Coming Home
43 Viva Las Vegas! No light in your bright blue eyes - V
Notas iniciais
– É claro que nos encontraríamos, você não sai dos cassinos de Las Vegas nunca, não é mesmo, querida? – Regina ousou no tom irônico.
– Regina, Regina, — Addison se aproximou da morena e sussurrou em seu ouvido. – Você sabe que é aqui onde encontro minhas mulheres.
– Sei muito bem, Addison. – A prefeita sorriu e foi para perto de Emma, que se levantou na mesma hora. – Bom, já que aqui estamos, deixem-me apresentá-las. Emma, essa é Addison. Addison, essa é Emma, minha mulher. – A loira sorriu ao ouvir aquilo: “minha mulher”.
– Sua mulher?! Pensei que Regina Mills não tivesse um coração. – Piscou com o mesmo cinismo de antes.
– Eu também pensava, até conhecer o amor da minha vida. – Sorriu para Emma, que fez o mesmo.
– Entendo... – Addison ficou desconcertada com a fala da morena. – Eu já vou indo. – Estendeu a mão para cumprimentar Regina. – Querida, foi um prazer revê-la.
– Digo o mesmo. – Regina sorriu com deboche.
– Emma. – Se aproximou da loira e, diferente do que fez com Regina, a beijou no rosto, deixando a prefeita furiosa. – Foi um prazer imenso. Espero encontrá-la com mais frequência.
Emma não disse nada, apenas acenou com a cabeça e tentou esconder sua vergonha.
– Regina, quem era ela? – A loira perguntou com um tom enciumado.
– Addison, amor. Uma louca com quem tive um casinho de verão e não entendeu que era só um casinho de verão. – Revirou os olhos com certa impaciência.
– Por que louca?
– Ah, Emma, às vezes você precisa terminar mais do que uma vez com uma mulher para ela entender que acabou. – Deu um gole no whisky que tinha em mãos. – E, ainda assim, algumas não entendem.
Emma ficou intrigada e enciumada com aquilo. Não estava gostando nada dessa história. Resolveu deixar para lá ao ver Regina começando a movimentar seu corpo. Um remix animado de “Sinnerman”, da Nina Simone, estava tocando e essa era uma das músicas preferidas da morena; não demorou muito e ela estava dançando. Puxou Emma para uma área destinada a uma pequena pista de dança e começou a rodar, rebolar e fazer alguns passos ao lado da mulher. A loira logo se juntou a ela, afinal, estavam em Vegas e nada poderia estragar aquele momento, principalmente alguém do passado. As duas dançaram em um ritmo frenético e atraíram todos os olhares do cassino, até mesmo dos que apostavam. Assim como quando chegaram ou jogaram pôquer. Regina e Emma eram sempre as atrações dos locais que frequentavam, não se pode negar. Todos tinham olhares animados para com elas, exceto Addison. A ruiva estava apoiada no balcão do bar e fitava cada passo que o casal dava.
Passado algum tempo de muita dança e bebida, tanto Emma quanto Regina estavam muito bêbadas. Mexer a cabeça nem sempre é uma boa escolha quando se tem álcool no sangue, mas elas não se importavam muito e acabou deixando-as muito a mais do que os seus estados normais. Regina foi ao bar pegar mais drinks, enquanto Emma a aguardava na pista. Assim que a morena se apoiou no balcão, uma das bartenders fez questão de vir lá do outro lado e atende-la. A mulher era mais nova, possuía peitos perfeitamente modelados com silicone, cabelos loiros bem claros, quase brancos, um piercing de argola dourado no nariz, lábios grandes (que estavam ainda maiores por causa do batom vinho que usava) e olhos azuis bem claros.
– O que a mulher mais bonita que já pisou nesse cassino deseja? – Sorriu maliciosamente, tocando a mão de Regina.
– Ficou lisonjeada com o elogio, mas vou querer dois martinis... Estou acompanhada. – Piscou para a loira e afastou sua mão.
– Oh, querida. – Os dedos da bartender voltaram a alcançar sua mão. – Eu só posso beber depois que acabar de satisfazer alguns clientes, mas meu turno acaba em meia hora, se puder me esperar, prometo lhe satisfazer muito mais do que com bebidas. – Foi buscar os drinks que a prefeita havia pedido e Regina, por sua vez, riu da cantada da loira. Foi boa, não podia negar.
Emma estava vendo tudo aquilo e odiando. Estava bêbada e qualquer pensamento ficava confuso, mas não podia impedir sua mente de viajar pela vida de Regina. A morena sempre teve a fama de conquistadora, o que era meio óbvio, pois era uma das mulheres mais lindas e sexys do mundo, porém, o que preocupava Emma era sua fama de não ter um coração. Não é possível que Regina seja assim... Ela é sempre tão incrível comigo, se mostra sempre tão apaixonada. Paixão, esse é o problema, Emma, acorda! A paixão acaba e ela terá uma fila a esperando. E se eu for só mais um caso de verão?! Não, não pode ser isso! Temos um filho juntas! Um filho que ela teve sozinha, eu cheguei só depois. Conversava mentalmente consigo mesma, usando primeira e terceira pessoa, respirando descompassadamente e, principalmente, deixando sua insegurança tomar um grande espaço onde não devia.
– Não fique com ciúmes, querida, Regina é assim. Ela nunca será só de uma mulher. – Uma voz tomou conta dos seus ouvidos, tirando-a da confusão que fazia em sua própria cabeça. Se virou para ver e era Addison.
– Olha, eu não sei quem você é, mas... – Antes que pudesse dizer alguma coisa, seu olhar voltou ao bar e viu a loira derrubando, propositalmente, um pouco de Martini em seus peitos e sussurrando algo para Regina, que estava próxima dela para pegas as bebidas. Respirou fundo, contou até dez, só que acabou perdendo a paciência ao ver que a morena riu daquilo. – Foda-se.
Emma saiu andando a passos largos e se dirigiu ao terraço. As luzes de Las Vegas iluminavam aquele rosto furioso e inseguro. Addison postou-se ao lado dela e tirou um cigarro da bolsa.
– Aceita? – Sorriu de forma gentil.
A loira aceitou. Addison colocou o cigarro em sua boca e o acendeu. Emma deu uma longa tragada e continuou apoiada no parapeito. As duas mantinham silêncio.
– Então, qual é a sua história com Regina? – Emma foi a primeira a quebrá-lo.
– É complicada. Eu me apaixonei por ela há muito tempo atrás, quando estávamos em um dos cassinos daqui. – Respirou fundo. – Ela se dizia apaixonada por mim, me comprou presentes, me levou a lugares incríveis... Até que, certa noite, nos encontramos para ir a uma balada e ela estava linda, nossa, como estava linda! – Emma pigarreou, interrompendo a pequena divagação de Addison. – Desculpe. Passamos a noite inteira nos divertindo, até que, pela manhã, quando ia sair da minha suíte, disse: “foi um prazer esse tempo com você. Nunca esquecerei. Adeus, querida.” e eu entrei em pânico. Fiz um escândalo, mas quem não faria? – Seus olhos estavam cheios de lágrimas. – Você faz ideia do que é ter alguém para dividir uma vida e, de repente, essa pessoa ser arrancada de você?! Você sabe o quanto dói ter o seu coração arrancada e jogado fora, como se fosse... Como se fosse nada?! – Uma ou duas lágrimas deslizaram por toda a sua face nessa hora.
Emma tinha um bom coração. Por mais que não tivesse gostado do que ouviu, ficou triste pelo que Addison passou, se sentiu comovida com aquela história.
– Posso te dar um abraço? Eu me sinto tão sozinha. – Addison pegou o cigarro da loira e deu uma tragada. – É engraçado, não é? No meio de tanto gente, me sinto não só... – Parecia que ia desabar a qualquer momento, então agarrou-se aos ombros da loira que a abraçou de bom grado.
– Eu sei como é. Nunca me senti em casa, sempre me senti tão cheia por fora e tão vazia por dentro... – Emma já estava bêbada, o que a deixava sentimental e foi inevitável não se emocionar com os relatos da ruiva.
A loira não percebeu, mas Addison, ao abraçá-la, colocou um comprimido em sua própria bebida e fingiu dar um gole.
– Quer? Parece que beber é o que resta. – Riu limpando o rosto.
– Por que não, né?! – Emma deu um longo gole no champagne da ruiva e ficou ali acabando seu cigarro.
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– Addison, me sinto tonta. Me ajuda a encontrar Regina, por favor. – A loira começou a cambalear.
– Tonta, querida? Pode ter sido o cigarro e sua pressão caiu. – Apoiou o braço da loira em seu ombro. – Venha, vou te colocar em um dos sofás e a encontro para te levar para casa.
A ruiva foi guiando Emma até uma parte escura que havia no local. Ao passar pela pista, notou que Regina procurava Emma com uma irritação em seus movimentos, então logo tratou de se apressar e passar por ali com a outra quase inconsciente.
Regina teve a impressão de vê-las e resolveu ir até o local onde tinham entrado, mas a cena que viu foi um golpe fatal para a morena: Emma estava deitada no sofá e Addison por cima dela, beijando todo o seu pescoço. A prefeita olhou incrédula e saiu dali a passos largos. Ficou perplexa com o que viu, a única coisa que conseguiu fazer foi entrar no carro e pedir para que o motorista seguisse para o hotel.
Addison, por sua vez, se sentou no sofá e riu de tudo aquilo. Ela passou a mão pelo rosto de Emma, que dormia como uma pedra e sorriu vitoriosa.
– Você parece ser uma boa pessoa, querida. Mas, se Regina não ficou comigo, não ficará com mais ninguém.
Apesar do que havia feito, a ruiva não era uma má pessoa. Ela pediu para que seu motorista pegasse Emma, a colocou no banco do carro e a levou para o hotel onde imaginou que estavam hospedadas, pois era onde Regina sempre ficava. O motorista a tirou do carro e foi carregando até a portaria, onde Alfred estava aflito.
– Miss Swan? – Ele se aproximou e foi tentar segurá-la, mas o homem que a segurava disse que poderia levá-la e que foi a prefeita que pediu para que fosse busca-la. Alfred indiciou o lugar para o motorista de Addison, que permaneceu no carro, e disse que era para tocar a campainha de imediato. Sabia que Regina devia estar preocupada, pois a viu entrando alterada.
O homem saiu do elevador e colocou Emma deitada no chão do hall. Sem olhar para trás, se virou e desceu de novo.
A noite acabou com Regina chorando em sua cama, descrente do que Emma havia feito com ela e por nem ter se dado ao trabalho de ir se desculpar. Emma, por sua vez, desmaiada no hall e totalmente inconsciente. Já Addison voltou para o seu hotel e manteve um sorriso vitorioso, quase cafajeste, no rosto.
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