Como Irritar Um Capitão Pirata

53 Capítulo 49 - O Homem Sincero


Notas iniciais
Hello girls! Eu queria ter postado antes, mas deu um problema no Word e o arquivo da fic foi corrompido, aí quando o Word recuperou o arquivo o capítulo que eu tinha escrito simplesmente desapareceu ¬¬ Tive que escrever tudo de novo. Enfim. Deixei todas curiosas no último e acho que ninguém nem imagina quem é o cara responsavél pelas revistas kkkkk Mas aqui estamos. Me baseei um pouco em algumas cenas do episódio 1x21 e conforme tinha prometido, Ruby e Killian não vão mais se separar. Receio que esta fic esteja quase no fim. Ainda vamos ter alguns capítulos baseados na segunda temporada, mas depois que eles voltarem pra Floresta Encantada eu vou fazer só um epilogo e aí acaba. Mas espero que acompanhem minhas outras fics e estou pensando em um crossover de Harry Potter e Once. O que vocês acham? Legal ou sem noção? rsrs Espero que gostem!

Capítulo 49 – O Homem Sincero

– Pela última vez, senhor Parrot – Emma falou impaciente – Vai ser muito mais fácil se o senhor nos contar a verdade.

O homem revirou os olhos, evitando encarar as outras quatro pessoas presentes na sala.

– Eu já disse, não tenho nada a ver com isso...

Quando Emma abordou o homem, com mandado¹ de busca e tudo, acabou por descobrir que aquela casa abandonada não passava de uma gráfica disfarçada. Por fora tinha uma aparência de casarão antigo e caindo aos pedaços, mas por dentro havia um verdadeiro laboratório de edição. Não bastassem os computadores, máquinas fotográficas, impressoras e dezenas de outras parafernálias jornalísticas, havia ainda pilhas e mais pilhas de revistas, a The Gossip Magazine entre elas.

Quando questionado por Emma, o homem não soube o que fazer e tomado pelo pânico, tentou fugir correndo pelas ruas de Storybrooke. É claro que Emma não se deixara abalar por isso. Ela apenas revirara os olhos, murmurara um “Sério?” e fora atrás do homem, que acabou por escorregar na neve e se estabacou no chão.

Agora, interrogado na delegacia, o senhor Parrot não fazia muita questão de abrir a boca. Ruby, Killian e Vovó também estavam lá, na salinha de interrogatórios.

– É claro! – disse Emma com ironia – Você tem uma casa cheia de coisas eletrônicas e revistas de fofoca, realmente não tem nada a ver com isso...

– Que feio, Ernesto, não esperava isso de você – disse a Vovó.

Ernesto Parrot poderia se passar por inocente, não fosse o fato de a cidade inteira saber que o homem tinha uma enorme inveja de Sidney Glass. Bem, agora nem tanto, já que o jornalista estava trancado na ala psiquiátrica do hospital, mas Ernesto sempre invejara o emprego e popularidade de Glass.

– Mas eu devia ter imaginado – continuou a avó – Quem melhor do que você pra escrever aquelas matérias? Tudo isso por inveja?

– Perdão, mas do que a senhora está falando? – a Xerife franziu a testa.

– Ah, esqueço-me de que é nova na cidade – a avó ajeitou os óculos – Acontece que Ernesto sempre quis um emprego num desses jornais conceituados, mas nunca conseguiu. É óbvio que ele criou essa revista para atacar o povo de Storybrooke.

– E o que eu, uma simples garçonete, tenho a ver com isso? – falou Ruby, sentada ao lado de Killian. – Foi a Regina que mandou você escrever aquelas matérias, não foi?

Ernesto apenas abaixou a cabeça e ficou encarando o chão. Era um homenzinho engraçado. Tinha uns olhos esbugalhados, um nariz curvo como o de uma ave e seu cabelo era meio arrepiado, como se houvesse plumas no lugar dos fios. Killian o conhecia de algum lugar, só não conseguia se lembrar direito.

– Devíamos chamar a prefeita aqui – disse a avó – Ela que se explique.

Emma suspirou e apanhou uma das revistas que confiscara do homem.

– Senhor Parrot, pode nos explicar porque escreveu esta revista? Ou não foi o senhor quem escreveu? Certamente teve a ajuda de outras pessoas...

Ernesto se recusava a responder. Estavam todos impacientes com o homem e Emma não queria tomar medidas drásticas.

– Okay! – ela cruzou os braços, recostada à mesa – Então vai ser do jeito difícil. Sabe que pode acabar atrás das grades se essas pessoas quiserem abrir um processo, não sabe? Pode ser preso por difamação.

– Mas eu não fiz nada! – ele exclamou mais uma vez, com sua vozinha esganiçada, encarando a Xerife – Sou inocente! Já disse, sou inocente!

– E o que é que foi fazer naquele casarão abandonado? A quem pertence aquele laboratório?

– Não sei de nada, já disse...

– O senhor não está colaborando, senhor Parrot, e eu detestaria envolver um juiz no meio disso tudo. O melhor que tem a fazer é confessar... Quem mandou você escrever aquelas revistas?

– Sabe, devíamos torturá-lo até que ele resolvesse contar a verdade – a avó comentou, fazendo tricô.

Emma ignorou o comentário e Killian suspirou.

– Olha, Emma, não quero atrapalhar nem chatear ninguém, mas não acha que medidas devem ser tomadas? Afinal, Ruby e eu fomos os maiores prejudicados por causa dessa revista.

– Eu sei – a xerife se sentou, depois se voltou para Ernesto, que voltara a encarar o chão – Senhor Parrot, a coisa vai ficar feia se o senhor não nos disser a verdade. Esta revista, o que o senhor fez é inadmissível... Todas as mentiras que escreveu nestas páginas... inclusive ferindo o Henry e a Regina...

– Eu só disse a verdade! – o homem falou de repente e então arregalou os olhos ao se dar conta de que fizera bobagem.

– Ah, então admite que foi o senhor quem escreveu? – Emma sorriu satisfeita.

– N-não! Eu não disse isso, n-na verdade eu quis dizer...

– Quem o ajudou a montar aquele laboratório? E quem mais está envolvido nisso? As fontes que lhe contaram detalhes, quem mais sabe dessas histórias?

Parrot ficou pensativo por um tempo, depois pareceu achar que não havia como sua situação melhorar, então resolveu abrir a boca.

– Está bem, eu vou dizer a verdade, mas tem que prometer que vai me proteger, Xerife – ele disse.

– Proteger de quê? – perguntou Emma – Ou melhor, de quem? Regina?

– Apenas prometa que não vou sair prejudicado.

– Ora, mas sua situação já está muito complicada, meu filho – a avó desviou os olhos do tricô – Devia se concentrar em dizer a verdade e passar essa história a limpo.

– E a senhora devia se concentrar em perder peso – ele respondeu irritado, ao que Vovó lhe lançou um olhar feroz e abriu a boca para responder, mas foi interrompida por Emma.

– Okay, já chega! – Emma impacientou-se – Está bem, eu vou fazer o possível pra que não saia muito prejudicado, mas pra isso tem que dizer a verdade.

Ele assentiu, depois suspirou e começou a falar.

– Está bem, eu confesso, fui eu quem criou a revista e também fui eu quem escreveu as matérias e distribuiu as revistas pela cidade. Eu, apenas eu. E só fiz isso porque me mandaram fotos de Killian Jones e da prefeita aos beijos. Eu recebi todas as fofocas por carta, não sei quem as enviou, a pessoa apenas disse que aquelas matérias teriam grande repercussão se eu publicasse as fofocas.

– Recebeu cartas, é? – Emma o encarou pensativa. Ou ele realmente não sabia quem lhe mandara as cartas ou estava mentindo pra proteger alguém – E resolveu publicar essas revistas a troco de quê? Afinal elas foram distribuídas de graça...

– Não é óbvio? – Killian entrou na conversa – Alguém o pagou para isso...

– Eu não sei de nada – Ernesto assegurou mais uma vez – É tudo o que sei. Me mandaram cartas com as fotos e todos os detalhes. Eu apenas escrevi as matérias e imprimi as revistas...

– Certo. E não havia nada nessas cartas? Algo que pudéssemos usar para descobrir o remetente? – Emma estava desconfiada – Sabe de uma coisa, senhor Parrot, eu tenho um super poder, sei quando estão mentindo pra mim. O senhor está mentindo! Não tem que acobertar ninguém, apenas diga quem mandou você fazer isso.

– Eu já lhe disse a verdade! Por favor, sou inocente!

– Você pode ser qualquer coisa, menos inocente. É melhor abrir a boca e contar tudo. Sabe que sua situação não é das melhores.

– Covarde! – Ruby o olhava com repugnância, como se ele não passasse de um rato imundo – Foi muito fácil nos atacar estando no anonimato, não é? Pois pense no que vai lhe acontecer se de repente a cidade inteira souber que você é o autor das matérias... É muito fácil escrever mentiras a respeito de uma pessoa, não é? Mas será que você tem coragem de dizer tudo na nossa cara?

– Ora, pois quer saber de uma coisa? – Ernesto respondeu muito irritado — Tudo o que eu disse era verdade. Você não passa de uma dançarina de cabaré que vive dando trabalho pra avó. Aposto que se embebedou um dia desses e nem se lembra com quem dormiu. Coitada dessa criança, eu estaria muito envergonhado se soubesse que minha mãe não passa de uma vagabunda barata.

– Não fale assim com ela! – Killian se levantou, pronto pra esmurrar o outro. Emma precisou contê-lo antes que saísse briga e Ernesto não parou por aí.

– E a senhora devia se envergonhar, sabia? – ele disse a Vovó – Gorda como uma porca! Devia mover esse seu traseiro gordo ao invés de mandar que os outros façam as coisas por você. E também devia se envergonhar por ter uma neta tão mimada e mal agradecida. Seu marido deve ter morrido de vergonha, por você ser tão inútil e incapaz.

– Ora, e você com essa sua cara de papagaio! – Vovó retrucou – Por que não fecha esse bico e vai cantar em outro lugar?

Quando a avó disse isso, Killian se lembrou. Agora ele sabia de onde ele conhecia aquele tal Ernesto Parrot. E ora, o próprio sobrenome do homem já dava a dica. Na verdade Ernesto fora um papagaio, em sua vida na Floresta Encantada. Smee o dera de presente a Ruby no aniversário dela e Ernest, como ela o nomeara, era um papagaio muito sincero e vivia dizendo umas verdades às pessoas. Infelizmente, quando os piratas foram presos pelos corsários e o Jolly Roger fora incendiado, Ernest voara para longe e desaparecera, covarde demais pra fazer qualquer coisa. Pelo visto ele fora pego pela maldição e acabara virando humano ao vir para Storybrooke.

– Já chega! – Emma quase berrou – Não se esqueçam de que estão numa delegacia. Agora, senhor Parrot, diga a verdade: quem lhe mandou escrever as revistas? É melhor falar logo, não vê que sua situação é demasiado complicada?

Ernesto ficou mais irritado ainda e desatou a falar, não agüentando mais aquela situação.

– Ah, está bem, mas que droga! Foi a prefeita, foi Regina Mills! Ela me contratou pra escrever essas revistas, já que Sidney Glass se encontra impossibilitado de escrever matérias. Ela me mandou seguir Killian Jones e tirar as fotos de quando ela o beijasse. Ela me mandou escrever a matéria e também mandou que eu colocasse uma das revistas na caixa de correio da Pensão da Vovó. Também me pagou pra que eu escrevesse uma reportagem sobre ela, dizendo que ela andava muito solitária e à procura de um homem. Mandou que eu escrevesse a reportagem sobre o caso de David Nolan e Mary Margaret Blanchard e até pagou mais pra que eu redigisse a reportagem sobre o relacionamento entre a senhorita e o Henry.

“Depois, quando a cidade entrou em polvorosa por causa da revista e Jones e a garçonete se separaram, Regina ficou tão satisfeita que me mandou continuar com as revistas. Ela me pagou pra que eu vigiasse a garçonete e também me mandou colocar uma escuta no Granny’s, está lá escondida debaixo de uma das mesas e também há uma escondida no corredor da pensão. Foi ela quem pagou pela montagem daquele laboratório e foi ela quem providenciou o casarão abandonado pra que eu pudesse trabalhar sem que ninguém descobrisse, Ela me pagou muito bem e eu só aceitei porque precisava do dinheiro. Ela disse que ninguém nunca ia descobrir, mas aquela pilantra estava enganada, porque vocês descobriram e agora estou muito ferrado...”

Quando ele terminou, os outros quatro estavam boquiabertos. É claro, Killian estava certo e Henry também, Regina tramara aquilo para separar Gancho e Chapeuzinho, pra impedir que o amor deles enfraquecesse a maldição.

– Obrigada, senhor Parrot! – Emma sorriu vitoriosa, finalmente tinha o que usar contra Regina – Parece que a prefeita vai ter que se explicar.

– E quanto a nós? Ruby e Killian, quero dizer – a avó falou – O mínimo que esse jornalista de quinta pode fazer é indenizá-los, depois de toda essa humilhação.

– Bem, isso só um juiz pode determinar – Emma pôs as mãos na cintura, encarando Ernest, que voltara a encarar o chão – Suponho que vão querer levar o caso ao tribunal.

– Mas é claro que sim! – falou Ruby, afastando o cabelo do rosto – Essa revistinha de quinta nos difamou! E pensar que eu acreditei nas mentiras de que Killy e Regina tinham um caso.

Killian sorriu diante do apelido, Ruby nunca o chamara daquele jeito quando ainda viviam na Floresta Encantada, ela geralmente o chamava de Killian ou Gancho.

Emma assegurou que Ruby e Killian não sairiam prejudicados e foi falar com Regina após trancafiar Ernesto numa das celas.

– Bem, lhe devo desculpas, Killian – disse a avó, segurando um par de sapatinhos que acabara de tricotar – Não devia ter duvidado de sua decência.

– Tudo bem – ele respondeu, passando um braço na cintura de Ruby – É algo que a senhora normalmente faria.

Embora a mulher não tivesse entendido o significado daquela frase, precisou admitir que estivesse errada ao acreditar nas baboseiras de uma revista de fofoca. Ela presenteou a neta com um par de sapatinhos amarelos, desejando que o casal fosse feliz.

– Obrigada, vovó! – Ruby sorriu.

– E querendo ou não, você vai ter que fazer todos os exames necessários. Quero que minha bisneta nasça saudável.

– Bisneta? – Killian ergueu a sobrancelha – Pois pode muito bem ser um menino.

– Mas eu tenho certeza de que vai ser uma menina – disse a avó.

E Ruby, mesmo sem ter recuperado suas memórias da Floresta Encantada, sabia que a avó estava certa. De alguma maneira, mas sem saber como, a garçonete sabia que estava esperando uma menininha.

***

Enquanto isso, na mansão da Rua Mifflin...

Emma cruzou o jardim apressada, lançando um olhar de desagrado às cercas-vivas bem cuidadas da prefeita. Se Regina queria passar uma aparência de família perfeita estava fazendo isso da maneira errada. A começar pelo fato de que seu próprio filho não a amava e fora isso o fato de ela ser uma terrível manipuladora.

– Senhorita Swan – ela sorriu ao abrir a porta e dar de cara com Emma – A que devo a honra da visita?

– Talvez queira me acompanhar até a delegacia – Emma disse sem rodeios, com as mãos na cintura – Precisamos conversar.

Regina se manteve impassível, pelo visto ela não se preocupava com o fato de ter sido descoberta.

– A delegacia? Posso ao menos perguntar do que se trata?

– A farsa acabou, prefeita, todos sabem que foi a senhora quem pagou por aquelas revistas de fofoca.

– É mesmo? – Regina sorriu mais ainda, como que achando graça – Acredito que tenha provas contra mim, não é mesmo senhorita Swan? Ou será que se atreve a bater na minha porta sem ter provas concretas? No entanto, não me objeto a acompanhá-la, se é isso que a senhorita deseja.

A prefeita fechou a porta na maior naturalidade possível e acompanhou a Xerife, entrando na viatura em seguida.

– Até que foi fácil – comentou Emma – Achei que fosse se recusar a vir comigo.

– De maneira alguma. Veja, eu não tenho nada do que me envergonhar, senhorita Swan, e esta não seria a primeira vez que a senhorita me acusa sem ter provas.

Emma a encarou pelo retrovisor. Regina estava calma demais para seu gosto e conhecendo a prefeita como conhecia, Emma seria capaz de apostar que ela tinha um plano pra se safar mais uma vez. As duas pararam em frente à delegacia e Ernesto começou a reclamar logo que viu a Xerife.

– Ora, já não era sem tempo! Estou aqui trancafiado e morrendo de fome! Seria bom se a senhorita me providenciasse um lanchinho.

Emma o ignorou e Regina olhou do prisioneiro para a Xerife.

– Então é disso que se trata? Ernesto Parrot, o invejoso? Francamente, Xerife Swan, achei que estivesse falando sério quando disse que eu precisava acompanhá-la.

– E estou – disse Emma, refreando a vontade de socar a cara de Regina – Este senhor afirma que foi pago pela senhora para seguir Killian Jones e Ruby Lucas. Também confessou que foi ele quem publicou as revistas, a mando da senhora.

– Oh, ele disse isso, é? – Regina soltou uma deliciosa gargalhada – Logo se vê que a senhorita não conhece esta cidade como eu conheço. Todos sabem que Ernesto não passa de um louco desequilibrado.

Ernesto lançou à prefeita um olhar de indignação e Emma sorriu, desta vez ela tinha provas.

– Acontece que provas foram encontradas, prefeita. Um casarão abandonado perto da saída de Storybrooke. E o senhor Parrot afirmou que foi a senhora quem providenciou a casa, assim como toda a parafernália tecnológica que se encontra nela. Eu encontrei as revistas de fofoca também e Parrot confessou tudo. Acabou a farsa, Regina! Não sei o que tinha em mente ao atacar Killian e Ruby, mas uma coisa eu posso afirmar: você está muito encrencada.

– Ora, por favor... – Regina revirou os olhos, indignada – Você ao menos tem provas contra mim? Porque ninguém pode afirmar nada sem ter certeza. E caso não saiba, aquele casarão foi tombado como patrimônio da cidade. Pode provar que fui eu quem providenciou isso? A casa e todas as coisas que esse homem diz que eu fiz? Ótimo, então prove!

– Há prova maior do que a palavra de uma pessoa?

– Uma pessoa desequilibrada! Vá em frente e procure um profissional se não acredita em mim. Este homem foi diagnosticado como demente! E ainda não sei o que ele anda fazendo solto por aí. Não vê isso, Xerife Swan? Este homem é um louco inconseqüente.

– Parece que todos os jornalistas ficam dementes hoje em dia – Emma comentou e o telefone tocou. Era Ruby do outro lado da linha.

– Emma, encontramos as escutas. Uma estava presa debaixo de uma das mesas e a outra estava escondida num jarro de flores da pensão.

– Ótimo! Guarde-as pra mim, Ruby, logo passarei aí para buscar. – Emma desligou e encarou Regina. – Encontraram as escutas que o senhor Parrot usou para escutar as conversas no Granny’s.

– Ótimo! Mais uma prova de que o homem não passa de um desequilibrado – disse Regina, ao que Ernesto respondeu:

– Ela está mentindo, Xerife, eu sou perfeitamente normal. Não acredite nela!

– Bem, eu já disse o que deveria dizer, senhorita Swan – Regina sorriu – Procure um psiquiatra e ele confirmará a demência do senhor Parrot. Agora, se me dá licença, tenho coisas mais importantes a fazer.

Regina saiu da delegacia e Emma bufou, encarando Ernesto.

– É mentira! Não acredite nela! Não acredite nela! – o homem gritava.

Por mais que Emma não achasse que o homem fosse louco, Regina estava certa: a Xerife não tinha provas contra ela. Aquele casarão não provava que a prefeita estava envolvida e mesmo que Ernesto tivesse dito a verdade, Emma não podia afirmar que fora aquilo mesmo que acontecera.

Depois que a Xerife saiu em direção ao hospital, a prefeita fez meia volta e voltou à delegacia. Ernesto a encarava com ódio e Regina apenas sorria malvadamente.

– Eu lhe disse o que ia acontecer se contasse a alguém – ela disse – É realmente uma pena, Ernesto, porque você fez um bom trabalho. Receio que sua carreira como jornalista acaba aqui – ela se virou, caminhando em direção à porta, depois se lembrou de algo e se voltou para olhar o homem – Ah, dê um “oi” ao Sidney por mim! – e riu caminhando até a saída.

– REGINA! REGINA, VOLTE! NÃO PODE FAZER ISSO COMIGO! NÃO, NÃO, POR FAVOR! REGINAAAA!

***

– Como é que é? – Ruby se recusava a acreditar.

– Foi o que ele disse – Emma estava muito irritada. Poderia até ter quebrado o Granny’s inteiro – Ernesto vem apresentando sinais de demência há muito tempo. O psiquiatra disse que não era coisa grave e que Ernesto estava fazendo o tratamento. Mas pelo visto a coisa piorou e agora vão ter que trancafiá-lo na ala psiquiátrica. Droga! Regina venceu mais uma vez!

– Não acredito nisso! – murmurou Orlando, bebendo um canecão de cerveja.

– Estão vendo? – August também estava ali – É o que ela faz com as pessoas, usa e joga fora.

– Não há nada que possamos fazer, Emma? – perguntou Killian.

– Infelizmente não – a Xerife tomou um gole de água, tentando se acalmar – Se levássemos o caso ao tribunal provavelmente o juiz acharia que tudo o que Parrot fez foi por estar enlouquecido. Foi o que aconteceu ao Sidney.

– Parece que vão acabar como vizinhos de cela – comentou Vovó – Acalme-se, querida, não foi culpa sua. Todos sabemos que Regina é manipuladora e muito sagaz.

– É, mas eu gostaria de fazer algo quanto a isso.

August lançou a Emma um olhar que significava: “E você pode, basta quebrar a maldição”. Ela revirou os olhos, ignorando-o e em seguida se despediu de todos, dizendo que precisava descansar. Ela sabia que Mary Margaret faria milhões de perguntas assim que ela botasse os pés em casa e precisava estar preparada a narrar toda a história outra vez.

– Acha que é seguro? – Ruby perguntou a Killian. Os dois estavam sentados num assento dos fundos e Killian tomava chocolate quente, tentando se aquecer – Acha que ela vai tentar nos separar de novo se souber que fizemos as pazes?

– Acho sim! Ela não mede esforços pra conseguir o que quer. E o Henry vai dizer a mesma coisa. Não podemos ser vistos juntos.

– E o que sugere? – ela arregalou os olhos, completamente confusa com tudo aquilo – Agora vamos nos encontrar escondido? Ora, Killian, não somos adolescentes... Me sinto como se nosso amor fosse proibido.

– Eu sei, querida, mas logo tudo vai voltar ao normal.

– O que quer dizer?

– Nada... – ele se apressou a dizer. Killian sabia que quando Emma quebrasse a maldição, Regina não poderia machucá-los sem que sofresse por isso. Branca ameaçara matá-la se ela machucasse alguém e Killian realmente acreditava que ela seria capaz de matar Regina se algo de ruim acontecesse a alguém – Esquece isso... Eu só quis dizer... acho que é questão de tempo até que Regina encontre algo melhor a fazer, algo que não envolva separar casais apaixonados.

– Tudo bem... Só não entendo por que ela faz isso. Por que separar as pessoas?

– Bom, ela perdeu alguém que amava. E por isso ela se esforça em destruir a felicidade das pessoas. Acho que seria mais fácil se ela focasse em construir sua própria felicidade.

Se as coisas estavam difíceis para Killian, estavam piores ainda para August. Agora as duas pernas tinham se tornado madeira e a coisa começou a subir por seu corpo. Seria questão de poucos dias até que ele se tornasse madeira por completo. Ele estava sentado perto do balcão, mordiscando umas batatas fritas, quando sentiu uma dor no abdômen. Dobrou-se ao meio gemendo e mais do que depressa Kate veio ajudá-lo.

– O que foi? Você está bem? – ela pôs uma mão no ombro do homem, que se apoiara na mesa e gemia.

– Estou... foi só... foi só uma cólica, não se preocupe.

– Devia procurar um médico, senhor Booth, não é a primeira vez que te encontro em dor.

– Por favor, me chame de August – ele disse, já sem sentir dor. Geralmente a dor durava uns segundos, depois desaparecia.

– August – ela sorriu – Talvez fosse melhor se você procurasse um médico. Da outra vez foi sua perna, agora uma cólica.

– É que eu sofro de reumatismo – ele inventou – Acho que comi demais, por isso a cólica.

– Coitadinho! Quer um remédio?

– Não, não é necessário, Kate, mas obrigado.

Ela ficou por ali, analisando-o. August apenas sorriu e continuou comendo suas batatas, como se não tivesse tido uma “cólica” agora pouco.

– Sabe, eu estive pensando – ela acabou por dizer, pensando no que Ruby lhe dissera uma vez. Kate gostava de August, mas não conseguia se declarar e Ruby a incentivara a chamar o homem para sair – Sei que mal nos conhecemos, mas será que... será que não gostaria de sair comigo?

– Ah... – ele se surpreendeu. Uma garota convidando-o a sair? – Bom, não me leve a mal, Kate, você é bonita, simpática e carismática mas... bom, a questão é que estou com uns problemas e não sei se seria bom me envolver com alguém agora, entende? Desculpe.

– Tudo bem. Tá... tudo bem...

Ela se afastou completamente sem graça e desapontada. August Booth claramente não era pro seu bico.

***

Como era de se esperar, Ernesto Parrot acabou indo pro hospício. Emma não podia fazer nada e Ruby e Killian não receberam indenização nenhuma pela humilhação que sofreram. Em compensação, o Storybrooke Daily Mirror noticiou o acontecido, afirmando que a revista só contara mentiras e que Killian e a prefeita não tinham caso nenhum. As matérias agora eram escritas por outros jornalistas, já que Sidney fora afastado.

Regina não sabia como Emma descobrira o esconderijo do Ernesto, assim como não sabia que Killian e Ruby tinham feito as pazes. Os dois continuaram a fingir que não estavam se falando, mas se encontravam escondido sempre que podiam. Em todo caso, Vovó fez questão de dizer em alto e bom som que Ruby jamais perdoaria Killian por ter contado sobre sua gravidez. Embora eles agora soubessem que a escuta fora responsável por isso, Regina tinha que achar que Ruby estava com raiva de Killian, ou tentaria separá-los novamente.

– Estou me sentindo como a Mary Margaret – comentou Ruby, uma noite em que Killian fora até a pensão para vê-la – Sempre me esgueirando por aí.

Ele riu e acariciou a barriga dela. Ruby devia estar com quase três meses e já dava pra ver a barriguinha.

– Estou gorda, não estou? Olhe que horror! Vai ser questão de tempo até que eu vire uma baleia.

– Não fale assim – disse Killian – Você é linda de qualquer jeito.

No entanto ela ainda não entendia como engravidara e Killian não se atrevia a lhe contar a verdade sobre a maldição. Henry achava que aquilo pudesse acabar mal caso mais gente descobrisse a verdade e fez Killian prometer que não contaria a ninguém.

Infelizmente para o garoto, as coisas não estavam nada bem. Emma tentara sair da cidade levando o menino para livrá-lo de Regina. A Xerife estava decidida a lutar pela custódia de Henry e o garoto teria adorado isso, não fosse o fato de que a Salvadora precisava quebrar a maldição. Ele quase causara um acidente ao fazer Emma parar o carro e foi quando ela parou pra pensar na besteira que estava prestes a fazer. Levar Henry seria o mesmo que seqüestrá-lo e, além disso, ela não podia deixar a cidade assim sem mais nem mesmo.

Aquilo serviu pra que Mary Margaret ficasse chateada com a amiga, já que ela nem fizera questão de se despedir. E ao consultar Archie, o psicólogo fora sincero ao dizer que não achava que Emma tivesse muita chance contra Regina. Desde que Emma chegara a cidade, Henry andara matando aula, quase morrera numa mina e fizera dezenas de outras coisas que uma criança não devia fazer. É claro que o garoto estava mais feliz, mas aos olhos de um juiz, Regina seria a mãe mais adequada.

E foi então que Emma precisou tomar uma decisão difícil: iria deixar Storybrooke. Talvez fosse o melhor pra ela, mas pra Henry acima de tudo. É claro que ela não iria simplesmente abandonar o garoto, viria visitá-lo de vez em quando. Decidida, ela foi falar com Regina, estava cansada daquela briga toda com a prefeita e resolveu que aquilo tinha que acabar.

Nesse dia a casa da prefeita cheirava a coisa assada, talvez uma torta ou bolo. Emma hesitou um pouco, pensando, até que finalmente falou:

– Olha, isso não é fácil, mas acho que tem que acabar... seja lá o que haja entre nós, tem que acabar... Quero fazer um acordo sobre o Henry.

Regina a olhou parecendo meio surpresa.

– Não vou fazer nenhum acordo com você...

– Estou saindo da cidade!

– Como é que é? – ouvir aquilo era como um sonho para Regina. Fácil assim? E aí ela se livrava da garota Swan?

– Acho que é o melhor pra todo mundo, mas tenho algumas condições: vou poder ver o Henry, visitá-lo sempre que quiser, passar um tempo com ele.

– Mas assim ainda vai estar na vida dele.

– Temos que ser honestas, você e eu sabemos que o mundo em que não existo na vida dele não existe. Temos que encarar isso. Então é o seguinte: vou pra Boston, mas quero poder visitar Henry sempre que quiser, sem que você se oponha a isso. – Emma deu uma pausa e Regina pareceu considerar aquele acordo – E mais uma coisa: quero que prometa que não vai machucar mais ninguém nessa cidade. Ninguém, muito menos o Henry.

– Sabe que eu jamais machucaria meu próprio filho – disse Regina, meio irritada – Então é isso? Está indo embora?

– Sim. Então, temos um trato?

Alguma coisa apitou na cozinha e Regina pediu que Emma a acompanhasse. Alguma coisa assava no forno e Regina apanhou uma luva, logo depois retirando uma assadeira de dentro dele. Parecia uma espécie de pastel assado e cheirava a maçã.

– Tudo bem – Regina acabou por dizer, enquanto depositava a assadeira sobre o balcão – Mas ele é meu filho. No entanto, se vamos fazer parte da vida uma da outra, sugiro que comecemos por agora.

– Então quer dizer que concorda? – a outra ergueu as sobrancelhas. Quem diria que seria tão fácil convencer Regina.

– Trato feito! – Regina sorriu gentilmente e Emma ia se retirando quando a prefeita a chamou – Talvez queira algo pra comer na viagem – ela colocou o pastel numa vasilha de plástico, vedando-a e em seguida entregando a Emma.

– Oh, obrigada... – Emma pegou a vasilha meio confusa, mas só porque Regina estava sendo muito gentil.

– Espero que goste de maçãs!

***

Contar a Henry que estava indo embora não seria nada fácil. O garoto se apegara demais a ela nos últimos meses e Emma não queria magoá-lo. No entanto, aquilo precisava ser feito, de forma que ela o chamou pelo walkie-talkie (walkie-talkies que eram de Graham e que Gold dera a Emma, assim ela e Henry podiam se comunicar) e o garoto apareceu no apartamento que ela dividia com Mary.

– Sabe, Henry – ela começou, tentando não chorar – ontem à noite, quando tentei te levar pra fora da cidade, você estava certo. Não posso te levar pra longe, te tirar da sua mãe, mas também não posso ficar em Storybrooke.

– Como é? Está indo embora?

– Eu preciso! – ela sentiu os olhos ficando marejados – Preciso ir, Henry, não posso ficar aqui.

– Não! – ele gritou — Não pode fazer isso comigo!

– Eu sei, eu sei... – ela se abaixou, de modo a ficar na altura do garoto — Escute, Henry, Regina e eu fizemos um acordo. Eu vou embora, mas vou poder vê-lo sempre que quiser. Não é pra sempre, só não vou estar aqui todos os dias.

– Mas não pode ir! A maldição, você é a única que pode quebrá-la... Você só está com medo, é um momento de fraqueza, como acontece com todos os heróis, mas logo vai encontrar a força que precisa pra vencer essa batalha.

– Ah Henry... – agora ela estava chorando – Isto não é uma história! Isto é a realidade e tem que parar... Não pode mais faltar à escola, não pode fugir... Temos que encarar isso, é o certo a se fazer. E não pode viver nesse mundo de fantasia, essa coisa de maldição...

– Ainda não acredita, não é? – ele ficou desapontado.

Desde que ela chegara a cidade, Henry se sentira mais feliz, mais esperançoso. Ele sabia que ela era a única capaz de quebrar aquela maldição e trazer as memórias das pessoas de volta e agora, agora ela ia embora assim? Então era assim que acabava?

– Eu... – ela começou, sem saber como dizer isso ao garoto. Archie a avisara quanto às conseqüências desastrosas que poderiam acontecer caso ela acabasse com o mundo de fantasia do garoto – Olha, tem que ser assim. Nós fizemos um acordo e ela concordou. Vou pra Boston, mas vou voltar sempre que puder.

– Não! Não, está enganada! Não vê que ela só concordou pra se livrar de você? Ela te quer morta!

– Henry... Eu sei que tudo o que Regina e eu sempre fizemos foi brigar, mas olhe, toda vez que brigamos alguém acaba machucado. Então é isso, Henry, uma de nós tem que concordar em perder...

– Não! Ela te quer morta porque você é a única que pode derrotá-la! Você é a única que pode acabar com o reinado dela!

– Está bem, isso está... está ficando fora de controle, garoto...

Henry sufocou Emma num abraço, enquanto chorava no ombro dela. Era horrível quebrar o coração do garoto assim, mas necessário. Aí ele ergueu a cabeça e olhou pra algo depositado no balcão da cozinha. Emma se virou pra olhar também.

– Que é isso? – ele perguntou, aproximando-se pra ver o que havia na vasilha de plástico. Cheirava a maçã – Quem te deu essa coisa?

– Regina!

– É de maçã! Jogue fora, não pode comer isso!

– Henry...

– Está envenenado! Esse acordo, ela só concordou com isso pra que você comesse essa coisa. Ela sabe que você é uma ameaça enquanto estiver viva. – o garoto dizia – Foi esse o caminho que ela encontrou pra se livrar de você, como fez com a Branca de Neve, envenenando a maçã, mas dessa vez não tem príncipe pra te acordar...

Emma estava chocada. Não que acreditasse no que Henry estava dizendo, mas por estar assustada pelas proporções que aquilo tomara. O garoto se afundava cada vez mais naquela coisa de maldição e aquilo tinha que acabar.

– Quer saber de uma coisa? – ela disse pegando a vasilha e tirando o pastel de maçã de dentro dela – Vou comer isso pra você ver que não tem nada envenenado.

– Não! – ele puxou o pastel da mão dela – Sinto muito que isso tenha chegado a este ponto e sei que não acredita na maldição, mas eu acredito em você.

– O que está fazendo?

Henry deu uma mordida no pastel e mastigou. Emma sorriu depois de uns segundos.

– Está vendo? Vou pegar um pouco de sorvete também e... Henry!

Henry desabou no chão, desmaiado. Emma levou uns segundos olhando o corpo do filho no chão, até que foi até ele e o sacudiu.

– Henry! Henry, acorda! Acorda! Não, não... Henry!

¹Corrigindo um pequeno erro que aconteceu no capítulo anterior, eu escrevi mandato, mas o certo é mandado.

Notas finais
Sentiram falta do Ernest? Sinto falta de Once, mas acabei encontrando um curta metragem que o Colin O'donoghue fez. Está em inglês, mas é engraçado: http://vimeo.com/32835705 Beijos e até a próxima