Coming Home
46 Think of me.
Notas iniciais
O dia amanheceu feliz. O sol entrava pelas janelas da suíte e ia iluminando cada lugarzinho. Regina abriu os olhos lentamente e, ao olhar para sua mão esquerda, sorriu extasiada. Finalmente ela e Emma estavam casadas! Logo notou que a loira já não estava mais na cama e chamou por ela, que apareceu rápido.
– Bom dia, meu amor. – Acabou de colocar uma blusa e deu um beijo carinhoso em Regina. – Dormiu bem?
– Melhor impossível. – Regina estava radiante. – Vai sair? Sabe que voltamos hoje, não é? – Indagou confusa.
– Sei, sei. É que preciso ir a um lugar antes. – Deu outro beijo na morena. – Nos encontramos para o almoço? – Perguntou já se levantando da cama.
– Sim. Vai onde?
– Depois te explico. Te amo muito, minha mulher. – Sorriu feliz e saiu as pressas.
+++
– Aqui, é aqui! – Disse Emma ao motorista do carro. – Eu não devo demorar muito, tudo bem? – Perguntou enquanto descia do carro e o homem apenas fez um sinal de positivo com a cabeça.
Emma olhou para o lugar e notou que era muito simples. Havia uma placa velha escrito “Crianças sem fome” e entrou por uma portinha na lateral. Ao passar pela porta, deu de cara com uma mesa e uma secretária.
– Bom dia. – A mulher disse sorridente. – O que deseja?
– Bom dia. Meu nome é Emma Swan e Alice me disse para vir aqui.
– Ah, claro! – A secretária se levantou e deu um abraço na loira, que não entendeu. – A mãe de Alice me explicou tudo... – Parecia surpresa.
– E ainda assim você parece surpresa! – Emma riu.
– Me desculpe! Eu não pensei que a senhora fosse vir. – Respondeu acanhada.
– Mas é claro que eu viria! Quero conhece-los e, se possível, ajuda-los.
– Claro, claro! Venha por aqui. – A mulher foi guiando Emma por algumas salinhas pequenas que havia ali.
– Não tem ninguém aqui? – Indagou confusa.
– Sim, tem sim. Eles estão no pátio, que fica bem aqui. – Dito isso, ela abriu uma porta e havia muitas crianças brincando. Algumas extremamente magras.
– Pessoal, essa é Emma! Ela veio conhece-los. – Gritou a secretária.
Todos pararam o que estavam fazendo e vieram cumprimenta-la. Possuiam rostos judiados e curiosos. Emma falou com todos, contaram um pouco de suas histórias e ela se emocionou com cada uma delas. Notou que um menino, ainda novo, não devia ter mais do que dez anos, estava no cantinho e apenas deu-lhe um tchauzinho. A loira foi até ele e se sentou.
– Olá, garoto. – Sorriu gentilmente ao cumprimentar o menino.
– Bom dia. – Seu tom era tímido e acanhado.
– Meu nome é Emma. Qual é o seu?
– Martin. – Limitou-se a dizer.
– Martin? Que bonito seu nome!
– Obrigada. – Deu um sorriso acanhado.
– Você não é de falar muito, não é mesmo? – Ela riu.
– Eu sou... Eu só estou triste. – Abaixou a cabeça.
– O que aconteceu para você ficar triste? – Segurou a mão do menino, que aceitou aquele gesto.
– Estou preocupado com a Alice. – Suspirou.
– Ela ficará bem, garoto. Eu prometo. – Segurou a mão do menino com um pouquinho mais de força. – Você nasceu aqui?
– Não... Nasci no México e vim para cá quando era bem pequeno, nem me lembro de lá. – Deu os ombros.
– E como veio parar aqui? – Ela perguntava tudo de uma forma muito delicada, tentando não se invasiva.
– Ah, é uma longa história e... – Antes que terminasse, Emma o interrompeu.
– Eu tenho bastante tempo. – Sorriu gentilmente.
– Quando eu tinha três anos, minha mãe deixou eu e minha irmã em um ponto de ônibus e nunca mais a vimos. Passamos fome até sermos encontrados pela Alice, em uma de suas viagens, e aqui estou eu. – Seus olhos denunciavam toda a tristeza e dor que aquilo havia lhe causado. Emma respirou fundo, queria chorar, mas se manteve forte.
– É complicado, garoto. Sabe que eu nunca conheci meus pais? – Sorriu tristemente.
– Não? – Ele arregalou os olhos.
– Não... Fui abandonada logo que nasci, não me lembro de nenhum deles.
– E você também foi para uma ONG?
– Não. Eu fui para alguns orfanatos, depois fugi e fui me virando na vida... Já aprontei muito! – Eles riram.
– Jura? Você é uma moça tão bonita.
– Ei, ei, ei! – Falou com um tom bravo de brincadeira. – Você é um menino lindo! Isso não tem nada a ver! – Franziu os olhos.
– E agora? Como você está? – Perguntou Martin, curioso.
– Vou te contar um segredo! – Ela disse e riu com a cara de animado dele. – Ontem eu me casei.
– Ontem?! Mas você não deveria estar em lua de mel? – Ficou confuso.
– Na verdade, eu não moro aqui. Estou viajando com a minha namor... Ops, mulher! – Riu. – A gente mora no Maine e viemos passar uns dias, então ela fez uma surpresa e me pediu em casamento.
– Uau! Como ela se chama? – Perguntou animado.
– Regina! – Emma pegou seu celular e mostrou uma foto das duas.
– Nossa! Ela é linda! – Ficou boquiaberto.
– Não é? – Ela riu.
– Mas então quer dizer que você vai embora? – O olhar do menino voltou a entristecer.
– Eu vou... Mas vamos assim, me conta um pouco sobre esse lugar e quem sabe a gente não passa a se ver sempre?
– Sim! – Respondeu ele de forma agitada.
Martin ficou contando sobre tudo o que a ONG de Alice fazia, sobre como não tinham direito para ajudar a todos e tudo o que ela precisava saber para tomar uma decisão.
– Eu vou ajuda-los. – Disse Emma a secretária.
– Vai mesmo?! – A mulher parecia querer pular de felicidade.
Emma deixou o seu contato, se despediu de todos e pediu para levar Martin para dar uma volta. Assim que saíram, o motorista abriu a porta do carro e ele se encantou com todo aquele luxo. Emma pediu para que fosse direto para o hotel e assim fizeram.
+++
– Emma, eu... – Antes que Regina terminasse sua fala, ao abrir a porta, ficou surpresa com a presença do menino.
– Regina, esse é o Martin. – Disse Emma, sorridente.
– Olá! – Ele logo beijou o rosto da morena, que se lembrou de Henry, e sorriu no mesmo instante. – Você é ainda mais bonita pessoalmente. – Ficou boquiaberto.
– Oh, gracinha! – Regina sorriu feliz. – Muito obrigada! Emma falou de mim para você?
– Falou, falou! Disse que se casaram ontem e posso confessar uma coisa? – Fez um gesto para que a morena se abaixasse. – Vocês são o casal mais bonito que eu já conheci! – Sussurrou no ouvido de Regina. Ela sorriu encantada.
Emma, Regina e Martin foram almoçar juntos. Ele contou sua história, deixando a prefeita emocionada do começo ao fim. Ele e Emma contaram sobre a ONG e Regina super apoiou a ideia da amada, se orgulho dela por ter um coração tão grande. Horas e horas se passaram dentre almoço e sorvete, até que elas o levaram de volta para a ONG.
– Muito obrigado! – Disse Martin abraçando as duas mulheres. – Vocês são as minhas fadas madrinhas. – Piscou para elas.
– Emma... – Regina chamou a loira no canto. – O que acha de o levarmos para Storybrooke morar com a gente?
– Não podemos, Regina, ele tem uma irmã e sei que ajuda bastante com a ONG, mas podemos ajuda-los a ter uma vida melhor. – Fez uma pausa. – E podemos vir visita-los sempre.
Regina concordou e Emma se dirigiu a Martin novamente.
– Garoto, Regina queria te levar para o Maine com a gente... – Antes que acabasse de falar, foi interrompida por ele.
– Eu não posso, Emma. Não deixaria minha irmã e essa ONG nunca. Quero cuidar de tudo aqui com a Alice. Se não, eu juro que iria! – Riu e fez sinal de figas.
– Eu entendo. Vou ajuda-los, certo? Isso é uma promessa. E quanto a Alice, ela vai ficar bem. É outra promessa. – Sorriu gentilmente. Os três se abraçaram e elas entraram no carro.
+++
– Emma, porque não me contou sobre tudo isso? – Regina perguntou, mas não de forma zangada.
– Não tive tempo. Vou te explicar tudo... – Ela foi falando sobre tudo o que havia acontecido desde quando encontrou o menininho no banco da rua, enquanto viajam de volta para casa. Regina ficou encantada com a bondade de Emma, mas não desconfiou que faria diferente, nem por um segundo que fosse.
– Você soube mais alguma coisa sobre Alice? – Indagou Regina, preocupada.
– Infelizmente, não me ligaram... Espero que fique tudo bem. – Por mais que Emma fosse positiva, não podia não ficar preocupada. O acidente havia sido bem feio.
– Esperamos então. – Regina sorriu e segurou a mão de sua mulher, fazendo carinho no dedo em que ela carregava a aliança. – Aquele dia que nos perdemos durante as compras, lembra? – Perguntou a prefeita, recebendo um aceno positivo com a cabeça. – Eu fui buscar os anéis. Já tinha encomendado de um amigo do meu pai... Me perder foi apenas uma desculpa para a surpresa. – Deu os ombros brincando.
– Você já estava planejando tudo então?! – Emma riu.
– Sempre! – Elas riram e foram trocando carícias até o fim da viagem.
Assim que chegaram a casa, agora oficialmente delas, em Storybrooke, Henry estava no sofá vendo um filme. Ele ouviu o barulho das chaves, olhou para a porta e deu um pulo ao ver as duas mães chegando.
– Mãe, mãe! – Correu até as duas e as abraçou. – Que saudades!
– Nós também morremos de saudades. – Disse Emma, enquanto Regina beijava o rosto todo do menino. — Aliás, temos uma novidade para te contar! – Dito isso, a loira pegou a mão de Regina e estendeu ao lado da sua, mostrando as alianças ao filho.
Henry e Regina riram de Emma.
– O que foi?! – Ela perguntou estranhando a reação dos dois.
– Henry sempre soube. Pedi vários conselhos a ele. – Regina piscou.
– Não acreditoooooo! – Emma riu e começou a fazer cócegas em Henry. Ficaram ali comemorando tudo que estava acontecendo. Regina estava feliz, assim como Emma e Henry. Passaram o dia falando da viagem e contando tudo, ou pelo menos quase tudo, o que aconteceu em Las Vegas. Mais a noite, o telefone tocou.
– Queridas, quando nos veremos? – Cora e Fiona falavam no viva voz, arrancando sorrisos de Emma e Regina.
Fale com o autor