia em dois outros que se alargavam para esquerda e para direita. O penúltimo andar continha dois apartamentos, o antepenúltimo continha três e os demais, quatro.
Atravessaram o corredor e tomaram o outro da esquerda, onde no final havia uma porta de madeira. Gabriel mal prestou atenção nos detalhes. Sua mente estava muito longe, pensando, fomentando ideias e teorias para a estranha presilha que encontrara no apartamento dos Lemnsack Hentz. Ou será que deveria dizer Lemnsack Hentz Barcarolli…?
Quando Angie tirou as chaves de casa do bolso, acidentalmente deixou-as cair. Gabriel ajoelhou-se para pegá-las e, acidentalmente (quantos acidentes, pensou ele), algo caiu do seu bolso. Não poderia ser outra coisa.
— Ela é sua? — Jill indagou com grandes olhos azuis e verdes, observando fixamente a presilha. Gabriel corou. Não poderia dizer que era dele. E realmente não era.
— Jill, não seja mal-educada — repreendeu Angie severamente. Havia um tom estranho no olhar que lançava para a filha, que se calou.
— É bonita — ela murmurou.
— Ahn… obrigado — ele disse. Entregou as chaves para Angie, que abriu a porta, e depois entregou-lhe a caixa que carregava, despedindo-se dela logo em seguida.
Angie e Jill entraram no apartamento e a porta foi trancada.
— A presilha era minha — teimou a menor. — Eu deixei ela cair. Lá. Lá em cima. Eu a queria de volta.
— Sei disso, querida — Angie respondeu. Transpirava. Jill era muito nova para entender que dizer que a presilha era dela teria sido um erro mortal. Fora descuidada. Não aconteceria de novo. Não podia acontecer de novo. Se Ned descobrisse…
— Papai! — exclamou Jill.
Ned Nevarnost era um homem de porte médio, cabelo muito curto, quase raspado, e tão louro quanto o sol, com grandes olhos azuis. Usava um terno cintilando de preto. Todos os seus filhos haviam herdado seu cabelo. Menos os olhos. Os olhos eram todos de Angie. Só desejava que, quando crescessem, a personalidade também. Deus, como desejava.
Jill correu de perto da mãe para os braços do pai. Havia passado muito tempo longe dele, Angie pensava. Perguntava-se se Danny e Penny teriam a mesma reação quando o vissem. Mas, nesse momento, eles estavam em Paris, fazendo o que tinham que fazer. Havia gasto uma fortuna para pô-los naquele maldito hotel. Não eram ricos como os Lemnsack Hentz.
Ned a pegou com as duas mãos e a ergueu no ar, girando com ela no mesmo eixo. E por um momento, o ar encheu-se de risos infantis e de alegria colorida e inocente. Por um momento, tudo pareceu maravilhosamente bem. Mas foi só por um momento. Ned pôs Jill no chão e a mandou gentilmente a seu quarto.
Então olhou para Angie. Ele chegara há menos de meia hora, mas ela ainda não o tinha olhado nos olhos. Sentiu as mãos fortes e frias dele segurando seu rosto com ternura, e então seus lábios em sua testa.
Foi difícil segurar o sorriso em seus lábios, mas ela o fez, orgulhosamente. Sorrir, não expressar absolutamente nada, apesar sorrir. Era o que chamava de máscara.
— Teve saudades de mim? — Ned perguntou, os grandes olhos azuis fitando-a, tão grandes, tão azuis.
Angie sabia que não poderia responder outra coisa.
— Claro que senti. — Abraçou-o fortemente. — Muita, muita… tenho trabalhado em tudo que você me pediu, assim como Danny e Penny.
— O fim está chegando — Ned disse, sem se desvencilhar da esposa. — Quando eles voltarem da viagem, terminaremos com tudo. Inclusive com o menor. E então teremos nossa paz. — Voltou a olhá-la nos olhos. — Assim Leanne poderá descansar.
Por meio segundo, os olhos de Angie desviaram-se para um porta-retratos em cima de uma cômoda onde uma adolescente loura como o sol sorria. Mas foi só por meio segundo.
E então sorriu, não expressou absolutamente nada, apenas sorriu.
OoO
A água antes nua agora agitava-se violentamente na banheira de mármore. Bolhas enormes de sabão nasciam a partir de uma espessa massa branca que tremeluzia sobre luzes subaquáticas arroxeadas. Um cheiro enjoativamente adocicado tomara o banheiro e provavelmente ficaria lá por muito tempo, mas nem Ethan Lemnsack nem Nicholas Hentz pareciam importar-se com isso.
Ethan abraçava o corpo nu e molhado de Nick com tanta foça que o louro pensava que ele fosse parti-lo ao meio. Embora não tenha acontecido, Nick começava a sentir dores na coluna. Mas não importava. O sabor da pele molhada do pescoço de Ethan era melhor e valia a pena.
O membro rijo do maior pressionava-se entre as pernas de Nick, ao mesmo tempo em que suas mãos apertavam as nádegas do menor com igual vontade. Ethan parecia com tanta vontade de transar naquele momento do que no primeiro dia da viagem, quando voltou do Louvre.
Embora Nick tivesse sérias dúvidas de que conseguiria levá-lo para a cama.
Naquela noite, quando voltara ao hotel com Lorenzo, encontrara uma bagunça.
Móveis haviam sido revirados, pinturas valiosíssimas jogadas no chão, vasos de cristal estraçalhados. No quarto, as camas foram reviradas e seus pertences estavam jogados no chão. Parecia que alguém estava procurando alguma coisa, mas nada foi levado. Nick urrara de frustração. Se aquilo estava ali, isso significava que não estava em casa. Ou seja, Gabriel Melnick estava checando o apartamento por absolutamente nada. Ele mesmo já informara que não havia visto nada de anormal no primeiro dia em que checara a casa, apenas uma presilha. Isso era alguma coisa, mas não muito. Não comparado àquela bagunça.
Então Ethan chegara e ficara estranhamente aliviado e furioso ao mesmo tempo. Aliviado por ver que Nick e Lorenzo estavam bem e furioso consigo mesmo por tê-los deixado sozinhos por tanto tempo. E isso foi uma maldição para Nick, pois agora Ethan o seguia com Lorenzo para onde quer que fosse.
O hotel desculpara-se agressivamente pela invasão, no melhor sentido da palavra. Após terem sutilmente implorado para que tal caso não viesse à tona, o que não era necessário, porque Ethan desejava o mesmo, eles forneceram-lhe a outra Suíte Real que tinham e perdoaram a dívida da primeira diária. Então, economizaram 16.000 dólares. Ethan começara a dar a Nick 3.500 dólares por dia, que valiam aproximadamente 2.670 euros. Não era lá um grande aumento, ou era isso que Nick achava. Pelo menos a outra Suíte Real tinha um piano, assim Lorenzo teria algo para fazer o dia todo.
Apesar de Nick achar que não conseguiria ir pra cama com o irmão, assim que Ethan contou-lhe que encontrara Danny Nevarnost no Louvre (coisa que quase fez Nick cuspir a comida que tinha na boca, pois Ethan o tinha feito enquanto jantavam), este levou o louro de volta para o quarto e o fodeu com tanta vontade que praticamente o impediu de andar pelo próximo dia seguinte inteiro. Então Nick percebeu que havia algo estranho. Danny ali, no mesmo hotel que eles, e aquela bagunça no quarto? E por que, meu Deus, por que os Nevarnost sempre usavam roupas pretas? Oh, era tão óbvio que eles tinham algo a ver. Estava decidido a contar a Ethan suas suspeitas, decididíssimo.
Mas foi antes de reencontrar Penny e de seu coração disparar novamente.
E seu coração nunca fizera aquilo antes. Quando percebeu que podia estar se apaixonando, disso a si mesmo que pararia de falar com ela. Nunca se apaixonara por ninguém além de Ethan, com 215 meninas diferentes já havia transado e por nenhuma nutrira sentimentos. Ela não seria exceção.
Mas foi. À medida que a primeira semana em Paris passava e à medida que mais tempo passava com Penny Nevarnost, tornou-se impossível não admitir. Não conseguia passar de pensar nela. Simplesmente queria estar com ela e pelo tempo que já passaram juntos, tornou-se também impossível não prestar atenção em outros detalhes além do corpo de seu corpo. Tipo, como o cabelo dela não se tornava mais escuro quando molhado, como o de Nick, que ficava quase castanho. Os olhos dela eram talvez juntos demais e os dentes da arcada de baixo eram levemente tortos, mas isso a dava um ar gracioso. Quando sorria, apertava os lábios uns nos outros para esconder os dentes e por isso criava um bico leve.
E percebia que, no fundo, acontecia a mesma coisa a Ethan com Danny.
Bem, Danny e Penny eram irmãos gêmeos. Se ela era tão adorável daquele jeito, ele também tinha que ser. E como era. Talvez demais. Nick sabia que era inevitável o fato de que Danny acabaria por levar Ethan para a cama. Ele desejava isso. Aliás, ambos desejavam. Apenas a razoável castidade de Ethan impedia tal coisa de acontecer, mas aconteceria mais cedo ou mais tarde.
Contudo, incrivelmente, Nick sentia pena de Gabriel Melnick. Ele amava tanto Ethan e era tão estupidamente ingênuo que era impossível não sentir. Quando percebeu que estava começando a sentir-se culpado por fazer amor com Ethan há tanto tempo sem Gabriel saber, parou de pensar nele e começou a pensar num modo de controlar os hormônios do irmão mais velho.
E encontrara tal solução em praticamente estuprá-lo todos os dias, às vezes cinco vezes por dia. Até agora estava dando certo. Ethan ficava tão cansado sexualmente que não teria vontade nenhuma de fazer com Danny.
Estava no meio do trabalho, naquele momento, na banheira.
Sentiu Ethan entrar dentro dele e mover-se violentamente em estocadas sem ritmo movidas puramente pelo tesão que Nick infligia naturalmente em Ethan. Ele sabia disso, e se orgulhava.
Ethan desmanchou-se dentro de Nicholas e então caiu para trás, ofegando um suor invisível pelo fato de estar molhado. Nick deitou-se do outro lado da banheira, entre os pés de Ethan, e estendeu-se em cima do corpo dele, descansando os pés em cada lado de seu dorso.
— Que maravilhosa é a vida — declarou o louro, tomando um gole de uma taça de champanhe que Ethan o deixara beber. O gosto era repugnante, mas bebia pelo simples fato de que podia.
— Ela é, assim como você — murmurou Ethan, deslizando as mãos pelas pernas de Nick. Ultimamente, andava incrivelmente mais delicado com o irmão.
Preciso manter a castidade dele por mais uma semana. Aqui, os paparazzi nos vigiam toda hora. Gabriel seria chifrado e o mundo inteiro iria ver. Pensar naquilo fazia-o rir. Ele, Nicholas Hentz, querendo manter a castidade de alguém.
— Assim como eu — concordou Nick. Acomodou-se na banheira. — Será que alguém, em algum ponto da história da humanidade, já chegou a realmente tomar banho numa banheira?
— Por que alguém tomaria banho quando o que fazemos é muito melhor? — Ethan tomou um gole da taça. — Aliás, sempre quis fazer sexo numa banheira.
— Ah, é? — Nick bebericou o champanhe. — Resta saber com quem…
— Hm?
— Nada, nada. Venha, me beije de novo.
Ele animou-se com a ideia. Sentou-se no fundo do mármore branco e puxou Nick para seu colo. O louro encaixou-se lá com tanta perfeição que parecia que havia nascido para aquilo. Logo, suas bocas uniram-se num beijo quente e faminto, unido fortemente como duas cordas atadas uma na outra. As línguas batalhavam como cobras, deixando escapar suspiros e gemidos. Os corpos molhados grudados e reluzentes pareciam um só, movendo-se na mesma direção, com maestria.
Nick sentia tanto desejo por Ethan quanto pensava que fosse possível. Não iria deixar ninguém tocar nele. Ninguém.
— Tenho certeza que depois da sessão sadomasoquista que você e Gabriel tiveram, você já se acostumou com isso, não é?
Ethan franziu as sobrancelhas molhadas.
— Com o quê?
Nicholas o empurrou para trás, fazendo seu pescoço encostar-se na borda da banheira. Seu peito musculoso e marcado por chicotadas era tão excitante. O menor colocou-se entre suas pernas e então abriu-as, empurrando a parte de trás dos joelhos de Ethan para trás, impedindo-o de submergir.
Ele pareceu desconcertado.
— Mas…
— Shiiu. Quem disse que você pode falar? — disse isso, mas seu rosto possuía uma expressão zombeteira tão grande e estava fazendo tanto esforço pra não rir que Ethan quase bateu nele. — Mas o bom de ter forçado Gabriel e a te algemar a cama e te chicotear até você chorar é que você estaria preparado pra ser comido mais frequentemente. Quantos centímetros ele tem? Dezenove?
Os olhos de Ethan arregalaram-se.
— Você fez o quê?!
Mas não pode mais falar, pois uma dor repentina atravessou-lhe o cólon. Nick enterrara-se nele de uma vez só, jogara a cabeça para trás em êxtase e agora fazia o que sabia fazer de melhor, estocava-o violentamente. A água da banheira agitava-se e derramava-se pelos cantos da banheira. A hidromassagem ainda estava ligada, mas isso era bom, pois abafava seus gemidos.
— Peça, Ethan, vai, me pede.
— Me fode, Nicholas, vai, anda! Me fode, loirinha.
Ele o fez, com tanta rapidez quanto conseguiu. Ethan retorcia-se em baixo de si, segurando seu pescoço com as mãos, e era tão pesado que era difícil mantê-lo acima d’água, de modo que foi quase um alívio quando sentiu o iminente orgasmo. Não desgrudou do corpo do irmão nem quando entraram no Box para tomar banho de verdade. Era tragicamente engraçado ver Ethan tentando ensaboar o corpo de Nick enquanto este tentava engolir sua língua.
Quando saíram do banheiro do quarto de Ethan, o mundo era um lugar um pouco melhor.
Lá fora, o crepúsculo domava um céu de ferro, negro como piche. Logo, o sol se iria e uma tempestade iniciaria. O ar estava frio e uma fina garoa já despencava de nuvens carregadas, pressagiando o temporal. Nick sentiu um arrepio na espinha ao ver a Paris da noite, comparada à Paris de dia, a diferença era fantástica.
Lorenzo passou ligeiramente o dedo pela superfície negra do piano, sentindo a madeira fria e cruel a seu toque. Sentiu os detalhes dourados ainda mais gelados e então deslizou as mãos pelas teclas, da esquerda para a direita. O som agudo ressoou grave e então agudo por toda a sala principal da Suíte.
Ele não percebeu quando Nick se aproximou, o que foi incrível, porque se havia algo que Lorenzo não conseguisse perceber, então esse algo não devia existir. O louro realmente se surpreendeu quando o garoto quase pulou do banquinho do piano ao tocar-lhe o pescoço nu com os dedos ainda úmidos pelo banho.
— Você quer um piano, não quer? — Nick indagou, ajoelhando-se ao lado de Lorenzo. A hesitação estava estampada na cara dele. — Fala pra mim. Ethan não está aqui.
Lorenzo assentiu lentamente.
— Eu gosto de tocar — ele falou. — Só sei uma música, mas ela me lembra minha mãe, antes de… — Parou de falar, e então Nick percebeu que ele não queria continuar. — Mas deixa pra lá. Pianos são caros.
— Pianos de cauda são, mas existem teclados que não custam mais de 1000 dólares. — De repente, a ideia surgiu em sua mente.
Mas seria uma boa ação boa demais pra mim. Vou deixar Ethan fazer isso.
— É mesmo? — o menor perguntou, os olhos cinza brilhando.
— Sim, vou comprar um pra você. Viu só como eu sou um amor de pessoa? Não sei como algumas pessoas podem duvidar disso.
Lorenzo pulou do banquinho e se jogou nos braços de Nick, que acabou realmente caindo pra trás, com o irmão em cima de si quase sufocando-o de tanta força que usava para abraçar seu pescoço. Ele tinha uma força incrível para alguém tão pequeno. Começou a falar Grazie, Grazie o tempo todo e depois mais um monte de coisas em italiano que Nick não entendia, mas sabia que deviam ser complementos do agradecimento. Ou algo assim.
— Sim, sim, de nada, de nada, vamos amanhã. Mas Ethan, sendo o pé no saco que ele é, vai querer ir conosco. Não sei como vou despistá-lo. — E nem vou. Não com aquele estorvo loiro atrás dele. — Mas vou dar um jeito. Nicholas Hentz sempre dá um jeito pra tudo. — Do lado de fora, a tempestade finalmente rugia com força total.
A manhã veio e atravessou o céu varrendo todo o resquício de chuva da noite anterior, embora o ar ainda estivesse úmido e alternasse entre o fresco e o frio. Nick avisou a Ethan que sairia com Lorenzo e, literalmente, saiu correndo do quarto, mas o maior pegou-lhes antes que saíssem do hotel.
— Esperem, vou com vocês — tinha lhes dito. Nick sorriu amavelmente e depois fechou a cara. Não faria questão de esconder a frustração, mesmo sabendo que Ethan não ia desistir assim tão fácil. Não tinha visto nem Danny nem Penny o dia todo e chegara à conclusão de que eles estavam fora do hotel.
— Sabia que eu tive que forçar o Gabriel a te beijar pela primeira vez? — falou ao irmão quando estavam no táxi. Ethan fitou-o surpreso. — É, eu tive que literalmente ameaçá-lo e chantageá-lo para que ele fizesse aquilo. Pra falar a verdade, o negócio todo foi armado. A situação das duas garotas que eu disse que eram afim de você e etecétera. Não é adorável? Quer dizer, imagina, você era envergonhado como o inferno pra praticamente tudo, mas aquele beijo meio que mudou as coisas, tanto pra você, quando pro Gabriel, porque ele era igual a você.
Ethan franziu as sobrancelhas. Não sabia o que o menor queria dizer com aquilo.
— É… percebi sim.
— Tanto pra você, quanto pra ele — Nick insistiu. — Quer dizer, imagina como seriam as vidas de vocês dois se não tivessem se conhecido. Estariam bem piores. Não acha?
Lentamente, Ethan assentiu.
— O que quer dizer com isso? — perguntou.
Que eu não quero que você o traia com Danny Nevarnost, deuses.
— Interprete do jeito que quiser.
Afastaram-se o máximo possível do centro da cidade até atingirem uma pequena, mas modesta, loja de instrumentos musicais com uma fachada em formato de nota musical. Enquanto Ethan fazia a ronda com Lorenzo, Nick fez uma ligação internacional. O sinal caiu quando Gabriel Melnick finalmente atendeu.
— Argh, que ótimo. Um segundo de ligação e gastei 20 dólares.
Lorenzo se aproximou, tateando o caminho com a bengala que Nick comprara-lhe há algum tempo. Ele andava tão dignamente que poderia ser perfeitamente um membro da realeza. Perguntava-se quanto tempo mais se passaria até que Ethan tomasse a custódia dele. Se é que realmente faria isso.
Acho que eu sou o único irmão que ele quer foder, não precisa adotar Lorenzo. Pensava isso, mas a ideia de ver o apartamento sem aquela criança sorrindo-lhes com aqueles lábios finos e os cinza olhos cegos entristecia-o. Prometera não se apegar demais a ele, mas, Deus, era impossível. Esse pirralho é insuportavelmente carismático. Assim como Ethan. Malditos sejam os genes dos Lemnsack. Acho que eu não sou Lemnsack. Quem sabe?
Pegou o garoto pela mão e, sem motivo, abraçou-o fortemente. Lorenzo era tão parecido com Nick quanto carvão a ouro.
Timidamente, ele retribuiu o abraço.
— E então, encontrou algo que gostou? — indagou, vendo-o assentir.
— Obrigado por me trazer aqui. — Sorriu e então suas covinhas apareceram. — Ethan disse que eu posso ter aulas de piano quando voltarmos.
— Você vai crescer e se tornar o pianista mais famoso do mundo… — murmurou, sem realmente prestar muita atenção. Ethan estava do outro lado da loja e havia tantas estantes e objetos tapando-lhe a visão que não conseguiu distinguir com quem ele estava falando. Mas estava. E animadamente.
— Você acha? — Lorenzo indagou-lhe ansiosamente. Nick fitou-o. Ele tinha olhos pequenos, mas pareciam que sugavam tudo a seu redor. Baixou a cabeça. — Não, não vou. Eu sou cego.
— É por isso que você vai ser o mais famoso do mundo. E eu tenho a inteligência de uma porta, mas sempre consigo passar de ano na escola. — Ethan estava sorrindo adoravelmente, mas a pessoa com quem falava estava escondida por um punhado de estantes. Apertou os olhos para ver melhor.
— Inteligência é a capacidade que alguém tem de aprender — o menor objetou. Ethan uma vez dissera-lhe exatamente a mesma coisa, com as mesmas palavras.
— Eu sei. Eu tenho muita dificuldade em reter informações novas.
— Não quer dizer que não consiga aprender.
Do outro lado da loja, Ethan mexeu no cabelo enquanto sorria. Ele só faz isso quando flerta com alguém.
— Quer sim — o louro teimou.
— Não quer — Lorenzo insistiu. — E você é esperto.
— Ah, sim. Isso eu sou, até demais. É uma dor de cabeça para Ethan. — Pegou-lhe a mão e passou a arrastá-lo através da loja.
— Viu só? Ninguém conseguiria seduzir tantas meninas sem ser esperto. Aliás, é possível comer alguém?
Nick quase tropeçou ao ouvir aquilo.
É.
— Não. Onde você ouviu isso?
— Ouvi você falando.
Que Deus não permita que Ethan ouça isso.
Finalmente chegara ao balcão da loja, mas nem Ethan nem Danny Nevarnost perceberam sua chegada. Desgraçado. Ele nos seguiu ou o quê?
— O que há? — Lorenzo indagou ao pararem de repente. Estava acostumado a ser puxado agressivamente para todos os lados quando andava com Nicholas, de modo que era fácil perder noção de espaço. Poderia ter se lembrado do caminho de volta ao balcão, mas acabara se perdendo.
Ethan olhou-os com os olhos pretos tremeluzindo. Danny observa Nick fixamente com o rosto de porcelana encrustando aqueles olhos que não se decidiam em serem azuis ou verdes. Que coisa insuportável era olhar pra eles.
— Ethan! — Nick exclamou, como se fosse a primeira vez que o visse ali. Aproximou-se do irmão e entrelaçou os braços em volta de seu pescoço, beijando sua bochecha, muito perto da boca. Por costume, o maior envolveu sua cintura com o braço esquerdo. — Gabriel ligou pra mim. Lembra dele? Gabriel Melnick, 13 anos, mais alto que você, cabelo preto e curto, cara de sonso. Seu namorado. Que te ama muito. Ele disse que sente sua falta. Faz ideia do quanto custa uma ligação internacional? Ele realmente deve te amar muito por se dispor a fazer uma só pra te dizer isso.
Se fosse possível Ethan ficar mais vermelho do que já estava, ficaria.
A frieza do olhar que Nick lançou a Danny teria congelado suas orelhas.
— Espero que voltemos logo. Já estou com saudades de casa. Das pessoas que eu gosto. Ah, veja, você já comprou o teclado. Vamos? — Pegou a mão do irmão mais velho e do mais novo, mas antes de arrastá-los dali, a voz de Danny parou-o.
— Nicholas. — Fitou-o lentamente. Seus olhos multicoloridos ardiam de fúria, mas seu sorriso era simpático e adorável como sempre. — Penny comentou essa manhã que adoraria que você fosse ao nosso quarto, se pudesse. O número é 512.
O rosto de Nick podia ser esculpido em pedra.
— Está me convidando a foder a sua irmã?
A cara de Danny fechou.
A de Nick permaneceu impassível.
Lorenzo franziu as sobrancelhas, confuso.
Ethan parecia dividido entre estrangular o irmão e enfiar a cara num buraco.
— Como quiser, eu vou — o louro declarou, saindo da loja de música a passo rápido.
No táxi, daria tudo para ficar surdo.
— Como você pode dizer aquilo a ele?! — Ethan falava, quase gritando. — Deus, que falta de noção!
— Pelo amor de Deus, cala essa boca. — Massageou as têmporas. — Você estava flertando com aquele imbecil. E ele está te perseguindo. Mas você não percebe isso porque quer que ele continue.
— Mas ora, vejamos só. Nicholas Hentz querendo me dar uma aula de como ser casto.
— Acho que eu devia te dar aulas de como deixar de ser menos idiota. Trair não é legal.
— E onde, em nome de Deus, eu estava traindo Gabriel?
— Mas ora, vejamos só. Ethan Lemnsack sendo mais ingênuo que Nicholas Hentz. Uma hora ou outra, você vai acabar fazendo isso. Você deseja Danny Nevarnost tanto quanto ele a você!
— E o que você tem a ver com isso?
Nick sentiu que podia matá-lo.
— Parem de brigar — Lorenzo murmurou, olhando para frente fixamente. Sua voz estava seca como uma folha de outono e impregnada de censura, até mesmo com um leve toque de asco. Nick e Ethan calaram-se. Era incrível a capacidade que ele tinha de fazer qualquer um sentir-se mal com qualquer coisa.
O táxi chegou ao hotel e Nick enfiou-se no prédio branco. Estava tão irritado com Ethan que não se atreveria a voltar à Suíte.
Ao invés disso, foi ao quarto de Penny Nevarnost.
Penny abriu a porta do quarto 512 e fez Nick quase cair de joelhos ao vê-la. O cabelo louro descia levemente ondulado pelos ombros e parecia que refletia a luz do sol de tão brilhante. Ao contrário do irmão gêmeo, sua pele era corada e adorável, e seus olhos verdes azulados eram agradáveis de ver. O nariz perfeito e os lábios carnudos e vermelhos domavam o rosto. Mas o que mais lhe chamava a atenção era o fato de ela estar usando uma camisola de seda cor-de-rosa quase transparente com um fino tecido cobrindo-a como uma manta o faria. Uma parte de seu sutiã aparecia sobre o ombro. Nick forçou-se a não olhar se a calcinha também aparecia.
— Nicholas — Penny exclamou, surpresa. Nick tinha absoluta certeza de que ela não estava surpresa. — O que faz aqui?
Nick sorriu meigamente.
— Danny me disse que você adoraria que eu te visitasse, se pudesse. Aqui estou.
Ela devolveu-lhe o sorriso.
— Que gentileza sua. Venha, entre. Não é tão luxuoso como uma Suíte Real, mas creio que servirá.
Tem uma cama e dois adolescentes cheios de tesão. Claro que servirá.
Penny acompanhou-o até o quarto que na verdade era duplo sem nenhum motivo em especial. Nick sentou-se na beirada da cama. Percebeu que parte da calcinha dela também aparecia por sobre a camisola. Cruzou as pernas para esconder a ereção.
Dizem que as maiores armas das mulheres são as lágrimas e o que elas têm no meio das pernas. Acho que eu sou uma mulher.
Penny era irritantemente mais alta que Nick, provavelmente tinha a altura de Ethan ou talvez até mais, embora tanto ela quanto Danny tivessem 15 anos. Ela sentou-se a seu lado, propositalmente encostando sua perna na dele.
— Desculpe-me, não tive tempo de colocar uma roupa mais adequada para a ocasião.
Não há roupa mais adequada para a ocasião.
— Não importa. Você está linda. — Tocou-lhe o braço afavelmente e aproveitou para roçar uma mão em seu seio. — Como poderia deixar de estar? — Deu uma risada cortês. Penny riu também e agradeceu.
Nick segurou o rosto dela com uma das mãos, sentindo a quentura de sua pele. Fitou-lhe nos olhos penetrantemente. Não conseguiria hipnotizá-la como Ethan conseguia, mas ele tinha outra coisa, que não os olhos.
Lentamente, aproximou-se de seus lábios. E a beijou.
Do outro lado do hotel, numa magnífica Suíte Real invadida pelos raios de sol já escassos com o crepúsculo que se aproximava, Ethan Lemnsack fervia de raiva do irmão menor. Perguntava-se onde ele estaria, para depois lembrar-se de que não queria saber porque estava com raiva.
— Por que está tão irritado com ele? — Lorenzo perguntou. Ele não poderia entender.
— Não é nada.
O menino demorou-se um tempo em silêncio e então murmurou:
— Sempre que eu pergunto algo a ele, ele responde. Mas, frequentemente, quando eu te pergunto algo, você diz que não é nada.
Ethan dirigiu-lhe uma vista cansada. Nick já virou-o contra mim, e nem sequer tinha a intenção. Dividia-se entre a vontade de estrangular o loiro e entre jogá-lo na cama e amá-lo novamente por ser tão insuportavelmente carismático. E Nick andava com um fogo tão grande que às vezes nem Ethan conseguia satisfazê-lo.
A campainha tocou.
— Eu atendo — Lorenzo falou e caminhou até a porta. Não esbarrou em nenhum móvel no caminho e andava com a coluna reta como uma régua, o queixo levantado, os braços balançando graciosamente ao lado do corpo. Abriu a porta.
Danny Nevarnost estava com um sorriso de canto de boca, sem parecer nem um pouco abalado com o que Nick dissera-lhe há pouco. Lorenzo obviamente não podia ver quem era, de modo que permaneceu impassível onde estava.
— Lorenzo… — Ethan murmurou. — Vá pro seu quarto por um instante.
Ele deu de ombros e foi. Era tão obediente. Por que Nick não poderia ser daquele jeito?
Danny entrou na sala e fechou a porta atrás de si.
— Ah, Danny… — Ethan falou, baixo demais, quase um sussurro. — Eu… sinto muito pelo que Nick disse. — A pior parte da coisa era que ele realmente estava convidando Nick a foder sua irmã. Chegou-lhe a cabeça que era provavelmente o que ele estava fazendo naquele momento.
O louro se aproximou. Tinha a exata altura de Ethan.
— Eu não me importo — declarou e se aproximou um pouco mais. — Na verdade, não quero mais falar sobre isso. — Estava a um palmo de distância do mais velho. — Eu não quero falar sobre Nicholas ou sobre Penny… — E quando estava tão próximo de Ethan que podia beijá-lo apenas inclinando-se para frente, Danny sussurrou, sibilante: — Eu quero falar de você. Eu quero você.
O resto veio rápido, muito rápido.
Nicholas Hentz deitou-se em cima do corpo seminu de Penny Nevarnost e pressionou o baixo-ventre contra o dela. Enfiou a mão por baixo de suas vestes, encontrando o centro de seu ser já molhado. Arrancou as próprias roupas, numa rapidez quase desesperada, exceto a cueca.
A seda da camisola parecia cara, mas pelo visto Nick não se importou com isso quando rasgou-a de cima a baixo, tornando-a inútil. Enfiou um dedo dentro de Penny, ouvindo seu gemido. Os seios eram perfeitos e macios como pêssegos, e o mamilo do direito estava vermelho e duro quando rodeou-o com a língua. O corpo da garota contorcia-se à medida que Nick ia introduzindo outros dedos.
Danny Nevarnost empurrou Ethan para trás, fazendo-o cair no tapete macio e então deitou-se por cima dele. Enfiou a língua em sua boca, descendo o zíper da calça que usava desesperadamente. O membro encontrava-se ereto e rijo quando envolveu-o com uma só mão e apertou-o entre os dedos compridos.
O rosto de Danny adquirira uma coloração avermelhada, estava enrubescido pelo calor e pela excitação. O peito de Ethan subia e descia, ofegante. Seus mamilos estavam duros quando Danny enfiou-os na boca, sem nunca parar de masturbar o membro do maior por cima da cueca. Uma mancha escura avolumava-se onde a glande delineava-se sob o tecido branco.
Nick enfiou o rosto entre as pernas de Penny e começou a trabalhar ali com a língua. Apertava as coxas torneadas com vontade enquanto sugava o líquido quente que indicava seu orgasmo. Penny contorcia-se e puxava seu cabelo louro com força para que ele se afundasse mais dentro de si.
Nick gemia, sugando-a, chupando e beijando o clitóris. Pressionava o membro contra a cama por sob a cueca. Se continuasse com aquilo, acabaria ejaculando, e por isso parou. Arrancou a cueca e limpou a boca com as costas da mão. Seu membro estendia-se vermelho e inchado. Posicionou-se.
A cueca de Ethan jazia jogada no canto da sala, arrancada agressivamente por Danny, que agora sugava seu falo com vontade, enfiando-o inteiro na boca, com uma sucção tão forte que fazia Ethan gritar. Passou a língua desde a base até a glande e então voltou a metê-lo na boca. Quando sentiu que ia ejacular, o mais velho separou seus lábios vermelhos de si.
Fê-lo tirar as roupas que restavam, exceto a camisa, que Danny insistira em usar. Levantaram-se beijando-se e os corpos estavam tão colados que era como se fossem um só. Ele era tão pálido quanto porcelana, mas naquele momento estava corado. O mais novo espalmou as mãos no piano, empinando o quadril e abrindo as pernas. Ethan pressionou o membro contra suas nádegas e aspirou o cheiro do pescoço do menor. Começou a masturbá-lo e então beijou-o, chupou sua língua e voltou a beijar-lhe. Seu corpo inteiro excitava-lhe. Ethan ajoelhou-se, mordeu uma das nádegas com força, separou-as com as mãos e então afundou o rosto lá. A entrada de Danny piscava quando enterrou sua língua e sentiu seu sabor.
Nick deslizou a camisinha pelo próprio membro, segurou a base e pressionou a glande contra o sexo de Penny. Ela gemeu enquanto o loiro entrava dentro de si e começava a estocar lentamente. Provavelmente estava fazendo papel de virgem, mas Nick tinha absoluta certeza de que ela não era. Tinha experiência demais para se deixar ser enganado. Ajeitou-se em cima de Penny, ficando pouco abaixo de seu pescoço.
Beijou-lhe a pele alva, mordiscou e deu chupões, então começou a estocá-la com vontade. Os gemidos dela passaram de suspiros a gritos numa velocidade absurda, enquanto Nick continuava a gemer baixo, perto de seu ouvido, puxando-a mais para si, aspirando seu cheiro doce. Agarrou seus seios com as mãos e massageou-os, deixando os polegares para os mamilos, sem nunca parar de subir e descer o quadril violentamente. As ondas de prazer atravessaram-lhe como eletricidade. Atingiu o orgasmo com uma agressividade bíblica, desmanchando-se dentro dela, dentro da camisinha, ao mesmo tempo em que Penny enterrava as unhas na carne de suas nádegas.
Ethan deslizou a camisinha furtada da mala de Nick pelo membro duro e, sem dó, enterrou-se dentro de Danny. Doeu, mas não tanto, dado o fato de que o mais velho tinha enfiado três ou quatro dedos antes de penetrá-lo. Danny estava em pé só com uma perna, pois a outra estava arqueada, apoiando o pé no banquinho do piano de cauda. Inclinava-se levemente para frente, sustentando-se na parte plana do instrumento.
Ethan segurou Danny pelos largos quadris e começou a fodê-lo enquanto apertava a carne de sua cintura e por vezes masturbava-o também. Deu-lhe um tapa na nádega direita e arranhou com vontade a esquerda, para depois estapeá-la também. O suor colava a camisa de Danny às suas costas e quando Ethan tentou tirar a peça de roupa, Danny impediu-o, pedindo apenas, ao gemidos, que fodesse mais forte. E ele o fez. O fez tão forte que chegou um momento em que não conseguia mais segurar os gemidos. Foi aí que largou a bunda do loiro e meteu as duas mãos nas teclas do piano. O som ressoou tão alto e agudo que abafou os gritos de ambos ao atingirem o orgasmo.
Nicholas Hentz aninhava-se ao corpo nu e quente de Penny Nevarnost, bem em cima dos seios dela. Sua mão brincava com seu umbigo e por vezes aproximava-se dos pelos curtos e retilíneos de seu órgão sexual. Uma fina garoa de chuva começava a cair lá fora e os raios de sol logo iriam embora. O quarto inteiro estava quente e aconchegante. Penny dançava o dedo indicador pelas costas de Nick.
— O que você achou? — ela perguntou.
E depois dizem que perguntar isso é má educação.
— Maravilhoso — disse. E fora. Como nunca foi com ninguém.
Penny suspirou longamente e passou a alisar seus cabelos, talvez um pouco forte demais.
Danny e Ethan estavam na cama desde último, em baixo dos lençóis. Ethan praticamente forçara Danny a tirar a camisa, e agora o louro estava deitado de barriga pra cima, com o mais velho em cima dele, beijando seus lábios levemente, alternando para o pescoço branco, e depois de volta para a boca.
Danny envolveu seu pescoço com os braços e aprofundou o beijo.
— Nós podemos fazer isso de novo?
Ethan fitou profundamente seus olhos claros e multicoloridos Eram tão bonitos. E também eram verdes. Com toques azuis. Mas verdes.
Não respondeu, apenas descansou a cabeça no peito do menor, que passou a acariciar seus cabelos pretos, talvez com um pouco de força demais.
Quando Nick e Ethan dormiram, tanto Penny como Danny alisaram lentamente as cicatrizes que possuíam nas costas.
OoO
O chão se distanciava cada vez mais à medida que o avião levantava voo. Já era noite quando Ethan Lemnsack, Nicholas Hentz e Lorenzo Barcarolli partiram de Paris. Novamente naquele dia, Nick havia tomado café apenas para incomodar Ethan, mas o maior pensara nisso e dopara o irmão mais novo antes de irem ao aeroporto sem ele saber. Atravessar todo aquele recinto gigantesco com Nick jogado às suas costas como um cadáver foi constrangedor, mas Nick odiaria aquilo quando acordasse, e por isso Ethan o fizera.
O louro acordou lá pelas três da manhã, quando já estavam no avião. Lorenzo ainda estava dormindo, mas Ethan não. Lá fora, a noite reinava. Pequenas estrelas, sutis como sussurros, cobriam a manta negra do céu. Nuvens espessas e negras impediam a visão do mar ainda mais negro, milhares de metros abaixo deles.
— Você fez de novo? — ele resmungou, levando a mão à cabeça. — Estou tonto… e com sede.
Letargicamente, Ethan deu-lhe uma garrafa d’água.
— Não pretende me dopar de novo, pretende? Seria uma coisa terrivelmente ruim.
— Não… veja a tampa da garrafa. Está lacrada.
— Ah, sim. — Enfiou a abertura na boca e sorveu de uma vez metade da garrafa. Então fitou o irmão. — Está triste depois de passar uma semana fodendo Danny Nevarnost? Ele é bonito. A bunda dele também.
Ethan crispou o lábio e bufou.
— Ou culpado por ter chifrado Gabriel? Pela segunda vez?
— Acho que é por isso — disse bruscamente. — Acho que eu devia parar de transar com Danny. Com você também, aliás.
— Não seja estúpido — Nick rosnou. Entornou o resto da garrafa. — Eu sou parte de você, assim como você é parte de mim. Nós somos um só.
— Oliver costumava dizer isso — Ethan murmurou, olhando pela janela. — “Nós somos um só. Partes divididas da mesma alma.”
— Mas ele foi tirado de você, agora você tem que achar outro.
Nick desafivelou o cinto da poltrona e sentou-se no colo de Ethan. Relutantemente, ele pôs os braços em volta de sua cintura para acomodá-lo. Estivera chorando, Nick percebeu. Beijou-o ternamente no rosto.
— É gostoso, não é? — Nick murmurou, os olhos muito pretos brilhando.
— Sabe como a mídia costumava chamar os Hentz, do nosso trisavô, John Francis Hentz, até a mãe? — Ethan perguntou, murmurando. — “Leões dourados.” Eu fui o primeiro Hentz a não nascer louro. Não é engraçado, Nick? Parece que tudo em mim, tudo o que eu faço nasce para morrer errado.
— Não é verdade — ele objetou.
— É sim. Começou por ter um relacionamento. Depois, no segundo, eu acabei chifrando ele meia centena de vezes.
— Você faz coisas certas… Deus, e como faz! — exclamou. — Casar-se com Amy para tomar minha guarda, por exemplo. Você me protegeu naquele momento em que estávamos tão fragilizados para que não fôssemos separados. Eu nunca conseguiria fazer algo assim.
— Você já fez.
Nick sabia que ele estava falando de Oliver. Começou com Oliver, sempre foi ele. Compreendeu subitamente que Ethan ainda o amava.
— Com algo que foi culpa minha. — Não adiantava, teria que jogar a culpa em si para tirá-las das costas de Ethan. — E… senti necessidade disso. Você passou a minha, a nossa, infância inteira me protegendo. Eu queria fazer o mesmo contigo. Lembra-se daquele dia naquele parque aquático? — Sorriu. Ethan teve de sorrir também.
Nick tinha seis anos e Ethan tinha oito. Ainda moravam em Castellobranco, os irmãos e seus pais foram a um parque aquático para o aniversário do louro, num raro momento de união familiar. Era uma lembrança tão vívida que tanto Ethan quanto Nick ainda a tinham perfeitamente detalhada na cabeça. Nick usava uma sunga grande demais para ele e que a todo tempo ficava caindo, azul e com estampa de formas geométricas. Ethan usava exatamente a mesma coisa, mas a sunga era vermelha e tinha o tamanho apropriado.
Estavam numa larga piscina infantil, tão larga quanto os olhos podiam ver. A água mal chegava a bater no umbigo de Ethan e havia brinquedos aquáticos espalhados por toda a extensão da piscina, com uma quantidade ainda maior de crianças e alguns adultos.
Estavam brincando de jogar uma bola inflável um pro outro e a cada jogada, a distância entre os dois aumentava, por insistência de Nick. Ele era tão agitado naquela época quando um verdadeiro filhote de leão.
Então Ethan atirou a bola forte demais para o irmão e ela passou-lhe por cima da cabeça e atingiu um garoto da idade de Ethan na cabeça, que estava quase na margem. Quando Nick foi pegá-la de volta, o garoto recusou-se a devolver-lhe.
— Eu to segurando ela — ponderou ele. — Agora ela é minha.
Sem perder tempo, Nick deu um bom pontapé entre as pernas do garoto e quando ele caiu de costas, pisou com toda a força em seu rosto. Não chegou a quebrar seu nariz, mas o piso da piscina era áspero e ele acabou machucando a cabeça. A água mal tinha se tingido de vermelho quando Nick arrancou a sunga do estúpido garoto.
— Eu to segurando ela — Nick disse, balançando a peça de roupa na cara do garoto despido. — Agora ela é minha.
Então os dois começaram a brigar freneticamente e nem quando foram apartados por alguns adultos o louro parou de se debater. Só o fez quando Ethan pediu-lhe.
Haviam sido expulsos do parque aquático por isso, mas era uma coisa gostosa de lembrar.
Gargalhadas baixinhas eram ouvidas no avião, mas todos estavam dormindo, surdos a elas.
— Sabia que eu reencontrei aquele garoto um tempo depois? — Nick perguntou. — Ainda em Castellobranco.
— E como sabia que era ele? — Ethan indagou, limpando a lágrima dos olhos.
— Você devia perguntar a ele como ele sabia que era eu, porque eu não sei. Mas ele tentou bater em mim. Brigamos de novo, mas daquela vez eu acabei com ele. E era dois anos mais velho que eu!
Ethan riu novamente e então beijou a bochecha do irmão, apenas para mordê-la levemente logo em seguida.
— Fracote do jeito que é, deve ter apanhado.
— Eu não sou fracote, eu apenas não tenho músculos. Mas… sabia que eu cresci dois centímetros desde o início do ano? E você, querido Ethan? Faz quando tempo que mede 1,65? Três anos?
— Caladinho — disse isso e então o beijou com vontade e calor. Desejava possuí-lo ali, naquele instante, mas não podia. — Nunca mais vou transar com Danny Nevarnost. Prometo.
— Espero que sim.
Nick voltou a sua poltrona e se espreguiçou.
— Ponha o cinto.
— Já estou indo, mamãe.
— Sabia que suas aulas voltam depois de amanhã?
— Quem te perguntou?
— Ninguém mandou ficar em recuperação.
— Ainda não vimos o resultado.
— Mas já sabemos qual é.
— Já se perguntou por que é que o último Leão Dourado tem baixa autoestima?
Eles riram um pouco, e então um calou o outro com um beijo longo, cálido, apaixonado, molhado, eletrizante, e úmido.
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