Notas iniciais
Espero que gostem deste capítulo também.

– Chamo-me Gabriel… — disse ele encostando-se a mim.

– O nome de um anjo!? – exclamei surpreendida. Estava totalmente louca, não dizia coisa com coisa. Se havia algo, que estava mais longe de se parecer com um anjo, era aquele rapaz. Ele soltou uma gargalhada que me fez voltar à realidade. Quase morri de susto.

– És uma rapariga estranha. – declarou – Sinto em ti o cheiro do desespero, sangue de demónio, mas tens outra coisa. Essa aura angelical irritante que te faz perder o brilho. Deveras interessante… Pelo menos para uma humana.

Ok foi a minha vez de franzir as sobrancelhas. Cheiro de desespero? Sangue de demónio? Aura angelical? MERA HUMANA?? Ele era totalmente louco, eu estava presa com um louco à noite…. Ia morrer de certeza.

– Acho que devia ir embora. – declarei com o sorriso mais falso que havia à face da Terra.

– É deve estar tarde para ti. – disse ele olhando o céu com uma expressão sinistra – Mas deixa-me avisar-te . Se te voltares a pôr no meu caminho novamente, mato-te. Hoje foste uma surpresa interessante, por isso deixo-te ir. – disse isto olhando-me nos olhos e acreditei realmente que ele matar-me-ia sem hesitar. Tinha o corpo paralisado de horror.

Fiquei a olha-lo sem dizer nada. O que poderia dizer? Ele disse que poupava a minha vida. Suspirei de felicidade quando o vi, virar-me custas e afastar-se. O alivio não durou muito. Senti cada gota do meu sangue gelar, quando ele voltou a encarar-me. Com passadas rápidas ele aproximou-se de mim e beijou-me. Assim simplesmente, beijou-me. Não, não foi um beijo foi um beijão. Cada célula do meu corpo tremeu, admitia que ele metia medo, mas o que ele fez me deixou nas nuvens. Mas tudo acabou rápido de mais, ele afastou-se .

– De facto a tua alma tem um sabor especial… Lembra-te voltas a entrar no meu caminho e mato-te. Será um prazer ver-te morrer e ficar com a tua alma como prémio.

Com este último grande feito da noite ele desapareceu, quase como se estivesse fundido com a escuridão. Corri como uma louca de volta para casa. Eram 21:00 horas, estava simplesmente feita. E pior, a minha mente continuava a andar à roda com acontecimentos da noite. Cheguei a casa e ainda não tinha fechado a porta, quando vi a minha mãe surgir à minha frente. Sentia a fúria dela tocar-me.

A minha mãe geralmente era calma, mas quando estava zangada de verdade, ela tornava-se realmente assustadora.

– Boa noite, fico feliz por nos achares merecedores da tua presença.

– Mãe… — comecei – eu posso…

– E quem disse que eu vou ouvir?- perguntou-me.

– Vá lá querida deixa a rapariga falar.

Só me apeteceu beijar o meu pai. Ele ajudava-me sempre, ou pelo menos, quase sempre.

– Tens 30 segundos.

Com o pouco tempo de explicação decidi contar uma meia verdade, mas ela iria facilitar-me a vida.

– Encontrei uma rapariga que não se estava a sentir muito bem e senti-me na obrigação de acompanha-la. Como estava ocupada esqueci-me de avisar e nem reparei que estava tão tarde. – vi a minha mãe acalmar-se um pouco.

– Oh filha… Que atitude tão boa, mas mesmo assim devias ter avisado.

– A minha filha sai ao pai, tem um coração puro. – disse ele abraçando-me – Agora vamos comer, que estou cheio de fome.

– Vamos com calma. Ficas de castigo 3 dias sem tv.

– Mas mãe… — o seu olhar fez-me calar.

Olhei para o meu pai à procura de apoio mas ele estava a fingir que não me ouvia. Acabei de comer e fui tomar um banho.

A minha mente continuava a repetir todos os acontecimentos uma e outra vez. O meu pai dizia que um banho ajudava a relaxar e pôr as ideias em ordem, mas não resultou comigo.

Adormeci a perguntar-me o que realmente teria acontecido, mas a única coisa que consegui foi ter um sonho estranho. Penas pretas e brancas caiam como gotas de chuva e conseguia ouvir gritos desesperados.

Acordei cedo demais, o dia não começava bem.

Notas finais
Dedico este capitulo a SkyGez e a Lótus. Pois sei que gostam de romance e mistério à mistura.