Como (Não) Esquecer o Seu Ex

3 Capítulo 3 - Por Andy


Notas iniciais
Olá pessoal! Queria agradecer para minha leitora que deixou o seu primeiro comentário em minha fanfic e a quem está acompanhando a fanfic. Isso é realmente muito importante pra mim! Espero que curtam o capítulo, mesmo ele estando longo e um pouco enrolado.

Eu ainda não sei como diabos eu ainda tinha na cabeça que esse garoto podia ter se arrependido pelo menos um pouco das atitudes que tomou no dia em que brigamos por estarmos afastados.

Desde que conheci Tyler, ele vem mudando e amadurecendo bastante, porém ainda não fora o suficiente para ele assumir um relacionamento. Tyler sempre foi alguém super impulsivo; fazia as coisas sem nem pensar nas conseqüências. E eu sempre estive muito ciente de todos os seus defeitos, na verdade, eles até me encantavam.

Ao ver ele ali, com aquela garota loira, vindo em minha direção, não achei que ele realmente viria me dar oi. Porém, após o ocorrido, Tyler fugiu que nem uma garotinha foge da mãe quando faz coisa errada. Eu mereço!

—

No dia seguinte, eu e mais uma amiga nossa, havíamos combinado de nos encontrar na casa de Jade antes de nosso treino. Nós éramos do time feminino de voleibol da escola e atualmente o melhor time do país no vôlei armador. Treinávamos todas as segundas, terças, quintas e sextas e sempre combinávamos algo antes de irmos todas juntas ao treino.

—Eu acho que devíamos ir sim! –Jade protestava junto com Clarisse. Clarisse era uma garota da nossa escola (consequentemente do nosso time) e é nossa amiga há muitos anos. Ela era pequena e ágil. Por isso, era a nossa levantadora titular. A menina me encarava através das lentes de seus óculos, com o nariz empinado, tentando inutilmente ajustá-lo sem que caísse de seu rosto.

—Poxa, Andy, finalmente agora podemos ir juntas em uma festa e você me diz que não quer ir? –Clarisse fez um biquinho e me olhou piscando rapidamente seus grandes olhos cor de mel.

—Vocês pararam pra pensar o que está em jogo aqui? –Perguntei, arqueando as sobrancelhas. Jade me olhou de cara feia e cruzou seus braços. –Eu não quero ir e ter que ver a cara daquele idiota, ainda mais com aquelazinha que eu não pretendo conhecer!

—‘Miga, hello! –Jade disse e eu soltei uma leve risada. –Essa é a sua grande chance de poder mostrar que o esqueceu. Você vai estar maravilhosa, com outros caras babando em você e totalmente livre.

—Pensando bem... –Pensei nos últimos acontecimentos. Tyler realmente poderia ter seguido em frente sem ao menos pensar em todo o tempo que estivemos juntos? Quem terminou fui eu, lógico, mas ele pareceu me aceitar isso tudo numa boa. Jade e Clarisse me olhavam com apreensão. –Ok, eu vou!

Minhas amigas comemoraram e passamos a tarde até o horário de nosso treino conversando sobre que roupas usaríamos e sobre os meninos que Jade e Clarisse pretendiam fisgar naquela noite. Elas levantaram várias hipóteses dos homens que iriam me cantar naquela noite, mesmo eu negando até a morte que ficaria com algum deles. A cena parecia até mesmo patética, com as garotas procurando os nomes deles nas redes sociais para tentar me convencer de algo e fazendo comentários como ''Eu juro que ele é mais bonito pessoalmente!’’ e ''Uau, se você não pegar, eu pego!’’.

Nossas tardes de terça-feira eram tumultuadas.

Ao chegarmos a nossa escola acabamos encontrando os garotos (como sempre) saindo de seus treinos. Nosso treino era logo depois do deles. Ás vezes, eu e as meninas chegávamos mais cedo para assistir o treino, simplesmente para babar nos meninos altos e fortes que haviam no time ou para assistir o jogo incrivelmente bom que os garotos nos proporcionavam ao estarmos ali. Eles eram um ótimo time e eu não podia negar que eram muito melhores que nós. Não era a toa que eles eram um dos melhores times sul-americanos.

—E aí, microscópica! –Um dos meus melhores amigos ou melhor, Eduardo, aproximou-se com um sorriso no rosto e logo fez uma careta demonstrando seu cansaço para nós. Ele adorava zoar de minha altura e eu havia me acostumado com isso. Acredite, quando se tem 168cm e apenas 55kg, sendo uma das ponteiras de seu time, só basta você aceitar realmente que era uma garota baixa. Edu me abraçou fazendo questão de esfregar seus grandes braços suados em meu rosto. Eu ficava na ponta dos pés para abraçá-lo, já que meu grande amigo era literalmente grande, rodeando seus quase dois metros de altura. –Poxa, como você ‘tá?

—Firme e forte, anão! –Eu sequei as gotas de suor que ele havia esfregado em meu rosto e dei um sorriso simpático. –Mal posso esperar para os próximos campeonatos!

—O treinador provavelmente passará hoje a tabela de jogos para vocês, assim como para nós. –Ele disse pausadamente, na medida em que dava um beijo na bochecha das meninas. Eles não se conheciam muito bem e Clarisse sempre teve uma paixão secreta pelo meu amigo levantador, mas nunca havia realmente falado com ele.

—Que ótimo! Assistirão o nosso treino hoje? –Jade se pronunciou puxando suas joelheiras brancas para cima. Edu negou com a cabeça.

—Eu e os meninos marcamos de nos encontrarmos com o time de basquete para combinar sobre os fardamentos novos. –A imagem de Tyler e seus arremessos na linha dos três pontos invadiram minha mente. Ele era incrivelmente bom no esporte e isso foi um dos motivos para fazer-me apaixonar por ele; eu o admirava mais do que todos os seus possíveis fãs. Balancei a cabeça, espantando esses pensamentos.

—Vocês precisam de convite para entrar na quadra, mocinhas? —Ouvimos a voz grossa de Steve, nosso treinador e então percebemos que todas as garotas já estavam em quadra, até mesmo Clarisse.

—Ele está uma fera hoje. –Edu colocou sua mochila nas costas e novamente depositou um beijo no rosto de cada uma. Ele virou de costas e correu para seu time que já saia do ginásio. –Boa sorte!

—

O treino havia sido realmente muito cansativo. Steve realmente estava uma fera e se prestássemos atenção em seu rosto nos xingamentos, poderíamos notar as veias quase saltando de sua grande testa.

Estávamos atiradas no chão do ginásio, exaustas e o time de basquete já estava lá para seu treino. O cronograma era o seguinte: voleibol masculino era das 14h às 17h. Voleibol feminino era das 17h as 19h30 e o basquete masculino das 19h30 até as 21h30. Ou seja, na maioria de nossa semana estávamos em quadra.

Eu estava com as mãos sobre o rosto, deitada em um dos colchonetes espalhados pelo chão, assim como Jade e Clarisse estavam. Já podia se ouvir o barulho do baque do parquet com a bola de basquete sendo picada no chão. Eu não havia me dado o trabalho de ver se ele já havia chegado, mas no momento em que eu ouvi que a movimentação começara a ficar estranha, eu desejei por um momento que não tivesse tirado as mãos do rosto.

—Cuidado! –Ouvi algum dos garotos gritar e logo uma bola de aproximadamente uma tonelada havia batido em meu rosto, me fazendo soltar um gemido em protesto. Eu coloquei as mãos no rosto, na área em que a bola havia atingido –mais ou menos entre meu olho e minha bochecha- e senti meus olhos lacrimejarem.

—Andressa! –Ouvi aquela voz tão conhecida por mim aproximar-se e tocar meu corpo. Uma das suas mãos foi depositada em minha cintura e outra estava em meu rosto. –Puta merda garota, porque é sempre com você?

Eu não prestava muita atenção no que Tyler falava, pelo contrário; minha atenção estava totalmente em suas mãos quentes em meu corpo.

—Eu estou bem. –Levantei-me, ainda com a mão no rosto, e soltei outro gemido. Minha cabeça doía por conta do impacto e algumas lágrimas escaparam de meus olhos.

—Leve ela para a enfermaria, Leonard. E volte logo! –Tirei as mãos do rosto para finalmente tentar encarar os olhos castanhos de Tyler, mas meu olho direito recusou-se a fazer o mesmo. –Está inchado. Provavelmente terá que ficar com uma compressa de gelo!

Os acontecimentos a seguir foram estranhos. Eu tentei inutilmente dizer que eu estava bem para seguir sozinha em direção a enfermaria, mas quando levantei, por um momento quase caí novamente. Não é a toa que me chamam de drama queen!

Tyler levou-me para a enfermaria em seus braços.

—Você está péssima, Andressa. –Tyler fez questão de interromper o silêncio que havia se instalado entre nós. Ele tinha um de seus braços em minha cintura enquanto o outro segurava minha mão de meu braço esquerdo que estava envolvendo seus ombros.

—Muito obrigada pela parte na qual me toca. –Eu disse e ele deu uma leve risada.

—Como se eu não tivesse visto você em estado pior! –Ele disse, ainda risonho e me dei a liberdade de soltar um sorriso, mesmo com dores pelo rosto.

—Bom, esses nossos encontros inesperados só vem acontecendo cada vez mais e nenhum deles em uma situação agradável. –Deixei escapar, sem me dar conta do que estava dizendo.

—Acho que não me importaria de que isso acontecesse mais vezes. –Juro por Deus que meu coração havia parado por um instante! Eu tentava formular uma frase decente para respondê-lo, mas logo que chegamos na enfermaria, desisti de o fazê-lo.

—Até mais, Andy, fica bem! –Eu não sabia como meu apelido podia soar tão bem na voz de uma pessoa. Ele se despediu de mim com um beijo na testa e saiu, rapidamente, para voltar ao seu treino.

Esse garoto ainda me mata! Revirei os olhos por um momento e imaginei Jade me insultando de todas as formas possíveis se soubesse que eu andava tendo recaídas mentais quanto a esse garoto. Mas eu digo uma coisa só, meninas: É impossível odiar a pessoa que você mais amou durante um curto ou longo período de sua vida. As emoções são muito fortes, porém, eu tenho uma coisa em mente. Eu esqueceria esse garoto de uma vez por todas!

Depois do ocorrido da bolada que levei no rosto, Jade quase explodiu em gargalhadas quando deparou-se comigo entrando no ginásio com uma grande compressa de gelo sendo pressionada por eu mesma em meus olhos. Eu estava realmente um caco. Meus cabelos castanhos encaracolados estavam presos e bagunçados. Meu olho direito estava inchado e latejando, e minhas roupas de treino estavam coladas em meu corpo por conta do suor que agora já secava depois de um intervalo na área com ar condicionado que tinha a enfermaria.

Para melhorar, eu havia fascite plantar nos dois pés, me fazendo ficar manca e com meu rosto vermelho. Quem visse podia dizer facilmente que eu havia apanhado de alguém, mesmo não tendo ocorrido realmente isso.

Ou seja, voltei manca e com o rosto arrebentado para a casa.

—

Quando cheguei em casa, minha mãe me esperava com uma grande caixa de bombons da cacau show com um grande sorriso em seu rosto. Ela estava com uma calça jeans preta e seu tênis de couro bege, junto com sua jaqueta preta com detalhes dourados. Eu sinceramente amava as roupas que minha mãe usava e sempre fui a típica menininha que quando perguntavam o que eu queria ser quando eu crescesse, eu dizia que queria ser vendedora em uma loja de roupas apenas para ser que nem ela.

—Eu não cheguei a tempo para a pior parte, mas eu trouxe doces para sua pós depressão! -Ela sacudiu os bombons para mim e veio ao meu encontro com os braços abertos. -Que saudade de você, sua pirralha!

Eu havia me mudado de seu apartamento fazia alguns meses para morar com o meu irmão. Ele era de maior e já tinha responsabilidade o suficiente para cuidar de sua irmãzinha mais nova, o que me fez querer mudar de ambiente e tentar ser uma pessoa independente assim como ele, mesmo que isso seja absurdamente impossível naquele lugar. Mike me mimava de todas as formas possíveis e eu agradecia aos Deuses por ter um irmão tão maravilhoso quanto ele. Infelizmente, ele viaja muito para negócios e eu não tinha muito tempo com ele, mas tinha a certeza de que no dia em que eu precisasse ele estaria lá para mim. E não foi muito diferente disso depois do dia em que eu perdi quem eu achava ser o grande amor da minha vida.

Eu estava em uma TPM enorme, então quando eu e minha mãe resolvemos parar para conversar sobre o rumo que meu relacionamento tinha levado, não pude deixar o meu lado bebê chorão de lado e deixar com que as lágrimas de meus olhos escorressem livremente pelo meu rosto.

—Você acredita que houve um dia em que eu e seu pai nos separamos por culpa de outra mulher? -Ela dizia, afagando meus cabelos. -Eu estava afastada de seu pai e ele havia começado a trabalhar faz um tempo. Eu estava realmente sofrendo muito e a dor de descobrir que ele havia se encantado com outra foi enorme. Eu estava péssima! Passei duas semanas inteiras correndo atrás daquele magricelo idiota e quando percebi que mais nada podia ser feito, resolvi largar essa ideia de vez. Depois de mais duas semanas eu era uma nova Letícia! Eu saía cada vez mais com meus amigos, me divertia e não estava nem aí para o babaca que seu pai havia sido na época. Não demorou muito para que ele voltasse para mim todo arrependido do que tinha feito.

Eu escutava tudo atentamente, deixando com que meus soluços diminuíssem com o desenvolver de suas palavras.

—E você o desculpou? -Dei uma fungada e passei as mangas de meu pijama em meu rosto.

—Eu demorei um pouco para isso, mas eu o amava e não tinha como não o desculpar. E estamos aqui até hoje! -Ela deu um sorriso. -O que eu estou querendo te dizer, minha filha, é que se as coisas forem pra acontecer elas irão acontecer. Não adianta você ficar se lamentando, isso não te ajudará em nada e só te irá fazer perder o seu precioso tempo. Só o tempo tem a resposta para tudo!

Todos aqueles conselhos que eu recebia de minha mãe cada vez penetravam mais em minha mente. Era estranho saber de tudo aquilo, mesmo meus pais estando casados há 26 anos. Todos cometem erros e eu nunca duvidei disso, mas será que realmente Tyler deixaria toda aquela pose de macho que queria esbanjar na frente de seus amigos para perceber que tudo o que eu quero é ser feliz ao seu lado?

Eu só podia estar com transtorno de bipolaridade! Ora quero esquecê-lo, ora quero meu relacionamento de volta.

E eu, como a maluca que sou, simplesmente coloquei a culpa em meu signo e resolvi que iria seguir o meu horóscopo anual ao pé da letra.

Porque depois que você sofre, você aprende que ser uma pedrinha sem sentimentos irá te poupar de muitas decepções nessa vida.

Notas finais
*No voleibol, há cinco posições nas quais você pode jogar: Ponteira, Meio de rede, levantadora, líbero ou oposta (saída de rede). As jogadoras de meio costumam a ser as mais altas por bloquearem em todos os lados, já as ponteiras são pouco menores, mas também altas o suficiente para atacar. As levantadoras e as líberos são as mais baixas. As levantadoras porque não precisam atacar e as líberos porque apenas defendem no fundo de quadra. **Fascite plantar: Inflamação de uma faixa espessa de tecido que conecta o calcâneo aos dedos do pé.