Como (Não) Esquecer o Seu Ex
2 Capítulo 2 - Por Tyler
Notas iniciais
A minha noite não poderia ter sido pior.
Primeiro, Luke insistiu para que fôssemos em uma boate com uma de suas amigas para que eu pudesse conhecê-la melhor. Segundo ele, eu estava totalmente ''encalhado'', mesmo depois de ter ido a todas as festas e reuniões possíveis para tirá-la de minha cabeça. Toda vez em que me pego pensando nela, apenas uma coisa passa por minha cabeça: ''Parabéns, Tyler! Você está totalmente apegado.''
Eu lembro de todos os detalhes do dia que conheci Andressa. Nós tínhamos ido para a casa de Luke para celebrar o seu aniversário. Não era bem uma festa, era mais uma reunião entre amigos, com música ao vivo e muita cerveja. Ela estava com suas madeixas escuras presas em um rabo de cavalo. Ela usava o seu vestido amarelo, que realçava suas curvas e deixava suas belas pernas morenas a mostra o que sinceramente fez com que fosse o meu favorito desde então. Ela usava uma sapatilha da cor azul escuro. Ela balançava as pernas, sentada em um balanço, bem perto de uma rodinha em que estávamos. Michael tocava algumas músicas em seu violão e ela mexia a cabeça distraidamente no ritmo da música.
Se eu soubesse o quanto eu iria gostar daquela garota no momento em que me aproximei dela a oferecendo um copo de refrigerante e tive a oportunidade de admirar aqueles olhos verdes como esmeraldas, eu realmente teria dado meia volta e sentado naquela roda com aquelas pessoas que eu conhecia tão bem.
Acontece que vivemos meses de algo que tinha sido a melhor coisa que havia acontecido em minha vida e como sempre, eu tive que estragar tudo com a garota que é a mais incrível que eu havia conhecido em meus 19 anos de vida.
Eu concordo com Jade mais do que ninguém na parte em que eu sou um idiota por ter simplesmente deixado uma garota tão incrível como Andy escapar de meus braços. Eu estava chateado, estressado e eu acabei descontando isso tudo justamente nela. Justo na pessoa que poderia ser a minha salvação, a luz em meio ao caos que se formou em minha vida.
Eu fui um babaca.
Segundo que durante a madrugada, uma simples notificação conseguiu me deixar o restante de minhas horas de sono em uma insônia enorme. O nome ''Andy’’ com o emoji de leão que ela tanto amava piscou em minha tela três vezes, antes de parar. Eu tive que travar uma luta interna em meu corpo para não abrir aquelas mensagens e ir correndo de encontro a ela. Foi algo complicado, mas as nove horas da manhã quando eu finalmente resolvi lê-las, um conforto atingiu meu coração e por um momento eu realmente acreditei que ainda existia uma chance de que minha vida poderia voltar a ser como era antes. Como eu disse, apenas por um momento.
Minha prima Marcela havia me mandado uma carta há alguns meses dizendo que viria passar as férias em minha casa. Eu e ela sempre fomos extremamente apegados um ao outro, até ela e minha tia mudarem-se para a Alemanha há cinco anos atrás. Depois de eu ter contado praticamente tudo o que havia acontecido comigo por uma carta, ela decidiu que queria voltar para o seu país natal para me visitar e passar um tempo aqui.
—Marcela! –Sorri, quando a avistei ao longe. Ergui a mão para chamar sua atenção e minha prima com seus cabelos -que antes eram ruivos, mas agora estavam em um loiro extremamente claro- virou-se para mim com uma expressão de criança no rosto. Eu não podia negar nem um pouco que o tempo havia a ajudado. Minha prima tinha os olhos extremamente azuis, ao contrário dos meus que eram castanhos. Sua pele era extremamente clara, fazendo com que seu vestido vermelho rodado se destacasse.
Marcela já havia se acomodado em minha casa. A dona Helena, mais conhecida como minha mãe, estava trabalhando como sempre. Eu estava um pouco perdido em relação a minha prima pois havia anos em que nós não nos falávamos, então decidimos ir almoçar em um dos meus restaurantes preferidos, assim como eu lembrava que era o dela.
—Poxa, essa torta é muito boa! –Minha prima revirou os olhos com uma expressão de prazer no rosto, ao colocar o pequeno garfo plástico com um pedaço de torta de chocolate consideravelmente grande na boca. Eu e ela estávamos nos divertindo; Marcela havia histórias muito boas de onde morava atualmente.
—Eu tinha certeza de que você iria gostar! Costumava ser uma de minhas favoritas, eu como essa torta pelo menos uma vez por semana. –Comentei, levando outro pedaço de torta para minha boca.
—Eu não entendo como você consegue não ser gordo, Ty! –Marcela gesticulava de um modo engraçado enquanto falava, o que me faz manter um sorriso no rosto. Ela começou a contar uma história de quando acabou engordando 6kg em um mês quando foi visitar nossa avó e nesse meio tempo ouvi o barulho do sino que anunciava a chegada de mais alguém ao restaurante. Percebi que um casal havia entrado, mas não me dei o trabalho de prestar atenção quem era. Eu estava totalmente concentrado em Marcela tagarelando, mas logo me senti incomodado. Aquela sensação de que alguém estava me olhando fez minhas bochechas queimarem e ao subir meu olhar para quem estava na porta, meu coração deu um solavanco em meu peito.
Minha expressão se suavizou, mas eu tenho certeza de que eu parecia levemente surpreendido. Marcela percebeu a minha troca de humor e virou-se para olhar quem estava lá.
Eu não sabia o que fazer, o que sentir e nem nada do tipo. Eu não havia visto Andy desde que terminamos e reencontrá-la assim em um local tão significativo para nós acabou me pegando desprevenido. Tomei impulso para cumprimentá-la, mas antes de eu pronunciar qualquer palavra que viesse em minha cabeça, Andy sentou-se em uma das primeiras mesas e pegou o cardápio. Percebi que Michael estava a acompanhando e tive que fazer um grande esforço para não revirar os olhos e logo grandes olhos azuis me fitavam curiosos.
—Aquela é sua ex? –Assenti, um pouco desnorteado. Percebi que Andy e Michael conversavam, então baixei a cabeça e assenti. –Caramba, Tyler! Ela é linda!
—Ela é! –Eu havia deixado escapar um sorriso bobo de meus lábios. Andressa parecia não querer nem olhar em meu rosto direito. –Eu fui um idiota, Marcela. Não sei mais o que fazer para mostrá-la que tudo o que eu mais queria era que ela pudesse ser minha novamente.
—Mas poxa, vai falar com ela! –Marcela animou-se e começou a bater palmas de um modo que não fizesse muito barulho mas que demonstrasse sua empolgação.
—Ela não consegue nem me olhar direito. –Disse decepcionado e comi o último pedaço de torta, levantando-me. –Vamos?
Marcela parecia decepcionada, ou até mesmo chateada por mim, mas tentei manter uma feição de indiferença, mesmo que a cada passo que eu dava mais perto dela, meu coração se apertasse um pouco. Andressa não fez questão de me cumprimentar, mas não iria deixar de faze-lo. Havia ficado muito tempo ao seu lado para simplesmente fingir que não a conhecia, então ao chegar em frente a sua mesa, tentei soar o mais tranqüilo o possível e fiz questão de me abaixar para depositar um beijo em sua bochecha. Mal ela sabia o quanto eu queria que ela virasse o rosto!
—Oi Andressa! –Dei um sorriso mínimo e apertei a mão de Michael. –Oi Mike! Essa é Marcela. -Apresentei minha prima, que recebeu um beijo no rosto de cada um.
Andressa não parecia abatida; bem pelo contrário. Sua expressão era de frieza e ela apenas deu um sorriso forçado ao me cumprimentar.
—Oi. –Andressa disse, fitando minha prima. Eu não conseguia decifrá-la de jeito algum e percebi que o clima estava meio tenso. Michael me olhava com uma expressão feia, mas minha atenção estava totalmente voltada para Andy, de modo que eu ignorasse a sua presença ali.
—Poxa, quanto tempo! Como vocês estão? –Tentei ser simpático, sem saber o que dizer. Percebi que Andressa abriu sua boca para falar algo, mas foi interrompida por Michael.
—Estamos ótimos, Leonard.
—Ótimo! Nós vamos indo lá, tenho que buscar minha mãe no trabalho. –Ao perceber que o clima estava ficando pesado, peguei Marcela pelo braço e saí apressadamente do local. Senti o ar abafado atingir meu rosto e fui em direção do meu carro com Marcela ao meu encalço.
—O que foi isso, Ty? –Marcela havia entrado logo após de mim. Apoiei-me no volante e passei as mãos por meus cabelos curtos. Eu estava totalmente elétrico! Vê-la e não poder tocá-la do jeito que eu queria me deixava totalmente louco. Eu realmente achei que por um momento eu já havia esquecido Andy, mas nesses últimos dias que passei observando suas fotos em suas redes sociais e as suas frases que compartilhava, percebi que eu não havia a esquecido. Meu sentimento continuava intacto e o pior: cada vez ficava maior.
—
—E aí, cara! –Luke com suas roupas para praticar chegava animado ao meu encontro e me deu um abraço, dando leves tapinhas em minhas costas. –Soube da maior?
—Não. –Respondi sincero e soltei uma leve risada, fazendo que Luke arregalasse seus olhos.
—Vai ter uma festança na casa do George! –Luke e eu havíamos começado a caminhar para o ginásio aonde treinávamos basquete com o time da nossa universidade. –E a Jade vai!
—E porque você 'tá me dizendo isso? –Arqueei a sobrancelha. George era o pivô de nosso time. Ele costumava a dar festas enormes ao longo do ano em sua casa quando seus pais viajavam. Eu sempre fui muito parceiro dele para isso, mas a minha vontade de ficar em um local cheio de garotas dando em cima de caras bêbados e vice-versa estava igualada a zero.
—Porque eu acho que finalmente vou poder pegar ela, cara! –Luke parou em minha frente e colocou as mãos em meus ombros. Eu não pude deixar de rir! Inclinei minha cabeça para trás e soltei uma longa gargalhada, fazendo com que ele me olhasse com uma expressão engraçada.
—Esquece, cara! A Jade é muita areia para o seu caminhão. –Desviei de meu amigo e continuei caminhando, largando minhas coisas na arquibancada pintada das cores azul e amarelo.
Luke entrou na quadra resmungando algumas coisas sem nexo e eu continuei a seguir meu caminho para o centro do local, onde vários colegas meus já estavam reunidos.
Jade e eu éramos bem amigos antes de eu ter vacilado com Andy. Ela sempre foi uma garota extremamente difícil de lidar, mas era companheira quando se tratava de festas e bebida. Ela era praticamente uma irmã para mim, mesmo que estivéssemos afastados desde o meu término com Andy. Ela estava tão chateada comigo quanto Andressa e eu não podia tirar a sua razão.
Logo passou em minha cabeça que Andressa poderia estar na festa que George iria dar. Ele com certeza convidou Jade simplesmente porque Luke havia implorado, mas ele não iria deixar de convidar Andy. Elas eram como unha e carne! Eu não estava nem um pouco com vontade de ir nessa festa, mas conheço bem a ingenuidade de Andy para que meu instinto protetor aflorasse. Eu não a deixaria sozinha naquele lugar cheio de garotos com os hormônios à flor da pele, tendo certeza de que Luke iria arrastar Jade para um canto qualquer.
Depois de hoje, percebi que aquela garota nunca havia sido minha. Ela era e sempre foi totalmente dela e sorte do cara que a tiver do lado para compartilhar toda essa liberdade que ela tinha sobre o seu corpo. Ela estava chateada, mas eu tenho certeza de uma coisa: não deixaria essa garota escapar mais uma vez.
—Vamos, cara, você 'tá atrasado para o treino!
Ouvi um dos caras do time gritando e com esses pensamentos martelando em minha cabeça, corri até eles que agora estavam aquecendo para o treino de hoje.
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