Coming Home
1 Capítulo 1- Victor
Notas iniciais
Já fazia doze anos desde que a mãe havia deixado a casa, e muita coisa mudara. Pedro trabalhava, sustentando a família. Victor agora estava com 21 anos, velho demais para voltar aos estudos, novo demais para um trabalho que realmente dê dinheiro. Ao invés disso, passava o dia cuidando de seu pai. Depois que sua esposa saíra de sua vida, acabou criando o horrível hábito da bebedeira, e esta corroía seu corpo cada dia mais. Mas o homem não ligava. Na verdade, parecia que não importava com mais nada desse mundo: nem com sua casa, nem com seus filhos, muito menos com sua aparência.
Mesmo conseguindo manter a mesma casa que viviam antes, ela não parecia a mesma, nem de perto. Precisava ser repintada há muitos anos, o jardim tinha virado somente capim e todas as janelas permaneciam fechadas todos os dias, não importa o clima. Nenhum deles considerava sua vida triste, pois pensavam que havia muitas pessoas em situações piores que a deles, mas, de qualquer jeito, fazia muito tempo que haviam parado de ter esperanças.
O pai não manteve contato com ninguém de sua família, então os meninos nem sabiam se tinham tios, primos, avós... E, mesmo que perguntassem, o pai não diria nada sobre isso. Tanto sobre a família dele quanto a de sua esposa, a resposta para qualquer pergunta era um grunhido e um palavrão, por lembranças que há muito tempo tem assombrado sua mente. Talvez por causa delas Eduardo (esse era o nome do pai) passava o dia todo mantendo sua mente ocupada, lendo ou escrevendo em seu escritório.
Pedro, diferente do pai, passava o dia inteiro fora de casa. Por ele ser mais velho, conseguiu terminar a faculdade de economia e conseguiu um bom emprego trabalhando em um banco nacional. Era extremamente nervoso a maior parte do tempo, mas (por sorte) conseguiu achar uma menina que gostasse desse seu jeito e trabalhasse no mesmo lugar que ele, então sua vida não estava na pior fase. Mesmo sendo de grande ajuda, o homem não conversava direito com seu pai nem com o irmão faz muito tempo, por ter muito o que fazer por eles.
Victor, francamente, era a mãe da casa. Era ele que limpava, passava, secava, tirava o pó e fazia a comida. Todo dia tinha sua rotina: levantar, fazer o café, acordar o pai, limpar o escritório, arrumar Eduardo e passar o resto do dia limpando tudo que estava sujo até ter espaço para cuidar de si.
Por ficar em casa muito tempo, o menino pensava muito. Pensava, principalmente, em porque estavam naquela situação. E sabia que a culpa era de sua mãe. Que tipo de pessoa poderia deixar toda sua vida para trás em um dia? Quem deixa dois filhos e nunca mais os procura nem pra ver se sobreviveram a mais um dia? Victor sentia ódio da mãe, mas não como seu irmão ou seu pai. De alguma forma, entendia que havia um motivo para isso tudo ter acontecido, e ele passava todos os dias de sua vida tentando pensar em possibilidades de respostas. Infelizmente, era muito pequeno e não se lembra de nada que poderia ajuda-lo. Claro, havia as brigas. Briga atrás de briga, praticamente todo dia, quem aguenta isso? Mas isso era entre seus pais, não havia porque a mãe deixa-lo. Tantas perguntas sem resposta...
Sempre sonhou em reencontrá-la. Como será que ela está? Quer dizer, será que está viva? Será que se mudou para outro país? Será que... Será que ainda se lembrava deles? Quer dizer, não poderia ter se esquecido, não é? “Mas que droga” pensou ele, deitando em sua cama “pra onde você foi?”.
Victor olhou pela janela e viu o Sol se pondo, os pássaros voando e tudo na perfeita ordem da natureza. Com isso, jurou pra si mesmo que acharia sua mãe, custe o que custar, começando amanhã.
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