Notas iniciais
Começam as complicar as coisas.

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O piano ainda está tocando quando ele chega na sala. O lençol todo no chão.

Ele se aproxima, o piano pára. A partitura diz Réquiem de Brahms. O Gramofone começa a rodar a manivela devagar. O disco não está mais na capa. Está no Gramofone, a orquestra começa a tocar o que parce ser uma versão mais densa e grave.

Leandro, acuado, encosta-se na parede, as cortinas parecem tentáculos querendo agarrá-lo. A luzes falham, piscando intermitente.

Alguma coisa cai na sala anterior, de maneira automática pega um castiçal e segura-o como que para se defender. Ao chegar na sala, um livro está no chão as páginas virando com o vento. E como se fosse premeditado, a música, o vento e as páginas aquietam-se todos de uma só vez.

Intrigado Leandro aproxima-se do livro, vê uma bizarra figura desenhada, antes que ele consiga entender o que é, as luzes se apagam.

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Letícia bate com a cara na porta e se vira assustada. O vestido não está mais no mesmo lugar, tampouco a manequim. Ao invés disso ela percebe que olhando pela janela está uma mulher, com o vestido procurando algo lá fora. Por se encostar ainda mais na porta, o barulho que é feito chama a atenção da mulher, que vira despreocupadamente o rosto.

E um olhar vazio e gelado olha pra ela. A mão mais próxima da maçaneta tenta forçar a porta a abrir e quando olha novamente a mulher de olhar arrepiante está a poucos passos dela esticando o braço.

Quando a música acaba lá fora, a porta abre de uma vez e ao passar pela porta desesperadamente a fecha com todas as forças como se isso fosse manter quem seja lá que fosse do outro lado.

Ofegante e ainda segurando a maçaneta ela tentar se acalmar. Quando as luzes se apagam e tentam abrir a porta do outro lado.

- AAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Solta a maçaneta e tenta achar a escada, ao chegar lá escorrega e vai descendo aos tropeções Até bater no chão ao final da escada.

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Um adeus seco e distante é o que todos recebem do Irerê quando ele sobe na moto. Ainda estão conversando sobre o que aconteceu quando escutam o barulho de freios de um caminhão.

Gabriel começa a correr

- Putaquepariu era o Irerê!

Mas Thiago o segura.

- Pera ae cara!

O caminhão tentou desviar da moto, e acabou derrapando num buraco, tombando, batendo em alguns carros e derrubando postes da rua, cabos de alta tensão arrebentam e começam a chicotear no asfalto hora acertando os carros, hora acertando uns aos outros. Um dos carros começa a pegar fogo, Luiz puxa os dois

- Corre que o caminhão é de gás!

Viram na primeira esquina a tempo da primeira explosão e logo após essa, uma seqüência que parecia não ter fim.

Param de correr, ofegantes, numa praça próxima dali. Todos se sentam. Gabriel deita no chão com a mão na cabeça. Ainda sem entender ou sem acreditar eles olham na direção e conseguem ver a fumaça densa e escura ascender.

Algumas horas depois, com o local do acidente cercado por policiais e bombeiros eles notam, depois de dar declarações, que nenhum dos veículos envolvidos era a moto do Irerê.

Gabriel liga para o celular dele imediatamente, se afastando da confusão. Reconhece que o toque de celular, está ali perto, olha em volta. A ligação cai, liga de novo, o barulho recomeça. Andando em direção ao som, descobre o celular do Irerê próximo a um saco de lixo, com algumas partes quebradas. Desliga os aparelhos e vai em direção ao resto do grupo.

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Leandro se aproxima da irmã com o castiçal aceso, guarda o isqueiro no bolso, se abaixa passando a mão na cabeça dela.

- Cê ta bem?

- Ai

- O que que aconteceu?

- Vamos sair daqui!

- Ainda não achamos os documentos...

- Não importa vamos embora!

- Nessa cidade nem deve ter hotel...

- MARAVILHA! Perfeito! — Ela senta-se colocando a mão na cabeça – Vamos achar essa droga logo que eu quero sair daqui!

As luzes se acendem. Eles se entreolham

- Vamos aproveitar. – ele diz puxando-a pelo braço e levando-a pra sala, eu tava vendo essa livro aqui quando você caiu.

- Que livro?

- Ué, esse que está no....chão

Eles olham pro chão sem nenhum livro.

- Ok, vamos procurar no resto da casa e logo!

Lá em cima o Quarto da velha se mostra de alguma utilidade e uma pasta repleta de papéis velhos é colocada na mochila da Letícia. Enquanto Leandro olha as gavetas, Letícia olha pro que está em cima desse gaveteiro, pentes e escovas, batons, estojo de maquiagem, uma caixinha aonde ela devia guardar os brincos e colares, ao abrir, a musiquinha que sai dela faz Leandro se assustar, mas assim que ele olha pra irmã, ela agarra o braço dele bem forte.

- Olha...olha pelo espelho – quase sussurrando – olha!

Ao encarar seu reflexo ele vê que logo atrás deles uma senhora de idade está apontando para um quadro, ao se virarem o quadro está balançando. Leandro derruba-o da parede cutucando com o castiçal e o quadro revela um cofre pequeno.

- Como que a gente vai abrir isso?

Eles notam que a musica tinha parado porque ela começa de novo, de repente pára e começa de novo, pára e recomeça. Letícia solta a caixa que ao cair revela um fundo falso.

Recolhendo as bijuterias e a caixa, Leandro examina o fundo falso e nota que há um papel escrito:

D-A-G-O-N

- Olha — diz a irmã – o mais fácil é trocar letra por número

- Tava pensando nisso

4-1-7-19-18

— Não deu certo.

Deixa eu tentar um coisa, ela diz enquanto tira o celular do bolso e escreve com as teclas correspondentes no teclado do celular, aparece no visor:

3-2466

Ele abre o cofre e de lá retira um livro, ao folheá-lo nota a mesma figura que vira antes, e reconhece, é o mesmo.

- Era esse o livro que eu ia te mostrar, o que caiu lá embaixo.

- Hein?

- To te dizendo

- Que tal deixar ele ai?

A caixa de musica começa a tocar com algumas notas faltando a musica fica ainda mais bizarra

- OK, Ok, a gente leva...

A música pára

- Vai na SUA mochila! Ele caiu pra você!

- Ash!

Leandro coloca o livro lá dentro e fecha o zíper

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Notas finais
Obrigado pela atenção!