Como O Sol e A Lua

47 Capítulo 47


Byakuya rolou para o lado e caiu exaustou, Rukia o ajudou a se sentar e com dificuldade o colocou de pé, passou o braço dele por seus ombros e caminhou com ele em direção a sua casa, carregando mais da metade do peso do irmão.

[...]

— O que...aconteceu? – o garoto murmurou sentando-se com dificuldade na cama –
— Você desmaiou no caminho pra casa. – Rukia falou sorrindo levemente para o irmão ao sentar-se em frente a ele na cama – Eu...liguei pra policia...Tsugi... – ela engoliu em seco – O corpo...está...bem...
Byakuya abriu os braços e Rukia abraçou-o em seguida, os dois choraram silenciosamente e depois de minutos se separaram.
— Obrigada... – Rukia voltou a sentar-se de frente pra ele – ...*Nii-sama.
Byakuya olhou-a confuso, Rukia segurou a mão dele.
— Você é tudo que tenho. – ela falou olhando-o firmemente – E é tudo o que preciso.
Byakuya sorriu levemente e beijou a mão dela.
— Você também é tudo que tenho. E prometo nunca mais te deixar passar por isso.
— Eu prometo o mesmo.
— É uma aposta? – ele indagou –
— Se quiser...
— Vou ficar forte para te proteger.
— Vou ficar forte para te proteger e pra não ser preciso que você me proteja.
— Vou ficar forte para que não seja preciso você me proteger e se você não me proteger, eu vou ter que te proteger.
Rukia franziu as sobrancelhas.
— Pois eu vou ficar forte pra que você não precise me proteger e para que eu não precise saber que você precisa me proteger por que se eu ficar forte vou proteger você e eu.
— O QUE? – ele indagou pasmo –
Rukia gargalhou.
— Ganhei.
— Não é justo, eu estava distraído. – ele falou rindo junto com ela –
Rukia voltou a abraçá-lo.
— Eu te amo, nii-sama.
— Eu também te amo, Rukia.

Fim de Flash Back

Eu permaneci em silêncio após ele terminar de falar, aquilo era quase inacreditável, eles passaram por tudo isso ainda crianças.

- Deve...ter sido horrível. – eu falei pasmo –
— Sim. Rukia tinha pesadelos todos os dias após aquele dia, e ás vezes ainda tem.
— E você?
— Eu nunca disse á ela...mas...eu tive pesadelos até os quinze anos de idade. E os que tenho hoje...não são mais com Tsugi, são com ela. – ele olhou-a com a expressão serena – Pesadelos em que eu a perco, em que eu não consigo protegê-la, em que eu falho na promessa que fiz á ela naquela hora, eu disse: “prometo te proteger e nunca te deixar sozinha”.
— Você disse que esse...acontecimento fez com que Rukia ficasse claustrofóbica... – eu comecei – Mas...como isso aconteceu?
— Foi quando eu fiquei por cima dela para protegê-la. – ele respondeu sem me olhar –
Eu olhei pro chão por instantes e depois voltei a olhá-lo.
— Você...também disse que na primeira vez em que ela teve claustrofobia foi por sua causa, como aconteceu?

Ele suspirou pesadamente e eu percebi que aquilo era difícil até de ele dizer.
— Aconteceu dois anos depois, eu...a coloquei dentro do guarda-roupa e disse a ela para esperar pois eu enfeitaria o quarto para simular o aniversário dela, já que nossos pais...nunca fizeram qualquer festa pra nós...e então...quando eu estava quase terminando...eu a ouvi gritar, eu a tirei de lá, ela estava completamente tremula e fria enquanto não parava de falar palavras desconexas, mas que eu sabia de onde eram, ela parecia estar revivendo inconscientemente o dia do assassinato. Eu tentei de todas as formas acalmá-la, mas ela não parou de gritar até desmaiar minutos depois...Foi...a pior coisa que aconteceu na minha vida depois do dia do assassinato, a sensação de não poder fazer nada...de vê-la gritar de desespero sem poder confortá-la...eu desejei nunca mais ter que fazê-la passar por isso, e espero...nunca encontrar com as pessoas que a fizeram passar por isso nas outras três vezes. – ele franziu as sobrancelhas com raiva – Quem foi...que fez isso a ela hoje?

Eu o olhei surpreso, ainda estava estático pela narração dele.
— Eu...não sei...
— Você sabe...só não quer me falar.
Eu suspirei.
— É melhor que você não saiba mesmo, e além do mais...ela não tinha essa intenção.
— Não importa a intenção. – ele falou travando a mandíbula –
— Byakuya...eu te entendo. – ele me olhou surpreso e eu o olhei confiante – E prometo não deixar isso acontecer novamente, eu vou protegê-la....assim como você.
Ele fechou os olhos por instantes e em seguida voltou a me olhar.
— Estou contando com você.