Como O Sol e A Lua
12 Capítulo 11
- Você o conhece muito bem. – eu falei –
— Sim. – ela respondeu – Assim como conheço você também – ela murmurou olhando distraída pro lado –
— Como? – indaguei, eu quase não consegui entender, só entendi o “você também” –
— Nada. – ela respondeu voltando a me olhar –
Eu franzi as sobrancelhas, confuso, mas logo voltei ao normal.
— Ok.
— Ichigo...posso...fazer algo?
— O que?
Ela hesitou por instantes, eu a fitei ansioso por uma resposta, ela se desencostou da grade e deu um passo em minha direção, eu vacilei um pouco e tentei não sair correndo. Rukia ficou frente a frente a mim e ergue as duas mãos em direção ao meu rosto, parou-as ainda no ar e me olhou hesitante.
— Posso? – ela disse quase sussurrando –
Eu não conseguia me mover.
— Sim. – respondi, e acho que somente eu ouvi a mim mesmo –
Rukia se aproximou mais e pousou ambas as mãos em minha face, permanecemos nos olhando, ela tirou uma das mãos do meu rosto e colocou-a em minha testa, eu me controlei para não fechar os olhos, meu coração batia cada vez mais rápido. Ela lentamente deslizou as pontas dos dedos dela da mão que estava na minha testa para minha fronte, continuou deslizando-os pela lateral do meu rosto até chegar ao queixo, depois, fez a mesma trajetória com a outra mão no outro lado do meu rosto. Ela sorriu insegura.
— Desculpe. Eu ainda não conseguia me mover, minha pele queimava, eu ainda sentia a pele macia dela deslizando por minha face.
— N-não se desculpe... – murmurei –
Ela não parecia ter notado, mas ela ainda estava com ambas as mãos em meu queixo e a distancia entre nós era mínima, quase insignificante.
Parece que agora ela percebeu, pois corou, apesar de ainda permanecer imóvel.
Continuamos parados, que idiota, por que eu estava parado dessa maneira?
Um segundo depois Rukia me olhou um pouco insegura, deu um passo para trás e tirou as mãos de meu rosto, eu novamente não entendi, ela recuou e olhou pra porta que levava para baixo, eu segui seu olhar e me surpreendi ao ver Byakuya ali, mas o que era aquilo? Como Rukia conseguiu ouvir a chegada de Byakuya de tão longe? Da última vez estava perto, apesar de mesmo assim eu não ter percebido que ele havia chegado, mas agora, o terraço era enorme e a distancia entre nós e a porta era de metros.
Ele disfarçou seu desconforto e caminhou em nossa direção sem se abalar.
— Nii-sama. – Rukia falou sorrindo para ele quando ele parou próximo a nós –
Ele suavizou a expressão, apesar de não ter retribuído o sorriso, claro, eu acho que nunca o vi sorrir abertamente, peraí, eu acho que nunca o vi sorrir.
— Só vim lhe avisar que talvez...
— Tudo bem, estarei...
— Tudo bem. – ele concordou -
Ele caminhou em minha direção e eu dei um passo para trás quando ele ficou frente a frente comigo.
— Cuidado. – ele murmurou com os olhos cemi-cerrados –
E após lançar um olhar frio em minha direção, se afastou.
— Que...adorável. – murmurei o olhando se afastar –
Eu voltei minha atenção pra Rukia.
— O que ele te falou? – indaguei a ela –
— Ele disse que vai demorar um pouco na saída e eu lhe disse que o esperarei na sala.
— Ah, entendi. Viu? Por que não conversam assim, pra variar? Sabe, de maneira normal.
— Não conseguimos. – ela respondeu sorrindo –
Eu a olhei um pouco surpreso.
— Como assim?
— Simplesmente não conseguimos conversar da maneira que normalmente se conversa.
— In...crível...e bastante...assustador.
— Sabe, qualquer hora eu te mostro exemplos de que não conseguimos conversar de outra maneira.
— Estou curioso...e com medo.
Ela sorriu lindamente pra mim e eu travei meus lábios diante dela disfarçadamente, que visão tentadora, se eu não conseguisse me conter eu falaria facilmente uma frase idiota do tipo: “Casa comigo AGORA, Rukia!”
O sinal tocou, eu agradeci mentalmente e nós fomos pra nossa sala.
— E aí? Alguém mais te convidou? – Renji perguntou entediado, parecia fazer aquilo somente pra “eu não me sentir mal”-
— Sim.
— E aceitou? – ele perguntou desinteressado, como se dissesse: “que pergunta obvia, é claro que é não” –
— Eu aceitei.
Ele quase caiu da cadeira, me olhou assustado ao mesmo tempo que Ishida, Sado, Ikkaku e Hitsugaya, nossa, eu não sabia que era um milagre aceitar um convite desses.
- Que? Você...aceitou? – Sado indagou surpreso –
— Sim. – respondi com calma –
Ikkaku me olhou de maneira acusadora.
— Quem é você e o que fez com o Ichigo?
Eu ri forçadamente.
— Haha.
— Mas...e a Kuchiki-san? – Hitsugaya perguntou receoso –
— Está tudo bem. – respondi, ia torturá-los mais um pouco –
— Quer dizer...que desencanou? – Renji falou –
— Não.
— Então como aceitou o convite de outra garota? – Ishida estava começando a se irritar, assim como os outros –
— Pelo simples motivo de que foi ela quem me convidou.
Todos me olharam paralisados por instantes e em seguida...caíram na gargalhada, eu senti minha face ficar vermelha de raiva, que amigos eu tinha, confiavam tanto em mim que achavam que eu não precisava de auto-estima, talvez por isso estejam rindo da minha cara.
— É sério. – eu falei emburrado –
— Claro, claro. – Ikkaku deu de ombros e virou-se pra prestar atenção na aula –
— Continue sonhando, amigo. – Renji falou rindo e virando-se para a frente –
— Tsc... – Ishida e Hitsugaya resmungaram e voltaram-se pra frente também –
— Hum... – Sado murmurou –
— Que belos amigos... – murmurei –
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