Como Irritar Um Capitão Pirata

54 Capítulo 50 - Quebrada


Notas iniciais
Oi meninas! Mais um. Este foi baseado no 1x22 e 2x01. A partir daqui não sei se vou seguir a linha da série, mas alguns acontecimentos vão ser parecidos como Rumple indo procurar pelo filho. Não vou descrever tudo pra não ficar chato e cansativo, até porque vocês já sabem o que acontece. Mais uma vez tenho que agradecer o carinho e apoio de vocês, isso com certeza faz toda diferença na vida de um escritor amador. Ah, vocês souberam que o Colin está gravando um filme? O nome é The Dust Storm, vi no Twitter dele. Espero que o Hook não apareça menos na série por causa disso. Enfim, espero que gostem desse.

Capítulo 50 – Quebrada

– Não há resposta das pupilas – disse Whale, examinando Henry – Que aconteceu? Ele caiu? Bateu a cabeça?

– Ele comeu isso – Emma ergueu o saco plástico com o pastel de maçã dentro – Acho que está envenenado.

O médico abriu a boca do garoto, iluminando lá dentro com uma lanterninha.

– A passagem de ar está livre – ele disse calmamente, o que irritava Emma. Será que ele não entendia a gravidade da situação? – Ele vomitou? Teve alguma convulsão?

– Ele comeu um pedaço dessa coisa e caiu – ela disse apressada – Então faça testes para alvejante e arsênico.

– Ele não tem sintomas que sugerem neurotoxinas. Seja lá o que aconteceu, não foi envenenamento... Que aconteceu nas últimas horas? Lembra-se de algo estranho?

– Eu já disse o que aconteceu! – ela gritou, nervosa com a situação. – Faça algo!

O quarto estava cheio de médicos e enfermeiras e nesse momento tentavam estabilizar Henry, antes que perdessem o garoto. Ele foi ligado a aparelhos e uma enfermeira segurava uma máscara de ar em seu rosto. Emma apanhou a mochila de Henry, virando seu conteúdo numa maca desocupada ali perto.

– Eu entendo sua frustração, senhorita Swan, mas preciso de algo para tratar e não há uma explicação... É como...

A não ser que Regina tivesse colocado um poderoso sonífero naquela coisa de maçã, não havia mais nada que pudesse ter feito àquilo a Henry, a não ser... a não ser magia...

– Como magia... – balbuciou Emma, apanhando o livro de contos de fadas de Henry.

Flashes passaram por sua cabeça. Uma mulher. Mary Margaret, Branca de Neve segurando um bebê... E ela se lembrou do que Henry dissera: “Todas as histórias deste livro realmente aconteceram. Você devia saber mais do que qualquer um, porque você está nesse livro”. E depois o Príncipe James, David Nolan, lutando contra homens em armaduras negras... e depois um guarda-roupa, Emma foi colocada dentro de um guarda-roupa... “Encontre-nos”, foi o que seu pai, disse a ela antes que ela desaparecesse na escuridão... Era real! A maldição era real! Regina! Regina fizera aquilo...

– Onde está meu filho? – A prefeita entrou no quarto apressadamente e Emma apertou os punhos, controlando-se pra não matar a mulher.

– Você fez isso! – Emma arrastou a prefeita pelo braço até uma salinha de materiais de limpeza que havia ali – Você fez isso! – gritou, empurrando Regina pra cima de uma das prateleiras.

– O que está fazendo? – havia medo nos olhos da outra.

– Ele está doente por sua causa! – Emma a empurrou contra a parede, prendendo-a – Aquela maldita torta de maçã que você me deu, ele comeu!

– Mas... – os olhos de Regina se arregalaram. O feitiço virara contra a feiticeira, ou pelo menos, contra o filho dela — mas era pra você!

– É verdade, não é? – Emma estava em fúria e seria capaz de matar Regina se não precisasse dela pra salvar Henry.

– Não sei do que está falando...

– É verdade? Tudo isto?

Ela estava falando da maldição. Regina sabia de tudo desde o início. Ela sabia que Emma quebraria a maldição. Sabia que Henry estivera falando a verdade sobre aquele livro e, no entanto, tratara o garoto como se ele fosse louco. Ela sabia de tudo e agora ia ser a responsável pela morte do próprio filho.

– S-sim... – Regina balbuciou, lágrimas escorrendo por seu rosto. Emma podia dizer qualquer coisa, mas Regina se importava mesmo com Henry.

– Por que não deixou as coisas como estavam? – Emma gritava, apertando Regina pelo pescoço — Eu estava saindo da cidade, ia ficar tudo bem.

– Porque enquanto estiver viva, Henry nunca será meu.

– Ele nunca será de ninguém, a não ser que conserte isso. Acorde-o!

– Não posso! – Regina gritou esganiçada.

– Não tem magia?

– Aquela foi a última – disse Regina, livrando-se do aperto de Emma – Era pra pôr você pra dormir...

– O que vai acontecer com ele? – Emma precisou se apoiar numa das prateleiras, antes que caísse.

– Não sei... magia aqui é imprevisível...

– Então ele pode... – não conseguiu terminar a frase. Regina assentiu. – O que vamos fazer?

– Precisamos de ajuda – concluiu Regina, recostada contra a parede, tentando respirar – Há mais alguém nesta cidade que sabe a verdade, que sabe sobre magia.

– Gold!

Era óbvio. O homem mais poderoso da cidade.

– Na verdade – disse Regina – O nome dele é Rumplestiltskin.

***

Enquanto Emma e Regina iam falar com Gold, do outro lado da cidade Killian preparava seu almoço. Sem muita vontade de cozinhar, ele apenas enfiara um hambúrguer no microondas, pensando como as coisas daquele mundo eram práticas. A porta de seu apartamento foi aberta e Orlando entrou esbaforido.

– Não sabe bater? – perguntou Killian, retirando o hambúrguer aquecido do microondas.

– Você não soube? Henry foi internado!

– O quê?

– Estão dizendo que ele comeu uma torta de maçã envenenada.

– Como é que é? – o queixo de Killian caiu e ele largou tudo o que estava fazendo, mancando até Orlando – Quem te disse isso? Como aconteceu?

– É o que estão comentando por aí... Parece que o garoto foi envenenado pela Regina. Como é que uma mãe pode fazer isso com o próprio filho? E todo aquele discurso de que amava o garoto... tudo papo furado...

Killian não estava mais ouvindo. Regina! É claro! É claro! Ela já não dera uma maçã envenenada a Branca de Neve? E agora ousara fazer aquilo de novo? E com o próprio filho...

– Eu vou matar aquela desgraçada! – ele gritou, andando em direção à porta.

– Ei! Ei, o que vai fazer? – Orlando o impediu de sair, barrando sua passagem. – O que tá fazendo, cara? Isso não tem a ver com você...

– Tem tudo a ver comigo. Você não entende? O garoto... o garoto pode acabar morrendo... Eu vou até lá!

Orlando fechou a porta e encarou Killian, completamente confuso.

– O que é que tá acontecendo, Killian? O que há com você? Está diferente, não parece o mesmo Killian que eu conheço...

De fato, desde que recuperara a memória Killian ficara diferente. Não só Orlando notara isso, mas também Ruby. Ele estava agindo como Gancho e até falava como um pirata. Um dia, por um descuido, ele acabara soltando um palavrão e Ruby ficou muito surpresa porque o Killian que ela conhecia jamais xingaria daquele jeito. Ele dera uma desculpa, mas ela sabia que havia algo de diferente nele.

– É o seguinte – Killian respirou fundo, ignorando a dor que vinha de suas costelas em recuperação – Tenho que ver o Henry e no caminho vou ter uma conversinha com a prefeita. Então é melhor sair do meu caminho, antes que se machuque.

Orlando abriu a boca, chocado.

– Killian... você bebeu ou o quê? Não estou entendendo nada...

– Olha, tudo o que posso dizer é que o garoto está em perigo, E se Regina fez isso ela vai pagar. Não seria a primeira vez que ela machuca alguém – ele fez menção de passar por Orlando, mas o amigo o segurou pelo braço.

– Vai com calma, tá bom? Você vai me explicar direitinho o que está acontecendo. O que aconteceu com você, afinal?

Killian suspirou, indo se sentar ao sofá.

– Tá bem, não vai me achar um louco, mas é o seguinte: você não é quem acha que é.

– E quem eu sou então? – o outro achou graça, pensando que provavelmente Killian bebera demais.

– Seu nome é Willian, não Orlando. E nunca se perguntou o que aconteceu com seus pais? Por que nunca vieram te ver? Você acha que eles moram do outro lado do mundo, mas a verdade é que nosso pai está nesta cidade.

– Quê? Do que você tá falando? Nosso pai?... Killian, é melhor ir falar com Doutor Hopper...

– Eu não estou louco! – ele gritou – Nosso pai está nessa cidade, Will, e ele não faz ideia de que tem três filhos. Eu, você, Jake, nós somos irmãos! Henry estava certo o tempo todo. A maldição é real e Emma é a Salvadora, é a única que pode quebrar a maldição e nos libertar do domínio da Rainha Má.

– Sabe de uma coisa? Acho que esses remédios afetaram seu cérebro – Orlando ia sair, mas Killian o impediu, levantando-se e indo até ele.

– Agora você vai escutar! Queria saber a verdade e a verdade é que estivemos congelados por vinte e oito anos sem saber quem somos. Eu recuperei minhas memórias há poucos dias e posso afirmar que tudo é verdade. Regina nos trouxe pra cá com uma maldição. E a Rose Bells, ela era uma fada, sua esposa, a Tinker Bell! E aquele filho que Ruby espera é seu sobrinho. O filho é meu, Will! E pode não acreditar no que estou dizendo, mas tenho provas.

Killian foi até seu quarto e Orlando, muito confuso com tudo aquilo, se sentou e respirou fundo. Killian voltou trazendo seu gancho.

– Está vendo isto? – ele ergueu o gancho e Orlando se assustou – Isto é meu! Eu sou o Capitão Gancho!

– Tá bem... então acredita no Henry?

– Acredito, porque é real! O garoto não é louco! A história é real, a maldição é real...

– Espera, eu preciso de tempo pra absorver isso – o outro respirou mais uma vez, encarando Killian – Está dizendo que somos amaldiçoados, é isso?

– É! E a Emma – Killian riu – olha só que loucura, a Emma é minha sobrinha...

– É claro, porque ela deve ter quase a sua idade... isso é perfeitamente normal... e você não tem irmãos... como é que ela pode ser sua sobrinha?

– Eu sei, mas sou casado com a Ruby, que é irmã da Mary Margaret e, portanto, tia da Emma. Entendeu? O Henry é meu sobrinho-neto! E você é meu irmão, a Rose é minha cunhada e Jake na verdade se chama Jack e é nosso irmão. E o nosso pai, acredita que ele virou padeiro nessa vida?

Orlando ficou muito calado encarando Killian, sem saber dizer se o amigo estava brincando ou se realmente enlouquecera. Ele foi pra casa, dizendo que precisava pensar e Killian apenas suspirou, pensando na bagunça que aquela maldição criara.

Se o garoto morresse, ele pensou, as coisas ficariam ainda mais complicadas. E Emma não acreditava. August estava virando madeira. Ruby ia ter um filho, sem saber que Killian era o pai. Orlando agora achava que ele era louco. E Regina envenenara o próprio filho... O que aquilo estava se tornando? O que é que ia ser de Storybrooke e todos os seus moradores?

***

Emma sabia o que fazer. Ou melhor, Gold lhe dissera o que fazer.

– Amor verdadeiro, minha querida – ele dissera – É a única magia poderosa o suficiente pra quebrar qualquer maldição. Felizmente, tenho um pouco engarrafado.

Tanto Emma quanto Regina se mostraram surpresas. É claro que Gold sempre fora um homem influente naquela cidade, mas nenhuma das duas imaginara que ele fosse poderoso o bastante pra conseguir engarrafar o amor.

– Juntei os fios de cabelo de seus pais – ele explicou – e assim criei a poção mais poderosa de todas e de todos os reinos. Tão poderosa que quando criei a maldição, pinguei uma gota no pergaminho. Apenas uma válvula de segurança.

Ah, agora ela entendia. O motivo de Emma ser a Salvadora, Rumple trabalhara nisso. Naturalmente, ele previa o futuro, e sabia que tinha que ser ela. Quando ele pingou aquela gota de amor no pergaminho da maldição, assegurou que Emma fosse a única que poderia quebrar a mesma. Ela era produto de amor verdadeiro.

– Felizmente, para sua sorte, guardei um pouco da poção. – ele disse, parado atrás do balcão de sua loja.

Emma teria ficado muito interessada em dar uma boa olhada nas quinquilharias que havia por ali, mas não havia tempo. Ela tinha que salvar Henry, mas não seria tão fácil assim. Gold assegurou que Emma, sendo a Salvadora e fruto do amor verdadeiro, devia fazer o que tinha que ser feito, embora Regina tivesse se oferecido.

– E onde é que está a garrafa com a poção? – Emma perguntou.

– Com uma velha conhecida – ele respondeu sorrindo (porque realmente o dia estava propício a sorrisos) – Uma pessoa desagradável. Diga-me, Regina, sua velha amiga ainda está no porão?

– Seu demônio perverso! – Regina exclamou – Não acredito que escondeu isso com ela.

– Oh, não, não, queridinha. Não com ela. Dentro dela.

Emma não sabia quem era ela, mas sabia que não podia ser coisa boa. Pra ajudar Emma, Gold lhe deu algo que pertencera ao seu pai, a espada do Príncipe Encantado. Fascinante! Então agora ela ia descer pra um porão e ia enfrentar alguém ou algo que não conhecia... Ótimo!

Antes, porém, Emma passou no hospital, assegurando a um Henry desacordado que ficaria bem e que o salvaria. O garoto estava pálido e parecia respirar a muito custo. Ela só podia ter esperança de que ia dar tudo certo.

Depois Emma foi visitar August. Ela não acreditara quando ele dissera que era o Pinóquio e que eles tinham vindo juntos pra esse mundo. Devia desculpas ao homem. Mas a situação de August não estava boa. Agora ela podia ver, ele estava se tornando madeira! Emma queria poder fazer alguma coisa e sabia que o certo seria quebrar a maldição, mas agora só podia pensar em Henry. August, no entanto, acreditava nela.

– Acredite em si mesma, Emma – ele dissera antes de virar madeira por completo – Essa é a verdadeira magia.

Ela estava aterrorizada com tudo aquilo e agora, vendo um homem se tornar madeira, sabia que negara por tempo demais. Ela devia ter acreditado, devia ter ouvido Henry. E por culpa dela, por sua teimosia e ceticismo, o garoto estava morrendo.

Nesse meio tempo, enquanto Emma estivera fora, Mary Margaret estivera lendo para o garoto. Talvez ele abrisse os olhos, como acontecera quando ela lera para David e ele acordara do coma. Mas Henry não acordou e Mary chorou ao pensar que talvez Storybrooke fosse perder uma das pessoas mais bondosas do mundo.

– Dei este livro pra você porque sabia que nem sempre a vida tem um final feliz – ela disse, apertando a mão do garoto – Mas eu achei...

Alguma coisa começou a apitar e Mary se desesperou ao perceber o que estava acontecendo. Ela gritou por doutor Whale e médicos e enfermeiras correram para o quarto, colocando-a pra fora em seguida. Henry estava morrendo...

***

Emma foi com Regina até a Biblioteca Municipal de Storybrooke. O prédio, como sempre, estava todo fechado e fedia a mofo. Emma se perguntou por que um lugar como aquele não estava funcionando, já que ali havia tantos livros, mas suas perguntas foram varridas de sua cabeça quando Regina acionou um painel e a coisa se moveu para cima, revelando um elevador escondido.

Era muito simples, Emma ia descer pelo elevador e enfrentar a coisa lá embaixo, enquanto Regina ficaria lá em cima, porque o elevador só funcionava por fora. A ideia de descer sozinha naquela coisa velha não agradava Emma, mas o tempo estava correndo e ela pensava em Henry, pensava que cada minuto que passava, era mais um minuto que o garoto perdia.

Emma acabou por descobrir que o ela que Rumplestiltskin mencionara era um dragão. Aterrorizada, mas sabendo que era a única que podia fazer isso, a loira atirou contra o bicho, tentando matá-lo. Acabou por largar a arma de lado e precisou usar a espada de seu pai. A coisa era pesada e Emma não tinha habilidade nenhuma com esse tipo de arma, mas acabou por conseguir enfiá-la na barriga do dragão, que explodiu em fumaça.

Anos antes, a mando de Rumplestiltskin, o Príncipe Encantado fora incumbido de esconder um ovo dourado na barriga do dragão. Dentro do ovo Rumple colocara a poção de amor verdadeiro, já sabendo que iria precisar dela no futuro. Quando o dragão explodiu, o ovo acabou por cair de sua barriga e Emma o pegou cuidadosamente, voltando ao elevador.

Mas quando ia subindo, o elevador parou com um tranco e ela viu a cabeça de Gold acima do poço. Ele disse que Regina a abandonara ali e mandou que ela jogasse o ovo pra ele, visto que ela não conseguiria escalar pelo poço do elevador segurando o objeto. Mas é claro, Gold a enganara. Emma levou uns minutos escalando o poço e quando chegou lá em cima encontrou Regina amarrada e amordaçada. Ela soltou a mulher, que ralhou com Emma por ter entregado o ovo a Gold. As duas correram pra alcançar o homem, mas nesse momento seus celulares tocaram. Era do hospital...

***

Orlando estava quase acreditando na história de Killian. Ele realmente não via os pais há muito tempo e suas memórias falsas diziam que eles moravam num lugar muito distante, talvez na China ou Japão, ele não sabia bem. Mas pensar que Killian e Jake eram seus irmãos... Se ele fosse pensar bem, até que Killian e Jake eram parecidos. Os dois tinham cabelos muitos escuros e rebeldes e os dois tinham olhos azuis. Mas aquilo era simplesmente loucura... Como é que ele podia ter sido amaldiçoado? E Killian era o Capitão Gancho?

Seus pensamentos estavam ficando sem sentido e ele achou que ia enlouquecer. Logo, porém, avistou Killian saindo do prédio. O homem apenas balbuciou que ia ao hospital e Orlando disse que ia com ele. Os dois não falaram muito durante o percurso, apenas caminharam e se encolheram dentro de seus casacos.

A neve derretera, mas continuava frio. Pelas ruas, as pessoas pareciam meio tristes, até desorientadas. Talvez tivessem se afeiçoado demais a Henry. Passaram pelo consultório de Archie e o homem observava a rua.

– Vocês souberam? – perguntou, sem sua animação habitual. Sendo Henry seu paciente e amigo, o psicólogo se sentia muito mal pela situação do garoto – Parece que... parece que não há mais nada a se fazer...

– O que está dizendo? – Killian ficou alarmado – O garoto... vai morrer?

– Não sabem o que aconteceu a ele. Se Regina realmente fez o que estão dizendo... – sua voz morreu e ele entrou no consultório. Os outros dois continuaram a caminhar.

– Killian... – começou Orlando/Will – Só quero que saiba que eu ia adorar ser seu irmão...

Pararam. Killian sorriu e Orlando fez o mesmo.

– Não estou dizendo que acredito – ele continuou – Mas eu ia gostar de ter irmãos.

Rose Bells passou por eles e Orlando sorriu tristemente.

– Se serve de consolo – disse Killian – Ela era louca por você, lá na Floresta Encantada.

Enquanto isso, no hospital, Emma e Regina adentravam o quarto de Henry. Pelas expressões dos médicos e enfermeiras, elas souberam. Estava acabado. Todo o mundo de sonhos e fantasias, toda a alegria e inocência do garoto se esvaíram.

– Fizemos o possível – Emma ouviu a voz de Dr. Whale, como que vindo de muito longe.

Regina começou a chorar. Mary Margaret também estava ali, derramando lágrimas. E a Madre Superiora. E algumas enfermeiras e médicos.

– Sinto muito! – disse o doutor.

Emma ficou parada, como petrificada diante da situação. O corpinho de seu filho jazia ali na cama. Tão pálido... Regina soluçava e chorava no ombro de doutor Whale. Pobre mulher! Se a situação não fosse tão deprimente, Emma teria dito: “Está vendo? Está vendo o preço que pagou por sua maldade?”. Tal como Rumplestiltskin dissera, e esta era uma grande verdade, toda magia vem com um preço.

Emma se aproximou da cama do garoto. Permitiu que lágrimas se apossassem de seus olhos, mas seu choro não era escandaloso como o de Regina. O garoto estava tão pálido e frio... Não fosse isso, Emma teria achado que ele estava apenas dormindo. Ela afastou os cabelos negros do garoto de sua testa. Seu pobre filhinho... Abaixou-se, derramando suas lágrimas no rosto do garoto.

– Eu te amo, Henry! – disse e beijou a testa do menino.

Um segundo depois, uma coisa aconteceu. Algo como uma onda de luz saiu de dentro dela, empurrando-a pra trás e lançando um vento forte no quarto. Todos que estavam no quarto cambalearam pra trás e a cor voltou ao rosto de Henry. Ele respirou fundo, abrindo os olhos em seguida.

– Eu também te amo! – disse, sorrindo para Emma.

A onda de energia avançou pelas ruas de Storybrooke, tão rápida como um raio, e por onde ia passando, as pessoas iam se lembrando. Passou por Vovó e Ruby, que caminhavam juntas, e um vento forte arrepiou seus cabelos e quase as jogou no chão. A garota segurou a avó, que se atrapalhou toda.

– Mas o quê...? – a avó olhava pra neta e depois olhava em volta, como que se perguntando como fora parar ali.

Ruby também estava muito confusa. Por que é que de repente a imagem de uma floresta lhe viera à cabeça? E um navio, um homem, Killian...

– Gancho... – ela balbuciou, segurando-se na cerca em frente ao Granny’s. Ela se lembrava. A maldição. A nuvem negra vindo em sua direção e ela abraçada com Killian.

– Chapeuzinho – disse a avó, piscando os olhos.

– Vovó! – a moça riu, sufocando a avó num abraço e depois olhando em todas as direções – O Gancho! Eu preciso encontrar o Gancho. – e saiu correndo.

Há alguns metros dali, Orlando acabara de se lembrar. Killian já tinha recuperado suas memórias, por isso a quebra da maldição não o afetou em nada. O vento apenas arrepiou seus cabelos e ele precisou se segurar numa caixa de correio.

– Killian... – Orlando balbuciou, encarando o outro. Colocara uma mão na cabeça, um tanto confuso – Ah meu Deus! É você mesmo? Killian... meu irmão...

Os dois riram e se abraçaram. Há poucos metros de onde os irmão estavam, Rose, agora Tinker Bell, se estabacara no chão ao ser atingida pelo vento. Ela se levantou, ajeitando a roupa e se lembrando de ter tido asas. Que coisa mais estranha! Como é que ela podia ter asas? E seu nome lhe soava estranho. Rose Bells... que raios de nome era aquele? Aí ela se lembrou, Tinker Bell era seu nome e ela fora uma fada... Que extraordinário! Alguém gritou por ela. Orlando, ou melhor, Will, vinha correndo na direção dela.

– Tink!

Ela sorriu e no segundo seguinte era levantada e rodopiada.

– Will!

Os dois se atracaram num beijo apaixonado.

Gancho caminhou apressado, tentando encontrar Ruby. Ele já vira aquilo antes. Quando James, o Príncipe Encantado, beijara Branca de Neve, quebrando sua maldição do sono, aquela mesma luz passara por toda a Floresta Encantada, seguida de um vento forte. A maldição fora quebrada! Emma conseguira! Chapeuzinho, ele tinha que achar Chapeuzinho. Foi aí que ouviu:

– Gancho! – ela estava correndo em sua direção. Sua princesa. Sua linda princesa. Ela se jogou em seus braços e Killian soltou um gemido abafado, sentindo dor no peito. Mas a dor não importava. Ela estava ali, sua Chapeuzinho estava ali.

– Chapeuzinho... – foi tudo o que ele conseguiu dizer, enquanto ela o abraçava com força, quase o partindo ao meio – Minhas costelas...

Ela o soltou e riu.

– Desculpe, eu me esqueci.

Os dois caíram na gargalhada e em seguida se beijaram. Apesar de terem se beijado tantas vezes antes, aquele beijo foi especial. Aqueles não eram Ruby e Killian, uma garçonete e um peixeiro, eram uma princesa e um pirata que se amavam. Uma princesa e um pirata que quebraram o preconceito, mostrando ao mundo que pessoas de realidades diferentes podiam se apaixonar.

– Killian... nosso filho! Nós vamos ter um filho!

Ele a puxou para um abraço, beijando sua testa.

– E eu não podia estar mais feliz. Eu te amo, minha princesa.

– Também te amo, pirata!

– Ruby! Killian! – Tink exclamou toda feliz, vindo abraçada com Will. – Não acredito! Vocês não mudaram nada!

E foi uma verdadeira festa. Branca de Neve e seu príncipe também se reencontraram. Por mais que estivesse com raiva de David Nolan, Mary Margaret encontrara o homem que amava, o Príncipe James. Os dois se encontraram no meio da rua, e tal como os outros casais, se beijaram ternamente.

– Você me achou! – ela sussurrou, feliz da vida.

– Alguma vez duvidou que eu acharia? – ele sorriu.

Por toda Storybrooke, as pessoas começaram a se lembrar. Umas demoraram mais do que outras, mas todas estavam confusas. Aí acabavam por se lembrar da fumaça negra que empesteara a Floresta Encantada. Lembraram-se de como foram parar ali.

– Que diabos está acontecendo? – Archie caminhava a passos trôpegos e avistou Killian e os demais se abraçando – Por que eu tenho a estranha lembrança de ter sido um grilo?

Todos riram.

Archie acabou por se lembrar aos poucos. Riu quando se deu conta de que realmente fora um grilo. E depois veio Marco, que na verdade era Gepeto. Ele e o Grilo Falante eram amigos de longa data. Abraçaram-se e tal como os outros, acabaram por derramar umas lágrimas de felicidade.

No hospital, doutor Whale e os outros médicos vagavam pelos corredores, parecendo refletir sobre suas vidas. Regina correra pra casa, depois de dizer a Henry:

– Não importa o que lhe digam – e seus olhos ainda estavam marejados, mas ela estava muito aliviada por ver o filho acordado – Eu amo você!

Emma estava muito confusa e desacreditada. Amor verdadeiro, dissera a Madre Superiora, que na verdade era a Fada Azul. Um beijo de amor verdadeiro quebrara a maldição.

– Você me salvou! – Henry se levantou e abraçou Emma. Ela o abraçou de volta, depois deu uma olhada nas pessoas confusas que caminhavam pelo quarto e corredores.

– Henry, o que há de errado com eles?

– Acho que estão se lembrando, suponho. A maldição, você a quebrou! Eu sabia! Sabia que ia conseguir.

– Eu devia estar muito zangada, garoto. Você me deu um susto quando comeu aquela coisa de maçã...

Eles riram.

– Eu tinha que fazer você acreditar – ele deu de ombros. Estava enfiado numa camisola de papel e parecia um tanto fraco, embora se sentisse muito bem.

Enquanto isso, na rua principal de Storybrooke, Branca se soltou do abraço de James. Algo estranho estava acontecendo.

– Mas... o que é aquilo? – Branca olhava pra frente e James seguiu seu olhar.

Uma fumaça roxa e espessa vinha serpenteando pelas ruas, cobrindo tudo que encontrava pelo caminho. Os dois se abraçaram, sem saber o que seria aquela coisa. A fumaça tomou conta de tudo, ocultando a visão de quem estivesse nas ruas e empesteando o ar.

– O que é aquilo? – Emma viu pela janela do hospital e Henry também se virou para olhar.

– Algo ruim – disse o garoto.

Não muito longe dali, Rumplestiltskin, o Senhor das Trevas, e Belle, sua amada (que até então ele achara estar morta) estavam ao lado de um poço. Era dali que saía a fumaça roxa e era pra isso que Rumple precisava do amor engarrafado, afinal. Ele enganara Emma, sabia que tudo que ela precisava para acordar Henry e quebrar a maldição era um beijo de amor. Mas agora ele tinha o que queria.

Assustou-se quando Belle apareceu em sua loja, dizendo que Regina a trancara. Belle é claro, não fazia a mínima ideia de quem aquele homem era, mas Jefferson, o Chapeleiro Maluco, a tirara de sua cela na ala psiquiátrica, dizendo que ela precisava procurar o Sr. Gold. Quando o fizera, quase matou o homem de susto. Regina dissera a Rumple que Belle estava morta, mas em todos aqueles anos sua amada estivera trancada no hospício.

Recuperado da emoção de encontrar a mulher que amava, Rumple a levara a um poço que havia na floresta de Storybrooke. A lenda era que a água do poço possuía propriedades mágicas e August até levara Emma ali e a fizera tomar da água, esperando que ela fosse acreditar que precisava quebrar a maldição.

Com o amor engarrafado em mãos, Rumple jogou o vidrinho dentro do poço e a fumaça roxa começara a emergir de lá de dentro, invadindo a floresta e a cidade.

– Não estou entendendo – disse Belle, já com a memória recuperada. A garota estava com uma aparência deplorável: pálida, os cabelos embaraçados e olheiras escuras sob os olhos. Aqueles vinte e oito anos trancada no hospício foram de grande sofrimento pra ela – O que é essa fumaça? O que você fez?

– Estamos numa terra sem magia, Belle – Rumple explicou muito satisfeito e observando a fumaça sair do poço – e eu estou a trazendo. A magia está vindo!

– Por quê?

– Por quê? – ele a olhou e sorriu, como que encantado com a inocência da moça – Porque magia é poder!

***

Depois que a fumaça se dispersou, a dúvida que ficou foi: o que aquilo fizera à cidade? Todos falavam ao mesmo tempo, tentando entender o que acontecera. Fora tudo tão rápido! Henry no hospital, depois a maldição se quebrando e todos recuperando suas memórias e agora aquela fumaça.

Ruby foi se encontrar com a avó, preocupada. Na ansiedade de encontrar Gancho, acabara por deixar a idosa sozinha. Os dois foram ao encontro da senhora e ela abriu um sorriso ao ver Killian, abraçando-o. Depois vieram Branca e James. As irmãs Blanchard se abraçaram e Killian e o Príncipe James fizeram o mesmo. Aí vieram os sete anões e Branca abraçou a todos, feliz pelo reencontro.

– A maldição está quebrada? – perguntou Leroy/Zangado.

– Parece que sim – respondeu James.

– E o que faremos agora? – disse Ruby, de braços dados com a avó e Killian.

– Agora vou encontrar minha filha – Branca abriu um sorriso e uma voz já conhecida veio de trás dela.

– Então é verdade? – Emma estava parada ali, encarando Mary Margaret e David. Sua mãe e seu pai.

Mary a olhou, pela primeira vez se dando conta de que Emma não era só sua amiga, mas também sua filha já crescida. Vinte e oito anos! E como ela era bonita! Os cabelos loiros, olhos claros... Herdara a bondade da mãe e a bravura do pai. Branca não conseguiu conter as lágrimas.

– Você nos encontrou! – disse abraçando Emma. Quando o Príncipe Encantado se juntou ao abraço, Emma passou de aturdida para constrangida.

Ruby e Vovó enxugaram suas lágrimas e até Killian precisou tirar um cisco do olho. Henry chegou, de mochila e tudo, e todos respiraram aliviados por ver que ele estava bem.

– Vovô? – ele se dirigiu a James e Branca teve um acesso de riso. Pensar que ela tinha um neto de dez anos era uma coisa engraçada, considerando o fato de que Branca tinha a aparência de uma mulher de trinta anos com uma filha de vinte e oito.

– É, garoto – riu o príncipe, puxando o neto para um abraço – Acho que sim.

– Ela conseguiu – disse Henry, olhando Emma.

– Salvou a todos nós – Branca deu mais uma olhada na filha, segurando seu rosto.

Emma tentou balbuciar algo, mas no fim não conseguiu. Estava confusa demais pra conseguir dizer alguma coisa.

– E por que ainda estamos aqui? – perguntou Zangado.

– E o que foi aquela fumaça? – indagou Atchim, soltando um espirro em seguida.

Os anões começaram a falar ao mesmo tempo.

– Quem fez isso?

– E o que foi aquela fumaça?

– Por que ainda estamos aqui?

Ninguém sabia o que pensar. A Fada Azul veio até eles. Ali em Storybrooke ela era uma freira, usava um vestido azul comportado e prendia os cabelos num coque.

– Magia. – ela disse – A magia está aqui. Posso sentir.

– Magia em Storybrooke? – perguntou Henry – Você é a Fada Azul. Faça algum feitiço.

– Não posso – ela balançou a cabeça – Não sem varinha e pó de fada... As coisas vão ficar complicadas agora.

Os anões queriam ir até Regina, imaginando que a Rainha fora a responsável por aquela fumaça roxa. Emma, no entanto, os impediu. Não fora Regina. Ela sabia bem quem era o responsável por trazer magia à Storybrooke.

– É claro! Rumplestiltskin – disse Branca, pensando. Depois olhou pra Emma, que se afastava do grupo – Onde é que você vai?

– Vou falar com ele, é claro – disse Emma, andando em direção à loja de Gold. – Ele me traiu!

Os outros se entreolharam e saíram atrás de Emma, como que sem saber o que fazer agora que tinham recuperado suas memórias.

– Há algo que queira nos perguntar? – Branca perguntou gentilmente. – Deve ter tantas perguntas...

– A única pergunta que tenho é para Gold. – Emma respondeu, andando apressada.

Apesar dos esforços que seus pais faziam, a Xerife não parecia muito a fim de se sentar com sua família e conversar sobre a vida. Por vinte e oito anos ela achara que era órfã e agora encontrava seus pais assim... Fala sério! Não bastasse eles serem personagens de contos de fadas, também aparentavam ter a mesma idade de Emma. Aquilo era muito estranho!

– Mas... – Branca ficou meio desapontada – Não devíamos falar sobre nós antes?

– Podemos conversar depois, não podemos? Compramos umas garrafas de vinho e então... deixa pra lá!

– Sei que é muito pra digerir – disse seu pai – e não queremos te pressionar nem nada, mas esperamos por isso há tanto tempo!

– Eu também! – Emma parou e se virou para olhá-los. – Eu imaginei quem seriam vocês a minha vida inteira. E de todas as possibilidades, vocês serem Branca de Neve e Príncipe Encantado estava fora de questão. Eu só... eu só preciso de um tempo...

É claro que seus pais entenderam. Um grupo de pessoas passou por ali correndo. Estavam indo em direção à casa de Regina. Archie veio correndo:

– Doutor Whale está atiçando todo mundo – ele disse ofegante – Querem matar a Regina!

– Legal! – disse Zangado – Vamos assistir!

– Não podemos nos rebaixar ao nível dela – disse Archie e os outros se entreolharam – Temos que agir com consciência. Por mais que Regina tenha feito o que fez, ainda é humana.

– Ela ainda é minha mãe – falou Henry – Precisamos fazer algo.

– O garoto está certo – disse Emma – E eu ainda sou a Xerife, preciso fazer alguma coisa.

– Vão vocês! – Killian passou um braço pelos ombros de Ruby – Ela já machucou a Ruby uma vez e não quero que aconteça de novo.

Emma assentiu e eles correram até a casa de Regina. Vovó ficou e foi com a neta e Killian para a lanchonete. O lugar estava completamente vazio e Kate desaparecera de vista.

– Que loucura! – Ruby se sentou num dos bancos de frente para o balcão – Acho que preciso de uma bebida.

– Nada disso! Você está grávida, não pode beber – disse a avó, dando a volta no balcão e apanhando um copo plástico – Vou lhe preparar uma vitamina – e foi em direção à cozinha.

– O filho era seu, no fim das contas – a moça disse a Killian – Não é estranho? Como é que isso aconteceu?

Killian explicou a ela o que Henry dissera sobre o bebê ter ficado congelado dentro dela por vinte e oito anos até Emma aparecer e descongelar o tempo. Também contou a ela que o garoto acabara fazendo-o acreditar na maldição e que ele recuperara a memória há uns dias.

– Por isso você estava tão esquisito — ela falou – Por que não me contou?

– Henry achou que era melhor assim – o homem deu de ombros – E você não teria acreditado, teria?

– É... acho que não...

– Capitão! – Christopher, na verdade Willian Smee, adentrou a lanchonete – Princesa!

– Oh, olá Smee! – Killian sorriu – Há quanto tempo!

Smee veio e abraçou os dois, satisfeito por encontrar rostos conhecidos.

– Vocês não viram a Esmeral... a Ellanor, viram? Já procurei em todo canto e não a encontrei.

– Talvez ela ainda esteja vagando por aí – disse Ruby – Algumas pessoas ainda não se recuperaram completamente.

– Em todo caso, vou continuar procurando. Foi bom ver vocês.

Smee saiu e em seguida a avó voltou trazendo uma vitamina de banana. Ruby fez cara feia, mas concordou em cuidar da alimentação. Grupos começaram a vir à lanchonete quando as pessoas ficaram com fome e a avó reclamava por Kate ter sumido. Ruby acabou indo fazer seu trabalho de garçonete e Killian assumiu o caixa, já que a avó fora pra cozinha.

– Aí está você!

– Mamãe! – Ruby correu até a mãe, que acabara de chegar ao Granny’s, e as duas se abraçaram depois de vinte e oito anos sem se ver.

Anita, que na Floresta Encantada tinha cabelos compridos e ondulados, agora exibia um visual mais moderno, com seus cabelos lisos e cortados na altura dos ombros. Ainda tinha a expressão poderosa de rainha, mas se vestia de forma simples.

– Onde é que esteve em todos esses anos? – perguntou Vovó.

– Ah, vocês nem acreditam – Anita se sentou num dos assentos vagos – Sou dona de uma loja de sapatos e a maldição separou Anne e Josh, de forma que o garoto virou meu filho. E Albert, vocês nem imaginam, acabou virando taxista, enquanto que Anne é faxineira na escola. É uma loucura total! Felizmente, o garoto agora está com sua verdadeira mãe, mas não pude evitar me apegar a ele. E onde estão Mary e os outros? Estou muito ansiosa e quero conhecer minha neta.

A árvore genealógica daquela família era uma bagunça completa. Era compreensível o fato de Emma estar tão confusa com tudo aquilo e pelo visto ia levar um tempo até que ela se acostumasse a ter pais, tia, avó e bisavó.

Quando a Xerife veio ao Granny’s uns minutos mais tarde, estava com a expressão de quem queria correr e se esconder. Emma se viu sufocada pelos parentes e Branca teve que pedir que deixassem sua filha respirar.

– Ela passou por muita coisa – disse – Podemos agir como uma família normal quando Emma se sentir à vontade pra isso.

– Dá pra acreditar? – falou Ruby, tomando suco pelo canudinho — Eu tenho uma sombrinha mais velha do que eu.

– Não exatamente – disse Killian – Vinte e oito anos se passaram, o que significa que você tem cinquenta anos.

– E você tem cinquenta e nove.

– Oh, não precisa me lembrar que sou um velho.

Eles riram.

– Quer dizer que eu tenho noventa e oito anos? – a avó ergueu as sobrancelhas, fazendo as contas mentalmente — Isso é realmente desanimador...

Enquanto isso, na loja de penhores, Gold planejava sua vingança contra Regina. Ela machucara Belle, causando lhe sofrimentos terríveis, agora era hora de pagar por seus pecados. Era hora de convocar um Wraith...

Notas finais
Talvez poste o próximo no domingo. Até lá!