Notas iniciais
Releia o capítulo anterior, só pra refrescar a memória.

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Thiago está parado num bar próximo ao shopping, enquanto toma uma água, sem gás, com um pouco de gelo por favor. Olha o relógio. A tv espreme mais sangue de algum acontecimento bizarro sobre uma garota dividida e guardada em malas diferentes. Outra noticia. Uma velha que tinha sido dada como morta, assusta todo um velório ao levantar do caixão e gritar a plenos pulmões:

BARRA NA ZU ABSU! Eles estão vindo! Os demônios estão entre nós, estão entre nós Ftaghn, seus asseclas assumiram corpos humanos. Al-Haz'red. Shub-Niggurath!

Thiago começa a prestar atenção no que a velha está dizendo quando o dono do buteco muda pro futebol.

Muda o canal e pela porta ele vê o Irerê estacionando a moto

- Ae.

- Bom?

- Tranquilo.

Thiago entrega os papéis que trazia consigo, Irerê dá uma olhada rápida pelo material.

- Cê viu o lance da velha que voltou dos mortos?

- Hein? Cê já tá podendo beber?

- Ela acordou no caixão dizendo que os demônios estão entre nós.

- Mundo tosco. Cadê o povo?

- Deve tá chegando.

- Uma cerveja por favor. Nada do Gabriel?

- Quem?

- O Gabriel, ah quando ele chegar cê lembra.

- Pera, telefone. Oi chegaram? Estamos só esperando o Gabriel. Sei não, amigo do Irerê. Aham. Ok Até.

- Ó lá o cara.

- Ah tá. Tinha esquecido.

- O besta mora longe e ainda num comprou uma moto, acho é pouco.

- Hahaha

- Dá mais duas cervas, vambora. – Diz isso entregando a grana pro rapaz, guarda os papéis e uma das cervejas numa mochila, a outra pro Gabriel.

- Ae maluco toma procê.

- Meu herói! Putz gelada hein?

- Vou entrando com a moto, encontro vocês lá.

- Falou.

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Irerê, Thiago, e Gabriel chegam em frente ao cinema. Esperavam mais pessoas no shopping. Mas também, filmes ruins. Cadê os outros dois?

Gabriel é o primeiro a notar o casal abraçado:

- Olha lá.

Irerê, acaba de beber a cerveja e joga lata fora, olha na direção.

- É mesmo, e chegando perto deles, Vamos parar com essa pouca vergonha.

Os dois se afastam, ois geral.

Luiz é o primeiro a comentar:

- Esse é o único que parece render...

Todos se aproximam, lêem a sinopse, Thiago é o primeiro a concordar:

- É parece que sim, nada como um suspense pra manter a calma.

Apesar de estranhar o comentário, Gabriel volta com um sanduíche na mão.

- Cara se eu não comer primeiro eu desmaio de fome. Que filme?

Luíz aponta.

- Hmm, ok tá aqui minha grana, compra lá?

Todo mundo passa a grana e Júlia entra na fila.

Ingressos na mão chocolates, amendoins, pipocas e coca-cola. Cadê o Irerê?

Ele volta correndo: Tive que ir no banheiro primeiro

e entram.

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A sala é mal iluminada, um abajur com uma cor não definida ilumina mal e porcamente o ambiente que cheira a mofo.

Uma das paredes é tomada por uma estante, a única coisa na casa que parece forte o suficiente, madeira grossa e antiga, livros empoeirados, todos eles foram reencapados. Um trio bizarro de gatos empalhados povoa a parte de cima da estante.

Um quadro com umas flores mal desenhadas e numa escolha de cores questionável diz Van Gogh embaixo.

Leandro não apostaria nisso. Um barulho familiar, unhas pequenas arranhando o assoalho, Jack? Rato dos infernos, cadê você? Ash.

Na próxima sala um piano de cauda, semi-coberto com um lençol.

Uma vitrola, não, isso chama gramofone, daqueles de dar corda e tocar um LP 78 rotações.

Próximo a ele um disco com uma capa de papel escrito Réquiem e logo embaixo Brahms. Dentro ao invés de um encarte, uma partitura, com alguma coisa escrita em alemão e uma assinatura. Hehehe autógrafo?

Volta pra perto da escada. De fora num parece que tem outro andar. Não sobe. Corredor pequeno e outra porta mais à frente.

Cozinha, bules, xícaras, panelas, colheres de pau, armários de madeira. Pia engraçada, que? Mármore? Uma janela pequena mostra o quintal, nada atraente. Notas fortes são tocadas no piano.

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Letícia passa pela porta, uma mulher com um vestido comprido esvoaça na sua frente. Encosta na parede, o vestido balança, parece rodopiar sozinho, o véu da mulher procura se prender em algum lugar. Ela não parece ter braços. Pernas não ajudam, do contrário estaria fora da casa já. O vento pára, o vestido também. A mulher ainda parada no mesmo lugar. Um pedestal revela que o manequim não representa perigo. Ela se aproxima, um vestido velho daqueles armados, um véu fora de moda.

- Caralho! Que merda!

Ela olha em volta, uma das paredes é repleta de roupas velhas, masculinas e femininas, uma das mesas grandes agulhas de vários tamanhos e carretéis de várias cores, dedais, giz, fita métrica.

Em um canto da sala, próximo à janela, uma máquina de costura movida a pedal.

O barulho de piano faz com que ela vire a cabeça.

- Ué, ele não sabe tocar assim.

Antes que ela chegue perto a porta bate.

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O filme era de um diretor brasileiro, filmado nos EUA com roteiro de um japonês. Uma refilmagem que poderia ter sido melhor. Um celular toca. Todos olham pro Gabriel.

- Num é meu não!

- Mas ta vindo daí, desliga isso!

- Num é o meu! Péra.

Acha preso na poltrona do lado, um celular. Desliga a chamada.

Sem maiores interrupções até o fim do filme.

O telefone toca fazendo o Gabriel pular de susto.

- Eu desliguei essa porcaria!

O identificador ta escrito Azathot 96015042

Ele estende o aparelho ainda tocando pro Irerê.

- Toma, eu num vou atender isso não.

- Fresco – pega olha a chamada, — É brincadeira né? Se somar dá 666, hehehe.

A ligação cai. Eles continuam andando pra sair do cinema, toca de novo.

- Fala chefe! O que cê manda? UOUUUUUUUU!

Ele grita tirando o telefone do ouvido, do aparelho um zumbido forte. Ele larga o telefone e cai de joelhos no chão. Gabriel e Thiago tentam segurar, mas só pegam o braço e ele bate de cabeça no chão, desacordado.

Luiz pega o celular e desliga. Irerê abre os olhos de uma vez e respira forte como só conseguisse fazer isso agora.

- O que foi cara cê ta bem? O que houve?

Ele não responde, olha na direção do celular, vai até o Luís, pega da mão dele. Júlia é a única que nota o estranho olhar vidrado dele encarando o aparelho.

- N-nada...num foi nada, tô bem. Vambora.

Guarda o celular no bolso e começa a andar como se realmente não tivesse acontecido nada.

Apesar de preocupados, ninguém diz mais nada.

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Notas finais
Obrigado pela atenção.