Coming Home
33 Some girls.
Notas iniciais
O coração de Emma poderia saltar pela boca a qualquer hora. Regina não estava tão melhor que isso, suas mãos tremiam ligeiramente e, de repente, as palavras falhavam e ela não conseguia dizer.
– E então, mãe, pode falar... – Henry aguardava tranquilo. Ele nunca imaginaria o que Regina realmente queria.
– Henry... – A única coisa que a prefeita conseguia falar era isso. O resto não saia. – Henry, eu... – Ao ver que Regina estava tensa, Emma segurou sua mão e a olhou dentro dos olhos. A loira balançou a casa de forma afirmativa.
– Eu estou aqui com você. – Emma sussurrou no ouvido da outra gentilmente.
– Henry, eu e Emma estamos juntas. – Regina despejou aquilo de forma rápida. O medo percorreu todo o seu corpo, mas também o alívio.
– Juntas? – Ele respondeu com calma. – Juntas como?
– Juntas como um casal. – A prefeita já não conseguia falar nada, então Emma respondeu por ela, passando um de seus braços por trás da outra e beijando seu rosto.
– Calma. – Henry tomou um minuto para respirar. – Então vocês são oficialmente minha mães?- Ele tropeçava nas palavras. – Digo, somos uma família de verdade?
– Sim! – Regina respondeu segurando a mão do filho.
– Isso é demais! – Ele pulou no pescoço das duas e as abraçou com força.
– Então você nos apoia? – Emma perguntou com algumas lágrimas nos olhos. As duas estavam segurando o choro, mas era quase impossível conter toda aquela emoção.
– Se eu apoio? – O menino arregalou os olhos e as encarou. – Esse é o melhor presente que eu poderia ter ganhado! – Voltou a abraça-las, dessa vez segurando ainda mais forte. – Eu amo vocês duas. – Beijou o rosto de cada uma, que a essa hora já tinham suas bochechas molhadas por lágrimas emocionadas.
– Eu fico tão feliz e tão orgulhosa de você, Henry. – Emma respondeu em um tom baixo.
– Sabe, mãe. – O menino se virou para Regina. – Você e eu tínhamos uma relação complicada, só agora percebi o quão bem você me criou.
– Como assim? – A morena indagou sem entender direito o que ele queria.
– Emma acabou de dizer que está orgulhosa de mim. – Ele apontou para a loira. – E quem me criou foi você. Então foi você quem a deixou feliz, e, se vocês estão felizes, eu também estou! – Um sorriso inocente se postou em seu rosto.
Regina chorou ainda mais. Ela abraçou os três e sua emoção tomou conta do resto.
– Mas, pera. – Henry fez uma cara de assustado e se afastou um pouco das duas. – Quer dizer que agora vocês vão me dar bronca juntas? – Elas riram muito.
– Eu serei a mãe legal. – Emma respondeu antes. – E Regina... Bom, será Regina. – Ela riu ao olhar para a outra, assim como o menino.
– Como se atreve? – A prefeita colocou as mãos na cintura e acirrou os olhos. Seu tom era de brincadeira. – E você concordou, Henry?! – Ela puxou o filho para si e fez coceguinhas nele.
+++
A segunda-feira começou agitada. Regina acordou as pressas para ir para a prefeitura.
– Você pode levar Henry na escola, por favor? – Ela passava pela cozinha voando, se arrumando enquanto pegava uma maçã.
– Claro! – Emma respondeu e bagunçou o cabelo do menino, que sentava ao seu lado na mesa.
– Ótimo. – Regina deu um beijou na boca da loira e um no rosto do filho. – Vejo vocês à noite. – Ela fechou a porta, mas abriu logo em seguida. – Eu amo vocês! — Saiu sorrindo.
+++
O dia estava uma confusão na prefeitura. Aquela tarde seria cheia de reuniões e coisas chatas a se fazer, mas era preciso. Após desligar um telefone, Regina apoiou os cotovelos na mesa e começou a massagear suas têmporas, então o telefone tocou novamente.
– Não se pode ter um minuto de sossego nesse lugar. — Ela reclamou e atendeu. -
– Madame Mayor? — Uma voz diferente estava do outro lado da linha.
– Sim? — Regina respondeu receosa.
– Olá, aqui quem tá falando é Silvia.
– Hum. — A morena não estava entendendo direito.
– Eu gostaria de saber se você está pensando em viajar. — A mulher falou toda animada.
– Não, não estou. Era só o que me faltava agora ter que lidar com agências de viagem. — Ela ia desligar, mas teve uma ideia! — Alô, Silvia? Silvia?
– Ainda estou aqui. — Silvia respondeu com o mesmo tom animado.
– Estou sim! O que você tem para o próximo fim de semana? — Regina sorriu vitoriosa.
+++
Emma e Mary Margaret continuavam a arrumação da nova loja. Assim que entrou, a loira sorriu ao olhar para a parede e relembrar do que havia acontecido ali há alguns dias atrás.
– Emma? Aconteceu algo engraçado? — Snow olhou para ela e riu.
– Não, não... Só estava pensando em como gostei dessa parede vermelha. — A mais nova desviou o assunto.
As duas começaram a receber os móveis. Foram arrumando tudo em seu lugar com a ajuda dos entregadores. O lugar estava ganhando cara de loja. As araras e os móveis eram feitos de madeira rústica, dando um ar intimista ao local. Emma e Snow davam duro e se orgulhavam a cada novo toque.
Algum tempo se passou, as duas estava sentada no novo sofazinho que tinham colocado.
– Deu para cansar, não é? — Disse Emma.
– Muito! — Snow respondeu enquanto passava creme em suas mãos. Ela nunca deixava a pele ressecar.
– Emma?! — Fiona entrou na loja com um tom sério e se dirigiu a outra.
– Fiona? O que faz aqui? — Ela se levantou do sofá e se aproximou da mais velha.
– Eu preciso conversar com alguém e não pode ser Regina. Por mais que eu goste muito dela, Cora é sua mãe. — Ela olhou para Snow, que entendeu o que aquilo dizia e anunciou que ia dar uma volta.
– Sou toda ouvidos. — Emma assentiu e a convidou para se sentar no sofá. — Desculpa não poder oferecer nada, é que realmente estamos sem nenhuma bebida. Mas podemos ir a algum lugar, se preferir.
– Não precisa. Obrigada. — Fiona segurou uma das mãos da loira. — Eu achei que estava tudo bem entre Cora e eu... Se importar se eu fumar? -
– De forma alguma.
– Então. — Ela acendeu um cigarro e deu uma longa tragada. — Eu achei que estavamos bem. Na verdade, estamos bem como um casal, só que eu não consigo deixar de lado tudo o que aconteceu entre nós. Ainda me machuca muito saber que ela me trocou um dia. Vivo com essa sensação de que serei trocada novamente. — Mais uma tragada. Ela despejava as palavras. — Hoje pela manhã ela estava vendo fotos de Henry, seu falecido marido, e sorria ao ver cada uma delas. Aquilo foi me trazendo o passado à tona... Fiquei tão angustiada. Passei o dia todo fora e não passou. Eu precisava conversar com alguém sobre isso. — Outra tragada.
– Oh, Fiona. Eu nunca poderia imaginar isso. — Emma estava surpresa. — Eu não sei sobre a história de vocês, mas sei sobre ser trocada. Sei bem. — Ela se lembrou de suas famílias adotivas.
– Você gostaria de ir jantar comigo hoje? Ou apenas ir a algum bar? Eu gostaria de lhe contar tudo... — A mais velha fez uma pausa. — É claro, se você estiver disposta.
– Seria ótimo! — Os olhos esmeralda de Emma fizeram a outra se sentir mais confortável.
– Eu me sinto muito sozinha nessa cidade. Todas as minhas amigas estão em Los Angeles. — Fiona abaixou o rosto.
– Eu estou aqui. — A mais nova segurou-lhe a cabeça e sorriu.
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